Domingo, 31 de Outubro de 2010

Efeméride



Mais um ano de fumo livre aqui no Cachimbo.

Hoje é dia de festa, não é?


Foi o único bolo que encontrei com cachimbos. Parabéns.

O pato


Quem estiver curioso acerca da estratégia de Manuel Alegre para a campanha contra Cavaco Silva, poderá simplesmente ler este artigo do Pedro Marques Lopes.

O fiel defunto

O Miguel Morgado diz hoje ao DN que "esta história ainda não chegou ao fim. Ainda vem aí um PEC IV". Eu concordo: ainda antes de nascer este orçamento já era um fiel defunto.

Grande Finale (64)

La Reine Margot, Patrice Chéreau, 1994

Sábado, 30 de Outubro de 2010

O acordo Governo/PSD

Já todos tínhamos percebido que o PSD acabaria por viabilizar o Orçamento de Estado, faltando apenas saber em que formato. Eleitoralmente e estrategicamente falando, sempre me pareceu mais correcta a via protagonizada por alguns sectores do PSD: declarar a abstenção do OE sem negociar nada. Desse modo o PSD nada teria a ver com este OE, podendo continuar a “massacrar” as más opções do governo, de agora e do passado. Mas Pedro Passos Coelho escolheu aquela que me parecia a via mais difícil: negociar e tentar minorar algumas das más políticas que o governo vai implementar. Acredito que os portugueses ficaram a ganhar com esta decisão. Podemos criticar a direcção do PSD por nem sempre ter sabido comunicar as suas opções, e também o seu recuo em matéria fiscal. Mas sejamos justos: o PSD para ganhar alguma coisa teria sempre de ceder. A politica é a arte da negociação e do compromisso. E devido à intervenção do PSD, alguns aspectos positivos foram alterados à versão inicial do OE do PS.

A manutenção das taxas de IVA para o cabaz de produtos básicos e a permissão para se poderem efectuar deduções fiscais por despesas com saúde, habitação e educação, irá ajudar as famílias portuguesas. Não é muito, mas é alguma coisa.

A reavaliação das PPP e suspensão de todas as obras públicas é um facto. Já todos perceberam a necessidade destas acções, mas o governo, através da sua teimosia, parecia que não queria ver isto. O PSD obrigou governo a assumir esta realidade.

Por fim este acordo obrigou o governo a revelar o tamanho da sua incompetência na execução orçamental de 2010: mais de 1700 milhões de euros. Incompetência com a marca de José Sócrates e Teixeira dos Santos.

Esta abstenção não iliba o PSD, antes pelo contrário, de continuar vigilante e critico da acção do governo. Temos um mau governo que nos trouxe a esta situação. Devido à sua teimosia e incompetência, 2010 foi um ano perdido no que respeita à recuperação financeira do país. Mais, os últimos anos foram desastrosos para Portugal. Graças ao PS o IVA aumentou 3 por cento em menos de um ano, a carga fiscal subiu imenso e poucos cortes foram efectuados na despesa do Estado. Temos um estado papão que não parou de crescer com este governo. A sua única solução tem sido aumentar os impostos e a contribuição dos portugueses. Se o período fosse outro, não tenho dúvidas que o PSD teria votado contra o OE e provocado eleições. Era isso que lhe competia como partido da oposição. Devido a impossibilidade de termos eleições no imediato, talvez a melhor solução tenha sido mesmo esta.

O Governo é muito mau, mas...

...a implicação principal da sondagem que o Nuno Gouveia refere aqui parece ser a de que os portugueses não acreditam que a actual equipa do PSD consiga fazer melhor - de outro modo as sondagens apontariam para um lag muito maior entre PS e PSD, que não acontece. Por muito avessos ao risco que os eleitores possam ser ("melhor um governo péssimo que conhecemos do que outro que nem conhecemos"), o lag é simplesmente pequeno demais. Portanto, tirem-se as conclusões devidas no seio do PSD.

Outro ponto, técnico, e que seria importante esclarecer, é saber porque é que a sondagem da Católica, ao que tudo indica, não inclui uma opção entre "Bom" e "Mau" - razoável, médio, satisfatório, indiferente, o que seja.

Todos Diferentes, Todos Iguais...


Onde? Só podia ser aqui. E na vida.

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Cavaco e as sondagens II

O Alexandre alertou aqui para uma questão muito importante, e que deverá orientar os estrategas da campanha de Cavaco Silva. Nada pior para um candidato que o sentimento que a sua vitória é inevitável. E em politica isso normalmente leva ao desastre. Mas Cavaco não irá precisar de ter todos os votos que teve em 2006. Menos votos poderão chegar para ele obter uma vitória até mais confortável do que na sua primeira eleição.

Nas próximas eleições presidenciais haverá uma abstenção bastante superior a 2006. Essa tem sido a regra em eleições de segundo mandato presidencial em Portugal. Quando Mário Soares foi eleito em 1986 a abstenção foi de 24 por cento, mas esse número subiu para 37 por cento em 1991. Nas eleições disputadas entre Jorge Sampaio e Cavaco Silva em 1996, a abstenção foi de 33 por cento, tendo subido para 50 por cento na reeleição em 2001. Ora, se a abstenção em 2006 foi de 38 por cento, podemos prever que nestas presidenciais ela será novamente superior a 50 por cento.

Cavaco Silva tem neste momento grande vantagem nas sondagens, mas existe em alguns sectores da direita um certo desconforto. Não tenho dúvidas que parte desta direita irá abster-se nas próximas eleições, se não estiver em risco uma vitória de Alegre, como disse o Alexandre. Mas por outro lado, há também um problema de entusiasmo no lado de Alegre. Como se sabe, até por várias declarações públicas de socialistas, esta não é uma candidatura que entusiasma. Mesmo os apoiantes do Bloco de Esquerda não estão muito motivados com Alegre. Se da esquerda tivéssemos uma candidatura insurgente e com uma base popular suficientemente forte, Cavaco poderia estar preocupado. Neste caso apenas precisará de fazer uma campanha competente. A leitura que faço destas presidenciais é que se Cavaco Silva conseguir construir uma rede de apoio em redor sua candidatura, com muitos independentes, social democratas, populares e eleitores tradicionais do Partido Socialista, Cavaco não terá dificuldade de chegar aos 55/60 por cento dos votos*. Com menos votos do que teve em 2006, mas alargando a sua base de apoio a eleitores que votaram em Mário Soares nas últimas presidenciais e aguentando um número suficiente de eleitores que o apoiou há cinco anos.

* Só para dar um exemplo disto: em 2001 Jorge Sampaio com 2,4 milhões de votos teve 55% dos votos. Em 2006, Cavaco teve quase 2,8 milhões e apenas 50,1% dos votos.

Cavaco e as sondagens


As sondagens têm apontado, desde há muito tempo, para a vitória de Cavaco Silva logo à primeira volta. Se tivermos em conta que cerca de metade do eleitorado que o elegeu está, por uma razão ou por outra, desiludido com a sua actuação neste actual mandato, não imagino previsão mais perigosa do que essa. Tal como alguns dos meus camaradas do Cachimbo já manifestaram, reflectindo a posição de uma direita desiludida, o voto em Cavaco só acontecerá se a sua reeleição estiver em perigo, o que faz dos resultados das sondagens um incentivo para não se deslocarem às urnas em Janeiro. O problema evidente desta opção é que se interpretam as sondagens como se fossem os resultados antecipados. É mais do que meio caminho para o desastre.

O "resplendor da luz"

Ao que tudo indica, Passos Coelho e José Sócrates, quais Saulo na estrada de Damasco, viram ontem o "resplendor da luz" em Bruxelas (ainda que em pontos diferentes da cidade) e caíram por terra. Ou seja, vão voltar a negociar o orçamento de 2011. O problema é que, um e outro, só se deixam iluminar na "Europa". Estamos, obviamente, muito bem entregues.

Demasiado Tarde

Anda por aí uma sondagem que garante que cerca de 80% dos portugueses acham "mau" ou "muito mau" o desempenho do Governo que temos. Como é óbvio grande parte destes portugueses ou é de compreensão lenta ou acorda sempre demasiado tarde. Com as consequências que se conhecem.

