Quarta-feira, 31 de Março de 2010
Farsa não será, com certeza
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Jorge Costa
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Blogue renovado
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Nuno Gouveia
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Sobre os primarismos
(a) «Não percebo como é que a opinião do Alberto Gonçalves pode constituir uma ameaça à liberdade ou diversidade. Será que a liberdade ou a diversidade de opiníões já não conta?»;(b) «Tolerar a diversidade não implica um olhar acritico à realidade nem abdicar de valorizá-la segundo a nossa escala de valores. O socialismo é que costuma implicar “entrar na carneirada”».
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Alexandre Homem Cristo
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O Cônsul Expiatório
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Fernando Martins
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Burkas e Niqabs
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Eugénia Gambôa
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Esta esquerda é um lugar fantástico
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Manuel Pinheiro
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Então não era moderno e arejado?
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Manuel Pinheiro
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Coisas com imensa graça
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Jorge Costa
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Um Dilema
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Fernando Martins
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Terça-feira, 30 de Março de 2010
Notas atrasadas sobre o PSD
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Manuel Pinheiro
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Baptizados de pé
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Pedro Picoito
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Kafka com laranja
Hoje, pela manhã, tentei reler O Processo de Kafka. Esbarrei de novo contra aquele ambiente ao mesmo tempo banal e absurdo a que chamamos kafkiano (belo adjectivo). No Processo, na Metamorfose, no Castelo há um espaço familiar e uma expectável rotina que, de repente, se tornam ameaçadores pela existência de um elemento sem sentido, mas que todos, menos o protagonista, aceitam como lógico e óbvio. É a detenção nunca explicada de Joseph K., é a transformação matutina de Gregor Samsa em insecto, é a ausência do castelão para o qual se trabalha e nunca se vê. Kafka ensina-nos que o maior perigo para o sentido comum não vem da loucura, da morte ou da subversão total do quotidiano, mas do que julgamos ser a normalidade. Porque a nossa vida nunca é normal. Não há vidas normais.
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Pedro Picoito
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Da série "vale a pena ler"
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Paulo Marcelo
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Quantos?
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Jorge Costa
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O dia seguinte
Não é animador o panorama com que se depara o novo presidente do PSD. O problema não é tanto Sócrates, cada vez mais descredibilizado, mas como ele deixa o País. Uma economia decadente. Um Estado colonizado pelos interesses partidários. Instituições descredibilizadas, incluindo os partidos. Desemprego elevado e uma crise social eminente. É esta a pesada realidade que Passos Coelho terá de enfrentar. É isto que é preciso mudar, usando o verbo “obamiano” por ele escolhido. O caminho não será fácil.
Para isso tem de mostrar que o PSD é diferente do PS. E que ele próprio é diferente de José Sócrates. Não basta esperar pelo desgaste do governo. Terá de explicar como vai fazer crescer a economia (algo que os socialistas não conseguiram), como vai reduzir o peso do Estado (e não apenas privatizar à pressa por causa do garrote orçamental), e como vai libertar o Estado dos interesses partidários e económicos que dele se têm apropriado. Só isso permitirá passar dos 43.949 militantes que o elegeram, para os dois milhões e meio de portugueses necessários para governar com maioria absoluta.
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Paulo Marcelo
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Segunda-feira, 29 de Março de 2010
Memória
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Carlos Botelho
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Podia ser só uma piada rasca, mas não é
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Pedro Picoito
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Brutal e instrutivo
É brutal. Mas instrutivo.
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Jorge Costa
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E agora PSD?
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Nuno Gouveia
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Primarismos
Alberto Gonçalves, 21 de Março, no DN.
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Alexandre Homem Cristo
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Acumula
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Jorge Costa
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Isto não é notícia
Caro Tyler Durden: lamento informá-lo, mas a notícia tinha sido dada em primeira mão pelo primeiro-ministro português, a quem coube a honrosa tarefa de representar os seus pares à saída da reunião. Como deve saber melhor do que eu, o resultado era mais do que previsível. Era necessário. Nada é mesmo a única coisa acertada - se é que ainda as há possíveis - que a Europa pode fazer, de momento, pelo assunto. Dir-me-á que não ouviu o primeiro de que lhe falo. E que a ele competia fazer, ao menos, de conta que algum coisa se passara por lá. Pois. Mas vê-se que não conhece a espécie. Nem do que é capaz um sujeito assaz medíocre em momento de entusiasmo, avesso a qualquer toque de realidade e comissionado para mais um número de propaganda. De tudo.
