Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
Chegou hoje no correio
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Maria João Marques
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A Política e as Tretas
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Miguel Morgado
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Vibrações (é tudo copy paste, e podem cotejar pelo link em baixo)
O projecto Europeu padece de essência – solidariedade e união.
Onde pára Joseph Stiglitz?
Enquanto a desgraça da Grécia faz corar o Olimpo e o FMI começa a desenhar mais um brilhante plano de auxílio, a UE deixa-se a nu: não é unida, não partilha qualquer esboço de interesse comum, é um mercado livre de valor reforçado e uma união monetária que dá jeito.
A estabilidade monetária, o sangue do sistema económico alemão, está hemofílica, e esbarra na irresponsabilidade francesa.
Ou nos unimos e somos Europa, ou desligamos a tomada do sonho mítico da regulação.
Marta Rebelo, hoje, no Económico.
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Jorge Costa
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14:41
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O que será?
Tanto erro de política orçamental ultrapassa a incompetência óbvia e legitima outras suspeitas.
Luís Campos e Cunha
Não sei mesmo a que se refere Campos e Cunha. De uma coisa estou certo: se eu governasse e quisesse fazer rebentar rapidamente a bomba-relógio em que a nossa situação financeira se converteu, teria feito o que o Governo fez ontem. Para uma crise política já não apostava assim. Era necessário presumir muita incúria na oposição. Como a coisa tem a ver com obras, já não digo nada. Não percebo muito de obras. Não sou engenheiro.
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Jorge Costa
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De Grauwe no Público
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Miguel Morgado
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José Vitorino Pina Martins (1920-2010)
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Pedro Picoito
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13:12
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Quem é que disse que vou pagar as quotas?
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Pedro Picoito
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Tem de ser assim?
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Jorge Costa
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Dissonâncias
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Eugénia Gambôa
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O facilitismo do Ministério da Educação
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Alexandre Homem Cristo
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Boas notícias
Mas, que las hay, las hay.
Por isso, como qualquer "político" que se preze, sempre vou prestando alguma atenção a estas informações.
Ora, os dados do último Barómetro da Marktest trazem três boas notícias.
A primeira é que os Portugueses parecem ter voltado a acordar da hibernação em que mergulham quando se entretêm com as vitórias do Benfica, os casos da Justiça e os powerpoints do Governo.
A segunda é que, contra as más línguas que procuravam desvalorizar Pedro Passos Coelho apontando-o como o novo Menezes do PSD, estes dados parecem confirmá-lo como o novo Durão Barroso: vai ser Primeiro-Ministro, só não sabe é quando.
Finalmente, contra o capital de queixa de TODAS as direcções do PSD, é sempre agradável ver a comunicação social com tanta vontade que o PSD chegue ao Governo.
É que, como se pode comprovar, esta é a primeira vez que o PSD passa para a frente das intenções de voto "desde a chegada de José Sócrates a líder do PS".
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Ricardo Rio
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09:41
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Descoberto
Passa-se algo errado comigo. Desde que li os comentários do Paulo Santos e o post do Nuno Lobo em resposta ao meu. Mas que é isto? Que sensação esquisita aqui. Olho-me no espelho.Cá está. Está a surgir-me um bigode à Mário Nogueira.
Diabos, o Paulo Santos apanhou-me: o que pretendo com aquele meu post é apenas aumentar a quantidade de mão-de-obra educativa nas escolas. Por que outra razão havia eu de escrever o que escrevi? O corporativismo, sempre o corporativismo.
Eu bem julgava enganar toda a gente fazendo crer que o meu pobre texto dizia apenas umas coisas medianamente sensatas. Mas não - o meu incorrigível corporativismo cegou-me.
Já fui apanhado - nem vale a pena acrescentar mais nada ao que já disse. Para minha indelével vergonha, o meu propósito obscuramente sindicalizante foi trazido à luz.
Não fora assim, e ainda poderia dizer que a analogia feita pelo Paulo entre a dimensão das turmas do ensino privado e a das do público é espúria, que são realidades tão diversas que impossibilitam uma analogia nesses termos - mas não vale a pena, já não engano ninguém.
Mal recomeçava a recuperar a respiração, quando o Nuno Lobo me atira com uma evidence que me deixou smashed. Mas onde raio é que fui buscar a ideia peregrina de que dar uma aula [ainda se pode dizer assim?] a uma turma de 30 pessoas será qualitativamente diferente de o fazer a uma de 15? E que há que pensar ainda em outras variáveis, como as idades, contextos socio-económicos, disciplina em questão, expectativas dos alunos, etc, onde? Tudo pretextos que o meu corporativismo encontrou para defender a proliferação de professores no ensino.