O origens do "monstro"




Àlvaro Santos Pereira: "As origens do monstro" e "As origens do monstro (2)"
[C]ontrariamente ao que às vezes se apregoa, o crescimento do “monstro” começou durante o regime Salazarista, principalmente a partir dos anos 1950, quando os gastos públicos aumentaram tremendamente.(...) Quando o PIB abrandou a partir da década de 1970, mas os gastos públicos mantiveram um elevado crescimento, estavam criadas as condições para um crescimento exponencial do nosso Estado. (...)

É verdade que desde então o ritmo de crescimento do consumo público baixou (...), mas, mesmo assim, permaneceu vários pontos percentuais acima da taxa de crescimento da economia nacional. Com efeito, é perfeitamente patente que, nos últimos 60 anos, o crescimento dos gastos do Estado tem sido muitíssimo mais acentuado do que o crescimento do produto nacional (linha picotada).

Vale igualmente a pena realçar que o declínio da taxa de crescimento dos gastos públicos foi travado no final dos anos 90, quando, durante o crescimento do Estado foi mais uma vez impulsionado pelos governos de António Guterres, quando o crescimento anual das despesas públicas foi muito elevado. A partir dessa altura, a taxa de crescimento de tendência do consumo público tem permanecido praticamente inalterada, e nenhum dos governos da última década conseguiu travar o despesismo do Estado. Os gastos públicos continuaram a crescer a ritmos mais elevados do que o PIB nacional, aumentando inexoravelmente o peso do Estado na economia. Como a economia estagnou na última década, estavam criadas as condições para que o "monstro" ficasse fora de controlo, contribuindo para a lamentável situação actual.

Daquilo nunca mais


Não, João, nem dá para quase ter saudades daquilo. Porque o que temos hoje é, quer se queira, quer não, a descendência daquilo.

Para lá das despesas correntes



Europe needs to cut its pension deficits or risk prolonging the region’s debt crisis as investors punish governments that don’t force citizens to work longer, said Finnish Finance Minister Jyrki Katainen.

Não sei se repararam mas desde meados dos anos 90 os sucessivos ministros das finanças têm anunciado sucessivas reformas do sistema de pensões. Apesar de todas serem apresentadas como "a solução definitiva" nenhuma parece conseguir resolver de forma satisfatória o problema da sustentabilidade a médio prazo. A questão é que tal como nos esquemas de Bernard Madoff ou da D.Branca, a solvabilidade do sistema "pay as you go" só é garantida se se mantiverem determiados rácios entre contribuintes e beneficiários que o actual declínio demografico torna inviáveis. As supracitadas "soluções finais" têm optado pela revisão do cálculo das pensões e pelo aumento da idade da reforma o que, em muitos casos, significa uma alteração unilateral das condições contratuais(*) num sistema em que não nos é permitido sequer o "opt-out".

Devemos pois levar bastante a sério o aviso de Jyrki Katainen. O "médio prazo" transformar-se daqui a pouco tempo no "curto prazo" e já desperdiçamos demasidos anos. Porém, e contrariamente ao que diz Katainen, julgo que a única solução que torne o torne verdadeiramente sustentável é passarmos para um sistema de capitalização com contas individuais gerido por entidades privadas (similar aos PPR). Será menos generoso que o sistema actual mas pelo menos assenta em bases reais e não está dependente de eventuais contribuições futuras. Como efeitos secundários mas não menos importantes, estaremos a aumentar a taxa de poupança e (como no caso do fundo de pensões da PT) impedir o governo de usar indevidamente fundos que não lhe pertencem para cobrir despesas correntes.

(*)Convém notar que estas práticas são (justamente) proibidas nas relações entre privados fornecendo justa causa para denuncia de contractos e/ou pedidos de indemnização.


ADENDA: A propósito das tendências demograficas e suas implicações leiam este post do Prof Santos Pereira.

Ponham-se a pau!

Depois disto e disto talvez seja melhor os "abrantes" irem pensando nisto.

A Grécia também tem Orçamento

O problema é que os mercados não acreditam que o governo grego seja capaz de cumprir os objectivos nele inscritos. No fundo, o mesmo que sucedeu conosco nos últimos tempos (se bem que a uma escala bem maior). Francamente, não consigo vislumbrar a vantagem em termos um "péssimo Orçamento a ser executado por um Governo liderado por um péssimo e incapaz primeiro-ministro e servido por um péssimo e incapaz ministro das Finanças".

Grande Finale (63)

Paths of Glory, Stanley Kubrick, 1957

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Achtung baby

A gerência recomenda a leitura dos comentários do meu amigo Pedro Panarra a este post. O Pedro vive há largos anos na Alemanha, onde se entrega ao estudo de Kant e outras espécies em extinção, e é, portanto, um observador privilegiado da sociedade germânica. Tentarei responder-lhe assim que tiver tempo.

Socialistas cada vez mais sozinhos


Este estudo da Universidade Católica para diversos órgãos de informação não deixa margem para dúvidas: cada vez menos portugueses acreditam no governo de José Sócrates. Em relação a outros resultados, destaque para a provável eleição de Cavaco Silva à primeira volta, com 63 por cento dos votos e aos 40 por cento que o PSD terá neste momento, mais 14 do que o PS. As sondagens valem o que valem, mas talvez os portugueses estejam mesmo a acordar deste pesadelo socialista em que temos vivido. E talvez esta sondagem, juntamente com a que saiu ontem da TSF/DE, explique o desespero que temos observado em alguns sectores socráticos da blogosfera.

Os jovens e os outros

Há pouco ouvi um jovem professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova, Daniel Traça, dizer que temos de apostar nos nossos jovens que têm uma enorme capacidade de trabalho. Disse ele que era preciso "dar-lhes espaço". Veio logo a correr Silva Lopes, presente no mesmo debate, dizer que sim, que essa era uma grande verdade.
Que o Daniel Traça tem razão, eu não duvido. Conheço muitos jovens de grande potencial. Mas perguntei-me o que poderia querer dizer esse "espaço" de que os jovens portugueses precisam. Talvez a presença de outros menos jovens que tomaram o castelo e fizeram subir a ponte levadiça?

Ele não é director da RTP ou da TVI

Por mais que barafustem ou insultem, nenhum deputado socialista, nem sequer um membro do governo ou até o primeiro-ministro vai conseguir afastar António Borges da direcção europeia do Fundo Monetário Internacional. Aguentem, rapazes e oiçam: "Portugal está fora do mercado e depende exclusivamente do BCE para o financiamento da economia portuguesa. Estamos ajoelhados junto do BCE". Mais: "Quando não há disciplina no investimento de capital há consequências desastrosas. Esbanjamos durante vários anos capital e o resultado é o país que temos hoje".

Já chega

Adolfo Mesquita Nunes

Nós não estamos a falar apenas de um péssimo Orçamento por contraponto a Orçamento nenhum: nós estamos a falar de um péssimo Orçamento a ser executado por um Governo liderado por um péssimo e incapaz primeiro-ministro e servido por um péssimo e incapaz ministro das Finanças. Será isso preferível a uma crise política que conduza o país a eleições?

Partido Democrata derrotado em toda a linha?

Larry Sabato é um analista político americano que raramente falha nas suas previsões eleitorais. Para ele, o Partido Republicano irá conquistar a maioria na Câmara dos Representantes e obter grandes ganhos nas eleições para o Senado e governadores estaduais. Mais informações aqui.

Alguma relação?

Se a estupidez matasse...

O João Galamba caía redondo.

A pata (do Daniel Oliveira) na poça

"Políticos profissionais", do Tomás Vasques no Hoje há conquilhas.

Afinal foi engano

Contrariamente ao que ontem foi noticiado o fracasso das negociações entre o PSD e o governo não é o sinal de partida para o armagedão. Pelo sucedido, as nossas sinceras desculpas.

O mundo mudou ontem de manhã

Sem orçamento, mergulharemos numa crise financeira incontornável, não somente nas finanças públicas mas também no acesso ao crédito pelas empresas e famílias, com efeitos devastadores na economia e no emprego. A vinda do FMI e o risco de saída do euro tornar-se-ão uma possibilidade real.


Só vejo duas explicações. Ou as notícias aqui da terrinha devem demorar uma eternidade a chegar a Bruxelas ou a azáfama da quotidiano não lhe deixam tempo para ler jornais.

Os néscios que paguem a crise!