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Jorge Costa
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Domingo, 28 de Março de 2010
Alexandre Herculano
No dia 25 de Dezembro de 1872, Alexandre Herculano escreveu uma carta curiosíssima a Oliveira Martins:
Vale-de-Lobos, 25 de Dezembro de 1872
Recebi em tempo o seu livro socialista [Teoria do Socialismo] e quisera logo corrê-lo e ler aquilo que a minha velha e gasta compreensão pudesse alcançar; mas chegou em má conjuntura, na dos começos da colheita e fabrico do azeite. Nesta faina apenas podia tirar alguns pedaços de noite para ir meditando no conteúdo do livro, quando podia traduzir em linguagem inteligível para mim as suas frases. O socialismo é uma espécie de religião e, como todas as religiões, tem dogmas, e os dogmas, por via de regra, pertencem ao mundo do sobre-inteligível. Não se admire, pois, de que eu, pouco familiarizado com as profundezas da nova crença, não saiba ligar nenhuma ideia a certas proposições e frases, em que até o valor dos termos é para mim novo e desconhecido. Não tome isto por ironia. É a pura verdade.
Tenho, por isso, lido pouco: aqui e acolá, às furtadelas. Burguês dos quatro costados, liberal ferrenho e proprietário, ainda que pequeno, tenho todos os sinais que caracterizam a besta do moderno apocalipse do evangelista Proudhon; sou tirano do operário. [...]
Com esse pouco, porém, que tenho visto do seu livro já apanhei uma ruma de dúvidas, para as quais lhe pediria explicação se me coubesse no tempo que desbarato agora com as contas do lagar [...].
Agora o que eu não quisera era deixar de responder às perguntas da sua carta. Assim eu as entenda bem! Pergunta-me se não me parece que da sucessão dos factos da história sai uma lógica da história, e que essa lógica conduz a conclusões diferentes das de um mero concurso de acidentes, determinado por um outro concurso atomístico de indivíduos. Se muitas vezes não atino com o sentido dos seus períodos é pela ignorância em que estou dos progressos modernos. É esse o verdadeiro quid que V. S.ª acha dar-se entre mim e os pensadores actuais. Eu posso lá saber o que é a lógica da história que sai da sucessão dos factos históricos? A lógica, no meu tempo, era o complexo das leis, das regras espontâneas conforme as quais funciona a inteligência: era a fórmula por cujo meio se manifesta a razão no homem. [...] Lógica engendrada pelos factos da vida das nações ainda não havia no meu tempo. É descobrimento mais moderno.[...]
Parece-me que, reduzindo a pergunta a termos chãos, alheios à terminologia nebulosa da filosofia socialista (que seria dela sem essa terminologia?), V. S.ª quer saber se, à vista das suas apreciações históricas, eu acho que a vida das sociedades não resulta dos efeitos da vontade individual, combinados com os acontecimentos fortuitos. Distingo. A vontade individual, ajudada pela superioridade da inteligência, tem, teve e há-de ter sempre uma influência maior ou menor, às vezes grandíssima, na vida exterior das sociedades, e até não raro na sua vida interior, na sua fisiologia. Que esta influência necessariamente é limitada pelas outras vontades inteligentes, também me parece óbvio: que há circunstâncias independentes, tanto de qualquer vontade individual como do complexo de todas, que as limitam, parece-me indispensável. Que estas circunstâncias sejam determinadas pelo concurso das vontades individuais, não o creio, aliás confundir-se-iam com os efeitos delas, e o modo de ser das nações teria essa única origem. Circunstâncias tais dependem de factos anteriores, de leis físicas ou morais, de causas, em suma, que podemos ou não podemos conhecer. Neste último caso chamamos-lhe circunstâncias acidentais, fortuitas. No mundo real não há senão causas e efeitos. Fortuito é um adjectivo inventado para consolar a vaidade humana de ignorar a cada passo a genealogia dos factos e dos acontecimentos. Assim, eu creio que o génio militar e político de Napoleão exerceu uma influência enorme nas condições de existência das sociedades actuais da Europa; que