Vai ter de clicar se quiser perceber alguma coisa.
O mapazinho das compras de Obrigações pelo BCE. Novembro foi um fartar vilanagem. O que não impediu a Irlanda, a queda iminente de Portugal, a Espanha, a Itália, e agora há quem aposte na Bélgica, quem aposte na França - rendibilidades em voo picado. O mapa foi gamado daqui. Estando em curso um processo de monetização indirecta dos défices - proibido pelos tratados -, pergunda um leitor, presumo que ao João Galamba:
Why should we ever pay taxes again?
Just print it!



17 comentários:
Talvez este não seja o local mais adequado para colocar esta mensagem, mas não encontro no Cachimbo um lugar certo para ela.
Estranho o vosso silêncio sobre o que se passa no Brasil. O que se passa é isto: um governo de esquerda está a pegar o touro do crime pelos cornos, no RJ. Tanto poder de direita já passou pelo país irmão, e tem de ser um governo comuna a tentar resolver o problema.
É no mínimo curioso. Seria até bastante divertido, não fosse o caso de se tratar de um problema bem sério.
Caro M.Abrantes, dificilmente podemos tomar o governo de Lula como comuna.
É um governo de esquerda, sim, mas não é um governo comunista. Aliás, os receios do sector privado do Capital quando Lula foi eleito - que eram expressos pela típica previsão de fuga de capitais - rapidamente foram dissipados, a meu ver porque Lula percebeu bem a diferença entre ideologia e realidade.
Quanto à questão do crime, eu faria a diferença entre combater o problema e resolver o problema. Nestes últimos dias estamos em face de um combate ao crime, mas a resolução do problema, ou se quisermos a diminuição dos seus índices, de quantidade e intensidade, é um labor que terá de passar por um trabalho mais a fundo.
O combate ao crime precisa de ser enquadrado em políticas geradoras de esperança naquela massa de gente que alimenta os "exércitos" do narcotráfico e que passa por quebrarem-se os ciclos que introduzem muita juventude das favelas nesses "exércitos".
Para que as favelas não se tornem "Estados" policiais dentro do Estado é necessário criar vias de saída daquela rotina para a juventude.
(continua)
João.
Caro M. Abrantes,
Eu sei que ninguém de esquerda gosta de ser toureado de forma tão vil, mas olhe, aguente que só lhe faz bem.
(Continuação)
O governo Lula ao aprofundar o programa da bolsa renda-família, uma espécie subsídio de inserção social, criou ou manteve (não estou certo se um ou outro) um pressuposto muito interessante - a atribuição da renda exige que as famílias mantenham os seus filhos na escola. A saída precoce da escola implica a perda do subsídio.
Após este pressuposto o trabalho passa pela qualificação do sistema de ensino de forma a oferecer reais capacidades de ingresso no mercado de trabalho que, por sua vez, precisa de capacitar as pessoas para a aquisição de um padrão de vida capaz de competir com a oferta do narco-tráfico. No fundo aumentar a percepção daquilo que se pode perder quando se ingressa em algum daqueles "exércitos" fora-da-lei.
É um trabalho difícil, nomeadamente porque o Brasil não se quer como um Estado Policial ou autoritário e portanto focalizado quase inteiramente em políticas de repressão.
É ainda preciso levar em conta que as favelas se constituiram no processo de industrialização do país, nomeadamente com a política e substituição de importações, centralizada em São Paulo e no Rio. Foi para aqui que correram os pobres do nordeste, para fornecer mão-de-obra barata a este projecto e cujo alojamento aumentou a dimensão das favelas até chegarmos aos dias de hoje, onde a política económica já é outra mas onde os efeitos e as causas perduram.
(isto sem recuar até à colonização, onde o embrião das favelas já tinha sido plantado com a escravatura)
É mais que justo, assim, que uma parte significativa dos rendimentos do pré-sal seja destinada ao desenvolvimento ensino público mas também à criação de infaestruturas sociais, físicas e financeiras, que promovam a união do aumento ao acesso à escolaridade dos mais pobres com a melhoria das condições de nutrição e salubridade das crianças.
Lula dizia que é preciso tirar o povo da merda e julgo que o dizia também literalmente pois talvez pouco valham escolas novas se as crianças vivem na merda. Porque aí a piscina do traficante na sua mansão de favela é mais atrativa para a mente despervenida do jovem do que as alvas paredes da sala de aula.
