Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

Um negócio da China

Vale a pena ler a crónica de hoje no Público do Pedro Lomba.
A propósito da visita do Presidente Chinês a Portugal e das notícias que dão conta de que a China está disponível para comprar a dívida pública dos pobres da Europa.
"Quem não tem dinheiro, é forçado a meter os princípios na gaveta. Mas já não é assim com a Europa que, ao fazer certas cedências políticas ao regime chinês em troca de um generoso empurrãozinho na sua moeda, está na prática a cavar uma nova dependência e resignação. Pelo caminho devíamos talvez pensar nos efeitos desta dependência. A economia, ou mais precisamente, este “financeirismo” que se define pelo supremo objectivo de conservar a força do euro, vão a caminho de transformar a Europa num continente sem identidade política".
O mesmo tema também aqui e aqui.

12 comentários:

Anónimo disse...

Filipe

Não li o artigo do Pedro Lomba mas penso que Portugal não deve fechar a porta a debater eventuais formas que permitam reencontrar um modelo de desenvolvimento. E debater aquelas ideias que nos possam parecer à partida absurdas.

Durante décadas Portugal teve feitorias na Flandres. Durante séculos tivemos uma "feitoria" na China.

Quando foi necessário o Governo foi para o Brasil o que na altura seria totalmente absurdo.

Não vejo mal que se debata a possiblidade de Portugal "retribuir" Macau e permitir que a China tenha uma concessão territorial em Portugal.

Estamos sempre a falar na centralidade geográfica dos nossos portos mas talvez seja altura de procurar parceiros para desenvolver um porto que possa ser uma verdadeira porta da Europa.

Pode ser que o parceiro venha de Amaesterdão como de Antuerpia mas também pode vir do Brasil ou da China.

Um abraço

Pedro Pestana Bastos

Mani Pulite disse...

UMA FEITORIA TIPO PORTO DE NÁPOLES COM A CAMORRA A GERIR O DIA A DIA.JÁ LERAM O LIVRO DE ROBERTO SAVIANO CHAMADO"GOMORRA"?

Escalabitano disse...

E não é que a gente do CDS também já entrou no jogo da Drª Manuela e toca a fingir que acreditam na ajuda chinesa?!

Anónimo disse...

Se os chineses nos comprassem a dívida pública o Socrates já nunca mais saía de S. Bento...
Ainda bem que a Drª Manuela Ferrera Leite nos avisou que não custava nada fingir.
Estamos a fingir, não estamos?

Anónimo disse...

Nada de receios que os investidores não aparecem nas caixas de comentários. Eles nem sabem a nossa língua. Aqui não é preciso fingir.

Anónimo disse...

Não há modelos de desenvolvimento.

Não existem.

"Estamos sempre a falar na centralidade geográfica dos nossos portos"

Não há centralidade alguma nos nossos Portos, estamos num extremo da Europa.
É muito mais barato um navio descarregar
na Flandres, em França ou em Génova que em Portugal. Lá estão muito mais perto das centenas de milhar de consumidores Europeus.


lucklucky

Banda in barbar disse...

conservar a estabilidade do euro

e os alemães motor económico da europa

pagaram com 8 milhões de mortos

os custos da hiper-inflação
e da desvalorização da moeda nos anos 20

(Hitler foi o produto desses anos)

Banda in barbar disse...

e deixar os chineses construirem
aqui os seus portos-feitorias

é preferível a que o façam em Espanha

o nosso mercado é para eles vestigial

Anónimo disse...

Portugal deve estar aberto aos chinocas, por estar falido. Mais nada. Estamos agora a teorizar um caso que é simples.
Um tipo esfaimado vai interrogar-se sobre a justeza dos princípios políticos? Tem de ir trás dos euros e é tudo.

Anónimo disse...

Vocês estão todos a fingir, não estão?!
A MFL deu-lhes a pica toda!

Luís Lavoura disse...

"Pelo caminho devíamos talvez pensar nos efeitos desta dependência."

Quais são esses efeitos?

Filipe Anacoreta disse...

Tenho estado longe da net e só agora vi estes comentários todos.
Na minha opinião, claro que interessa a vinda de investidores (devemos estar abertos a isso e, mais, parece mesmo que não temos alternativa) mas claro que, a dependência económica e financeira gera dependência política. É esta que, creio, deve merecer a nossa atenção. Por isso me pareceu que a crónica do PL é muito oportuna. E, por isso também, associei-a à notícia que dá conta que os chineses estão a pressionar os europeus para que não entreguem o nóbel a Liu Xiaobo. Entre um e outro extremos tem de haver limites.