Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

Denegação

Trichet está com um discurso de denegação, como muitos outros líderes europeus, que se recusam a enfrentar alguns dos cenários possíveis, para não dizer prováveis.

Deixo só mais uma nota, desta feita da edição internacional do “Der Spiegel”:

“All of Europe's eyes are on Berlin these days, because it opposes euro bonds, insists that private lenders be involved in government bankruptcies and is discussing scenarios for an end to the current monetary union.” [meu negrito]

25 comentários:

PMP disse...

Self-righteous Germany must accept a euro-debt union or leave EMU.

If Germany and its hard-money allies genuinely wish to save the euro – which is open to doubt – they should stop posturing, face up to the grim imperative of a Transferunion, and desist immediately from imposing their ruinous and reactionary policies of debt deflation on southern Europe and Ireland.

Anónimo disse...

O PMP tem dois problemas de compreensão do euro. O primeiro diz respeito ao não entendimento de que todos os países do norte da europa e muitos do leste têm uma posição semelhante à da Alemanha. o que importa é compreender por que motivo só a Alemanha assume o que os outros países fazem de forma mais discreta.
O segundo, diz respeito à compreensão de que o desenho do euro se deve a motivos políticos e não monetários, O principal deve-se a que a união de estados soberanos não permitia um tesouro único e centralizado. Os países europeus mantiveram a sua política orçamental. Este pilar manteve-se em todos os tratados até hoje, em virtude de uma lógica política que tem fundamento.
Se a Alemanha saísse todos os outros países saiam até ficar a união latina, se ficasse.

Jorge Rocha

PMP disse...

O JR não entende que uma moeda mal desenhada como o Euro é inviável a longo prazo por definição.

Por isso é necessário ter tácticas de mitigação do erro que é este Euro, até que o desenho de Euro seja "normalizado".

É irrelevante o que a Alemanha e outros países achem sobre o Euro, porque a realidade já ultrapassou as crenças.

Só a teimosia, ignorância, estupidez ou vontade de causar sofrimento podem justificar a defesa deste Euro feito por "tolos".

ruy disse...

“Para Atenas, Madrid ou Lisboa, se colocará seriamente a questão de saber se interessa continuar o plano de austeridade imposto pelo FMI e por Bruxelas, ou se, ao contrário, é melhor voltarem a ser donos de suas políticas monetárias”
Joseph Stiglitz, prémio Nobel de Economia
(Le Monde, 23-24 de Maio de 2010).

Anónimo disse...

Parece-me que na expo dos "macro cenários" sobre o euro diz-se tudo e o seu contrário. Há citações para todos os gostos.

João.

Anónimo disse...

Como já tinha avisado que os Franceses estão loucos:

French AAA Grade at Risk as Downgrades Sweep Europe

http://www.bloomberg.com/news/2010-12-20/france-s-aaa-grade-at-risk-as-rating-downgrades-sweep-europe-euro-credit.html

lucklucky

Anónimo disse...

A versão internacional do Spiegel é fraca, e inferior à alemã. Este tipo de abordagem reforça uma tese simplista de que com “liderança” tudo se resolveria. O problema está em saber o que pode significar liderança.
A opinião portuguesa não tem uma ideia adequada do que se passa na opinião pública alemã, nem sequer no seu governo. Não existe qualquer fenómeno de eurofobia, ao contrário do que se passa na Grã-bretanha. Também não é verdade que o governo alemão pretende desistir do euro e reintroduzir o marco. Se necessário for, irá recriar um outro euro em vez de reintroduzir uma moeda alemã.
Quanto ao apoio à tese de uma especificidade nacionalista que uma certa esquerda europeísta cultiva, ela situa-se em todos os países. Ninguém deseja um governo europeu. Por exemplo, a televisão alemã transmitiu uma dezena de declarações dos países do norte da Europa e leste da Europa,e não há um único que apoie a solução dos eurobonds. O problema decisivo não está em saber se há motor, mas qual a finalidade desse motor. A existênca de um tesouro europeu não é politicamente neutro. O problema está em saber quem exerce o poder político, quem o governa.
Forçando um pouco Michael Pettis fez a seguinte pergunta no seu blogue: estão preparados para ser os Estados Unidos da Alemanha? A resposta é negativa, Nem a Alemanha está preparada ou deseja dirigir um estado europeu centralizado. Como diz JR a pergunta decisiva visa saber qual é o centro político da Europa e como seria ele eleito em democracia.
Se tiver tenmpo poderei fazer um pequeno comentário sobre a opinião pública alemã, dado que o desconhecimento em Portugal me parece quase total.


Pedro Panarra

Anónimo disse...

Não é verdade que haja uma discussão pública com audiência popular sobre cenários alternativos para o fim do euro. Poderá começar agora. A primeira apresentação publica da tese das duas zonas euro por Hans Olaf Henkel foi no mês de Novembro. Os primeiros livros de crítica ao euro em edição corrente foram publicados em Outubro e Novembro. A ideia de que o euro e a Europa são importantes está tão enraizada como nos outros países. O que existe é uma consciência de que será possível uma alternativa, coisa que não sucede em outras paragens.