Como tantas vezes tenho escrito, inclusivamente neste espaço, os problemas mais graves da economia nacional (e, em paralelo, da gestão da coisa pública) arrastam-se de há muitos anos a esta parte e pouco ou nada têm a ver com as circunstâncias mais ou menos favoráveis da envolvente internacional.
Bem pelo contrário, foi por falta de vontade, por falta de visão, por falta de competência e, até, por falta de coragem, que vários Governos lidaram com displicência com esses obstáculos estruturais ao nosso desenvolvimento e que contribuíram para a amplificação das suas consequências, a um ponto que os torna hoje quase irresolúveis (pelo menos no horizonte de uma a duas gerações).
Desde a falta de uma estratégia para o nosso modelo de desenvolvimento económico à forma quase irresponsável (para não dizer criminosa) como se esbanja(ra)m recursos públicos e se condicionou a sustentabilidade futura do Estado – e não apenas do Estado social -, muitos foram os erros repetidos acumulados.
Em especial ao longo dos últimos 15 anos, com o pequeno intervalo da Governação Social Democrata de Durão Barroso, o acumular de erros e omissões é evidente e, tanto mais grave, incompreensível à luz do profuso debate público em torno destas questões e dos condicionalismos impostos pela nossa participação na União Europeia e na Zona Euro, em particular.
José Sócrates, o ainda Primeiro-Ministro e a pessoa que exerceu tal função nos últimos cinco anos, tem sido sustentadamente coerente na sua incoerência, verdadeiro na constante mentira, exímio na arte da ilusão.
Dele, desde cedo, os Portugueses puderam reter a certeza inabalável de que jamais hesitaria em sacrificá-los para prosseguir os seus objectivos, sem que ao mesmo tempo deixasse de prestar o seu apoio nas horas de dificuldades por que iriam seguramente passar, através do braço longo do Estado que, mais que confortar, se estende, estrangula e controla, ao serviço dos propósitos de quem manda.
Na sua petulante humildade, vimo-lo já apresentar múltiplas desculpas e explicações para inverter, sem hesitação nem decoro, inúmeros compromissos e verdades que antes dera por garantidas, jamais incluindo as suas acções e incúrias no rol de responsáveis pelo agravamento das condições económicas e sociais ou pela rotunda falha no cumprimento das metas políticas traçadas.
A ele, ao seu Governo de faz-de-conta, e ao seu extenso rol de acólitos, patrocinadores e dependentes, já lhe chamaram todos os nomes, dos publicáveis aos que constam na nova enciclopédia do calão, dos justos aos que pecam por defeito, dos que emergem naturalmente do seu catastrófico desempenho global aos que desvalorizam iniciativas meritórias concretas em alguns dos sectores-fetiche da governação.
Seja como for, algo se percebeu muito cedo. José Sócrates e o que resta do lado materialista, carreirista e Estado-utilitário do ex-Partido Socialista não servem para Governar Portugal, sendo responsáveis por algumas das maiores malfeitorias da nossa história nos tempos modernos.
A 22 de Junho de 2008, Portugal teve a oportunidade de renascer em Guimarães, com o início formal do mandato de Manuela Ferreira Leite à frente dos destinos do Partido Social Democrata.
Logo no discurso de encerramento do XXXI Congresso do Partido, a líder eleita frisou dois ou três pilares do discurso com que pautou o seu mandato e com que se apresentou às eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009: o alerta para a “situação de emergência social”, a agenda de acção para “dar resposta aos focos de pobreza e apoiar os novos pobres”, a crítica à “vaga avassaladora de propostas de infra-estruturas que o Governo anuncia e de que o País nem sempre carece e para as quais manifestamente não tem dinheiro”, o compromisso de apoio “às pequenas e médias empresas que suportam o tecido empresarial”.
Mas este país não é para “velhos”. Nem para gente séria. Nem para quem fala verdade por menos simpáticas que as palavras possam parecer.
Aconteça o que acontecer com a aprovação do paupérrimo Orçamento de Estado para 2011 [cujo destino se desconhece na altura em que se concluem estas linhas], mas cujo conteúdo é quase irrelevante face às adversidades que o País enfrenta e ao escrutínio dos olhares internacionais, os portugueses podem ter duas certezas.
A primeira, é que o seu destino próximo só aparentemente vai continuar a ser traçado no Palácio de S. Bento ou na Assembleia da República, mesmo que o FMI queira conter custos e opte por não deslocalizar alguns quadros para o nosso País no imediato.
A segunda, é que esse futuro vai ser bem pior que o presente de sacrifícios com que já se deparam e muito pior que aquilo que seria se não se deixassem levar por canções de embalar.
Lamentavelmente, não são só os néscios que “pagarão a crise”. Somos todos nós.
E os que se nos seguirão.

Cachimbos de lá


Paul Cézanne, Homem a fumar cachimbo, 1900.

Debates especializados

Ontem na RTP-N, Carlos Abreu Amorim, Joana Amaral Dias e Emídio Rangel discutiam os pormenores do OE e as consequências do fracasso das negociações. Na TVI24, Carlos Mozer, Manuel Fernandes e João Vieira Pinto discutiam questões do mundo da bola. Mas também podiam, com a mesma propriedade dos "panelistas" da concorrência, estar a discutir o orçamento.

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

A grosseria

A grosseria de Teixeira dos Santos para com Eduardo Catroga - fazendo-o esperar horas sobre horas, na AR, à espera de alguma notícia sobre encontros nessa tarde - diz, na sua simplicidade, tudo sobre a política de incivilidade que naturalmente decorre da absoluta subserviência a um "chefe" que se preocupa apenas com a sua própria sobrevivência, e que, como o outro, acha que os portugueses, que não estão à sua altura, merecem é lixar-se. Mais geralmente, e sem tanta elaboração, diz tudo sobre os péssimos costumes que são a moeda corrente entre nós. Nós, que escolhemos aquele "chefe" sem essência nem vergonha, mas com grosseria que baste e sobre. Em casos destes, há uma única solução: deixar de falar. Ou então falar só com os mínimos monossílabos. À espera de encontrar, depois, uma outra pessoa, com um grau mínimo de limpeza e decência. Porque este, e os que com ele caminham - não convém esquecer-lhes o nome -, merecem cívico asco e duradouro desprezo. O mal que nos fizeram não se conta - mas vamos medi-lo dia após dia, durante muito tempo.

A balbúrdia da bancada socialista

Vítor Baptista e Ana Paula Vitorino são duas figuras exemplares deste Partido Socialista. As suas atitudes, com meias revelações e silêncios comprometedores, revelam bem a estirpe do actual PS. Vítor Baptista, deputado de Coimbra, acusou há duas semanas o chefe de gabinete de José Sócrates de tentar comprar-lhe a desistência de uma candidatura em troca de um lugar no aparelho de estado. E ainda teve a lata de dizer que teria ficado calado caso tivesse vencido essas eleições. E o que fez este deputado? Continua ao lado dos seus camaradas como se nada tivesse acontecido. Ana Paula Vitorino, que até tem tido destaque na AR em defesa do PS, confirmou que recebeu um pedido de Mário Lino para interceder em nome de Manuel Godinho. E o que fez a actual deputada? Nada, pois para ela, o PS deve ser mesmo isso: tráfico de influências, negociatas paralelas e empresas "amigas do PS".

Publicidade Institucional

(carregue na imagem para mais informações)

Soou a primeira trombeta do apocalipse




Como podem verificar no quadro acima, a falta de acordo entre o PSD e o governo provocou a queda das bolsas em todo o mundo. Para além do mais relembro que está em risco a vida deste lindo gatinho.

Nem tuda na vida é orçamento

Convém não esquecer a corrupção ao nível ministerial.

A aparência de negociação

Partindo do confronto deste esclarecimento com esta peça de propaganda, conclui-se que o primeiro-ministro, desde o princípio, encarou e orientou as negociações com má-fé. Os encontros, nominalmente um processo para a produção de um orçamento negociado, tinham apenas começado e já Sócrates arengava algures que o seu é o orçamento de que o país precisava. Por outro lado, que fazia lá, nos encontros, o ministro Lacão? Uma espécie de comissário político do Chefe para vigiar o colega das Finanças?
Tudo indica que Sócrates impediu Teixeira dos Santos de ceder aqui ou ali, isto é, Sócrates impediu uma negociação enquanto tal. Todo o vaivém a que se assistiu nos últimos dias só pode dever-se a propostas e contrapropostas visando obstaculizar qualquer entendimento a que se pudesse chegar. Não me surpreenderia que o primeiro-ministro (um Maquiavel de vão-de-escada) considerasse, num dia, como inaceitável uma proposta que, na véspera, tinha exigido como sine qua non, só porque hoje já era avançada pelo PSD. Nesse sentido, as cedências do outro lado eram inaceitáveis para Sócrates, uma vez que estragam a imagem de intransigência que ele quer a todo o transe projectar no adversário.

