Quinta-feira, 31 de Março de 2011

Thievery Corporation - The Numbers Game



Muito própria para a época.

Ajuste directo ou Concurso ?

Às 20.30 saberemos se o próximo Governo será nomeado pelo Presidente da República por Ajuste Directo, ou por Concurso Público.

Também tu António?

António Barreto afirma: Crise política é "golpe" de Sócrates para se vitimizar.

Antes que o açúcar transborde

Há um problema clássico na Economia de que uma pessoa que prefira uma determinada quantidade de café com, digamos, X gramas de açúcar, à mesma quantidade de café com X + 0,001 de açúcar, se derem as duas possibilidade ao indivíduo para comparar, por limites de percepção ele mostrar-se-á será diferente entre as duas. De certo modo, o "problema" com Sócrates é semelhante. A cada "caso" que foi aparecendo, a cada 0.01% a mais nas taxas de financimento a 2 ou 5 ou 10 anos, nós estamos pior, mas cada variação marginal parece ter o efeito mágico de deixar o sr. Presidente sentado no sofá, indiferente. Já se aglutinássemos o pacote de casos e desvarios de Sócrates, mais a subida global de taxas de juro, o "delta" seria tão grande que a reação seria óbvia. Sr. Presidente, você é economista e percebe isto. Olhe para o delta global, se faz favor. E, da posição onde se encontra, e como patriota que é, actue em conformidade.

Uau!

Vida animada, esta. 1,5 mil milhões, coisa pouca. Leilão seco ou extorsionário?

Reparem

O gráfico supra compara as curvas de rendimentos (yield curve) das dívidas grega, irlandesa e portuguesa. Como é do conhecimento público os dois primeiros já foram obrigados a pedir ajuda externa. Nós permanecemos "orgulhosamento sós". É interessante verificar que nos prazos mais curtos (até um ano) a Irlanda tem taxas mais baixas que nós. Mas não. Não precisamos de ajuda. Obrigado por perguntarem.


[fonte: Zero Hedge]

Yes, no doubt we could!

Sim, os valores do défice foram revistos: para 10% do PIB em 2009, para 8,6% em 2010 (a redução entre os dois anos acaba por ser mais do que que explicada pela manobra do Fundo de Pensões da PT).

Em alta, contribuiu em 2010 a inclusão das imparidades do BPN (1 ponto percentual) e a das empresas de transportes (Refer e Metros) no perímetro de consolidação do défice.

O défice, como já aqui muitas vezes referimos, é o que um homem, um Teixeira dos Santos, um INE, uma Europa, sei lá, quiserem, uma convenção contabilística, havendo melhores e piores, seguramente melhores do que as que hoje prevalecem como medida das necessidades de financiamento do Estado num determinado período.

Importante mesmo e mais próximo do que nos interessa de facto - a realidade - é a evolução da dívida pública - mais difícil de aldrabar. Aí as coisas são de facto sinistras. Como projectava o Bank of International Settlements há precisamente um ano atrás, facto de que demos conta na altura, a dívida pública veio mesmo a superar a fasquia dos 90% do PIB, situando-se nos 92,4%, quando de acordo com a meta mais recente do Governo, constante no Procedimento de Défices Excessivos de 28 de Setembro de 2010, deveria ter-se ficado pelos 83,3%. Uma brutal diferença de 9,1 pontos percentuais.

Só um tarado furioso poderia, depois disto, acreditar em qualquer projecção, meta, compromisso, palavra dada, deste desgoverno em decomposição. Nós, alguns portugueses, há muito que não lhe damos qualquer valor. É natural que o resto do mundo nos siga agora. Melhor: é impossível que não siga.

Pois, foi a crise política

A notícia da revisão em alta dos défices de 2009 e 2010 já chegou aos media internacionais que refere o aumento do risco de um "bailout". Segundo uma economista do Citigroup "Isto aumenta a pressão sobre Portugal, que será provávelmente incapaz de aceder aos mercados [de crédito] nas próximas semanas e provavelmente necessitará de solicitar ajuda externa".

Estupidez suprema


Foi o governo que tomou a iniciativa de se demitir depois da trapalhada (ou maquinação) em torno do PEC IV. Deviam estar cientes das implicações dessa acto. De qualquer forma, não estou a ver o PSD, o PR ou mesmo o Tribunal Constitucional levantarem objecções a um eventual pedido de ajuda externa caso a situação o justifique. O que penso ser o caso. Parem de inventar desculpas.

Imputação de racionalidade (kamikaze)

Começa a ser um pouco mais claro e a pergunta vai recebendo resposta. Sócrates montou a sua demissão para:
a) internamente tentar desvincular-se do resgate inevitável;
b) externamente tentar até ao limite exbir incapacidade para o pedir; quis comparecer à Cimeira de 24 e 25 "impossibilitado"; o Presidente manteve-o naturalmente na plenitude das suas funções; na prática estava de saída; barricado no país.

Libertinagem

Tendo o Governo escaqueirado a Caixa Geral de Depósitos, Coiso II afirma que vender um caco seria leviano.

Insensibilidade e falta de bom senso

Jorge Braga de Macedo, ontem na TVI 24 citado pelo Diário Económico


"Portugal tem o défice maior dos países todos da União Europeia. Portugal exagerou. Mais que a Grécia, mais que a Espanha. Em Portugal, o desprezo pelas regras do bom senso do não endividamento foram totais"

Isto costuma acontecer imediatamente antes do fim

Gráfico da evolução da taxa de juro a dois anos, 8,32%, trepando pela parede a todos os minutos pelo que o valor ali atrás é apenas o do momento do post (11:55), agora acima da taxa de juro a dez anos, 8,23%. Em breve será a taxa mais alta. Comentário mínimo aqui.

Está tudo pronto o resgate a Portugal

Portugal só tem de "dar o primeiro passo", diz o ministro das Finanças holandês.

