Sou dos que ontem festejou o desaparecimento de Bin Laden, pelo que concordo com o que, a propósito, escreve o Henrique Burnay. Mas julgo também que o facto merece uma reflexão, mesmo que curta, acerca da moralização do inimigo, perceptível pela celebração da sua morte. A um inimigo político, i.e. assim designado por critérios políticos (porque constitui uma ameaça), reconhece-se uma condição de igualdade (na sua dignidade), que faz do combate com esse inimigo um duelo entre iguais. Nunca foi esse o caso com Osama Bin Laden e a Al-Qaeda, não só porque eles fizeram do terrorismo islâmico uma Guerra Santa, mas sobretudo porque nós --e aqui refiro-me especialmente aos EUA-- respondemos com uma moralização do inimigo, através do “eixo do mal”. Com ou sem fundamentos religiosos, o conflito foi dominado, de ambos os lados, por uma certa visão de Bem e de Mal. Por isso, a partir de um certo momento, Bin Laden foi inimigo porque existia e só pela morte deixaria de o ser. Agora que aconteceu, talvez seja o momento ideal para se acabar com essa narrativa.
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1 comentário:
Bin Laden deveria ter sido preso e levado a julgamento. O que aconteceu foi mais um trunfo para os que defendem os seus princípios pela violência.
Os festejos e declarações eufóricas subsequentes, emparelham com as celebrações que vimos, e repudiámos, quando do atentado das torres gémeas. Ambos um paradigma de nojo.
Mas isto devem ser coisas difíceis de entender para uma boa parte da direita ocidental, que não consegue encarar o mundo sem uma arma na mão.
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