Virar a mesa


Exmos Senhores Pedro Passos Coelho e Paulo Portas

Tendo em conta a atitude de total irresponsabilidade do Primeiro Ministro que anunciou publicamente que o Governo de demitiria em caso de chumbo de orçamento;
Tendo em conta que do ponto de vista juridico constitucional não podem ser realizadas eleições antes de dia 8 de Maio de 2011;
Tendo finalmente em consideração que Portugal vive um momento de extrema delicadeza do ponto de vista financeiro.

PSD e CDS devem anunciar em conjunto que viabilizam o orçamento que o Governo apresentar, seja ele qual for.

É importante que fique desde logo claro que este orçamento é apenas do PS, e que esta decisão inédita dos dois partidos se deve pura e simplesmente a um momento de total emergência nacional que teve o último episódio na total irresponsabilidade do PM que, perante a situação delicada que o país vive admite a possibilidade da sua demissão.

Simultaneamente os dois partidos deveriam anunciar a constituição de uma equipa conjunta para trabalhar na preparação de um programa comum de Governo que seria sujeito a aprovação de ambos os Congressos. Um programa comum alargado a independnetes e a outras forças políticas.

Com uma iniciativa desta natureza José Socrates deixaria de poder se apresentar como vítima e o PSD e o CDS dariam um sinal importante. O país saberia que numa situação de profunda emergência nacional os dois partidos, não obstante as suas diferenças, procuravam responsavelmente e em conjunto preparar uma alternativa. Em seis meses tudo mudaria.

Temos até a feliz coincidência do 5 de Outubro - dia em que se comemora os 100 anos da república, os 867 anos do nascimento de Portugal e os 30 anos da vitória da AD.
Nota: Este post foi publicado há exactamente um mês, quando apenas se conheciam as linhas gerais da proposta de OE. Volvido um mês as razões são mais profundas. No estado em que Portugal se encontra não se compreende que PSD e CDS não se entendam para apresentar um um projecto comum que nos possa tirar desta vil miséria.

Combate de Blogs - nº 26

Antes do colapso das negociações entre o Governo e o PSD, a bomba do dia (ou da noite) era a disposição confessada do Tomás Vasques para votar em Cavaco Silva. Ora espreitem lá.

Os outros



As reacções dos outros candidatos a Belém à recandidatura de Cavaco Silva mostram que o actual PR só perderá as eleições se houver uma tragédia cósmica.

Manuel Alegre comentou o anúncio ainda antes de feito, repetindo o erro de Soares e do PS há cinco anos- fazer campanha contra a imagem prefixa de Cavaco que têm nas suas cabecas e não contra o Cavaco em que votaram os portugueses. Não aprenderam nada, mas esqueceram muito. Por exemplo, as razões da derrota. Nos próximos meses, lá vamos ter de ouvir os despautérios rituais: de um lado, a incultura, o autoritarismo, a visão economicista e a metafórica angariação de criancinhas de Cavaco; do outro, o passado antifascista, a poesia, as naus de velas enfunadas e a defesa do Estado social de Alegre. Vai ser duro, pois vai.

A retórica de Alegre é compartilhada por Francisco Lopes, que tem, porém, o olhar um pouco alienado - adjectivo de ilustre raiz marxista, atenção - de quem está sempre à espera de uma pergunta sobre a Coreia do Norte e não sobre as presidenciais portuguesas. Cavaco, como não podia deixar de ser, é um lacaio dos "interesses económicos" (ah, que saudades do "grande capital" de outrora...), no que acompanha todas as instituições do mundo ocidental.

Já Defensor Moura, bem mais surpreendente, criticou o Presidente da República por não falar da regionalização, o que faz tanto sentido como criticá-lo por não falar do teorema de Pitágoras. O mais estranho é que o deputado socialista parece acreditar que a regionalização dá votos.

Quanto a Fernando Nobre, não me lembro do que disse, mas estou certo que o Dr. Soares vai voltar a dizê-lo nos próximos dias.

Da série FNV vintage

"Calma. Tudo pode acontecer ainda. Esta direcção do PSD é muito imaginativa."

Sem título

O contraste entre a sobriedade das declarações de Eduardo Catroga, na sua qualidade de técnico, e as declarações políticas de Teixeira dos Santos, para justificar a injustificável intransigência do governo perante um valor irrisório de 400 milhões de euros (quando comparado aos juros da dívida pública), não poderia ser mais evidente. Teixeira dos Santos no meio de um chorrilho de incongruências, de assunção da estupidez dos mercados internacionais e de uma necessidade patológica de justificações em nome da transparência (reveladoras da falta de credibilidade que padece o executivo), mimou o PSD e Catroga chamando-os de mentirosos; incompetentes e pouco sérios. Confirmou assim alguns dos cenários mais negros não só sobre a real situação do país como aqueles que emergem do puro tacticismo partidário, fazendo com que olhemos com mais atenção para a declaração de Cavaco Silva que termina dizendo “ … sou candidato sem deixar de ser Presidente da República. O meu mandato só termina em 9 de Março de 2011, pelo que continuarei a exercer fielmente as minhas funções”.

O inevitável

Espero que Passos Coelho, após fazer o inevitável - que é viabilizar o OE -, não mais se esqueça da lição que já devia ter aprendido: não se negoceia com esta gente.

Sem Futuro

A culpa pela ruptura nas negociações do orçamento para o próximo ano tanto pode ter sido do Governo como do PSD (inclino-me para a primeira possibilidade, embora esta suspeita possa ser apenas filha do preconceito). Seja como for parece que não houve entendimento porque PSD e PS não pensam no país e estão apenas obcecados com uma vitória nas próximas eleições que, ao que tudo indica, ocorrerá na Primavera ou no Verão de 2011. Ou seja, o futuro de Portugal esteve e está dependente do calculismo partidário mais rasteiro, uma coisa em que as democracias se especializaram desde os tempos de Péricles e que ciclicamente as desgraça e desprestigia.
Perante o espectáculo deprimente que PSD e PS, Coelho e Sócrates, têm proporcionado ao país desde, pelo menos Agosto último, espectáculo agora agravado pela incapacidade de negociarem um orçamento aceitável, já não digo para os portugueses, mas ao menos para as duas direcções partidárias, o futuro dos "líderes" dos dois maiores partidos portugueses é, no mínimo, lúgubre. Afinal, os portugueses não só já não os percebem como, e não tardará muito – tal acontecerá no dia em o FMI fizer a sua aparição –, os passarão odiar.
Visto isto, e perante tamanha mediocridade de liderança e a tamanha política de terra queimada lançada por Coelho e Sócrates, é óbvio que PS e PSD só podem pensar ganhar eleições legislativas no próximo ano caso escolham novas lideranças. Quem o fizer de forma mais genuína e convincente terá vantagem e, provavelmente, preparará o orçamento de 2012. É tudo o que tenho para dizer.

Fantástico



Acabei de ouvir o Ministro das Finanças. Fiquei com a nítida impressão o governo nunca falhou os objectivos do OE 2010 e do PEC II e que a situação de pré-falência se deve meramente à não aprovação da proposta do governo.

Sem limites

Eduardo Catroga acabou de explicar em directo na televisão, com honestidade e sabedoria, as razões pelas quais se viu forçado a interromper as negociações com o governo. Nada que não se pudesse prever já. O delinquente que nos governa, e a côrte dos seus subordinados - entre os quais se encontra, evidentemente, Teixeira dos Santos, alguém que definitivamente perdeu qualquer direito ao minimo crédito -, têm, em flagrante e persistente desrespeito para com o país, um único objectivo: comprometerem o PSD, através de um chumbo ao Orçamento, no acentuar da catástrofe que vai por aí adiante a aumentar, na esperança de, no meio da barafunda geral, ganharem uma virgindade política imaginária. Se isto não funcionar, multiplicarão toda a espécie de provocações a Passos Coelho, até as mais inimagináveis. Esta gente sem escrúpulos e indiferente aos portugueses não conhece limites para os seus delitos.

Menos mal

Demorou menos do que esperava. Sempre vou ter que vos pedir desculpa por me ter precitpitado. São preferíveis os duodécimos à aprovação de um orçamento naquelas condições. De qualquer forma gostava de saber se foi mesmo aquela a última proposta do PSD.