Pedro Panarra

PMP disse...

Não vale a pena esconder a inviabilidade técnica deste Euro "tonto" com uma questão de Estados Unidos da Europa.

Este Euro não é viável, não adianta estar a tentar esconder este facto.

Por isso é preciso encontrar forma de alterar este "Euro".

Os Portugueses percisaem de perceber que foram enganados, tal como a maioria dos Europeus, pelos "tontos" que fizeram este Euro.

Mas só que quando os dominós da Bélgica e Itália , abanarem muito , é que os "tontos" vão perceber.

Anónimo disse...

Este euro foi feito por políticos e economistas que queriam manter a soberania dos estados.Os portugueses também. Que não seria viável a partir de um certo momento não é segredo. O problema é que Miterrande se precipitou.
O desenho não foi mal feito, foi o poss+ivel. O PMP não consegue perceber isso, porque não tem uma visão política. Foi Reagan quem nomeou Greenspan. A FED insere-se num ordem política democrática e por isso tem legitimidade.
Alguém comrntou o PMP noutro post dizendo que era mais um bife que não percebia nada de horta.


Jorge Rocha

PMP disse...

JR,

Os economistas e politicos que cometem erros à escala do que é a dimensão do Euro, são "tontos irresponsáveis e ignorantes" que além de não perceberem de macro-economia não percebem de hortas nem de bifes.

Essas alegorias são um bom disfarce para a incompetência e/ou ignorância, ou se calhar para quem segue crenças/mitos desfasados da realidade e que depois leva com a realidade.

Anónimo disse...

O facto de a economia Alemã estar a precisamente a crescer para países sem o Euro em vez de com o Euro mostra como a existência de moedas não são entraves significativos ao estabelecimento de relações comerciais.

lucklucky

ruy disse...

Ao lucklucky,

Uma das razões para a existência do euro, é precisamnete o facto que mencionou "a economia Alemã estar a precisamente a crescer para países sem o Euro".

A economia alemã está a crescer por força das suas exportações e não do consumo interno. mas para que a alemanha pudesse exportar os seus "mercedes", seria necessário a importação dos "panos " chineses , indianos latino-americanos e portodo o terceiro mundo. Com isso a alemanha nada sofreu porque há muito que deixou de fabricar vestuário debaixo preço. a UE é uma união monetária mas não é uma união comercial coisa que muitos à data dacriação do euro pensavam. Pelo contrário , os acordos de comércio internacionais da UE são dos mais abertos possíveis arruinando as economias débeis dos países mais pobres da UE. As medidas sobre agricultura impostas pela UE, arrancar vinha, olival, extinguir fáfricas de açucar,etc,etc, não tiveram outro objectivo que o favorecimento das exportações de países terceiros para por troca importarem a produçao industrial de vanguarda da Alemanha, França, Inglaterra, etc.

Anónimo disse...

Cá está o efeito papagaio. A economia alemã tem um forte crescimento da procura interna. No começo foi o aumento das exportações, mas agora não. Este Natal as vendas atingiram valores recorde. As exportações dos outros países estão a aumentar. Só que não é suficiente para resolver todos os problemas. Seria preciso que a Inglaterra e todos os pequenos ricos acompanhassem este movimento.
os papagaios têm de acompanhar a informação em vez de repetir a que está desactualizada.


Jorge Rocha

ruy disse...

Um país cujo aumento médio de salários nos últimos 20 anos foi zero não pode ter grandes aumentos de consumo.

Anónimo disse...

A puxar pelo crescimento alemão tem estado a fortíssima subida das exportações, sobretudo para os países emergentes asiáticos, com destaque para a China. (jornal de negócios 21.10.2010)
(http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=449881)

No entanto, a Alemanha só pode ser a Alemanha - uma economia com disciplina orçamental, fraca procura interna e um elevado excedente na balança das exportações - porque mais nenhum país o é. (Martin Wolf)

A Alemanha ganhou competitividade dentro da zona euro exclusivamente à conta da dura contenção salarial. Inevitavelmente, esta situação tem gerado repetidos excedentes da sua balança de transacções correntes contra as da periferia. Estes excedentes foram, por seu turno, reciclados em investimento directo estrangeiro e crédito bancário à restante zona euro. (http://researchonmoneyandfinance.org/media/reports/eurocrisis/e_summary_prt.pdf9

Anónimo disse...

Para o último anónimo: se Portugal e Espanha tiverem bons produtos para exportar para a China em que é que os excedentes alemães os impedem de o fazer? Há excedentes porque deixou de haver capacidade de outros países o fazerem. A Suiça, a Suécia, a Holanda não se quixam de excedentes alheios e não param de exportar para a China.

PMP disse...

Muito bem,

Devemos copiar a forma como a Alemanha chegou a este estádio de competitividade, desde 1946.

Vai ver que seria mais fácil que seguir as ideias neo-tontas que andam por aí.

ruy disse...

De anónimo para anónimo

"se Portugal e Espanha tiverem bons produtos para exportar".