a vontade enérgica de um fidalgo russo, Rostopkéne, modificou, limitou os efeitos dessa influência com o incêndio de Moscovo; que a circunstância fortuita de ser rigorosíssimo o Inverno de 1812 (fortuita, enquanto um mais cabal conhecimento das leis meteorológicas nos não vier revelar porque o Inverno de 1812 foi tão rigoroso) completou a obra do fidalgo russo, dando cabo de um exército de 700 000 homens, que teriam dado cabo do poder da Rússia se tivessem podido invernar em Moscovo; que a destruição desse exército explica Waterloo - Waterloo que, além dessa causa, tem a das vontades em concurso de Wellington, Blücher e talvez Bourmont, de Waterloo, a queda do cesarismo, o remodelamento da carta da Europa, o estabelecimento do governo representativo. Não sei se o concurso destas vontades foi atomístico, porque não sei se emprega este adjectivo no sentido vulgar, se no sentido filosófico de Epicuro ou de Leibniz, ou, finalmente, na significação da química moderna. Se é no primeiro (o que me parece mais provável, para apoucar o indivíduo diante da humanidade), há-de confessar que os tais indivíduos átomos tinham sua acção sobre as sociedades da Europa. Seriam eles já moléculas?[...]
Tenha paciência, meu amigo, visto que me faz perguntas, perguntas sobre questões altíssimas a um pobre lavrador d'azeite! Sofra-lhe as tolices abrutadas. Há na primeira pergunta da sua carta um triunfante e decisivo finalmente, que me atemorizou e me fez a princípio crer que, tendo labutado 25 anos com trabalhos históricos, nada tirara disso senão cair numa esparrela de conclusões erróneas, de que a teoria socialista vinha desembaraçar-me, afinal. Nesses 25 anos (e creia que durante eles trabalhei deveras) pude estudar seriamente apenas uma época da história do meu país, e ainda assim ficaram-me obscuras mais de uma face do poliedro social. Mas as conclusões que tirei dos meus estudos nunca tiveram por alvo o determinar as evoluções passadas, presentes e futuras das sociedades maiores e menores, constituídas pelo género humano nas diversas partes do globo. O único intuito do que escrevi foi deixar às gerações futuras em Portugal alguns meios para uma coisa que me parece hão-de algum dia tentar fazer, isto é, tornar as instituições mais harmónicas, mais consequentes com as tradições e índole desta família portuguesa, a quem V. S.ª nega individualidade própria e que, todavia, já no século XII, chamava com malévolo desdém, estrangeiros aos Espanhóis. A minha crença é que, por esse meio, nós chegaremos a tornar a liberdade verdadeira e real, o que não temos obtido com imitações bastardas de instituições e até de utopias peregrinas. Já vê que não tenho de abrir finalmente os olhos para ver a luz que derrama ante mim a teoria do socialismo. Não pego no facho, porque nada tenho de procurar com ele.
Mas permita-me que duvide que o tal facho alumie coisa nenhuma. O Socialismo, desde que fabricou a humanidade, cujos átomos moleculares eu e V. S.ª com toda a gente nossa conhecida e não conhecida temos a honra de ser, tratou esta abstracção da antiga ciência, que se chama o género humano, com um desprezo por tal modo iníquo que não nos dá esperanças de que o reinado do socialismo seja o reinado de Astréa. Buscando as leis gerais e absolutas que regem a evolução social de Mme. Humanidade, o socialismo vai-se à história dos povos que têm habitado e habitam uma pequena parte do mundo chamada a Europa, e, respigando, aqui e ali, factos bem ou mal averiguados, instituições bem ou mal estudadas, doutrinas bem ou mal compreendidas, adjectiva-as ao seu idealismo, e acha assim a tal lógica que sai da sucessão dos factos e que é a lógica da história. Arranja a sua igrejinha, como se arranjariam dez igrejinhas diferentes ou contrárias, com as memórias passadas, exactas ou inexactas, de 80 ou 100 milhões d' homens e com uma nesga do mapa-mundi. E 300 milhões de Chins e 200 milhões de Hindus, que representam civilizações antiquíssimas e ainda subsistentes? E as civilizações extintas de Assírios e Egípcios e Persas e Tolteques, etc?