O Luís Lavoura, sempre inteligente, também alcançou uma das minhas teses inconfessáveis: defender turmas "demasiado pequenas". Claro, para mim, a turma ideal deverá ser constituída por um aluno. Com dois professores, propõe o meu bigode.
Se a manifestação pilosa que se me revelou sob o nariz me levasse a ser descarado, até responderia ao Paulo que ele está equivocado ao considerar como "aberração" a redução de horário lectivo com a idade dos docentes e lhe perguntaria se considera que um professor de trinta anos trabalha com 80, 100 ou 120 alunos nas mesmas condições que um de cinquenta e se a qualidade das aulas não se ressentirá desse factor despiciendo. Argumenta o Paulo que essa é uma prerrogativa que "outras profissões não têm". A isso, a minha falta de vergonha corporativa só poderia responder que é natural - precisamente porque se trata de outras profissões.
(A Escola -ou aquilo que ainda passa por Escola - está perdida. Está cercada de todos os lados. Todos. Já ninguém a entende. Aqueles que a deviam defender e melhorar, ajudam a enterrá-la. Mesmo que com boa intenção (como é aqui o caso). O terreno onde se faz o discurso que ainda tenta defendê-la está minado.
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Carlos Botelho
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02:59
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O dilema Grego
Quando o déficit orçamental se aproxima de 0, um Estado deixa de necessitar de crédito adicional, embora necessite de refinanciar o crédito já existente.
É aqui que se coloca um grande dilema à Grécia, e a qualquer outro grande devedor. Se um país nesta situação é obrigado a eliminar o seu déficit orçamental, então sofre a principal penalização que um incumpridor sofreria, mas não obtém um corte no seu serviço de dívida ou no montante que deve.
O que é que isto significa? Que racionalmente, para um país a quem é imposto reduzir brutalmente o seu ritmo de endividamento adicional, pode fazer mais sentido simplesmente incumprir.
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Paulo Santos
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David Cameron mais perto da vitória
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Nuno Gouveia
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Quinta-feira, 29 de Abril de 2010
Manual de bom comportamento
"Enquanto o PSD de Passos Coelho trava um ameno diálogo com Sócrates, dispondo-se a encontrar soluções de convergência com o Governo para reduzir o gigantesco défice português, o PSD de Manuela Ferreira Leite continua a conduzir um inquérito parlamentar destinado a demonstrar que o chefe do Governo é um indivíduo que mente, não tem carácter nem merece confiança. Uma situação de pura esquizofrenia política, bem reveladora das duas faces que os sociais-democratas persistem em exibir aos portugueses."
São sempre úteis para os simples estas fábulas com moralidade na barriga: de um lado, os amenos e dialogantes que, responsavelmente (bons partidos para as meninas casadoiras e honestas), porfiam por reduzir o gigante; do outro, os valdevinos semeados pela bruxa má, que insistem na sua missão desmoralizadora da patriazinha e querem arruinar a obra dos industriosos anõezinhos do sr. engenheiro.
Entretanto, ali ao lado, depois de puxar de novo o lustro aos seus botões "socráticos", o contínuo, vigilante dos caceteiros, bate palmas entusiasmado de serviço.
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Carlos Botelho
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23:43
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Manicómio
Assim:
- Reafirma o compromisso do TGV Lisboa-Madrid;
- Planeia lançar o concurso para o novo aeroporto internacional ainda este Verão, para que este venha a ter condições de operar em 2017;
- Avança com a terceira travessia do Tejo, mista, ferro e rodoviária;
- Vai reavaliar as auto-estradas do centro.
Já o ministro das Finanças assegura que, «se for necessárias mais medidas, tomaremos.» (Só copiei a frase.) «Estamos num caminho que nos conforta», disse também.
Esperem pela Moody's ou pelo próximo artiguinho de jornal.
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Jorge Costa
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A fuga
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Carlos Botelho
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Bloga a Bloga
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Miguel Morgado
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22:17
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Confusões
John Maynard Keynes (com a sua mulher, a bailarina Lydia Lopokova - de onde roubei a fotografia, lê-se na legenda: once a bloomsberry hippy, always a bloombsberry hippy). Markets can remain irrational a lot longer than you and I can remain solvent.
Os governos da crise da dívida soberana (claro que quando as coisas ficarem mesmo graves se estenderá para lá da dívida soberana), como já está designada para a história, confundiram «a lot longer» com «forever». E agora acusam os «mercados», quer dizer, os investidores, as agências a quem estes compram (maus: concedo, e não digo mais) serviços de avaliação de risco, etc., de terem terminado malévola e abruptamente com a ilusão (chamam a isto um ataque especulativo). Queriam, em suma, irracionalidade para sempre.
