Domingo, 1 de Maio de 2011

Os Chaebols

O sucesso económico da Coreia do Sul, o país que mais rápido se desenvolveu no planeta, está totalmente assente nos chaebols. Os chaebols são conglomerados de dezenas ou centenas de empresas que pertencem a famílias coreanas, agora na sua terceira geração (os mais conhecidos são a Samsung, Hyundai e LG mas há dezenas de outros). Estes monstros começaram a crescer nos anos 60 quando a ditadura militar estabeleceu um ambicioso plano de desenvolvimento para a Coreia e favoreceu um número restrito de empresas - via crédito e concessão de monopólios. Para o leitor ter uma ideia, os três maiores chaebols que acima referi controlam mais de 50% da economia coreana e cada um deles é do tamanho de toda a economia portuguesa.
O que determina o sucesso espectacular de alguns destes grupos? Já mencionei o acesso a crédito fácil (foi mais no princípio, eles agora arranjam dinheiro onde querem) e favorecimento no acesso ao mercado interno, ambos pela parte do governo. Mas há outros elementos, mais subtis e interessantes.
O mais relevante, talvez, seja o facto de toda a população activa da Coreia - ultra qualificada - desejar profundamente trabalhar para um destes grupos e estar disposta a fazer sacrifícios que já não se fazem no Ocidente há 50 anos (eu que o diga carago). Ou seja, estes grupos têm acesso a uma pool sensacional de engenheiros, físicos, matemáticos, economistas e gestores cujo o objectivo de vida é servir a empresa. E estes em troca têm um emprego para sempre e promoções garantidas até aos 50 anos (depois é mais difícil).
A outra característica de sucesso dos chaebols é o estilo militar de gestão, que torna a execução muitíssimo eficaz e a organização mais flexível para mudanças necessárias. Ninguém coloca em causa ordens vindas de cima, que são imediatamente executadas independentemente de fazerem sentido a quem está a executá-las (só esta sociedade profundamente Confuciana permite isto). Ou seja quando é vislumbrada uma oportunidade pelos "patrões" (um novo mercado ou produto por exemplo) a malta atira-se de cabeça e não fica meses a fazer análises de risco, medição do impacto na empresa, alocação de recursos etc. É executar e mais nada.
A última coisa que destaco é a estratégia de crescimento que estes grupos seguem. O sistema educacional na Coreia é famoso por produzir gente sem criatividade, mestres em memorizar e copiar. Os Chaebols acabam por ficar profundamente marcados por esta realidade. E por isso em vez de tentarem inovar e serem líderes nas áreas onde actuam, optam sempre por serem fast followers: seguem de muito perto os produtos da empresa líder no mercado, copiam, inovam em pequenas coisas e vendem a um preço mais baixo, mantendo a qualidade. Esta estratégia, que nos pode parecer um pouco de segunda, tem tido um enorme sucesso. Dificilmente se alterará: basta ver os putos que estão agora na escola para perceber que o essencial não está a mudar.

(nota: na imagem, os HQs da Samsung em Seul - Samsung Electronics, Samsung Life e Samsung Construction & Trading)

8 comentários:

claire raksana mahorgol disse...

Não são os putos que estão na escola, mais inteligentes a meu ver que os pais e os avós, que lhes inculcaram preguiça, que os estupidificaram e mimaram até mais não.

Obviamente os professores são dessa gente, ou seja gente iguais a vós, necessitam de chamar os empreendedores, aqueles que tiveram a coragem de sair dessa terra modorrenta e bafienta a que chamam pátria.

The Цыганоч People DIARY OF A PORTUGUESE JOURNEY

Плохое настроение?

И дело далеко не происшествии, а отношении людей к этому. За вчерашний и сегодняшний день перечитала много статей по этому поводу.
Один другого лицемерние.
И сразу под шумок потекли иного рода статьи, где люди кричат о своих проблемах и взывают о помощи президента. А толку?

Quando um português diz que, comemora o dia do trabalhador, isso quer dizer que ou está desempregado ou que vai passar o resto do dia sem fazer nada.
Se for de um dos inúmeros sindicatos ou partidos, será obrigado a cuspir umas postas de pescada (termo que é indicativo que fora o estômago, pensam em pouco mais).

Anónimo disse...

Hitler não faria melhor!
Carlos Gaspar

João Baptista Pico disse...

Aqui os "Chaebols" são todos "merceeiros" a pagarem ordenados de miséria e com fornecedores a esperarem 2 e 4 meses pelos pagamentos. E por acaso já vão na 2ª geração e são os dois empresários mais ricos, vindo a seguir os banqueiros e as grandes construtoras, onde se sentaram todos os ex-ministros destes governos do "centrão político", como administradores e assessores...

Paulo Marcelo disse...

Francisco,
Os jornais portugueses falam hoje de manifestações com 50.000 pessoas a exigir emprego e melhores salários na Coreia do Sul.
É verdade? Como é o 1.º de Maio por ai?
Abraço

João Baptista Pico disse...

Então ainda lhes falta a esses sul coreanos juntarem mais 650 mil pessoas para se equivalerem a este país com o FMI à porta!

Nem têm "Geração à rasca"?! Coitados dos sul coreanos.
Quando nós tínhamos 50 mil a exigir emprego e melhor ordenado não se apanhava ninguém para trabalhar... Acontecia cá e na Alemanha, nos anos 70...

Francisco A. van Zeller disse...

Marcelo, por acaso não ouvi falar disso mas posso-te garantir que não é malta que trabalha nos tais conglomerados que protesta. Aliás esta gente protesta pouco. 50.000 pessoas é uma brincadeira numa área metropolitana de 25 milhões.
O 1º Maio é non existent.

Diogo Vasconcelos disse...

Francisco, parabéns pelo teu post. Duas duvidas: Sera sustentavel um modelo de campeoes nacionais como o que descreves? E A logica "comando e controlo", quase totalitária, nao e' incompativel com um ambiente fomentador da criatividade e inovacao? Um abraço de Londres

Francisco A. van Zeller disse...

Diogo,
Tas bom?
Onde eh que esta a minha garrafa de Pera Manca? Bem que podias mandar uma para estes lados...estou farto do Cabernet Sauvignon da Australia.
Respondendo as tuas perguntas:
1. Não sei se eh sustentável. Não sei mesmo. Eh preciso mais estrangeiros e eh preciso que quem trabalhe nos chaebols tenha alguma vida para la da empresa. Há muito tempo que o management dos grandes Chaebols tem revelado preocupação com a menor "endurance" dos jovens coreanos. Mas mesmo a nova geração (<30) revelam uma dedicação ah empresa que não se vê em lado nenhum excepto no Japão.E ha cada vez mais estrangeiros aqui (poucos ainda: no meu grupo de 100, somos 3) Mas acho que este modelo devera manter-se por mais uns 25 anos.
2. Eh totalmente incompatível com inovação e a criatividade (embora este problema comece mais cedo nas escolas)mas isso não limita o sucesso destes grupos. Como escrevi no post, os chaebols copiam rápido e inovam incrementalmente em pequenas coisas. As vezes fazem parcerias com empresas estrangeiras para ter acesso a tecnologia e IP. E para este processo não eh preciso muita criatividade :)
Um abraço do Extremo Oriente