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Carlos Botelho
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O Destino da Economia
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Miguel Morgado
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Israel, EUA, um conflito aberto, uma carta importante
Formulações importantes da carta:
- Escrevemos para reafirmar o nosso empenhamento na ligação inquebrantável que existe entre o nosso país e o Estado de Israel e para lhe exprimir a nossa profunda preocupação com a tensão recente. Um Estado de Israel forte é um activo para a segurança nacional dos Estados Unidos e traz estabilidade ao Médio Oriente;
- Preocupa-nos que as tensões altamente publicitadas nas relações não contribuam para fazer avançar os interesses que os EUA e Israel partilham. Sobretudo, temos de concentrar-nos na ameaça que o programa nuclear iraniano representa para a paz e estabilidade no Médio Oriente.
Muito resumidamente, como ler esta carta?
Primeiro: as tensões referidas foram impulsionadas com o episódio infeliz de publicitação da autorização de construção de 1600 casas em Jerusalém, durante a visita de Joe Biden, vice-presidente dos EUA, a Israel. Se a oportunidade do anúncio é discutível, a opção, não. Não há nenhuma razão para Israel suspender a construção em qualquer parte de Jerusalém. Jerusalém não é um colonato, nem o regresso a qualquer divisão interna à cidade, tal como a que existiu entre 1949 e 1967 é uma hipótese negociável - para uma das partes do conflito. A exigência, como condicionante do regresso à mesa das negociações, por parte de Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana, do congelamento de toda a construção na margem ocidental do Rio Jordão e Jerusalém, funcionou como pretexto da sua recusa, até que o Governo de Netanyahu decidiu aceder a uma moratória de 10 meses, no que à construção em torno dos colonatos diz respeito. Ao passo dado por Israel não correspondeu nenhum passo dado pela outra parte, nem pressão nenhuma efectiva por parte da Administração norte-americana, nesse sentido. A Administração insistiu em dar cabimento à exigência palestiniana de extensão da suspensão de construção em Jerusalém, algo que não é negociável por Israel, uma vez que Jerusalém não é, em nenhuma das suas partes, susceptível de uma abordagem do mesmo tipo da aplicável aos territórios ocupados em 1967. A indivisibilidade de Jerusalém foi um princípio enunciado pelo próprio Obama, quando precisou do voto judaico. O abandono de facto desse princípio, ao acolher a exigência palestiniana, insere-se na estratégia de apaziguamento árabe, à custa do enfraquecimento das posições do seu aliado, Israel. A recusa israelita enfraquece os EUA, pois mostra ao mundo, ao mundo árabe, nomeadamente, que o poder de influência dos EUA em Israel não é o que parece. Tem limites. Jerusalém é um desses limites.
Segundo: a publicitação das tensões prende-se, não só com os discursos, ou nem sequer primordialmente com os discursos e tomadas de posição públicas pelas autoridades americanas ou israelitas, embora certamente que dela façam parte, mas, antes de mais, com as humilhações protocolares a que Netanyahu foi sujeito durante a sua visita a Washington. A fúria de Obama perante a irredutibilidade do seu aliado traduziu-se em espectáculos inéditos como o cancelamento de uma conferência de imprensa conjunta no final da visita, e outras exibições de alta tensão. Verdade que Joe Biden não teve uma visita fácil a Israel. Mas a verdade, a verdade mesmo é que não vale a pena tapar o sol com uma peneira: neste momento são muitíssimo profundas as divergências entre os EUA e Israel relativamente à situação de conflito regional.
Terceiro: o fundo da questão, além de incluir a arrogância norte-americana relativamente à presunção de que pode definir, em vez de Israel, o que são condições aceitáveis para o futuro de Israel - designadamente quanto ao estatuto de Jerusalém -, tem a ver com a interpretação do conflito e de tudo o que o envolve. Para Israel, é central conter o ascendente crescente do Irão na região, e vital, nesse sentido, parar o seu programa nuclear. O Irão é um dado essencial do problema: define o campo de forças em que uma solução viável - dois Estados, em paz, lado a lado - pode, ou não, acontecer. Para os EUA de Obama, o conflito israelo-árabe é resolúvel em si, e a sua resolução desactivaria as demais tensões no Médio Oriente. (É possível que os EUA já se tenham resignado a um Irão nuclear.) É a importação em Washington da Weltanschauung dominante na Europa.