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Jorge Costa
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17:00
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Ter razão ao retardador
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Paulo Marcelo
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16:45
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Um pouco de arquivo
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Manuel Pinheiro
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15:20
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Há-de ter uma lógica, mas eu não a descortino
Contudo há neste 'entendimento' com o governo uma incongruência que eu não entendo. Dizia a comunicação social (eu, graças a Deus, não estou no inner circle que decide estas coisas tão importantes) que a oposição a Sócrates e ao PS abandonaria os ataques ao PM e ao seu percurso tão cheio de sombras para se concentrar na degradação da situação económica, que faria cair o governo mais cedo ou mais tarde (eu não vejo porque há-de a primeira excluir a segunda, mas mentes mais brilhantes deverão ter uma resposta muito convincente). Ora se se pretende fazer oposição realçando as fraquezas da economia, tenho duas questões:
Guterres disse uma vez que a AD de Marcelo e Portas era o seguro de vida do seu governo. Com esta oposição tão compreensiva da parte do PSD, não tarda Sócrates estará a fazer referências idênticas a PPC.
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Maria João Marques
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13:48
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A Alemanha, a Europa e Nós
Porque é que a insolvência não se converte automaticamente numa crise de incumprimento? Porque os diabólicos mercados assumem que alguém vai cuidar de resgatar o insolvente no momento em que se vencerem os seus compromissos. Por múltiplas razões: a principal das quais é que a falência do insolvente em causa pode ter consequências dramáticas para os agentes à sua volta, que, agindo racionalmente (?), em nome dos seus próprios interesses, o socorrerão para evitar um mal maior.
Esse socorro, porém, pode ter, num prazo mais longo, consequências ainda mais nefastas do que os efeitos negativos que pretendia evitar.
Desde logo sinaliza aos credores do costume – os malditos mercados, essa gente sinistra a quem os aforradores de todo o mundo confiam as suas poupanças para que eles as apliquem da melhor maneira possível – que, por exemplo, mentir sobre a situação das contas públicas próprias, acumular indefinidamente dívida pública e privada errando estrondosamente no desconto dos rendimentos futuros para honrar os compromissos correspondentes é possível, pois quando a insolvência estiver na iminência de produzir uma bancarrota, há alguém – supunhamos, apenas for the sake of the argument, a Alemanha – que não deixa falir.
Como é lógico, o jogo é terrivelmente perverso, pois o risco não desaparece por magia. Passa é a ter de ser suportado pelo «cobertor alemão», chamemos-lhe assim. Quer dizer: o «cobertor alemão» não se limita a pagar, no momento da bancarrota iminente, os compromissos não honráveis do prevaricador – «mediterrânico», chamemos-lhe assim. Passa a pagar permanentemente o risco acrescido que representou, ele próprio, ter uma vez estancado com dinheiro seu a falência iminente do «mediterrânico» (mesmo que as condições de resgate futuras se tornem explicitamente mais gravosas do que as presentes.) Além de que, quem resgata um resgata dois, etc., e é fácil de ver onde acaba a coisa, dada a circunstância actual.
A situação é complicadíssima para o «cobertor». Não tem poder para governar o «mediterrânico»; só tem o dever de o libertar de apuros no momento em que o desgoverno deste tiver, por acumulação, gerado uma situação crítica. A isto, há quem chame «solidariedade europeia». É o tipo de solidariedade à qual, muito compreensivelmente, os cidadãos do país «cobertor» não estão dispostos, e os seus políticos, democraticamente eleitos, em primeira e última instância só perante eles responsabilizáveis, entendem não patrocinar. A essa renitência há quem chame «chauvinismo», falta de «sentido de Europa».
É bem possível que a melhor caracterização do dilema alemão – resgatar ou não resgatar – seja a da no-win situation: questão tornada irrelevante, vista do futuro. O resultado será o mesmo. A verdadeira alternativa é: ou o(s) país(es) que cobre(m) passa(m) a governar, ou as ambiguidades do projecto europeu, que ganharam uma potência letal no passo da União Monetária, têm de ser desfeitas. Como a primeira alternativa não é possível – e, presumo que nisso todos concordarão comigo, desejável – o caminho está traçado.
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Jorge Costa
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13:03
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A dimensão das turmas não é um factor a ter em conta
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Nuno Lobo
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Ideias assim-assim
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Carlos Botelho
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Esta gente é só boas ideias
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Alexandre Homem Cristo
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Modo de ser
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Carlos Botelho
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2010
"Os problemas nacionais e a ordem da sua solução"
Aqui também se citou Salazar nestes dias de brasa. Aliás, com muito propósito. Mas o propósito não foi nem outro aniversário da revolução dos cravos, nem mais um aniversário (o 82.º) sobre a chegada ao Governo, dessa vez para ficar, do "mago" das finanças, nem tão pouco para evocar o 121.º aniversário do nascimento do doutor Oliveira Salazar.