"- Eu não quero saber se o João Castelo é do PSDB. Se o outro é do PFL. Eu não quero saber se é do PT. Eu quero é saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra. Esse é o dado concreto - disse o presidente, que em seguida reconheceu que será criticado por ter dito o palavrão.
- Amanhã os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão, mas eu tenho consciência que eles falam mais palavrão do que eu todo dia e tenho consciência de como vive o povo pobre desse país. E é por isso que queremos mudar a história desse país. Mudar a história desse país não é escrever um novo livro, é escrever na verdade uma nova história desse país incluindo os pobres como cidadãos brasileiros."
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/12/10/lula-usa-palavrao-para-dizer-que-seu-governo-investiu-mais-em-saneamento-do-que-os-anteriores-915141973.asp
João.
O autor prefere que os vários países do euro entrem em recessão permanente do que o BCE comprar divida até que os juros estabilizem, tal como o FED fez nos EUA.
Só a ignorância sobre como funcionam os mercados de quem está à frente dos destinos da Euro poderá pensar que só os PIGS vão sofrer.
Toda a Europa vai entrar em recessão se não se parar com a subidas dos juros.
Caro joão,
tem um discurso muito bonito, mas que não resolve nada. O problema é muito simples e está no que se considera crime.
Se um produto é considerado ilegal, então deve-se combater tanto a oferta como a procura. Gostava de ver os bopes a entrar nos apartamentos de Ipanema e Leblon à procura dos consumidores, no meio dos meninos ricos, ou nos hotéis dos turistas, tal como entram na casa das pessoas da favela.
O problema não é arranjar saidas para os pobres. O problema é que enquanto houver procura de droga vão existir traficantes quer sejam na favela quer sejam noutros lugares. As favelas não são os únicos pontos de tráfico do rio.
A imoralidade disto consiste em considerar certos produtos como ilegais. As pessoas devem ter a liberdade de consumirem o que quiserem e serem responsabilizados pelos seus actos. É tão simples como isso.
Os únicos criminosos, são os políticos que fazem leis e os demagogos que as apoiam e que só trazem desgraça e mortes a inocentes. A guerra à droga mata muitas mais pessoas que a droga alguma vez irá matar.
A guerra à droga é imoral, e como qualquer guerra quem mais sofre são os inocentes e os carenciados.
Tiago,
Este problema tem várias faces, eu elegi algumas delas e outras haverão que lá não foram mencionadas. A única experiência histórica da proliferação legal de drogas duras - no caso o ópio - cinge-se ao caso chinês e já lá vão muitos anos. Dessa experiência não se retiram facilmente muitos benefícios do acesso aberto a este tipo de drogas. Podemos considerar que a criminalidade associada ao tráfico diminuiria, mas não diminuiria porventura a criminalidade associada ao consumo, mesmo que os preços fossem mais baratos a dependência de heroína e cocaína é tal que basicamente ocupa toda a mente do indivíduo que, sem dinheiro, recorreria ao furto.
A não ser que o Estado ofereça a droga. Mas aqui também o risco é grande. Pode considerar-se que a perda de estatuto de proibição lhe retirasse algum poder de sedução mas, em todo o caso, uma vez experimentadas, heroina e cocaina, são terríveis em termos de adição.
Para o Estado nem oferecer, nem vender a baixo preço, ou seja, aceitar a sua comercialização como se faz com o alcool, resta a ilegalização do tráfico e o seu controlo/repressão policial e assim voltamos aonde estamos hoje.
É portanto uma questão complexa onde o risco é elevado em qualquer das hipóteses que de comum se consideram para a sua lide.
João.
"um governo de esquerda está a pegar o touro do crime pelos cornos"
Se fosse de direita os media falariam de desfavorecidos, racismo, pobreza, discriminação, provocação, desproporcionalidade com metralhadoras e blindados.
Os 50 mortos seriam tituladas de "massacre" em todos os jornais.
Os comentadores de esquerda falariam sem cessar do que se estava a passar.
haveria apelos à resistência.
Por cá a TSF e RTP iriam buscar todos os sociólogos, instituições contra a pobreza, sindicatos, organizações dos "Direitos Humanos" para botarem declarações contra a militarização do combate ao crime. Estabeleceriam paralelismos com a Colômbia.