Mas não é essa a dos 337 congressistas.
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Jorge Costa
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Quizz
1. Dedicar-se à cultura (aprender sânscrito, macramé, feng-shui, escrita criativa, etc.);
2. Imigrar para um país viável (os filhos não têm culpa da indigência dos pais, ou, na versão heróica do Padre António Vieira: Portugal para nascer, o mundo para morrer);
3. Esperar que isto passe e logo se vê;
4. Pensar no assunto um dia destes;
5. Poupar;
6. Isto não está bom para ter filhos;
7. Reler os anarquistas conservadores (Jünger, etc.), e reponderar se aquilo é uma saída;
8. Danças de salão;
9. Não sabe/não responde.
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Jorge Costa
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São rosas, senhores, são rosas
Florista fazia 300 € por mês, segundo o Correio da Manhã.
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Paulo Marcelo
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Despedimentos
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Fernando Martins
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Sábado, 27 de Março de 2010
Algumas notinhas sobre as directas no PSD, Belém e o Illinois
3. O fim do ciclo das legislativas coincide com o início do ciclo das presidenciais, que vai dominar o próximo ano. O PSD só tem uma alternativa: apoiar Cavaco Silva. Além disso, Belém vai ter um papel cada vez maior perante um Governo fragilizado e minoritário e uma oposição paralisada pelo medo de precipitar a crise política. Passos, dos quatro candidatos às directas, foi o que se distanciou mais de Cavaco. O que o obriga a ser, até às presidenciais, um jogador à defesa no jogo de que PR será o árbitro.
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Pedro Picoito
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Proteccionismo temporário?
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Miguel Morgado
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A Douta Ignorância
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Alexandre Homem Cristo
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Sexta-feira, 26 de Março de 2010
Período de reflexão
pensassem também em miasmas
e outros problemas não menos sérios. Em princípio, o PSD deveria sobreviver.
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Jorge Costa
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A ignóbil mentira
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Miguel Morgado
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A tripla escolha do PSD
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Como alguns jornalistas noticiam as sondagens
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Pedro Pestana Bastos
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Um homem muito tenaz
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Jorge Costa
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Quinta-feira, 25 de Março de 2010
Está à vista a perda da nossa independência
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Jorge Costa
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O triste fim de Manuela Ferreira Leite
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Manual de Maus Costumes
Um blogue de Jorge Carvalho.
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Nuno Gouveia
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Sobre o cancro. A Caixa
A Caixa, à luz desta teoria, é, por assim dizer, o centro nacional por antonomásia. Qualquer ataque ao capital de outros centros de decisão nacional (bancos e arredores) tem de enfrentar o risco de uma barragem, não só política, e muito complicada – quem não se lembra do Totta –, dispendiosa e desgastante, como ainda a possibilidade ver coberta a sua oferta, com os rodos de dinheiro que a Caixa é capaz de mobilizar, no mercado e fora dele – por exemplo, sob a forma de aumentos de capital, via accionista, o Estado – prática que se tornou método dos últimos anos, até mesmo para trafulhices orçamentais que não vêm agora ao caso.
A renitência um bocado totó que tinha em relação ao discurso do método dos centros de decisão nacional era a de que não conseguia ver como é que empresas privadas protegidas por uma espécie de bomba atómica financeira dissuasora de quaisquer ataques nos mercados de capitais não acumulariam, necessariamente, ineficiências, desvitalizando-se assim uma das funções essenciais do mercado, que é justamente a de obrigar à eficiência. O mal, no fundo, de qualquer forma de proteccionismo. A prazo é um desastre: um enorme passivo de competitividade. Talvez, dizia eu com os meus botões, apesar de tudo compense sacrificar um pouco de mercado em nome da coesão nacional.