ADENDA: Será que o camarada Jerónimo também vai pedir desculpa por estas declarações?

ADENDA2: A Público esclarece parcialmente a minha dúvida. Parece que a notícia do i não eram lá muito exacta.

ADENDA3: Segundo o DE, Passos Coelho fará uma declaração às 20h00. Julgo que não era necessário esperar tanto mas compreendo que queira apanhar a abertura dos telejornais. Espero que não seja para anunciar a abstenção. Após todo este processo não me parece que exista grande justificação para o PSD tomar essa posição.

A melhor notícia da semana

Quando se perceber que andámos de PEC em PEC, e que José Socrates não sabe governar o país com os sucessivos PECs que PS e PSD viabilizaram, recorreremos ao FMI para nos procurar tirar desta vil miséria.
Temos pelo menos a sorte de se encontrar à frente da Delegação do FMI na Europa um economista que conhece e ama Portugal .

Não contem comigo



Não contem comigo para reeleger Cavaco Silva (ok, eu sei que o meu apoio ou voto é irrevelevante mas ao menos alimento a fantasia que alguém se interessa pelo que escrevo). Esclareço que o que move contra ele não é a falta de veto à legalização do aborto ou do casamento homossexual mas a recordação desta bela trapalhada que ofereceu a eleição ao PS. E, de qualquer forma, não prevejo grandes dificuldades à sua reeleição. As aparições públicas do candidato mini-Chavez valem a Cavaco mais votos que umas boas centenas de outdoors.

Muito mau

Sinceramente, espero que isto não seja verdade. Ou então que a notícia esteja muito incompleta e que o PSD tenha obtido algo mais do governo. A suspensão das PPP devia ser, no mínimo, pelo periodo de vigência do OE 2011. Um adiamento de seis meses é absolutamente risível. Para não falar nas outras condições que parecem ter sido descartadas. Nesta condições mais valia ter seguido os conselhos dos "moderados/responsáveis" e oferecido a aprovação do OE ao governo. Sempre não ficavam tão colados a ele.

Sinceramente, espero nos próximos dias (horas?) pedir-vos desculpa por me ter precipitado ao escrever este post.

Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Cartazes? Só no Facebook.

Cavaco Silva

Este já anda por lá.

Noutros tempos

"O dr. Marcelo Rebelo de Sousa telefonou ao seu colega Sá Carneiro e, depois de se cumprimentarem, este disse: então, vocês meteram-se em boa. Marcelo: Porquê? Sá Carneiro: Convidaram-no para comunista político. Dizendo isto, riu-se. E continuou: Eu até tencionava falar-lhe e ao Balsemão também, que não deve calhar-lhe nada porque ele ao sábado fica por lá e eu só vou no dia 14. Marcelo: Para mim é muito bom e podemos ir almoçar. A coisa tem corrido muito bem e já temos a redacção pronta."

Escuta da PIDE a Sá Carneiro

Este país não está para poesias

Cavaco Silva esteve igual a si mesmo no discurso de apresentação da recandidatura. Nem mais, nem menos. Os portugueses conhecem-no assim mesmo, sem estados de alma ou grandes surpresas, com a Maria ao lado e a família presente - e votaram nele em 2006, como tudo indica que votarão em 2011. A política portuguesa está cheia de políticos visionários e de discursos inflamados - e deu no que deu. O país e os portugueses só pedem que não apareçam surpresas de Belém. Já chegam as que vêm de S. Bento e/ou do Largo do Rato.

Arranque em força na Internet

Cavaco Silva está a anunciar a sua recandidatura. A jornalista Daniela Espírito Santo dá aqui conta da presença do candidato nas redes sociais e na Internet. Observando rapidamente o que a candidatura oferece, gostei particularmente do site de Cavaco Silva. Ao ouvir o candidato afirmar que não irá colocar um único outdoor na rua, percebe-se que a Internet será o principal espaço de comunicação do candidato.

Adenda: a aposta na Internet confirma-se. Diogo Vasconcelos será o mandatário digital da campanha. Cavaco não podia ter escolhido melhor.

A última previsão


Depois de acertar nos resultados dos jogos do Mundial, o polvo Paul foi chamado para prever se a proposta de orçamento de estado apresentada pelo governo será viabilizada pelo PS e pelo PSD.
Veja o resultado aqui.

Will someone please shut Krugman up

Professor Krugman suggests that Britain has nothing to fear from excessive public debt, which is still as things stand below its long run historical average. He’s technically right about this, but like a lot of statistics used to support a particular, ideological position, it’s completely meaningless. Looking at the path of UK public debt as a percentage of GDP, there have indeed been quite long periods when it has been much higher than it is now, but these periods mainly coincided with prolonged and all embracing war – first the Napoleonic wars, then later the Boer war and the first world war. Britain had barely recovered from the financial consequences of the first world war by the time the second world war hit.

The big point missed by those who think elevated public debt doesn’t matter is that these periods of excessive debt utterly crippled the UK economy. Indeed, Britain’s decline through the twentieth century as an economic superpower directly correlates with increased indebtedness.

A Queda


A presença de Lacão nas negociações do OE entre Governo e PSD é a síntese perfeita do que foi (e ainda é) a governação de Sócrates. Teixeira dos Santos descobriu-o da pior maneira.

Transparência

(...) While none of the countries scoring poorly in previous surveys have yet to meet best practices for budget transparency, they have been able to expand transparency by implementing simple, low-cost measures — demonstrating that the achievement of budget transparency depends primarily on a government’s will rather than its resources. Perhaps nothing illustrates this central point more than the fact that Mongolia modestly outperforms high-income countries like Italy and Portugal. (...)

Excerto da p. 40 do relatório do International Budget Partnership (negritos meus). Mais informação sobre o projecto aqui e aqui.

O colapso do modelo social californiano



Diz-se que em termos de tendências sociais, os EUA copiam a Europa que por sua vez copiou a California. Com um presidente americano a tentar copiar o falido modelo social europeu poucos foram os que notaram a decadência do modelo californiano.

Hiper-sensibilidade negocial

Segundo o porta-voz do PS (mais um?), os socialistas que negociam o OE são tão sensíveis que qualquer critica poderá por em causa um eventual acordo com o PSD. Vejam lá se para a próxima escolhem homens de barba rija.

Prémio Análise Social 2010



Fiquei a saber pelo André que o Luciano Amaral ganhou o prémio Análise Social 2010. Os meus parabéns.

Grande Finale (62)

The Bridges of Madison County, Clint Eastwood, 1995

Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

The p. word

A Fernanda Câncio anda agastada. (Eu também andaria, se tivesse feito campanha pelo PS nas últimas eleições.) Vai daí, escreveu isto a propósito de um post em que lhe dei razão, mas em que não lhe dei razão como ela acha que se lhe deve dar razão - sem "dichotes" e supostas misturas entre vida pessoal e vida profissional.
Parece-me justo, mas há aqui outra confusão (e alguém a precisar de férias, não sei se da vida profissional, não sei se da pessoal, não sei se de ambas). Por muito que lhe custe, existe mesmo gente vil e miserável que ignora os desenvolvimentos da sua extraordinária existência e nem sequer vai ao google actualizar-se. Admito, tremendo de vergonha, que sou um dos infames. A sua biografia, lamento dizê-lo, só me interessou para ilustrar uma questão de transparência, de ética republicana ou, enfim, do que quiser chamar-lhe. Se me enganei nos factos, corrijo. Se aproveita a emenda para ajustar contas com o mundo, paciência. É tudo e é a última vez que perco tempo com uma falta de sentido de humor apenas comparável ao défice das contas públicas.
Ou o problema foi eu ter escrito "porra"?

Presidente de Excepção

"Presidente de Excepção". Eu na Rádio Renascença.

Pois

Carlos Fiolhais

Não veio o FMI, mas sim Chávez. Não seria melhor o FMI?

Se calhar sou eu que estou confundida

Foi só a mim que me deu esta impressão ou o técnico de vendas da empresa daquela coisa género playstation que se chama 'magalhães', com o sorriso típico bajulador dos técnicos de vendas, que ladeava o ditador sanguinário wannabe Hugo Chavez em todas as televisões era muito parecido com alguém, que não consigo precisar, conhecido e com responsabilidades governativas?



