Eu sei que o mundo está mais seguro sem aquele senhor de barbas a inspirar ataques terroristas contra o Ocidente. Sim, conheço as vítimas da tragédia do 11 de Setembro e os dez anos que demorou apanhar Bin Laden. E tenho dúvidas se podia ser de outra forma, mas não deixa de ser estranho observar os festejos pela morte de um homem, mesmo que esse homem tenha sido um terrorista. Há notícias boas que simplesmente não se comemoram.
Terça-feira, 3 de Maio de 2011
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9 comentários:
Triste é esta opinião.
Excelentes notícias que o mundo está satisfeito com a morte de um terrorista.
lucklucky
Eu esperaria um post destes no Jugular, nunca aqui. Mas enfim, há sempre a costela laurindalvista.
O que eu lamento é que a morte tenha sido (alegadamente) em combate em vez de uma execução em praça pública após detenção. A piedade e o perdão supremo são coisas de Deus. Aos homens justos cabe fazer justiça. Exemplar, de preferência.
Perceberia o seu ponto de vista e aceitaria, no caso, os valores éticos, civilizacionais, em que ele sem dúvida se funda, se estivéssemos perante um adversário. Ou mesmo um inimigo que, no seu combate, se vinculasse a um mínimo de regras de humanidade.
Fosse assim e eu também acharia que o homem em causa tinha direito a ver poupada a sua vida e, uma vez capturado, ser bem tratado e sujeito a um julgamento onde os seus direitos se vissem respeitados. Mesmo que tivesse negado tudo isso aos que lhe tivessem caído nas mãos.
Sucede que ele era - e sem dúvida é - o rosto de um ódio de morte, e sem qualquer barreira auto-imposta à sua materialização, por nós, pelos valores que tomamos como nossos. Pela nossa civilização. Pela nossa vida.
Era alguém que representava - incentivando-as - legiões e legiões de seres humanos cujo objectivo na vida é festejar tudo o que de mau ocorra a outros seres humanos: aos ditos "infiéis". Legões cujo objectivo mais sagrado é morrer matando-nos. Apenas porque sim.
Há um ponto a partir do qual conceder as "garantias de humanidade" é, pura e simplesmente, inaceitavelmente perigoso.
E a partir do qual o júbilo que nos deveria repugnar é, apenas, perfeitamente aceitável.
É triste. Mas é assim.
Costa
Podia continuar a saga e dizer "triste é o comentário anterior" mas julgo que há evidências que se auto-explicativas.
O principal problema do crescendo da violência e do terrorismo é o permanente desejo de tentar fazer sempre pior que o inimigo.
Hoje já ficámos a saber que Bin Laden deixou em testamento o modo como queria ser vingado...
Se, em vez de festejarem, os líderes políticos tivessem atitudes de serenidade e apelo à calma talvez a chama fosse diminuindo em vez de atiçada.
Uma criança de 10 anos, muçulmana, que vê os americanos a festejarem a morte de um ser humano como se se tratasse da vitória no World Series mais não podem sentir do que repulsa e nojo pelos bárbaros que vivem do outro lado do oceano...
Assim isto nunca vai parar!
Deixo a única reacção decente que vi em todos os responsáveis políticos do mundo:
"Na sua reação, o porta-voz do Vaticano precisou que “um cristão não se alegra nunca diante da morte de um homem, mas reflete sobre as graves responsabilidades de cada um diante de Deus e dos homens”.
Em conclusão, o padre Lombardi deixa votos de que este acontecimento “não seja uma ocasião para um crescimento sucessivo do ódio, mas da paz”."
TPV
Aqui não se trata de julgar a legitimidade de extreminar o homem, mas sim a legitimidade do festejo de uma morte - de quem quer que seja.
A atitude efusiva do festejo da morte do inimigo não me parece própria de uma sociedade dita "civilizada". Parece-me contudo digna de uma sociedade de bárbaros.
Paulo
Concordo inteiramente com o post e queria enviar-lhe os parabéns pelo facto de a ter escrito, pois é politicamente incorrecta.
Admito que quem tenha sido vítima pudesse ficar contente - o que não quer dizer que estivesse no "bem".
Se a actuação foi lícita - legítima defesa ou acção directa - está justificada, mas não acho bem que se comemore a morte de ninguém.
A vida humana é inviolável. Se é violada por uma causa superior, essa violação é aceitável, mas não deve ser motivo de festejo. Deve ser olhada como um acto necessário, mas apenas isso.
Cumprimentos
Luís G. Graça
Agradeço os comentários.
Chamo a atenção para que o meu texto não questiona a legitimidade dos EUA terem perseguido e morto o terrorista. Nem sequer que se trata de uma boa notícia, o que é inegável. O ponto que levanto é que nem tudo deve ser festejado, por uma questão de civilização, ou até de bom gosto, se quiserem. Também nisso a nossa parte do mundo, que chamamos "Ocidente", deve ter algum pudor e sobriedade mesmo quando se defende de assassinos e terroristas.
A expressão que usa de bom gosto mostra até onde a força da estética chegou.
Lembra as críticas ao enforcamento de Saddam. Inúmeros criticaram, mas nenhum disse a palavra que seria fundamental para criticar : Injustiça.
Ou seja é uma questão estética não ética.
No Mundo Ocidental cada vez mais dominado pela estética isso só torna as respostas cada vez mais limitadas e com menos amplitude e uma confusão moral.
Ou seja um perda de discriminação com a consequente perda de dissuasão e perda de informação - capacidade de reconhecer no futuro- e estímulo para combater.
O Fim de uma coisa muito má deve ser festejado ou não?
Se um Cancro foi curado deve ser festejado ou não?
É claro que sim, é isso que mostra a todos na sociedade que está ali o mal. E o Festejo é Educação, Informação.
lucklucky
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