Outros falariam da militarização do regime e do eventual fim da democracia no Brasil.
Artistas declamariam contra a operação em favor dos oprimidos.
lucklucky
Just out of curiosity: alguém me explica, sff, por trocados o que é o "processo de monetização (ou "monetarização"?) indirecta dos défices"?
Mas que estendal de palermices. O que tem isto que ver com o post? O Abrantes desestabilizou isto tudo.
Sr. Francisco,
O BCE pode comprar sem qualquer limite qualquer quantidade de titulos de divida pública da zona euro. Isso pode ser chamado de monetização da divida.
A unica consequência que tem é fazer baixar os juros dessa divida para o valor que se pretende.
No entanto os estatudos do BCE impedem-no de fazer isso, excepto de forma limitada. A baixa de juros poderá fazer subir a inflação caso os déficits cresçam ou o crédito bancário cresça, devido ao aumento possivel do consumo.
A maioria dos economistas prefere que a Europa estoure do que ir contra a crença/religião de que o BCE ou qualquer banco central não pode "monetizar" a divida sem que os deuses se zanguem.
A europa está entregue à mitologia/releigião neo-liberal do deus dos mercados perfeitos.
Jorge
devia ter feuto o mapa desde o início do programa
eu sei, dá trabalho ver os balanços semanais do BCE e colar os dados no Excel, o FT nem o Ambrose o fizeram para colar (são ingleses, têm as suas limitações)
até ao momento o BCE adquiriu cerca de 65 mil milhões de euros
nos dois primeiros dias do programa, em Maio, adquiriu 30 mil milhões, em dois passos de 16 e 14 mil milhões
comparar os mil milhões de agora com a intervenção de Maio é claramente limitador da análise
mas como precisa de justificar o mundo onde vive (onde é muito parecido com o Sócrates, que também vive a sua realidade) fica-se pelo facilitismo
se o BCE quisesse mesmo influenciar o mercado teria adquirido mais dívida
convém complementar com os seguintes dados: o FED tem em balanço mais de mil milhares de milhões de dólares em lixo (securitizações que nem convém saber o que são) a que acrescerão mais 600 mil milhões de dívida pública - ou seja, cerca de 2 triliões ou 1/7 do PIB americano
O Banco de Inglaterra detém 200 mil milhões de libras de dívida pública (25% do total ou 1/7 do PIB)
O BCE adquiriu 65 mil milhões de euros de dívida - 1% do PIB, o que é irrisório em termos de impacto
Pergunta:
devem os britãnicos ou os norte-americanos pagar impostos?
Sim, tal como os europeus ou nós, desde que não seja para sustentar indigentes
A Cartaxo
Por que motivo os indigentes se tornaram indigentes? Convém prevenir se não repete-se tudo.
"O autor prefere que os vários países do euro entrem em recessão permanente do que o BCE comprar divida até que os juros estabilizem, tal como o FED fez nos EUA."
"A europa está entregue à mitologia/releigião neo-liberal do deus dos mercados perfeitos."
Desde quando é que fabricar moeda resolve problemas reais?
Monetizar dívida pública é um imposto disfarçado via inflação. Seja qual o nível de inflação. A circulação de mais moeda faz com que os preços nominais sejam mais altos do que sem essa nova quantidade, ainda que a inflação seja de 1%.
A compra de divida publica pelo BCE não causa mais inflação quando existe capacidade excedentária na economia (desemprego alto por exemplo), mas apenas baixa os juros.
Essa é a mitologia/religião neo-liberal que está a levar a Europa à recessão e ao desemprego massivo.
Explique lá o processo que leva à inflação neste caso.
Então quando ninguém nos empresta dinheiro há recessão...curioso.
Ou seja o dinheiro impresso acaba com a recessão...
hmm não foi essa a receita em Portugal?
Os milhões que Portugal pediu emprestado nestes últimos 10 anos o impediram de entrar em recessão não é?
10 anos disso os resultados são "brilhantes"...
lucklucky
LL,
Já reparou que os juros estão a aumentar em toda a Europa ?
Então vamos todos empobrecer só para agradar aos deuses do mercado eficiente.
Já reparou que não é possivel os países serem todos exportadores ?
Já reparou que sem divida a economia não cresce ?
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