Consumir em português

Eu sei que pode parecer pouco. Mas depois da bancarrota Sócrates, quando precisamos mesmo de sair do buraco, os pequenos gestos podem fazer a diferença. A ideia é simples: como todos somos consumidores, se o produto for parecido, vale a pena consumir em português (parece que o código de barras começa por 560). Ainda por cima a qualidade é muitas vezes melhor do que algumas chinesices, sem ofensa, que por aí andam. Estima-se que se cada português consumir, por ano, 150€ de produtos nacionais, a economia estaria bem melhor e seriam criados postos de trabalho. E já agora vale a pena comprar no comércio tradicional, essencial para a vida e segurança das nossas cidades, vilas e aldeias. Abaixo a bimbalhada dos shopings e afins. Até dói ver tantas lojas de rua a fechar. Vamos a isso, camaradas, é uma questão de mentalidade.

Menos demagogia, mais realidade

São cada vez mais ridículos os apelos de "resistência à ajuda externa" dos líderes socialistas. Na realidade já estamos a beneficiar de ajuda externa há dois anos. Repito o que já escrevi. Sem o BCE há muito que o mercado se teria fechado para a dívida portuguesa e as taxas disparado. Mesmo assim a liquidez tem-se reduzido e as taxas subido de forma consistente. E o governo desperdiçou estes dois anos.

Contra a ajuda externa afirma Costa Pina que "Recorrer a ajuda externa implica ficar fora dos mercados pelo menos cinco anos, piorando as condições financeiras para o sector privado, empresas e famílias". Eu gostava que o Sec. de Estado das Finanças explicasse onde pensa, alternativamente, financiar-se durante os próximos cinco anos. E a que taxas. E se está a par das dificuldades de financiamento que já vigoram para empresas e famílias. E se pensa continuar a fazer operações de curto prazo para resolver uma permanente ruptura de tesouraria.

Tenta o ministro Silva Pereira assustar-nos com as medidas draconianas que serão impostas pelo FEEF/FMI. Ele que olhe para os sucessivos PEC's que pouco ou nenhum impacto tiveram nas contas públicas e explique que medidas pensa o governo implementar para controlar a despesa pública.

Sinceramente, é difícil perceber esta teimosia. Uma explicação será o ego ferido dos governantes incapazes de admitir que falharam. Percebo também que lhes seja difícil largar as sinecuras a que se habituaram durante os anos dedicados a destruir o país. Muitos deles nada fizeram na vida para além de intriga política. Nada têm senão o estado. (o que explica o seu enorme amor por este). Temem pelo futuro. Mas nada disto é desculpa para brincarem com as vidas alheias. Eles que aceitem a realidade e nos deixem em paz. Já basta a bonita obra que deixaram e que vai demorar muitos anos a pagar.

Doutoramento INGENIARII SOCRATIS MERDAE CAVSA




Asinus furiosus, uir barbarus et funestus. Lapidandus est.

Da Série Cachimbos e Vinhos (6)

Provavelmente o exemplo mais forte do momento de como não é boa ideia associar automaticamente preço e qualidade no vinho: Quinta do CARM, Reserva, 2007 e 2008. Praticamente o mesmo vinho, imagino que a maioria das pessoas não note particular diferença entre os dois, excepto no preço. Enquanto o 2008 custa entre 8 e 9 euros por garrafa no retalho, transformando-o, provavelmente, no melhor vinho português na categoria sub-10 euros, o 2007 arranja-se com dificuldade a € 30. Diferença? Essencialmente o facto do 2007 ter sido eleito o 9º melhor vinho no ranking da Wine Spectator na edição de 2010. O top 10 dos nossos amigos da WS garante sucesso de vendas internacional, torna o vinho fashionable, aumenta a pressão pelo lado da procura, dispara o preço (por decisão) do produtor/retalhista para preço prestígio no sentido de marketing do termo. Conclusão, se alguém estiver a pensar comprar 1 garrafa de CARM Reserva 2007 a preço comum de mercado, o melhor que tem a fazer é desistir da ideia e comprar 3 garrafas do 2008. E ainda sobram uns euros.




Há muitos mais factores a definir o preço, como em qualquer produto, uma pequena wine boutique irá sempre produzir mais caro que produtores com maior escala, elevando o preço mínimo. Há também grandes produtores (Mondavi, Rothschild, etc) que aplicam proibitivos preços de prestígio a vários dos seus vinhos, elevando o preço "máximo". Pelo meio os habituais factores da generalidade dos produtos e, tal como nestes, o preço é apenas um factor de referência, mas claramente insuficiente como indicador único ou até mesmo decisivo de qualidade. O vinho não é um monolito que segue uma linear escala de preço e qualidade.

Grande Finale (116)




The Lady Vanishes, Alfred Hitchcock, 1938

Quarta-feira, 30 de Março de 2011

¿Qué pasa en España?


"Se eles não percebem, não vale a pena explicar. Se percebem, não é preciso!"

A tal entrevista já está disponível aqui.

Questões de fundo

"(...) [F]oram erros de condução política que nos conduziram aqui", afirmou hoje Vítor Bento, referindo-se "ao conjunto de escolhas que foi feito ao longo de 15 anos".

O economista acrescentou, contudo, que "outra actuação não teria sido possível no quadro democrático" e que "qualquer narrativa diferente teria sido rejeitada eleitoralmente, como aliás foi". Ênfase minha.

Não ouvi as declarações, nem tive a oportunidade de interrogar Vítor Bento sobre o sentido exacto das suas palavras, que julgo apenas compreender muito bem. Posso estar errado. Muito menos o pude interrogar sobre as consequências da sua avaliação que, ao contrário do que uma precipitação pode crer, não são logicamente imediatas. Gostaria de o ter feito. Em todo o caso, oferece-se à consideração dos leitores do Cachimbo o enunciado deste "nó górdio".

