Terça-feira, 3 de Maio de 2011

O governo da 'troika'


Vamos conhecer amanhã o que nos espera nos próximos anos. Mudanças profundas em áreas como a Justiça, administração pública, arrendamento, sistema fiscal, transportes, leis laborais. Ou seja: aquelas reformas estruturais que nos diziam estar feitas (lembram-se?), mas que vamos ter de fazer agora da pior forma, qual “supositório” rápido imposto por tecnocratas estrangeiros, com prejuízo da nossa soberania e orgulho nacionais.
Com o cobrador do fraque à porta, vale a pena notar as diferentes atitudes dos partidos. A extrema-esquerda colocou-se de fora. Prefere contestar na rua do que negociar à porta fechada nos gabinetes do Terreiro do Paço. Uma atitude porventura ‘comunista’, mas muito pouco democrática, que deixa quase 20% do eleitorado sem uma voz nas negociações. O PSD mantém-se à espera. Passos Coelho reafirmou que o seu programa eleitoral aguarda pelo “quadro macro económico” resultante das negociações em curso, mas não deixou de prometer que não fará despedimentos e mais cortes de salários.
Os socialistas são mais previsíveis. Preferem ignorar as medidas de austeridade por eles próprios negociadas nos últimos dias. Escondem o ministro das Finanças e apresentam um programa eleitoral irrealista, com um défice desactualizado e que omite os pontos apresentados por José Sócrates, no PEC IV, como sendo inevitáveis: a reforma laboral e o congelamento de salários até 2013. Mas por mais que se procure esconder, a verdade é que o próximo governo terá um sotaque estrangeiro. Os próximos orçamentos e programas serão decididos por quem nos empresta dinheiro.

[versão integral no Diário Económico]

1 comentário:

Anónimo disse...

Antes que fale inglês que russo.