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Fernando Martins
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23:25
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Nem tudo é igual
Apesar de tudo, há diferenças. Notórias: 200 pontos não é brincadeira. Do futuro, nada sei*.*À parte do que está em cima: só sei que a demagogia expiatória (com os bodes chamados agências de rating, mercados, especuladores e outros demónios) vai entrar em hiper-inflação. Numa crise que mexe radicalmente com as nossas vidas, com contornos complexíssimos, que obrigariam ao menos a alguma modéstia e estudo dos problemas, com a abdicação dos actores políticos entrados em regime de salve-se-quem-puder, com essa necessidade humana, muito humana, de reduzir tudo ao esquema binário para ter lugar garantido do lado do bem contra o mal, ao menor preço possível, a demagogia, a mentira, o simplismo, a vozearia estridente vão dominar o espaço público. Não ajuda nada. Mas é inevitável.
Noutra altura, isto até teria graça.
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Jorge Costa
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22:40
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Ver, ouvir, e pensar - a dívida externa (mediada em grande parte pela banca) está a explodir
Pedro Braz Teixeira.
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Jorge Costa
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22:10
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Dar uma lição aos boches (só para não lhes chamar uma coisa pior).
Os alemães e a Alemanha são muito engraçados. Mas são, sobretudo, perigosos. No século XIX, ainda se chamavam prussianos e Prússia, mas queriam construir a Alemanha – uma Alemanha que só podia ser imperial e imperialista –, provocaram os dois maiores e consequentes conflitos militares da Europa do pós-guerra da Crimeia. Depois da guerra com a Áustria, em 1866, na terceira guerra de unificação alemã, em 1870-1, Berlim impôs à França uma paz cartaginesa. Subtraiu-lhe a Alsácia e a Lorena e, para além dos exércitos do novo Reich terem ocupado território francês muito para além daquilo que era politicamente razoável, determinou o pagamento de compensações financeiras que, além de humilhantes, pretendiam quebrar a economia gaulesa durante mais de uma geração. Os franceses, inesperadamente, não só pagaram como construíram em finais do século XIX e no início do século XX uma economia de tal forma eficiente que lhes permitiu financiar parte do milagre económico russo ocorrido entre 1905 e 1914, como fazer face a sucessivas ofensivas militares germânicas que, iniciadas no fim do Verão de 1914, só terminariam na primavera de 1918.No século XX, os alemães, além de terem provocado duas guerras mundiais, arranjaram sempre maneira de escaparem às suas responsabilidades. Entre 1919 e 1929, conseguiram que fossem os norte-americanos a financiar o pagamento da quase totalidade das compensações de guerra, mais do que justas, que lhes tinham sido impostas pelos vencedores em Versalhes. Fizeram-se de vítimas, disseram que não podiam pagar, da mesma forma que consideraram as amputações muito limitadas em população e em território de que foram alvo a maior das injustiças. As elites alemãs e o povo alemão não descansaram enquanto não inverteram o veredicto de 1919. Primeiro, pacificamente, sem Hitler e sem os nazis. Depois de 1933, com estes chefiados por aquele e na ponta das baionetas. A II Guerra Mundial acabou como acabou e, não fosse a Guerra Fria, a Alemanha teria sido politicamente fragmentada e profundamente desindustrializada. Além disso, os alemães teriam sido obrigados a pagar à Europa a destruição causada entre 1914 e 1945. No entanto, o medo do expansionismo comunista por parte dos ocidentais e ou os receios do imperialismo norte-americano por parte da URSS, fizeram com que a Alemanha fosse poupada e mais uma vez escapasse ao seu destino.
A partir de 1949 a Alemanha viveu normalmente, apesar de dividida em duas até 1989, facto que velhas raposas da política como Kohl ou Brandt sempre quiseram e conseguiram fazer render politicamente, na Alemanha como no exterior. Finalmente, em 1989, os europeus, os russos e norte-americanos aceitaram a reunificação da Alemanha. O monstro renascia. Depois de 1990 a economia europeia e a economia da União Europeu conheceram duras penas por causa dos custos económicos e políticos da reunificação alemã. Conheceu, sofreu, mas também calou e aceitou. Não tinha alternativa? Talvez. Mas hoje é evidente que a “Europa” fez mal.