Um texto a não perder

Trata-se de um texto de ficção. Tudo indica estar-se perante um escrito de humor (e este é tanto maior, quanto o texto parece pretender um registo sério, analítico). Uma das suas qualidades inegáveis está no facto extraordinário de, sem perder a sua superior dimensão humorística, conseguir, ao mesmo tempo, um tom quase épico ( por exemplo, "uma das melhores e mais corajosa... que o país teve"). E que dizer da paródia (quase cruel, reconheça-se) conseguida quando se escreve "deitou-se para o lixo mais de quatro anos de trabalho e persistência"? Dificilmente alcançável por qualquer amador pretensamente engraçado.

Felizmente que se trata de um texto humorístico - se o não fosse, padeceria de um ridículo involuntário, seria um estendal de superficialidades maliciosas, com a típica coerência interna do delírio, sem correspondência com a realidade que julga descrever (cada palavra sonante teria por detrás de si, afinal, um vazio mudo, i. e. que nada diz, porque nada é, mas inscrita num contexto falacioso). Mas o que é isto comparado com o próprio? Ei-lo.

Le régime c'est nous


Não é novidade para ninguém que o PS se tem assumido, desde há muito, como o único garante da legitimidade do regime, defendendo que a sobrevivência do regime depende forçosamente de si e que, por isso, qualquer ataque ao PS se trata, na realidade, de um ataque ao regime. Sem surpresas, a Oposição é, para os socialistas, desleal, imatura e mesquinha.
Quem se interessa pela história da I República não pode deixar de reconhecer aqui uma espécie de remake do PRP de Afonso Costa, cuja propaganda atribuiu ao partido o monopólio da legitimidade da acção política. Entre 1910 e 1926, os adversários políticos passaram a ser inimigos do regime; a suspensão legítima da ordem legal aconteceu quando o partido/regime era ameaçado; as promessas políticas não saíram do papel porque o regime estava em risco; a liberdade de imprensa só existiu enquanto as sedes dos jornais não foram vandalizadas; a crise económica nasceu da incapacidade de modernizar a actividade económica do país; a sociedade criou uma crescente dependência num Estado continuamente a engordar.
Quem se interessa pela história da I República não pode deixar de recordar que tudo isto acabou muito mal. Curiosamente, também foram precisos 16 anos.

O mínimo dos mínimos

Com o disparar das taxas de juro, sobretudo nos prazos mais curtos, o mínimo dos mínimos é que o governo peça ajuda aos seus parceiros europeus para financiar as necessidades de financiamento até ao final de Setembro.

Como os montantes são muito inferiores aos necessários até ao final de 2013, as condições exigidas também o deveriam ser. Isto permitiria um mínimo de descanso até o próximo governo já estar em funções e em condições para negociar o mais que certo financiamento até 2013.

Muito provavelmente, o PSD será chamado a dar o seu acordo às condições deste pedido, mas os sociais-democratas devem fazer a sua anuência ser condicionada por uma auditoria às contas públicas, que deve ser conhecida antes das eleições. A UE também estará interessada em conhecer os resultados desta auditoria, cuja informação será sobretudo importante para o financiamento para lá de Setembro.

Já está nas livrarias

O Miguel Morgado está de parabéns. As Edições 70 estão de parabéns e todos nós estamos muito obrigados. Sem querer abusar da bondade da editora, e na firme esperança de que quererá igualmente estar associada a outro grande momento editorial por acontecer ainda em Portugal, fica em baixo a próxima sugestão. Nem sequer terá de se esforçar muito para encontrar o tradutor, prefaciador e anotador ideal: é o mesmo de Monstesquieu.

Oh my dog!

Acreditamos que, em algumas circunstâncias, o Governo deu prioridade a si próprio em detrimento das empresa públicas no acesso aos mercados.

Esperamos que o pacote de ajuda tenha em consideração as necessidades de refinanciamento da dívida das empresas públicas, incluindo da Parpública.

Enfim, Parpública para o lixo.

A minha tia-avó, um senhora antiga, costumava contar-me que, nos tempos da República, saía-se de casa e não se sabia, quando se voltava, se o Governo era o mesmo. Disso lembrava-se ela. Não é para menos: salvo o erro, em 16 anos houve 45 Governos e 8 Presidentes. Eu, hoje, quando saio de casa, ignoro se, ao voltar, o país está no mesmo sítio, ou pelo menos próximo. O Governo, esse, vai durando, como se prova, sem margem para dúvida.

A vida vivida (e paga) de pernas para o ar: um muito obrigado ao Governo

Hoje custa tanto o endividamento

- a 2 anos - 8,02%
como
- a 10 anos - 8,09%

Em breve será muito mais caro. O coiso que nos governa acha qualquer coisa. E ambos os prazos custam muitíssimo mais do que a mais gravosa das hipóteses sob um resgate europeu. Quase o dobro, em breve bem acima do dobro, da taxa concedida à Grécia.

Mais novas da era B.

a/c do "engº" Pinto de Sousa

A agência Fitch deixa mais um aviso, peremptório, a Portugal: se o Estado não for socorrido pela União Europeia e pelo FMI, o rating da dívida soberana nacional pode baixar ainda mais em breve. Espero que os "abrantes" , que desde a última semana passaram a ter em elevada consideração as agências de notação, tomem boa nota deste aviso. Aconselhem bem o chefe. E recomendem-lhe este site.

A Europa não pode parar!

Da defunta União Soviética a UE parece ter herdado o gosto pelos alucinados "planos quinquenais". Tal como os originais, são generosos nos objectivos e parcos nos resultados. Faltando-lhe os meios (e sejamos justos, o carácter) autoritário e os meios repressivos do original normalmente falham em convencer os indivíduos a obedecer às directivas emanadas de Bruxelas. Não admira que sejam apresentados com pompa e circunstância e posteriormente abandonados em segredo.



No seguimento da "Estratégia de Lisboa" que prometia que em 2010 seriamos a "economia mais competitiva e dinâmica baseada no conhecimento com mais e melhores empregos e mais coesão social" temos agora a "Estratégia Europa 2020" que promete um "crescimento sustentável, inteligente e inclusivo". Se não notaram os prometidos avanços da estratégia de 2010 não esperem melhoras com a de 2020.