Uma mentira não dura sempre. O problema é o mesmo: essa mútua imiscuição das esferas do público e do privado, perigosa para ambos, quer dizer para os interesses nacionais, que só são bem servidos se ambas as esferas tiverem o seu lugar, um lugar que não se confunde e regras que não se confundem. Mas a questão não é obviamente a da corrupção, digamos assim, do privado protegido. A questão é – infinitamente mais grave, incomensuravelmente mais grave – da corrupção da esfera pública, que é literalmente arrestada por interesses privados em nome dos interesses nacionais.
Sobre a vergonha, o cancro da vida pública em que hoje a Caixa Geral de Depósitos se converteu às mãos de um governo - é este; o problema é que pode sempre ser qualquer outro e, podendo, será - corrompido por ela e corruptor por ela, ler hoje, imprescindivelmente, a crónica de Pedro Lomba no Público, que não autoriza o link. A verdade da teoria dos centros de decisão nacional está ali exposta. Fede, mesmo. Isto é que fede. Continuar em discursatas sobre isto e aquilo, o PEC e mais não sei o quê, enquanto o país apodrece às mãos da Caixa, é um peditório para o qual me apetece dizer: já dei.
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Jorge Costa
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Mobilidade social
Isto significa o maior fracasso da democracia portuguesa.
Fiquei contente, por isso, ao ler na Moção de Estratégia do Paulo Rangel a ideia de que «a mobilidade social deve passar a constituir o eixo unificador das políticas públicas do PSD.» E perceber que isso se traduz num conjunto de políticas como: i) ensino público orientado para a aprendizagem, para a responsabilização e diferenciação das escolas; ii) cidades com políticas urbanas que combatam a “guetização”; iii) na libertação do mercado de trabalho de factores de imobilismo e protecção dos insiders; iv) no reforço dos pilares de uma sociedade de deveres e com justas recompensas, baseada na meritocracia e na igualdade de oportunidades.
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Paulo Marcelo
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Alavanca ou muleta ?
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Pedro Pestana Bastos
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Cumprir promessas
A Maria João Marques diz o óbvio no Insurgente:
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Nuno Gouveia
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Quarta-feira, 24 de Março de 2010
Socialistas preferem Passos Coelho
O eleitorado PS mostra maior afinidade pelas capacidades políticas de Passos Coelho do que o próprio eleitorado do PSD: 47% dos inquiridos que dizem votar PS apontam para o ex-líder do JSD como o mais capaz para ser primeiro-ministro, enquanto entre os social-democratas esse valor se fica pelos 42%.
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Nuno Gouveia
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Complicado
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Jorge Costa
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Words, words, words
Crescimento. O que se pode fazer pelo crescimento sem contar com,
- reduções de impostos;
- benefícios fiscais discricionários, em função de sectores (género taxas de imposto mais favoráveis às empresas exportadoras; é proibido na Europa);
- melhoria das condições de crédito;
- impossibilidade de ajudas directas, sob a forma de investimentos, apoios, subsídios, etc., etc., a tralha socialista do costume;
- em suma, dinheiro.
Sem dinheiro faz-se o quê?
Imenso. A longo prazo. Na Justiça, na Administração e burocracia, num prazo ainda mais longo, na Educação. No combate à corrupção, que deveria ser uma bandeira, a bandeira, e pressupõe áreas atrás referidas.
E para a economia, especificamente para a economia, não sobra nada? Tirando uma profunda reforma laboral, que integre o princípio de que as empresas podem ajustar a quantidade de trabalho em função do mercado, em vez de serem obrigadas a falir, não estou a ver.
O resto parece-me conversa. Mas, para sair da conversa, é preciso coragem para assumir rupturas relativamente à filosofia do Estado Segurador Socialista que ainda não foram enunciadas. Como, aliás, para uma verdadeira redução da despesa pública, única condição para uma diminuição efectiva da carga fiscal. Rupturas, em suma. Quebrar tabus, destruir (des)caminhos, para usar a expressão que Felipe Nunes Vicente tomou de empréstimo, com enorme oportunidade, a Benjamin. Sem o que, falar de crescimento, é parole, parole, parole...
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Jorge Costa
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Obviamente contra
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Pedro Pestana Bastos
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Primeiro Ministro para a História
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Manuel Pinheiro
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Impotência
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TGV ou o Atávico Conservadorismo
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Eugénia Gambôa
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E de repente...