Por outro lado, se até 1990 a Alemanha não foi politicamente na Europa e na União Europeia aquilo que a sua economia lhe permitia ser, depois de 1990 a Alemanha não se cansa ditar aquilo que a União Europeia e a Europa devem ser e podem ser. A Alemanha aceitou uma moeda única, mas esta teve que ser feita à imagem do deus marco, da mesma modo que a sede do BCE não podia ficar noutro sítio que as benditas terras do Reich restaurado. O calendário do alargamento da União pós-1990 fez-se para satisfazer os interesses alemães, do mesmo modo que a Europa e a União tratam com a Rússia ou com a Ucrânia, já para não falar dos Balcãs, nos termos em que a Alemanha exige. Os "fundos estruturais" – pagos, diz-se, sobretudo pelos pobres alemães – são distribuídos segundo os seus subidos interesses. Pelo meio, o mercado europeu, dos países que gastam e produzem muito, pouco ou quase nada, está aberto à indústria alemã, da mesma forma que a abertura da Europa ao comércio com os mercados emergentes afecta ou afectará certamente a indústria portuguesa, britânica, grega, espanhola ou búlgara, mas nunca afectará o coração da produção industrial germânica. A Siemens ou a WV, entre muitos outros, jamais permitirão que o livre-comércio afecte os seus interesses – e nem sequer estou a falar em interesses vitais. Cinjo-me a alguns dos mais mesquinhos.
Pelo meio, se o “ocidente” tem que enviar tropas para combater o que quer seja onde quer que seja, os alemães torcem o nariz e não mandam tropa ou mandam pouca tropa. Evocam o seu triste historial expansionista e belicista. Mas, curiosamente, no que diz respeito à guerra os alemães não viram nem nunca viraram a cara à venda de armamento.
Vem tudo is a propósito do facto da Alemanha, ou dos alemães, não quererem dar o seu contributo, enquanto país da zona euro, para o “resgate” financeiro da Grécia. Os alemãs, coitados, parece que não querem abrir os cordões à bolsa, ao mesmo tempo que garantem que o grego, incorrigível povo do sul, gasta muito e trabalha pouco. É indolente. Ao contrário do alemão que é muito trabalhador e já foi maioriária e convictamente nacional-socialista e destruiu mais de meia Europa, do Atlântico aos Urais, entre 1914 e 1945. Os gregos, aliás, que o digam.Parece-me, por isso, que é tempo de acabar com esta lengalenga. Porque o exigem a história e a política, os gregos e a Grécia, e porque o exigem o euro e a zona euro (que não gozam nada da minha simpatia mas facilitam a vida quando vamos para "fora"). Se Miterrand fosse vivo – e como eu detestava Miterrand – certamente já se teria lembrado de uma coisa muito simples. Fechar numa sala o primeiro-ministro grego, o impossível Barroso, o chefe do governo britânico, o presidente francês, a chanceler alemã e dar, discretamente e a quem quisesse ouvir, uma lição de história e de política. Caso a chanceler, coitada, não percebesse e se fizesse outra vez de vítima, como tanto os alemães gostam e muitos dos seus lacaios europeus, e não só, apreciam, ficariam guardadas as próximas semanas para explicar nos media ao mundo aquele que tem sido o papel da Alemanha na Europa (e no mundo) desde 1866. E depois? Depois, o último a sair apagava a luz. Certo e sabido é que é preciso dar aos alemãs uma lição e recordar-lhes que no século XX quando enfrentaram a Europa e os europeus para além do razoável foram derrotados. É certo que uma vez com a ajuda da Rússia bolchevique, e duas com a ajuda dos EUA e do Império Britânico. Mas se não for a bem será a mal. E não me parece que alguém deseje que a Prússia, perdão a Alemanha, faça à Europa no século XXI aquilo que lhe fez impune e desgraçadamente no século XIX.
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Fernando Martins
à(s)
18:53
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Coisas Deste Mundo
É praticamente certo que os extraterrestres existem mas nós, humanos, devemos evitar entrar em contacto com os ditos. Parece que é perigoso.
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Fernando Martins
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18:48
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Entretanto em terras de Sua Majestade
Publicada por
Nuno Gouveia
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17:47
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& ainda s/ verdades
E ainda sobre as verdades que muito agradecíamos que os nossos governantes (lato senso) não descurassem.Em Janeiro, éramos todos mais ou menos iguais, com excepção da Espanha, um pouco a destoar, negativamente. Dinheiro muito democrático. Depois houve o Orçamento do Estado. Depois, houve o PEC. Lá pelo fim de Março, já tínhamos (os nossos bancos) descolado há algum tempo, quando deixámos finalmente a Espanha para trás. Aí por volta de 10 de Abril, o risco associado aos bancos portugueses picou. Como picou o risco da dívida soberana nas últimas semanas. Como de costume, as agências de rating reagem tarde. Ontem, uma delas, desceu o rating soberano e dos bancos. É falso que «as agências de rating» tenham desencadeado um «ataque». Foram atrás dos mercados.