Mas a história não fica por aqui. O último plano pretende eliminar todo o transporte movido a gasolina, gasóleo ou GPL das cidades entre 2030 e 2050. Este mirabolante plano inclui tanto automóveis privados como transportes colectivos. Mais uma vez os desideratos megalómanos: "construir um sistema de transportes competitivo que aumente a mobilidade, remova as principais barreiras em áreas-chave e fomente o crescimento e o emprego". Não se percebe vai conseguir alcançar estes objectivos com como uma medida que vai diminuir enormemente a mobilidade, implicar a destruição de capital físico e a angariação de avultados recursos para a construção das novas infraestruturas. Ainda por cima baseado em tecnologias que, até agora e pese o elevado preço dos petróleo, apenas conseguem ser rentáveis à custa de subsídios e pouco eficientes e eficazes. Numa palavra, empobrecimento.


Mas estarei, provavelmente, a ser alarmista. O mais provável é que daqui a uns anitos este plano estruturante seja abandonado e esquecido numa qualquer gaveta. Entretanto gastaram-se uns milhões em consultora externa, propaganda e ajudas de custo. E já estaremos a discutir o novo plano que até 2030 promete torna-nos na economia mais avançada, abastada e socialmente justa do mundo. Isto apesar dos fracassos anteriores, é claro.

Mais responsabilidades para o PSD

Portugal's statistics agency said it plans to make "accounting changes" in a report to be submitted to the European Union's statistics agency by week's end, a revision that could indicate a wider 2010 budget deficit and which would further undermine the credibility of the country's embattled government.
The country's statistics office has been reviewing its 2010 accounts after the EU's Eurostat agency observed that Portugal hadn't included a €2 billion ($2.8 billion) cash injection into Banco Portugues de Negocios.
(...)
he Bank of Portugal said it now expects GDP to contract this year by 1.4%, more than the 1.3% contraction it forecast earlier. The central bank also cut its GDP growth forecast for 2012 to 0.3% from 0.6% previously, partly because of the effects of the government's deficit-cutting measures.

Wall Street Journal, 30 de Março de 2011

Aguardo, com expectativa, a reacção da "Socrates School of Economics".

Hoje sou o delinquente convidado

Correspondendo (com considerável atraso) ao simpático convite do Pedro Correia publico hoje no Delito de Opinião este post.

Fotoreportagem: Marrocos

Longe dos focos mediáticos, e evolução dos acontecimentos em Marrocos: Depois da Tunísia


Depois do Egipto


As reformas



"L’Etat, en face, doit surtout faire attention à ne pas répéter l’erreur de dimanche dernier, quand des policiers ont chargé les manifestants de Casablanca. ...La répression risque de radicaliser les modérés et de faire basculer (dans la colère) la majorité silencieuse. La violence de l’Etat ne casse pas seulement du manifestant, elle “tue” au passage le discours officiel, aussi prometteur soit-il."
A Revolução em Marcha "Il y a mille et une leçons à retenir de ce qui vient de se passer au Maroc en à peine un mois. La plus forte et la plus immédiate de ces leçons se trouve aussi être la plus simple. Elle crève les yeux. Le changement aura lieu non pas parce que, selon une certaine terminologie, “les Marocains ne sont pas prêts”, mais juste parce qu’ils le veulent. C’est suffisant. "


Porque é importante o resgate, agora

No segumento do post anterior e apesar das garantias do Ministro da Propaganda Secretário de Estado das Finanças convém saber porque é importante uma intervenção do FEEF/FMI:

"Azad Zangana, economista da Schroders para a Europa, refere que "os preços actuais que o mercado exige são apenas sustentáveis para um ou dois anos." (...)[U]m eventual ‘bailout' a Portugal "seria um importante passo" para o país. Isto porque, segundo Azad, "um resgate permitira financiamento para seis a sete anos e a possibilidade de Portugal organizar as suas contas públicas."

Sobre a possibilidade de se assistir a uma reestruturação da dívida nacional e dos restantes países da periferia, o especialista considera que "deveremos ver uma reestruturação na Grécia e Irlanda mas não tenho a certeza que isso venha a ocorrer em Portugal", apesar de o mercado já hoje estar a descontar essa possibilidade, como mostram as cotações dos títulos de dívida nacionais.

Nos cinco anos, o spread para os dez já é de cem pontos de base


2 anos - 7,80%; naturalmente, o prazo mais pressionado;
3 anos - 8,63%
4 anos - 8,52%
5 anos - 9,01%
10 anos - 8,03%

Está tudo costapina.

Amigos para siempre (2)

O Magalhães como instrumento da solidariedade bolivariana

Acerca da privatização da CGD

Acerca do tema supra, ler a entrevista do Professor Álvaro Santos Pereira [ASP] ao Jornal de Notícias.


Um pequeno comentário. Não concordo com tudo o que diz. Em primeiro lugar acerca dos prazos. A possibilidade de um forte encaixe (desde que usado da forma correcta) aconselham que a operação se faça o quanto antes. Em segundo lugar o uso político que se faz da CGD (que ASP descreve muitíssimo bem nas duas últimas questões) anulam qualquer vantagem que pudéssemos tirar de um banco público. Os políticos não são anjos e convém anular as fontes de tentação.

Sócrates visto de fora

Um demolidor perfil de José Sócrates no ABC, em espanhol legítimo (ie não técnico). Começa assim:

El primer ministro portugués se parece a un conductor que avanza a toda velocidad por la autopista en dirección contraria, convencido que son todos los demás automovilistas los que se equivocan.

E depois não melhora.


(via Carlos Fernandes)

Terça-feira, 29 de Março de 2011

Ângelo de Sousa

Seria bom que o Público pusesse online a entrevista do pintor de 25 de Janeiro de 2009. (Um pequeníssimo excerto, aqui.)

