Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Tratamento para a germanofilia

A germanofilia é uma doença infecciosa altamente contagiosa. Mas atenção: pode ser curada. Para tratamento de choque, comece-se com a leitura de um texto de Martin Wolf no Financial Times de hoje ("Ireland Refutes the German Perspective"). Para evitar as recaídas habituais em corpos e mentes mais débeis recomendo a leitura e releitura, ao longo de anos, e se necessário for com explicador, da obra de A. J. P. Taylor. Pode-se começar com The Course of German History: A Survey of the Development of German History Since 1815. Apesar de poder parecer o contrário deve ler-se sempre, do mesmo autor, The Origins of the Second World War.

10 comentários:

cefaria disse...

Apesar de tudo tornei-me germanófilo... mas sobretudo devido ao facto de ser melómano, mesmo assim fã do músico mais perigoso Wagner.

Fernando Martins disse...

Eu também gosto muito de Wagner. Veja lá a minha loucura.

CN disse...

Já li os dois, é o meu historiador preferido por grande margem.

Não sou germanófilo.

Mas a germanofobia de certa forma teve na origem do desastre da Primeira guerra mundial (Foi preciso aparecer o Niall Fergusson a dizer a mesma coisa que já muitos outros tinham dito para aceitar a evidência que a entrada do Império Britânico era escusada e acabou em desastre) e que conduziu à segunda.

Se aplicarmos a sua palavra fácil aos ingleses resultaria que o maior império da história foi também o mais militarista de sempre.

Eu quanto muito sou Habsburgofilo e filo-old-america (a neo é muito trotskista para o meu gosto), mas a Prússia fez umas quantas guerras menores, de muito pouco alcance territorial, no seu espaço.

Na primeira guerra, todos as partes tiveram culpa, mas na verdade os menos culpados são os austríacos que querem punir terroristas. Os alemães viram as duas frentes mobilizar (França e Rússia), podemos só imaginar a reacção dos EUA com o Canadá e México a mobilizar simultaneamente.

Carlos Botelho disse...

Exactamente, Fernando. Também vale muito a pena estudar o The Struggle for Mastery in Europe.

JP disse...

A germanofobia é uma doença infecciosa altamente contagiosa. Mas atenção: pode ser curada. Para tratamento de choque, comece-se por trabalhar mais e gastar menos, evitando especialmente o recurso a crédito fácil em tempo de juros baixos.
Para evitar as recaídas habituais em corpos e mentes mais débeis NÂO se recomenda a leitura e releitura, ao longo de anos, e se necessário for com explicador, de obras escritas pelos vencedores destinadas a interpretar os factos por forma a fazer parecer que a Alemanha sempre teve um desígnio diabólico no seu DNA.
Se a burrice pagasse imposto, não havia necessidade de atacar a Alemanha porque a dívida era paga em questão de dias.

JP disse...

Curioso que diga hoje da Alemanha e use o mesmo perfil de culpa que os nazis atribuíam aos judeus.

hajapachorra disse...

Eh pá, eu quando quero saber dos olimões atiro-me a Lutero, Melanchthon e Sturm, em latim, pá.

Mani Pulite disse...

DIGA-ME LÁ MARTINS PARA QUANDO A PUBLICAÇÃO DO SEU "PROTOCOLO DOS SÁBIOS DE BERLIM",AGORA QUE INICIOU A SUA MEIN KAMPF?

Eduardo F. disse...

Recomendo a leitura do comentário de CN. E, já agora, como ele, o faz, o estudo atento de Niall Ferguson. Nomeadamente "The Pity Of War Explaining World War I" e "The War of the World". Depois disso, e com A. J. P. Taylor também em mente, podemos então discutir a germanofobia (ou germanofilia).

mil disse...

Já agora leiam os Protocolos dos Sábios de Sião (fitos pela OKRANA) ou o Mein Kampf são tudo livrinhos científicos e que não apelam aos instintos mais baixos do bicho homem.

E o Martins (Martens) publicou aqui o retrato do seu patrício (pessoa da mesma tribo) em uniforme Totenkopf. Corresponde em prestígio em Portugal aos Lanceiros.