Uma coisa é certa: o técnico de vendas não podia ser, como tantos maldosamente afirmam, o nosso admirável pm. Mas, caso eu tenha a memória visual enfraquecida e tenha sido mesmo o nosso querido e tão amante da democracia pm, eu vou ser construtiva. Não vou afirmar que está tudo perdido quando o PS tem de recrutar um ditador para a sua campanha eleitoral. Não. Vou fazer uma sugestão na mesma linha. No Cambodja há ainda, à solta e sem arrependimentos, altos responsáveis do regime de Pol Pot. Um ou outro são mesmo velhinhos com ar aparentemente doce. Seriam uma excelente contratação para futuras acções de campanha eleitoral do PS. Não precisam de agradecer.

Intriga e má educação

Portugal não mudou em 10 anos

Uma notícia do jornal espanhol El Pais (aqui citada pelo DN) coloca em perspectiva a década perdida de Portugal. Numa lista de 180 países só o Haiti e Itália têm um crescimento inferior ao nosso. A mesma doença (o padrão de crescimento em "L") parece também afectar a Itália e o Japão que ainda assim têm a vantagem de partiram de posições consideravelmente melhores que a nossa.





(via Ciência ao Natural)

Crónicas da Renascença: Uber alles

Angela Merkel disse há dias que “o multiculturalismo falhou redondamente” na Alemanha. A declaração, que parece contrariar a política seguida pelos governos alemães nos últimos anos, provocou algum escândalo. A maioria dos comentadores relacionou as palavras de Merkel com a ascensão dos partidos de extrema-direita na Europa, incluindo em países tradicionalmente favoráveis à imigração como a Holanda e a Suécia. Antes que os extremistas germânicos cavalgassem a aparente vaga de xenofobia, a Chanceler ter-se-ia antecipado.
A meu ver, esta leitura ignora dois pontos decisivos.
Um é a reunificação de 1990. A Alemanha de hoje não é a mesma que nas décadas do pós-guerra acolheu milhões de estrangeiros em busca de melhores condições de vida. A união entre os dois lados do Muro de Berlim tornou o remorso colectivo pela II Guerra Mundial e pelo Holocausto parte do passado. Ao reunificar o país, os filhos do nazismo informaram a Humanidade que a sua dívida histórica está paga. O preço foi a divisão da Alemanha, a União Europeia - e o multiculturalismo. Agora, os alemães ricos querem construir uma nação com os alemães pobres. A reunificação é o fardo do homem louro. Quinze milhões de ossies depois, não sobra muito espaço para a diferença, e com crise económica ainda menos.
Outra consequência da reunificação é ter poupado a Alemanha aos problemas de identidade nacional que hoje assolam a França, a Espanha, a Itália, a Bélgica ou o Reino Unido. Uma comunidade só sobrevive se os seus membros tiverem uma consciência mínima do que os une, para além de um Estado-providência falido. Ora, enquanto os franceses discutem o que é ser francês e os britânicos discutem se a common law deve incluir a sharia, na terra da Sra. Merkel o contrato social é mais simples: a democracia e a língua. Era o que a Alemanha ocidental tinha para oferecer à sua irmã de Leste e continua a ser o que tem para oferecer aos proletários de todo o mundo. No essencial, o debate está feito há muito tempo. A única surpresa é haver quem não tenha dado por isso.
(24/10/10, com alterações.)

Domingo, 24 de Outubro de 2010

Ceci n'est pas racisme - Rein. Judenrein

Ver, aqui. Presumo que não se esteja a referir aos 1,5 milhões de cidadãos israelitas árabes (muçulmanos na sua esmagadora maioria, mas também druzos e cristãos). Apenas aos judeus israelitas . Rein. Judenrein.

E se amanhã se instala na Venezuela um Estado democrático de direito?

Suponhamos que amanhã se instala na Venezuela um Estado democrático de direito, onde os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos voltam a ser respeitados, a colaboração com o terrorismo acaba, etc. Portugal fica como? Ou eu não dei por isso, ou a cumplicidade de Portugal, pela mão da diplomacia de Sócrates, com alguns dos países mais notórios pela violação dos direitos humanos, como a própria Venezuela, mas também a Líbia e até mesmo o Irão, não foram nunca objecto de censura por parte da oposição (não me refiro à oposição à esquerda onde estes alinhamentos são naturalmente louvados). O que dá que pensar.

Portugal está muito perigoso

O ministro das Finanças citou Camilo Castelo Branco a propósito das negociações que começaram ontem entre o Governo e o PSD sobre o Orçamento do Estado para 2011: "O tempo chega sempre, mas há casos em que não chega a tempo." Teixeira dos Santos faz bem em citar os clássicos da literatura portuguesa – e pode seguir as suas lições.

(...)

Ramalho Ortigão não poderia ser mais actual: "ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o estadista."

Hoje no CM

Ele baterá bem da tola?

Aqui há problemas.

Até à parte que sofri ler, Manuel Alegre, se fosse presidente, em face da actual conjuntura de incerteza sobre a aprovação do orçamento teria, para promover uma concertação:
a) convocado o Conselho de Estado;
b) convocado os sindicatos;
c) os partidos;
d) as patronais;
e) ter-se-ia metido num avião para ir «sensibilizar» chefes de Estado estrangeiros,
f) governos;
g) e instituições estrangeiras;
h) «mesmo algumas empresas de rating, notação»;
i) em particular, teria batido o pé a Merkel e Sarkozy, pela ameaça de «punição política» dos «países em incumprimento da dívida, quando eles próprios já estiveram nessa situação» (nesta fase, comecei a pensar se valeria a pena continuar a ler o alucinado);
j) não seria como o actual presidente, que ainda para «aí no YouTube» a dizer que «eu não me pronuncio»;

O jornalista, porém, faz pela vida e pergunta:

É preferível, nesta conjuntura que vivemos, ter um mau Orçamento ou não ter Orçamento nenhum?

Essa é uma pergunta que eles vão ter de decidir. (...) Eu, na situação em que estou, tenho dificuldade em dizer. Acho que há dramatização a mais.

Se achar por bem, pode tentar ler o todo, aqui.

Separados à nascença?


Hugo Chávez diz que veio dar "as duas mãos" a Sócrates

Da transparência, da ética republicana ou da porra que lhe quiserem chamar

Não acompanhei os trabalhos da comissão de inquérito ao caso PT-TVI e, portanto, não sei se Agostinho Branquinho fez ou disse qualquer coisa que se aproxime de um conflito de interesses em relação à Ongoing. Mas uma coisa sei: se Branquinho usasse em causa própria o rigor com que vilipendiou em tempos o célebre convite da RTP a Fernanda Câncio, não estava agora a trocar a "política" pelo "sector privado".
Adenda: Presume bem. Até podemos dizer que é um caso de presunção e água benta (a água benta, naturalmente, fica por minha conta). Assim sendo, aqui deixo a correcção: Fernanda Câncio, segundo a própria, não recebeu qualquer convite da RTP. Confesso a minha ignorância quanto à natureza do contrato que a vincularia a fazer uma série de programas para a televisão pública e que motivou - e isto não presumo porque é de todos sabido - a intempestiva crítica do deputado do PSD a um suposto conflito de interesses. Peço desculpa, mas sei tão pouco da sua vida profissional como da sua vida pessoal.

Pub


(Clique para aumentar.)

Estado de Direito e Estado Social

Prepositadamente ou por ignorância, Jorge Lacão comete aqui um erro tremendo ao confundir "Estado de Direito" com "Estado Social". Bem sei que aos socialistas esta confusão se tem revelado proveitosa pois parece "empurrar" todos os que se opõe ao estado social para campo não democratico. Este é porém um jogo extremamente perigoso. Como em tempos lembrava o Miguel Morgado "o povo troca com facilidade a liberdade por pão". Numa altura em que o estado social se encontra em acelarado processo de falência podemos ser levados a concluir também da falência do estado de direito e do processo demorático. Repito, a confusão de Lacão é extremamente perigosa.

Não foi por falta de avisos



Não era necessário termos chegado a uma situação de pré-falência para nos apercebermos que há algo terrivelmente errado com o modelo social europeu. Só foi enganado que quis. Mas a factura vai ser paga por todos durante muitos anos.

Grande Finale (61)

O Polvo 4, Luigi Perelli, 1989

Sábado, 23 de Outubro de 2010

A importância do "também"

"Seria extremamente grave para o país enfrentar uma crise política neste momento (...). Confesso que não esperava que estivéssemos hoje na situação em que estamos. Fomos também atingidos pela crise financeira internacional"

Cavaco Silva

Também subscrevo

Isto e isto.
O problema é que a mentira do serviço público dá de comer a muita gente.