Denunciar a incompetência

José Sócrates acusa as agências de rating de agirem por "preconceito" e diz não compreender a razão da sua "suspeição"sobre Portugal, numa entrevista publicada hoje no jornal francês "Liberation". 2 de Fevereiro de 2010.

O inacreditável governo de José Sócrates já tem a sua estratégia montada para a campanha que aí vem. E, tal como em 2009, será centrada na mentira. Tudo serve para desresponsabilizar a governação socialista. A propaganda socrática consegue mesmo cometer a proeza de atribuir duas causas diferentes para situações idênticas. Há uns tempos, como podemos observar nessa citação, a culpa dos problemas financeiros do país eram das agências de rating. Agora, porque viram aí uma janela de oportunidade, responsabilizam a oposição pelo mesmo facto, ilibando, desta vez, as agências de rating. Nunca, mas nunca, admitem que a sua governação falhou. Que não atingiu os objectivos. Que fracassou. Não, essas são expressões que não existem no léxico socialista. Resta combater e denunciar, com vigor e sem recuos, esta mentira.

Cachimbos de lá

George Trask, "Some way along the road to ruin", in Thoughts and Stories On Tobacco For American Lads, 1852.

Depende do ponto final

Até há algum tempo, a propaganda do Governo insistia na ideia de que Portugal resistiu relativamente bem à crise internacional (isto é, a crise mundial de 2008-2009). Era apresentado como um trunfo perante os seus críticos. Mas a patranha revela-se cada vez mais indefensável. Porque o raciocínio era o seguinte: media-se a queda do produto nas economias europeias, por exemplo, durante este período - 1 ano, ou 1 ano e meio, ou até 2 anos - comparava-se com a queda do produto português no mesmo período e fazia-se um brilharete que até permitia a jornalistas e outros comentadores esquecer o miserável desempenho da economia portuguesa nos 10 anos anteriores. O problema é que se suspendia o período de medição das referidas variáveis demasiado cedo. Isto é, avaliar a resistência a uma crise daquelas implica medir a recuperação que se segue, a sua robustez, bem como a sua rapidez. Medir só a queda, no momento da grande queda, é enganador.

Entretanto, houve quem recuperasse e houve quem se afundasse ainda mais. Querem comparar? É que, nestas coisas das comparações, o ponto final é lixado.

O país de Sócrates



A grande maldade

Sim, eu acho este post uma grande maldade. O homem já tem de expiar tantos males, como os neo-cons de Bush, o Dick Cheney, a Blackwater, entre outros, que não sei se aguenta com mais este. Mas os tempos estão cada vez mais propícios a demonstrar a sabedoria da velha máxima «cada um que se amanhe».

O que levou a S&P a cortar de novo? Nada, mas absolutamente nada de novo

Mais um pequenino passo no descarrilamento anunciado

Os problemas de fundo de Portugal estão cá todos, e há muito tempo, e há muito tempo detectados. Portanto, fica a pensar-se o que levou a Standard & Poor's (S&P) a baixar duas vezes, no espaço de uma semana, o rating da república.

Em primeiro lugar, a própria S&P: está a tentar recuperar rapidamente da sua prolongada negligência na avaliação de risco, quando se torna impossível continuar a fingir que se ignoram os problemas de insolvência do Estado português. Num sentido nada equívoco, a dupla redução da notação de risco é uma confissão de incompetência por parte da S&P, incapaz de a tempo e horas ponderar os problemas. A S&P, os seus clientes deveriam saber, como as demais agências de notação de risco, são elas próprias, na sua incompetência confessada, um factor de risco.

Repare-se, basta uma leitura cursiva do sumário introdutório do relatório completo, que nenhuma das razões invocadas tem o que quer que seja remotamente a ver com qualquer circunstância nova resultante dos desenvolvimentos internos ao Estado e à economia portugueses. A única referência, em todo o relatório, à actual situação política interna é a indicação de que um novo Governo estará na plenitude das suas funções em Junho e muito previsivelmente, depois do resgate, e no âmbito dos acordos que este envolver, "concordará em aprofundar as reformas orçamentais e estruturais". Portanto, daí não vem qualquer problema.

O problema de fundo é o próprio resgate, diz a S&P. Mais precisamente: Portugal, com este ou qualquer outro Governo, pedirá ajuda e será socorrido, primeiro, pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e, depois de 2013, continuará sob a protecção do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), cujos termos se tornaram claros (hoje? há uma semana? quando?) para a S&P, impondo um estatuto de privilégio ao ressarcimento dos seus empréstimos, relativamente às Obrigações e outros compromissos de dívida com outras partes. Como acresce que o acesso ao MEE estará condicionado à avaliação de sustentabilidade, da qual poderá decorrer uma reestruturação da dívida, a penalização resultante para os credores que não a "Europa" ficou mais pesada, aumentando o risco dos títulos portugueses.

Trata-se, pois, o episódio de hoje, de um pequenino passo no descarrilamento da Europa, aqui analisado por Daniel Gross, que tivemos ocasião de recomendar no dia 15 de Março, há quase duas semanas. E assim vai o mundo.

Convite

(Clicar para ver melhor.)

O estado miserável do ensino em Portugal

Reparo que o deputado Saldanha Galamba (só) descobriu agora os processos de criação monetária. É uma prova irrefutável da degradação do ensino em Portugal. Na minha altura isso aprendia-se logo no primeiro ano da licenciatura.


Pelo meio chama "Bundestag" (o parlamento federal) ao Bundesbank (o banco central). Isso é um lapso desculpável. Já as considerações que a despropósito faz sobre a hiperinflacção é que não.

Sempre a descer


A Standard & Poors voltou a diminuir a notação da dívida soberana portuguesa, agora para BBB-. Estamos a um (pequeno) passo de ser classificados como "junk", situação em que a dívida nacional passa a valer pouco mais que as notas do Monopólio. Podem ler o sumário e o relatório completo no Zero Hedge.