O Governo assistiu impávido a tudo. E os outros actores políticos também. Temo bem que a reacção que esteja a ser pensada seja totalmente inútil. Porquê? Por isto. Mas a verdade não conhece regras de cortesia. E não espera por convite, para nos entrar casa adentro.
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Jorge Costa
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17:01
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Confissão II
(*) Tradução: 'Os operários não são maricas.'
Publicada por
Carlos Botelho
à(s)
16:39
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Resumo do entendimento JS - PPC
* "Querem a verdade? Vocês não aguentam a verdade!"
Publicada por
Paulo Santos
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16:19
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Detalhes
“El primer ministro portugués, José Sócrates (socialista), y el líder de la oposición Pedro Passos Coelho (conservador), se han reunido hoy en Lisboa con carácter de urgencia para tranquilizar a los mercados, después de que Standard & Poor's rebajara drásticamente su nota de solvencia para la economía lusa.”
Detalhes? Talvez não.
Publicada por
Eugénia Gambôa
à(s)
16:13
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Uma questão de crédito
Temos em primeiro lugar de estancar a hemorragia nas taxas de juro. Não só porque o preço do refinanciamento público pode tornar-se incomportável, como porque o preço de refinanciamento na banca pode tornar-se incomportável.
Não temos hipótese de o fazer sem apresentar factos que revelem que mudámos de orientação. Que estamos dispostos a reformar duradouramente, e não apenas a adoptar medidas de contingência.
Essas medidas reformadoras têm de visar o problema de fundo. Aumentar o potencial de crescimento, cuja tendência está próxima do zero. Eliminar toda a rigidez possível nos mercados de trabalho e produto deveria ser prioridade absoluta. Não é panaceia. É uma parte importante do caminho.
Não deveríamos esperar pela ajuda financeira do FMI ou da Alemanha, ou conjunta, para o fazer. A menos que a impotência dos poderes públicos já tenha chegado ao descalabro de não ser capaz de dinamizar tais reformas, perante a sociedade, senão com o álibi de que são eles, os estrangeiros, que nos estão a obrigar a fazer isto. Não auguro nada de bom para quem calcula assim.
Todas medidas necessárias à produção de deflação – redução de preços e salários – e de redução da despesa nacional em geral têm uma elevadíssima probabilidade de exercer sobre a economia, num primeiro tempo, um efeito fortemente contraccionista.
A deflação gera automaticamente um aumento da dívida em termos reais.
Ou seja, para atacarmos o problema de fundo – falta de competitividade da economia e excesso de despesa – produzimos uma deterioração imediata dos rácios financeiros.
Ou as medidas tomadas fazem acreditar que a economia, numa fase posterior, inverte a tendência, ou são inúteis. Só se sabe que deteriorarão a situação financeira, sem que se consiga antecipar, com um grau de probabilidade razoável, uma inversão na tendência de crescimento. E se eles acreditarem que entrámos em espiral para o abismo, entramos mesmo. É tudo uma questão de crença (palavra da família de crédito, credibilidade, etc.)
Publicada por
Jorge Costa
à(s)
13:03
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Caminhos tortuosos
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
12:06
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Compromisso histórico ?
Publicada por
Pedro Pestana Bastos
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11:36
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B. I.
Publicada por
Carlos Botelho
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11:28
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Intervalo querido
Publicada por
Carlos Botelho
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11:08
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Esta crise tem dois responsáveis políticos
Primeiro negou-se a crise. Depois José Sócrates repetia que, apesar da crise, estávamos menos mal que os outros países. Quem dizia o contrário, falando com realismo da gravidade da situação económica e financeira, era acusado de "bota-baixismo" [sic]. Mantiveram-se teimosamente as grandes obras públicas, como o TGV e novas auto-estradas supérfluas. Tivémos dois orçamentos de Estado mentirosos. Um dos quais aumentava escandalosamente os funcionários públicos a pensar nas eleições. Depois vários orçamentos retificativos. O défice subiu para perto dos 10%. O desemprego, estranha coincidência, também subiu para perto dos 10%. Nas últimas semanas, continuou o estado de negação, apesar das evidências, repetindo que estávamos no bom caminho, e que a nossa situação era muito diferente da grega. E que somos meras vítimas de ataques especulativos internacionais. Apesar do perigo eminente de descalabro, aprovámos um PEC tímido, que adiou para mais tarde as medidas sérias de contenção orçamental. Por tudo isto é absurdo continuar a dizer que a culpa é dos outros. Ou dos políticos em geral, como se todos fossem igualmente responsáveis. Sejamos justos e objectivos. Depois de seis anos de governação socialista errada e mentirosa, é preciso chamar os bois pelos nomes. Esta crise grave e profunda tem dois responsáveis políticos. E são bem portugueses: José Sócrates e Teixeira dos Santos.