Uma entrevista esclarecedora

Vale a pena lê-la toda, percorrer todo o jargon que disfarça a ausência de pensamento, a defesa demagógica da ignorância (sabendo muito bem que a "clientela" não têm conhecimentos nem maturidade intelectual para disso se aperceber), a exibição da cenoura para os incautos e o brandir do cacete para os cépticos. Leiam e, depois, se puderem, informem-se junto daqueles que trabalham na coisa.
Mas é irresistível citar e sublinhar passagens (as palavras destacadas dizem muito do que vai por aquelas cabecinhas - os equívocos, as perversões):


«Não se qualificam pessoas para ficar bem nas estatísticas, como dizem alguns críticos?

Que mal é que existe em o país ter uma boa imagem? Essas pessoas preferiam que apenas 20 por cento dos adultos activos possuíssem o ensino secundário? Essa era a imagem do país.

Nessa crítica está implícita a rapidez com que todo este processo é feito.

O que há a criticar é não ter sido feito antes. Foi feito com rapidez, mas nestas coisas da educação é preciso agir com rapidez. A grande diferença é que as medidas que constam da INO foram tomadas como prioridades pelo Governo e foram associados meios para atingir estes resultados. Os centros RVCC já existiam, assim como o ensino profissional, a formação de adultos... Porque é que não produziam resultados? Porque faltava a prioridade política, os meios e a massa crítica. Com aquele ritmo levaríamos 60 anos, neste momento, são precisos menos de dez anos para convergir com a Europa. Há movimentos que ocorrem numa grande velocidade.

(...)

Porque é que não se fez antes esta mudança?

Porque há um factor social muito forte que tem a ver com o valor dos diplomas escolares. São muito valorizados. A democratização de acesso implica verdadeira abertura social e de mobilidade, o que cria pressão junto de determinadas elites que não deixaram de reagir. Há uma democratização mal tolerada do acesso aos diplomas escolares.»

"Pensam" assim as pessoas que decidem matérias tão sensíveis e fundamentais. Nem é preciso dizer mais nada, pois não?

Cachimbos de lá

David Bomberg, Auto-retrato com cachimbo, 1932.

Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

A ver

Miguel Morgado, com a "Autoridade" que se lhe reconhece, no Expresso da Meia-Noite, a dar umas lições de ciência política aplicada. Agora mesmo.

Saudosistas

PCP e BE não esquecem a guerra fria e os velhos ódios ideológicos. Estes partidos andaram a recolher assinaturas para protestar contra a realização da cimeira da NATO em Lisboa no próximo mês. Hoje colocaram à votação na Assembleia da República um voto de protesto contra a cimeira. Obviamente recusado. Para estes senhores Portugal devia sair da NATO, uma organização composta por democracias e que tem contribuído decisivamente para a segurança e paz. O mundo hoje sem a NATO seria certamente um local bem mais perigoso. Serão as saudades dessa magnífica organização de luta pela paz e democracia, chamada Pacto de Varsóvia, que move a esquerda radical?

Ongoing Brasil

Fiasco geral

Depois de ontem o Financial Times ter anunciado ao mundo a probabilidade de Portugal ficar este ano aquém da meta orçamental, não obstante as medidas calamitosas como a absorção do Fundo de Pensões da PT, é agora o The Economist, revela-me o camarada Alexandre, a dar conta do horror. Começa assim:

Os matadores espanhóis matam os touros na arena; os portugueses abatem-nos depois do combate.

E vai neste tom humilhante até ao fim. Depois de uma visão algo benevolente sobre a natureza das medidas propostas no orçamento, prossegue: Que uma recessão se seguirá ao aperto orçamental, parece óbvio a toda a gente, excepto ao Governo, que projecta um crescimento de 0,2%, depois de 1%, este ano. E, porém, foi em nome do crescimento que Mr. Sócrates resistiu obstinadamente a mais drásticas medidas até ser forçado a emendar a mão pelos mercados. (Coisa, aliás, de que o idiota que temos por primeiro-ministro se ufanou no New York Times).

Leiam o resto, e agradeçam a Sócrates a última performance para o descrédito total. E, depois, culpem o PSD, a tia, o papagaio, o BCE e a dentadura dos mercados pelo fiasco final.

Innovare, innovazione, novità

Correm ideias novas na República. Depois de termos (sim, «termos»: a esquerda, a direita e o resto) usado a política orçamental, durante décadas, para construir uma fantasia, descobrimos-lhe a agora uma nova utilidade: destruir o PS. Aprove-se o orçamento, este ou até mesmo outro pior, sem piar e depressa, que ele desaparece em fogo e fumo, e em menos de um ano. Nós, os outros, que nada temos a ver com o assunto, esperamos sentados, na bancada, do lado da sombra, pelo fim do sacrifício expiatório.

Está bem.

O quadradinho

Para nos distrair das desgraças da pátria, existe obviamente Manuel Alegre. Todas as semanas, em notícia encaixada em quadradinhos cada vez mais pequeninos - espécie de colaboração graciosa que os jornais hoje em dia muito agradecem -, lá aparece um "Manuel Alegre acusa o Presidente". A penúltima vez, creio, acusava-o de arregimentar criancinhas quando aparecia em escolas - lugar onde, é claro, elas não tinham nada que estar. A última acusação respeitava ao facto de Cavaco supostamente não mediar de modo suficientemente sanguíneo as negociações entre o PS e o PSD. A próxima consistirá, imagino, numa discussão estética da cor das gravatas presidenciais. E, depois de muitas semanas, no fim da campanha, Alegre desassombradamente encostará Cavaco à parede, imputando-lhe o crime de não o levar a sério. Num quadradinho que os leitores do "Desportivo de Águeda" terão dificuldade em vislumbrar.

Jogo perigoso

Os juízes e procuradores anteciparam-se aos sindicatos da função pública e defendem a inconstitucionalidade da descida dos seus vencimentos. Ainda não perceberam que a decisão é inevitável e ainda por cima esquecem que o parlamento inicia um processo de revisão constitucional no dia 29 do corrente mês. O PS e o PSD devem aproveitar a ocasião para esclarecer as dúvidas dos magistrados e incluir na constituição uma norma que subordina os direitos adquiridos no sector público ao princípio da sustentabilidade das finanças públicas. Assim, não só resolveriam de uma penada o problema do corte dos salários para 2011, como abriam a porta para muitas mais mudanças imprescindíveis para conseguir cortes estruturais na despesa. Quanto mais aqueles juristas fizerem pressão corporativa, maior será o incentivo dos partidos políticos para tomarem uma decisão radical. Parece-me um jogo muito perigoso para aqueles, mas até gostaria que insistissem, para essa alteração constitucional ser concretizada.

Bons sinais

Estando feita a minha defesa da não-negociação com este intragável PS, há que anotar: a equipa do PSD que vai negociar o OE2011 é irrepreensível. E tanto Miguel Frasquilho como Carlos Moedas nos dão bons sinais do que poderá ser uma equipa das Finanças num próximo governo do PSD.

Grande Finale (60)


Uccellacci e uccellini, Pier Paolo Pasolini, 1966

Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

Quando o simulacro sai à rua

Uma amiga contou-me que, hoje, o primeiro-ministro foi ao Instituto Superior Técnico. Foi recebido com assobios - o que mostra que o sistema imunitário daquela casa está vivo. Ouviu-se "engenheiros a sério é aqui!". O miserável esgueirou-se então por entre os jornalistas.

É um género: a sua farronca e insolência de valentão de feira manifesta-se para com aqueles que não podem responder-lhe à letra, mas, posto perante a denúncia das suas misérias, foge sorrateiramente revelando a abjecção donde nunca devia ter saído.

Frases que impõem [muito] respeito (como diz o outro...)

"Sócrates está pior para o país do que Carlos Queirós estava para a Selecção."

“O cangalheiro que seja Sócrates. Foi ele quem nos levou para as portas da morte.”

Luís Filipe Menezes in Público.

Onde cortar na despesa

Quando o PSD lançou este site tive a oportunidade de o elogiar aqui, mas também alertei para o facto deste tipo de iniciativas digitais em Portugal estarem muitas vezes condenadas ao fracasso. Na altura referi que normalmente não se divulgam os resultados nem se retiram conclusões das opiniões das pessoas. Agora é tempo de dar crédito aos promotores. A iniciativa foi um sucesso e o Gabinete de Estudos do PSD soube retirar os proveitos necessários. Aqui fica o relatório final sobre os contributos dos cidadãos.