É claro que para que há quem diga da crise política e que foi esta que nos desviou do bom caminho. Mas para acreditar nesta "narrativa" temos que fazer fé que a crise caiu aqui de paraquedas (ou, noutras versões, em 15 dias) e que quem falhou todos os objectivos até agora os ia cumprir no enésimo "plano infalível".

(Para já) Dois anos de recessão

De acordo com as projecções hoje actualizadas do Banco de Portugal. Depois de uma década perdida, uma década de retrocesso? Muito provavelmente. Era interessante que falássemos do assunto, da possibilidade, da probabilidade e de como evitá-lo. Nenhum dos avisos, no começo da década passada, de que corríamos o risco de perder uma década, teve qualquer efeito. Desta vez será diferente? Tal como os termos do debate estão fixados, não será. Continuamos a equacionar o futuro pelo ângulo retrovisor. É normal que não vejamos nada do que verdadeiramente importaria.

Os dados estão lançados



A corrida vai começar.

Portugal na Eurovisão dá a volta ao mundo

Não é nada bonito de se ver nem de ouvir, mas o FT Alphaville diz que estava mortinho por postar o bizarro vídeo da nossa participação na Eurovisão. Compreendo a pulsão, pois partilho do mesmo interesse inexplicável pelo mau gosto excessivo. De passagem, dão a conhecer outras aberrações, como a da Grécia, da Irlanda e da Espanha. Recomenda-se para momentos de tédio profundo. Nem como sátira e nostalgia o raio da música do Jel, ou lá como se chama, está acertado, pois, como lembra o FT - this is a banking crisis at heart, dear reader — although it is uncanny.

E como resposta musical à crise - à crise bancária, querido leitor - julgo que estaria muito mais perto da representatividade esta ugly dance que aqui posto em baixo (agradecimentos ao meu irmão que a exportou para o Youtube).


Tomem nota

São extremamente graves as declarações do Professor Avelino de Jesus sobre a forma como foi boicotado o trabalho da comissão que avaliava as PPP. Tal como a alegação que os estudos de viablidade do TGV contem dados empolados. Merecem a nossa melhor atenção.

O FMI já anda por cá?

Contrariando a tendência dos últimos e dias (e o comportamento nas restantes maturidades) a taxa a 2 anos encontra-se a descer ligeiramente. É sempre difícil a leitura destes sinais mas. o mercado poderá estar a sinalizar positivamente os rumores que se encontra concluído o acordo com o FEEF e FMI que inclui um empréstimo de curto prazo para ultrapassar o previsto défice na tesouraria pública em Abril. Isto permitiria"empurrar" a entrada oficial do FEEF/FMI para depois das legislativas.

Pois

A retumbante derrota do partido de Angela Merkel no estado de Baden-Württemberg parece ter entusiasmado muita gente. Desde "abrantes" à extrema-esquerda. Infelizmente, contrariamente ao que afirmam, os eleitores não rejeitaram o "neo-liberalismo" nem queriam "mais Europa". A questão essencial foi o pânico em torno da energia nuclear após a catástrofe no Japão. Não foram só a CDU e o FDP que perderam votos. O mesmo sucedeu com os amigos dos "abrantes" (o SDP) e os ex-comunistas. O único partido parlamentar com um crescimento notável foram os Verdes. E, para que conste, o futuro ministro-presidente de Baden-Württemberg é descrito pela Economist como um adepto da "disciplina fiscal". Veremos.

Segunda-feira, 28 de Março de 2011

Mais uma injustiça que fazem a Sócrates,

Isto de darem o Pritzker a Souto Moura. Ninguém aprecia a elegância das casas do Eng Pinto de Sousa.

Volta e meia acontece-nos uma espécie de saltos quânticos

Desta vez foi nas obrigações a dois anos, agora com uma taxa de juro de 7,44%. Só hoje a subida foi de 33 pontos de base. Para um dia só é obra. Amanhã deve haver mais. Isto sempre salvo se o BCE não for aos mercados. E mesmo assim...

O novo primeiro-ministro

Pelo que se consegue perceber da leitura rápida dos blogues e comentadeiros pró-socráticos, Pedro Passos Coelho já é o primeiro-ministro antes de o ser - são eles que o dão como tal - e até é responsável pelos últimos seis anos da mais irresponsável e incompetente governação de que há memória em Portugal.

Vamos lá, e de vez, mandar a avaliação (e todas as avaliações) dos professores às urtigas?

"[...] But more important, whenever you give the boss — the principal — the latitude to pick and choose the best teachers, you’re guaranteed to make things worse. The principal will do what any biased boss does: pick the teachers who are best for him or her. By giving principals such authority, you take away the independent voice of the teachers; they’ll be parroting whatever they think their principal wants them to do, instead of suggesting improvements that would benefit their students. Their sucking-up to the principal becomes more important than what takes place in the classroom. And the students will be the losers.
The bigger point is that the metrics by which they will be judged don’t speak to the issue. In fact, we don’t know the right metrics, in part because politics keeps getting in the way. Sometimes it’s the “best” teachers, whatever that means. Sometimes, it’s test scores. Sometimes it’s that we need well-rounded or free-thinking kids. Who knows? But I can tell you one thing, it isn’t what a self-interested principal determines. [...]
"

Samuel A. Culbert, "Allow More Autonomy" (NYT)

100.º Golo Marcado na Carreira de um Guarda-Redes (Rogério Ceni)

Segue a campanha eleitoral


"Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI"

Ninguém pode levar Sócrates a sério, a começar por ele próprio. Sócrates é o que for preciso ser para se manter no poder e nada mais. Entrincheirou-se há meses no país, cuja sorte, no seu discurso, confunde alucinadamente com a sua. Aquilo a que chama FMI, a ajuda externa menos a sua fantasmagoria, é, ou pareceria ser, a sua sentença de morte política. "Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI", declarava o manhoso profissional como na história da raposa e das uvas, há coisa de uma semana. Se Sócrates tivesse uma quantidade infinitesimal de honra, deveria consequentemente afastar-se de moto próprio com a chegada do "FMI". Este fim-de-semana, antes, ou depois. Naturalmente que não o fará. Invocará, como de costume, a Pátria. Não há desonra, mentira e sem-vergonha que a Pátria - ele - não justifique. O que torna o combate político contra Sócrates uma provação quase intolerável é o facto de ele não recusar nenhum expediente, nenhuma mentira, nenhum recurso, nenhuma armadilha, nem mesmo a segurança do país, muito menos o seu prestígio, como munição. Levará tempo a acabar. Mas acabará certamente muito mal. Isto é mais do que um desejo. É a consequência lógica de confundir a sua sorte, condenada, com a do país, que ele condena a acompanhá-lo. A separação litigiosa vai custar-lhe a fortuna toda.