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Pedro Picoito
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Alexandre Homem Cristo
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New blog on the block
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Pedro Picoito
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Terça-feira, 23 de Março de 2010
Um parlamentar israelita que confraterniza com o terrorismo - se lhe tocarem, isso é racismo
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Jorge Costa
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Do desprezo
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Alexandre Homem Cristo
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Eis, pois, o racismo de que se fala (mas ninguém dizia o que é)
- A possibilidade de condenação a um ano de prisão para quem se pronunciar contra o direito à existência do «Estado judaico e democrático» de Israel, se tal pronunciamento contiver a «possibilidade razoável» de «conduzir a actos de ódio, desprezo ou falta de lealdade para com o Estado, ou as suas autoridades governamentais, ou os sistemas legais legalmente estabelecidos». O mais acérrimo opositor a esta lei (não o único, nem entre os opositores à lei favoravelmente votada estão todos no seu campo partidário) foi o deputado Ahmad Tibi, da Lista Árabe Unida (Ta'al), que disse no debate: «Não reconheceremos um Israel judaico e sionista, apesar desta lei draconiana, mesmo se tiver de pagar um preço pessoal.» Curiosa «lei racista» esta, e curiosa democracia esta, onde um membro do Parlamento nacional se opõe à lei, invocando a não existência de jure do Estado de cujo Parlamento ele é membro. Não perceberam? A mim, ao princípio, também me custava a aceitar que semelhante coisa fosse possível. Mas é. É claro que só em Israel, e em mais nenhum Estado do mundo.
Não vou maçar o leitor com mais leis: outra das leis «racistas» permite ao ministro do Interior revogar a concessão da nacionalidade israelita, sem consulta à Procuradoria-Geral, se for estabelecida a evidência de que a obtenção foi fraudulenta na produção da informação requerida; outra ainda estabelece Jerusalém como capital do Estado de Israel (para o leitor que estranhe o facto, lembro-lhe que Israel não tem constituição, onde normalmente estão estabelecidas as capitais nacionais), etc.
Em resumo: não me vou dedicar mais ao assunto; termino lembrando apenas que Daniel Oliveira, do Arrastão, perdeu uma boa oportunidade de não fazer figura de parvo.
(Devo esta notícia a um link que um leitor me enviou para o mail. Permanece aberto. Obrigado, uma vez mais.)
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Jorge Costa
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17:05
Um debate inútil?
Não vi o debate de ontem, na RTP, entre os candidatos à liderança laranja, mas se o resumo no telejornal da 2 espelha o que se passou, então compreende-se que os eleitores ainda não vejam o PSD como alternativa ao comatoso PS. O Alexandre tem razão: não ouvi discutir uma única ideia para o país. Talvez o resumo seja infiel e injusto, mas parece-me que tudo andou à volta da votação do PEC, ou não, da demissão do PGR, ou não, da moção de censura, ou não, e dos números de circo de Aguiar-Branco. Sobre os problemas reais do país, só o tiro no escuro de Passos Coelho, que nos explicará como reduzir o défice sem aumentar impostos depois de um grupo de sábios lá no Olimpo fazer as contas. Suponho que as contas ainda não estejam feitas porque o Dr. Jekill passa o tempo no twitter, mas Passos não o diz na carta enviada há dias aos militantes pedindo "que lhe confiem o seu voto" (sic, a bold, não vá alguém esquecer-se de ter fé no messias) porque passou os últimos dois anos a "trabalhar, estudar, conhecer melhor, debater e preparar-se" (sic, a bold, não vá alguém etc.). Está à vista. Aliás, Passos mostrou a sua fibra de estadista quando, acusado por Rangel de ter estado ao lado do Governo em diversas ocasiões (além de trabalhar e estudar, acrescento), fez cara de mau e lhe atirou com um "Mas como é que diz isso sem se rir?". Momento alto do debate, sem dúvida. Por todo o país, as tascas levantaram-se em aplausos delirantes ao sofisticado argumento.
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Pedro Picoito
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O Mensageiro das Estrelas ou Do Cachimbo ao Telescópio
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Pedro Picoito
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De arrastão qualquer coisa pega
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Jorge Costa
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Miguel Morgado
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