Publicada por
Paulo Marcelo
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10:52
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Olha eu a fazer de Sócrates
momento para avançar com várias reformas estruturais ao nível das Autarquias Locais: rever o sistema eleitoral, alterar as regras/fontes de financiamento, dar mais clareza e rigor às normas sobre o endividamento e definir a moldura de competências que deve caber aos diferentes níveis de intervenção (Estado Central, Regiões, Comunidades / Áreas Metropolitanas, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia).
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Ricardo Rio
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10:45
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Confissão
Publicada por
Carlos Botelho
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10:35
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Da série "O Som e a Fúria"
Publicada por
Pedro Picoito
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10:35
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Terça-feira, 27 de Abril de 2010
Estancar a hemorragia (com mais umas notas)
Já não falo do longo passado. O Governo perdeu, com a prestimosa ajuda de todos os intervenientes no sistema político, o comboio do Orçamento do Estado. O Governador do Banco de Portugal esteve especialmente empenhado nisso. Perdeu o comboio do Programa de Estabilidade e Crescimento. Com o apoio empenhado, uma vez mais, do Governador do Banco de Portugal. Temo que continue sempre sete ou oito estações atrasado em relação a isto, que nos está a levar para um precipício de que nenhum de nós tem memória. Era bom que pensassem todos os responsáveis nisto: nós deixámos de ser fiáveis. Não temos crédito no sentido lato do termo. Infelizmente para os hábitos do governo não há ninguém do lado de lá - os mercados - a quem ligar. Ou se faz, ou não se faz. E só é possível começar a recuperar de uma fama muito má, que todos os dias nos custará mais caro o dinheiro de que vivemos, até chegar a um preço simplesmente incomportável, se se adoptarem medidas, não de excepção, mas de reforma duradoura, que alterem sustentadamente, com vista ao futuro, as nossas perspectivas de solvência. Medidas contingentes, que não se enquadrem nessa perspectiva temporal, produzirão a dor, mas não a cura. É de reformas que precisamos - urgentemente - tal é a circunstância a que chegámos. E só isso estancará a hemorragia nas taxas de juro, sem cujo estancamento não sei onde iremos parar. Ou melhor, sei: mas não quero alongar-me por aí. É verdade que as oposições e o Presidente da República têm uma palavra decisiva a dizer. O último conselho de Estado gelou-me. Espero que comecemos a mudar. Espero mesmo.
Quanto a esta paródia, também era bom que pensássemos no assunto.
Mais um apontamento: respostas identitárias acéfalas e histéricas a problemas económicos - quer dizer, também políticos - são uma enorme tentação: é a doença infantil do cretinismo, parafraseando, à martelada, um autor muito em moda. Uma espécie de fado invertido e crispado. Anima a malta, parafraseando, com mais uma martelada, um grande músico de que muito se tem falado, mas não nos tira de apuros. Muito pelo contrário.
E mais uma: um comentador, Eduardo F., na caixa deixou este comentário, que subscrevo absolutamente: o nosso problema é este. Deixemo-nos de tretas.
Deixemos.

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Jorge Costa
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20:55
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Camarada Botelho, pá, continuo a não concordar contigo, pá
E ainda vais ter que me aturar por muitos anos (suspira, camarada, suspira). Vamos lá a ver. Partes do princípio, "por deformação profissional", que é mais ou menos o mesmo citar um texto de Lenine numa sala de aula, como tu poderias fazer, ou no Parlamento, como fez Aguiar-Branco. Não é. O contexto e o significado são totalmente diferentes. Uma sala de aula não é um espaço político, apesar do que diz Foucault (que será citado no discurso do PSD do próximo ano), mas o Parlamento é um espaço eminentemente político. Em democracia, é o espaço político por excelência. Ou seja, citar Lenine - ou Rosa Luxemburg, ou Sérgio Godinho, ou António Sardinha - na Assembleia da República nunca é apenas um exercício académico ou recreativo. E há o momento: o discurso do 25 de Abril pelas bancadas parlamentares é uma ocasião em que os partidos fazem declarações políticas sobre o regime e o Governo, tema mais transcendente do que fazer citações "a talho de foice", como espero que concordes. Além de que o discurso de há dois dias representava, para o PSD, a primeira oportunidade institucional de falar para fora, de comunicar aos eleitores as grandes linhas do seu projecto para o país, o que as directas e os congressos, mais voltados para os militantes, nem sempre permitem fazer.
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
15:40
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É bem possível que esta semana acabe mal
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Jorge Costa
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13:26
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Agora que já nos indignámos, como se soluciona?