Planos para o fim-de-semana?

Na passada Sexta escrevi aqui que as finanças públicas teriam uma dura provação durante o mês de Abril. Pois bem. A JP Morgan duvida que consigamos cumprir as planeadas amortização e pagamento do cupão e que seremos forçados a pedir a intervenção do FEEF já no próximo fim-de-semana. Se entretanto conseguirmos ultrapassar esta espera-nos uma provação ainda maior daqui a 2 meses (vejam o gráfico).

2 ou 3 em 1

O que o PSD adiantou por estes dias, relativamente à CGD, serve para recapitalizar o banco e contribuir ao mesmo tempo para termos uma economia mais orientada para o mercado, no sentido anglosaxónico da expressão. Desejavelmente continuará ao longo do tempo com o aprofundamento crescente das posições privadas até à alienação total da posição pública. Interessante será seguir se, para além destas duas funções, existirá uma terceira: se forem seguidas algumas práticas do passado, veremos também esta operação contribuir para a recapitalização de alguns outros bancos privados em Portugal.

Publicidade Institucional

Entrevista do Pedro Braz Teixeira à Bloomberg.

[Retirei o video embutido porque entra em autoplay, para ver a entrevista basta seguir o link acima]

Faltam três meses, mais ou menos, para as eleições, ou coisa assim

Como tudo indica que o dia será de nova escalada, aqui fica uma janela para céu (os valores à frente são os do momento deste post; para os seguir em tempo quase real basta clicar no link):

2 anos - 7,21%
3 anos - 8,21%
4 anos - 8,23%
5 anos - 8,66%
10 anos - 7,86%

Bancos, República, bancos, República, et caetera (act.)

A S&P baixou hoje a classificação do Santander Totta, CGD, BCP, BES e BPI e ameaça cortar, outra vez, o ‘rating’ de Portugal já esta semana. Em actualização. Noção de lixo.

O segundo round. E o terceiro anunciado. Depois da República, os bancos. E depois dos bancos, a República outra vez. E assim por diante.

Relatório completo da S&P, Zero Hedge.

Amigos para siempre


Hugo Chávez lamenta renúncia do "bom amigo" José Sócrates

ADENDA; Chavez também lamenta as dificuldades infligidas aos ditadores líbio e sírio.

Defender Portugal de José Sócrates

«(...) a democracia não funciona sem a responsabilização de quem governa. José Sócrates é primeiro-ministro há seis anos. E, juntamente com os seus amiguinhos de governo, está no poder há 15 anos. Isto não conta? A culpa da crise é de toda a gente, excepto de Sócrates e do PS? É essa a campanha do PS para estas eleições? Como diz Manuel Maria Carrilho, nós estamos na bancarrota por causa do caminho escolhido por José Sócrates. Isto tem de ter consequências

Henrique Raposo. Ler tudo aqui.

Eles já perceberam


A Irlanda já está convencida que o caminho para a recuperação das contas públicas terá obrigatoriamente que passar por um default parcial da dívida. Para além de motivos puramente financeiros há outro pedagógico que é de extrema importância. Os credores necessitam estar cientes que a dívida soberana não está isenta de risco e que devem ter em conta que o nível de endividamento e a capacidade de geração de receitas podem alterá-lo de forma significativa.

That's the spirt

Precisamente, caro "magalhães". Para desmacarar a "campanha de insinuações" e retirar um fortissimo argumento ao PSD os socialistas devem tomar a iniciativa de pedir uma auditoria externa à contas públicas.

Grande Finale (115)




Birdman of Alcatraz, John Frankenheimer, 1962

Domingo, 27 de Março de 2011

Ortodoxia

Novo blogue de Marco Moreira.

Os bons velhos tempos do Estado Novo

O dinheiro não sobrava. Desde a escola que usei fatos virados do meu pai (que ficavam com as "casas", cerzidas, do lado errado). Os sapatos só se mudavam depois de muitas meias solas. Como, antes do nylon, as camisas, depois de muitos colarinhos de substituição e de uma dezena de punhos novos.

Vasco Pulido Valente, no Público, hoje.

Auditoria às contas públicas

Segundo o Expresso apurou, Cavaco deu voz à preocupação (sua e das autoridades europeias) de que a descoberta de novos buracos nas contas ponham Portugal ainda mais em xeque, mas também a UE, que teria falhado pela segunda vez no acompanhamento de um Estado-membro. O pior cenário seria a repetição do que se passou na Grécia: a revelação de despesas escondidas e a evidência do falhanço dos mecanismos de controlo europeus.

É óbvio que vai haver uma auditoria às contas públicas, a única dúvida é saber se vai ser feita e divulgada antes ou depois das eleições antecipadas. Também é mais do que provável que se encontre um buraco, a única duvida é a sua dimensão.

Quem é que vai pedir esta auditoria, a oposição ou a UE, como uma das condições para conceder ajuda? Depende de quem se mexer primeiro, mas considero altamente improvável que Portugal consiga chegar às eleições sem pedir ajuda, ainda que parcial.

É evidente que um buraco nas contas públicas vai colocar Portugal e a UE “em xeque”. Mas o mal que isso fará a UE é independente de o resultado da auditoria ser conhecido em Maio ou alguns meses depois.

O que não é indiferente é uma atitude de oposição à auditoria. Como é que fica o PR se se opuser a uma auditoria antes das eleições e uma auditoria posterior revelar um buraco gigantesco?