Por fim uma nota às críticas que li e ouvi a este projecto. Estamos sempre a queixar-nos que os partidos não ouvem as pessoas nem ligam nada ao que elas dizem. Estamos sempre a dizer que os partidos estão afastados das pessoas e decidem tudo nas suas costas. Não terá sido esta uma forma de combater esse afastamento, que de facto existe, promovendo a aproximação entre cidadãos e partidos? Mais iniciativas deste género é o que a nossa vida político/partidária necessita.

Novas surpresas? Não seriam surpresa (ii)

Portugal may miss consolidation goal, titula o Financial Times. Já estão mais rápidos no gatilho. À rapidez não deve ser inteiramente estranho o facto de as obrigações de referência (10 anos) estarem à beira dos 6%, de novo.

Governo leva ao Parlamento revogação da exoneração de Américo Tomás

Parva seria a pergunta: mas qual é o sentido disto?, como se, em princípio, os programas e as iniciativas do Governo tivessem de ter sentido. Em qualquer caso, a bisca lambida, que tem o mesmo efeito, não requer tanto engenho, que diabo, poupem-se!

Eduardo Catroga

Um homem honesto, capaz, um bom cidadão: um homem de confiança, que foi um excelente ministro das Finanças.

2001 all over again? Não!

Há uma semana - ainda o inexorável manto da realidade não se tinha abatido sobre a direcção do PSD - clamava-se na blogosfera contra os que, dentro dela e nos jornais e televisões, sugeriam que o PSD afirmasse viabilizar o orçamento sem o conhecer e sem qualquer negociação. Mas teria sido essa precisamente a forma adequada e eficaz de lidar com a ameaça de demissão do governo. Por três razões. A primeira já explicou o Paulo Tunhas: os comportamentos de gente normal (e de bem e interessada no bem-comum) não podem ser esperados de um governo liderado por José Sócrates. Ainda ontém o sósia político de Sócrates veio mostrar como este governo não tem qualquer intenção de negociar. Com as devidas distâncias nos graus das malfeitorias, esperar boa-fé negocial de José Sócrates promete tanto sucesso como a confiança que appeasers como Lord Halifax depositavam no 'moderado' Goering. Outra: não interessa nada o que contém o orçamento (os socialistas, que bem o perceberam, nem se deram ao trabalho de o fazer atempadamente ou com as contas a baterem certas), porque nada daquilo é para cumprir. As obras públicas serão congeladas porque - lá está novamente a inexorável realidade - não vai haver dinheiro para elas. E o governo vai gastar o que puder (que convém ser menos do que pôde gastar em 2010) preparando-se para eleições antecipadas. A última: só não negociando não se poderia imputar ao PSD responsabilidade pelas políticas propostas pelo PS no OE2011.

Neste momento o que importa é o seguinte: não deixar - como sucedeu em 2001 - que o PS lave as mãos da governação antes de se sentirem as pancadas fortes que resultaram dos seus desvarios governativos, deixando ao PSD o ónus de implementar as políticas impopulares. Prefiro - como cidadã, como eleitora, como empresária, como mãe, como consumidora de leite com chocolate,... - um 2011 em recessão que permita que posteriormente se expulse, envolto em alcatrão e penas, o PS do governo do meu país e que deixe ao PSD, eleito a uma distância respeitável do PS e sem a aura de quase-perdedor que teve em 2002, legitimidade política para encolher este estado bisôntico que os socialistas (incluindo os que militam no PSD) nos legaram e que asfixia a economia e a sociedade e propicia todo o tipo de corrupção. E importa não deixar cair o país numa crise política que se prolongaria por vários meses, provocando uma crise de financiamento, levando a que as famílias congelassem todas as despesas de consumo que não as do almoço do dia seguinte e que as empresas suspendessem todos os investimentos até entenderem o que se avizinha - com o consequente trambolhão no PIB, algo que o PS apresentaria, por uma vez sem recorrer a realidades ficcionadas, como culpa do PSD.

Por agora custa? Pois é. Nunca ninguém disse a um viciado numa substância tão nociva como o despesismo socialista (perdoem a redundância) que a cura de desintoxicação seria fácil.

Autoridade (Publicidade em causa própria)

Já à venda (pela módica quantia de 2,5 euros).

Desperdícios (1)

O que está o Instituto Português da Juventude (IPJ) a fazer na mais cara avenida portuguesa, a Av. da Liberdade, em Lisboa?

Generalizando esta interrogação, quantos serviços, sobretudo do Estado central, estão instalados de forma desnecessariamente luxuosa? Neste caso do IPJ a extravagância nem é o edifício em si, é sobretudo a sua localização.

Seria certamente possível mudar de instalações, possivelmente até para umas mais pequenas, localizadas na zona oriental da cidade, já servidas de metro, mas com uma ocupação muito esparsa. Conseguir-se-ia uma poupança – estrutural – de milhões de euros.

Chegados aqui, perguntamo-nos: isto é o fim de quê?

Lá foi entregue o orçamento. O mais restritivo da história da democracia portuguesa: nunca tão poucos cortaram tanto a tanta gente. É a quebra de uma velha tradição. Ao longo dos últimos trinta e seis anos foi sempre possível montar mais um programa social, encontrar mais uma despesa para fazer, actualizar mais uns vencimentos ou pensões acima da inflação. Parece que (pelo menos por enquanto) acabou.

Esta tradição não resulta da má qualidade dos políticos portugueses. Resulta sim do desenvolvimento de um programa político, que está na Constituição e todos os partidos (de direita ou de esquerda) executaram aplicadamente: a construção do Estado-Providência.

Ler o resto do artigo de Luciano Amaral, aqui.

Negociar o orçamento

Ouvi ontem a critica do Ministro Silva Pereira dizendo que "não se negoceia seriamente um orçamento na praça pública”. Outras vozes têm dito que o PSD deveria reunir à porta fechada com o Governo para chegar a bons resultados. Penso exactamente ao contrário. Como Manuela Ferreira Leite sabia, e Passos Coelho agora descobriu, não existe seriedade e boa-fé por parte do Governo para permitir uma negociação normal. Sócrates simplesmente não é de confiança. Distorce a realidade e não cumpre o que promete, como se tem visto ao longo dos últimos seis anos. Os socialistas vão tentar envolver e co-responsabilizar o PSD na bancarrota que criaram. Espero que os sociais-democratas não caiam na armadilha. Quaisquer conversações com sobre o orçamento devem decorrer de modo institucional e tão público quanto possível. Só isso permitirá o acompanhamento e a avaliação dos portugueses.

Combate de Blogs - 25º

O primeiro "Combate de Blogs" no novo horário (noites de terça para quarta às 0h30).

Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Queda livre

Portugal cai do 30º para o 40º lugar no respeito pela liberdade de imprensa. Como lembra José Manuel Fernandes no Twitter, de 2007 para 2010 caímos de 8º para 40º. É o país de Sócrates. Ou, na versão blogosférica, o país jugular-valupi-corporativo. A culpa é toda dos jornalistas, sempre.

O PS não aceita nada que não seja um chumbo. O PR sai gravemente afectado

Ficam aqui transcritas (sic) as respostas do hooligan adjunto à posição do PSD.

Portugal precisa de ter um Orçamento aprovado.

O Governo tem dito Portugal precisa de ver aprovado o OE para 2011. Todos os portugueses compreendem essa evidência. Só não vê quem não quer e insiste em insultar a inteligência dos portugueses.

O Governo acompanhou a comunicação de Passos mas a verdade é que depois de ele ter falado o país fica sem saber ao certo o que vai fazer o PSD. Hoje a incerteza do PSD continua. E essa incerteza está a prejudicar já gravemente os interesses do pais.

Nego-quê????

É, para mim, muito claro, para já, que o Presidente da República mediu mal o calibre das pessoas que tem no Governo. Empenhou o seu crédito numa solução negocial jamais desejada pelo primeiro-ministro, que aposta tudo em fazer-se empurrado, e certamente que a sua irrelevância para evitar uma crise, que sugeriu ser possível evitar com os todos os seus préstimos, sai eloquente do desfecho.

A boa solução teria sido, dirão os sábios, o PSD ter declarado desde o início (quando foi o início?) que viabilizaria sem condições. Fazer de morto. Para um regime que parece apostado em acabar depressa, não está mal visto, não senhor.