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Manuel Pinheiro
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11:30
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Rio de cores
Este Rio, pinta-se de azul da Braga que sonha diferente e por onde desliza tranquilo em cada regresso à nascente.
Ainda em Braga, pinta-se de vermelho e branco de sonho quando ao seu lado salta uma bola de futebol.
Na outra margem, ruge baixinho na esperança sempre adiada de um futuro melhor a verde... e branco.
Se um rio tivesse sangue, o deste seria seguramente laranja, como a cor que lhe corre nas veias desde o berço, resistindo a ventos... e marés, que por vezes não passam de espumas de ondas fortuitas.
Este Rio reluz mais forte com o dourado brilho do Sol que já disse trazer sempre no bolso, para dar mais cor a cada lugar por onde passa.
E, dia após dia, rebenta em arco-íris quando se cruza com os seus três ramos que um dia procurarão novos caminhos.
Agora, parece, vai passar por aqui. E começar a fumar... Cachimbo.
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Ricardo Rio
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11:08
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Corrupção e Justiça
Todos estes factos foram provados em tribunal. Os diálogos gravados estão transcritos no acórdão da Relação. Merecem ser lidos sobretudo por quem gosta de literatura policial. É patente a tentativa de aliciamento patrimonial a um titular de cargo público. Mesmo assim, o Tribunal da Relação resolveu absolver Domingos Névoa do crime de tentativa de corrupção activa, de que fora condenado pelo tribunal de primeira instância.
Isto porque os doutos juízes desembargadores entenderam que o vereador em causa não tinha “competências legais” para ir ao encontro das pretensões do corruptor. Como a permuta dos terrenos não dependia (legalmente) de Sá Fernandes, teria faltado um dos pressupostos do crime. Extraordinário. Por esta lógica, os corruptores deviam estudar direito, de preferência direito administrativo, para não se enganarem quando oferecem dinheiro aos políticos.
Não é fácil corromper em Portugal. Muitos tentam mas poucos conseguem. Nem com a gravação de uma promessa em dinheiro a um vereador, o sistema conseguiu condenar. Talvez por isso sejam raras as condenações por corrupção. E não se diga que o problema está nas leis. Claro que há aspectos a melhorar. Mas a responsabilidade primária está na atitude complacente de certos juízes que, como neste caso, se refugiam em argumentos formais.
A justiça portuguesa está doente. E não é apenas o problema da morosidade. A aplicação das leis tem-se distanciado da realidade social. Muitos magistrados, influenciados talvez pelo relativismo ético dominante, desistem de encontrar a verdade no caso concreto. A sua principal preocupação é “despachar” o processo. Alguns tornaram-se meros burocratas da lei. Agarrando-se à letra, esquecem tantas vezes o seu espírito, a ratio legis, desculpem lá a latinada. Os juízes não podem esquecer que exercem a Justiça em nome do Povo. Não estão a resolver um exame de direito penal. Ou a preparar-se para a próxima inspecção. A tecnicidade da lei não pode fazer esquecer a sua eticidade: o dever ser social estruturante de uma sociedade melhor e mais justa. O termo corrupção, na origem, designava decomposição ou apodrecimento. É isso que acontece com a nossa justiça se estas decisões erradas se repetirem.
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Paulo Marcelo
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08:40
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O discurso de Aguiar-Branco once again [suspiro...]
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Carlos Botelho
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00:03
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"E define-se assim um padrão pelo qual os de cima, (...) que sabem muito bem o que fazem, dão cada passo com uma sólida protecção que nenhum governante, nem político, por poderoso que seja, nem é capaz de imaginar ter. Estão protegidos de uma justiça que não funciona, são protegidos por uma comunicação social que os teme ou admira (...). Olha-se para muita gente da nossa elite e por entre os cuidados fatos de pin stripes, das mãos arranjadas até ao osso, do cabelo certo, do equilíbrio polido que transpira o muito dinheiro, do tom de voz entre o macio e o firme, da falsa segurança que dá o status e muito mediatraining, da película de vaga arrogância natural no vencedor, do decisor profissional, capaz, inteligente, habilidoso, sem dúvidas metafísicas nem hesitações (...). Depois, quando têm um sobressalto inesperado, nem que seja pelo facto de o caos gerar de vez em quando algo que parece ordem, respondem com o maior dos à-vontades, como se nada fosse, com completo desprezo pela possibilidade sequer de que haja um átomo de lucidez alheia, de uma escassa que seja inteligência, que perceba que a história é inverosímil, mentira sobre mentira, o jogo de palavras, a pequena habilidade dialéctica de quem sabe, no alto do seu mundo, que todas as cumplicidades se protegem, que todos os interesses se unem nessa mesma teia de mentiras."