Como é que fica a UE ao opor-se a uma auditoria para tentar esconder a sua incompetência e esta ser revelada poucos meses depois?

É óbvio que uma auditoria às contas públicas é uma operação de risco, mas porque é que uma auditoria se revela tão premente? De qualquer forma, tentar impedir uma auditoria antes das eleições parece-me o caminho mais suicida para quem o tentar.

Aprender com os outros. Sobretudo quando os outros somos nós.

O Partido Socialista e o Sporting Clube de Portugal, consideradas duas grandes instituições pátrias (as outras serão, por esta ordem, SLB, FCP e PSD), escolheram ontem os seus líderes. Os socialistas reelegeram o secretário-geral com mais de 93% dos votos. Os sportinguistas elegeram por margem mínima (?) um presidente improvável (e não eram todos improváveis?) e acabaram à pancada.
Vistas as coisas como elas são, o país, tenha ou não depositado o seu voto em Sócrates, em Godinho Lopes ou nos demais candidatos, tem muito a aprender com estas duas instituições e com aqueles que na vida delas intervêm. Eu explico: jamais lhes siga, explícita ou implicitamente, o exemplo. Será Capaz?

Sábado, 26 de Março de 2011

Portugal, segundo Luciano Amaral (revisitado)

É fascinante ver a União Europeia, que tão importante foi para (e tanto se confundiu com) o nosso regime democrático, transformar-se agora num dos mais importantes elementos de perturbação do seu funcionamento. Luciano Amaral, via o Gato de Cheshire.

Não é exactamente uma coisa bonita uma pessoa a citar-se. Mas não posso deixar de o fazer aqui. Quando li o livro de Luciano Amaral, Economia Portuguesa, as últimas décadas, escrevi um post intitulado Portugal, segundo Luciano Amaral.

As razões por que considerei o livro de leitura imprescindível estão lá e não as vou repetir. No final do post, porque o livro desafia a reflectir sobre o impasse histórico de Portugal muito, muito para além do seu ângulo económico, ocorreu-me comentar, no sentido etimológico que a palavra tem, e escrever no fim: A mim, que concorro com o autor no diagnóstico, ocorre-me dizer, por fim: o paradoxo que é esta democracia assim historiada, que optou pela Europa como condição de possibilidade e terminou como só tendo saída - se tiver saída - saindo da Europa, qualquer que seja o grau de ruptura institucional que essa saída venha a revestir.

Hoje, se alguma coisa, estou mais convencido do que nunca do acerto dessa opinião pesada e certamente não partilhada pela maioria das pessoas, inclusive aquelas com as quais mais partilho opiniões. E não me desagrada nada verificar que Luciano Amaral, se bem o compreendo (releiam o artigo, se for preciso), de certa maneira converge com ela. De certa maneira.

Um ensaio para o caos

Silva Lopes, a probidade obriga, nunca teve medo de encontrar sem-saídas. Os problemas, por parecerem insolúveis, não deixam de ser problemas, e não passam a ser solúveis. Por mágica. Exemplo: hoje ao Financial Times.

- Não consigo ver como vamos sobreviver nos próximos três meses sem ajuda externa. Mas também não consigo ver como poderemos negociar um pacote de resgate sem Governo.

Eis o beco onde o Governo, com a sua (uma questão de sobrevivência) postergação e demonização da ajuda externa, confortada por silêncios, omissões, quando não demagogia da oposição, conduziu Portugal. Acrescentar que o vamos negociar - porque há Governo e a necessidade não se compadece com os calendários eleitorais - nas piores condições negociais que seria possível imaginar: com a corda na garganta, num aperto de que não há memória, e sem que quem o negoceie possa, por si, oferecer às contrapartes garantias efectivas de responsabilização, ao mesmo tempo que condicionará de maneira brutal a governação a ser sufragada. O próximo período eleitoral, para além da violência verbal que já empestou o ar, muito para além disso, será um ensaio para o caos que se aproxima. Mas só um ensaio. April is (not) the cruellest month.

Montesquieu em português (publicidade em causa própria)

Daqui por uns dias nas melhores livrarias Texto da contracapa:

«Depois da criação do sol, esta obra é, na minha opinião, a que poderá mais iluminar o mundo». Foi com estas palavras que um contemporâneo de Montesquieu saudou a publicação de Do Espírito das Leis. Exageros à parte, de resto próprios do chamado «Iluminismo» que a viu nascer, Do Espírito das Leis é a obra mais abrangente e variada da história da filosofia política europeia. Em nenhuma outra obra do cânone filosófico é possível encontrar uma reflexão articulada tão exaustiva sobre todos os grandes assuntos das ciências humanas: a religião e os costumes, a história e a guerra, a geografia e o clima, a economia e a fiscalidade, a demografia e a identidade nacional, a liberdade e o direito, a grandeza e a decadência, a educação e a família, e, claro, a política. Nenhuma outra obra conseguiu absorver com tanta subtileza a diversidade irredutível do mundo humano. Nenhuma outra obra até então se atrevera a considerar a condição feminina como questão política, económica e social de primeira ordem. Pode até dizer-se que Do Espírito das Leis é a primeira grande obra política que apresenta e analisa em detalhe o fenómeno hoje conhecido por «globalização».
Do Espírito das Leis é o resultado de vinte anos de meditação. É o produto de uma ciência humana que Montesquieu pretendia que fosse genuinamente integral, isto é, que falasse do homem, da sua natureza e da sua experiência, sem omissões nem reduções.

Enquanto isto

uma nova Líbia está prestes a começar na Síria. Os Assad, tal como os seus homólogos líbios, também não são os Mubarak. São de uma espécie diferente.
Presumo que não haja intervenção militar externa neste caso. Os Assad sabem isso, claro.
Ninguém ousa dizer o que dali poderá sair. Israel, naturalmente ansioso, vai imaginando todos os cenários possíveis. E são muitos.