Parece que não querem compreender que existe competição industrial e que para uns paises terem bons produtos os outros não os têm. A industria avançada da alemanha nada tem a ver com a industria "artesanal" portuguesa. E não é de um momento para o outro que a nossa industria se poderá aproximar da alemanha. E muito menos estando na UE. A Comissão europeia se encarrega de colocar travão a qualquer veleidade nesse sentido.

Anónimo disse...

Ruy, isso é a cantilena socializante. A Estónia e Eslovénia têm bons produtos. A Eslováquia desenvolve-se com investimento estrangeiro. Todos os países de leste estão a aproveitar o aumento das exportações alemãs. A Suiça e a Áustria não têm nenhum problema com os excedentes alemães. Nenhum país do norte da Europa tem problemas com a economia alemã. Quanto mais crescer melhor. Se o mercado interno crescer beneficia as exportações, se exportar para o exterior da união europeia melhor.
O problema da caopacidade portuguesa está em Portugal. Sempre. O problema da capacidade sueca está na Suécia. Tome medidas como na Suécia e verá as melhorias. A sua tese é a dos pobres de espírito. A Turquia sim, faz concorrência amuitos dos nosso produtos. Nós temos de transformas a capacidade produtiva, o que demora décadas. Tem de haver competência e Paciêcia. Não há nenhuma das duas coisas.
O PMP diz várias coiasa erradas, mas ao contrário do Ruy aponta o caminho certo: ninguém fará por nós o que se impõe. Tentemos fazer como "eles". Verá os resultados.
A fixação na Alemanha é a cantilena dos pobres de espírito.



Jorge Rocha

Pedro Braz Teixeira disse...

Caro Pedro Panarra.
Agradeço-lhe encarecidamente todos os esclarecimentos que possa contribuir para essa magna questão, da posição do eleitorado alemão sobre o euro.

Anónimo disse...

Caro Pedro,
Escreverei umas pequenas coisas logo que possa. Acabado de chegar a Portugal fico espantado com o desconhecimento do que se passa na Alemanha, natural até certo ponto, mas também com a pouca noção que os nossos jornalistas têm do que se passa com o euro. A proximidade dos países do norte e leste da Europa à Alemanha é ignorada, sendo a sua posição apresentada como isolada, o que está longe de ser verdade.
A maioria dos alemães urbanos valoriza a união Europeia como um projecto de paz e cosmopolita que afasta os riscos do passado. Se fosse possível manter o euro como é neste momenento, seria isso que as pessoas desejavam. Sabemos que não é possível. Os alemães também começam a perceber isso. Porém, essa percepção só ganhou terreno a partir do final de Outubro.
Depois há que considerar a enorme diversidade de posições sobre o euro. Há diferenças entre Merkel e Schäuble, um europeista convicto, entre o FDP e CDU, entre europeistas ingénuos e federalistas racionais, como Habermas que intervém a respeito do assunto sempre que pode. Helmute Schmidt interveio uma dezena de vezes desde há cerca de um ano. Nada disto é conhecido e vende-se umma ridícula versão do ogre germânico e da fúria
monetária da besta loira, ou da dona de casa/cabeleireira da RDA. Sucede que a dona de casa tem mais visão do que os comentadores todos juntos.


Pedro Panarra

Anónimo disse...

Para o boysinho anónimo,
que só diz banalidaes e as verdades do "sistema". Confunde tudo e nem se esforça por pensar um pouquinho. Como se as economias avançadas dos países nórdicos tivessem alguma coisa a ver com as economias do Sul. Mas no baralhar é que está o ganho para estes socraticos ociosos.
E j+a agora vá chamar "pobre de espírito" à sua tia.

Anónimo disse...

Eu sou Jorge Rocha, não sou anónimo. Gostava que o anónimo me explicasse como se os Bálticos, a Eslovénia e a Eslováquia são países nórdicos. Formulo de forma diferente. Faça o mesmo que a Estónia a vai ver os resultados. Isso é pensar. Aprove uma lei de arrendamento como deve ser e tenha uma política fiscal que dê os bons incentivos e vai ver o que sucede.


Jorge Rocha

Anónimo disse...

"Com isso a alemanha nada sofreu porque há muito que deixou de fabricar vestuário debaixo preço. a UE é uma união monetária mas não é uma união comercial coisa que muitos à data dacriação do euro pensavam. Pelo contrário , os acordos de comércio internacionais da UE são dos mais abertos possíveis arruinando as economias débeis dos países mais pobres da UE. As medidas sobre agricultura impostas pela UE, arrancar vinha, olival, extinguir fáfricas de açucar,etc,etc, não tiveram outro objectivo que o favorecimento das exportações de países terceiros para por troca importarem a produçao industrial de vanguarda da Alemanha, França, Inglaterra, etc."

Uma data de asneiras...você não entende mesmo o mercado mundial de produtos e depois vem o com o bla bla de vinha, olival e companhia. Não sabe que isso é engenharia para manter os preços e que ninguém obriga a outrém a arrancar o que quer que seja? Se o misero subsídio Europeu é suficiente para arrancar o que quer que seja quer dizer que não havia nada de jeito à partida.


lucklucky