Os irlandeses entraram nesta crise muitíssimo mais ricos que os portugueses. Vão sair dela muito mais ricos que os portugueses. Pelo meio continuarão muito mais ricos que os portugueses. E depois dela continuarão a enriquecer muito mais que os portugueses.
Terça-feira, 23 de Novembro de 2010
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15 comentários:
A razão é simple. Em Portugal regem portugueses e na Irlanda irlandeses. Coisas do destino...
"muitíssimo mais ricos que os portugueses"
Sim, mas o diferencial não é tão grande como muitas vezes o pintam, pois na Irlanda há uma diferença especialmente elevada entre o Produto Interno Bruto e o Produto Nacional Bruto, sendo este último cerca de 25% inferior ao primeiro. Ou seja, boa parte dos rendimentos gerados na Irlanda são rendimentos de não-residentes.
Essa diferença entre PIB e PNB não reduz os euros que entram no bolso dos cidadaos irlandeses.
Não? Resolvi verificar porque realmente não tinha a certeza. Aparntemente reduz:
"The truth about Ireland is that its domestic economy continues to decline, and that the profits earned by its foreign-owned export sector are – as you would expect – flowing to foreigners and not increasing domestic Irish GNP or per capita GNP."
Vem daqui
http://socialdemocracy21stcentury.blogspot.com/2010/09/irelands-sham-recovery-gnp-versus-gdp.html
que foi a primeira coisa que me apareceu, mas deve ser possível verificar nalgum texto mais oficial.
De qualquer modo, aqui est¡ao os numeros para a Irlanda:
http://www.cso.ie/statistics/nationalingp.htm
IsabelPS
Pois.Infelizmente vamos ter que lhes emprestar 1200 milhoes!
Claro que não reduz, as empresas investem e recrutam na/para a Irlanda. A remuneração do capital que lhes é externo será feito segundo as administrações e accionistas de cada empresa decidirem. Este investimento aumenta os euros na carteira irlandesa e na carteira de quem lá investe. Até à data tem sido win-win.
Alguém no seu perfeito juízo acha que isto é um problema?
Manuel Pinheiro
Manuel Pinheiro,
"Claro que não reduz..."
Em todo o caso o buraco na banca irlandesa pode em certa medida ser interpretado como expectativas não cumpridas, já que, muito em geral, é desse incumprimento de expectativas que as dívidas contraídas pelas famílias ou o crédito oferecido pelos bancos resulta em prejuízo mútuo.
Uma questão:
Se o deficit público aumenta cerca de 20% ao assumir o buraco na banca, quer dizer que as famílias e a banca irlandesas supunham uma capacidade financeira 20% acima daquela que realmente possuiam. Não representará isto em parte a diferença entre o PIB e o PNB de que fala o Luis Lavoura e a IsabelPS?
João.
João,
O problema não está relacionado. Simplificando, os 2 factores que pesaram foram os activos tóxicos do subprime e a desvalorização das casas como garantia de empréstimo.
Manuel P.
Mas o que é o subprime senão também uma porcentagem de famílias com expectativas goradas quanto à capacidade financeira de cumprir os contratos de crédito, e, no outro lado da questão, um cálculo gorado dos bancos quanto a essa mesma capacidade?
E, em termos mais abstractos, um cálculo errôneo da capacidade da economia gerar o rendimento suficiente para cobrir as obrigações contratadas entre as famílias e os bancos? Porque em todo o caso um empréstimo é um contrato baseado em expectativas, a das famílias de pagar o empréstimo e obter o rendimento ou usufruto da sua aplicação, e a dos bancos, a mesma coisa, mas em termos de o receber com os juros contratados.
A desvalorização das casas também não ocorrerá do mesmo estado de coisas, ou seja, de se julgar que a economia poderia sustentar preços afinal não sustentados?
João.
O subprime não teve origem na irlanda. E o que não falta mundo fora são bolhas imobiliárias, de espanha à oceania.
Manuel P.
"O subprime não teve origem na irlanda. E o que não falta mundo fora são bolhas imobiliárias, de espanha à oceania."
Não sei bem que é que isto, assim colocado, tem a ver com os comentários que fiz. O subprime não ter origem na Irlanda quer dizer que na Irlanda não houve um problema com o subprime?, ou seja, uma percepção errada da real capacidade da economia sustentar o crescimento do endividamento com o crédito à habitação?
João.
Quer dizer que quer a natureza da exposição aos activos tóxicos derivados do subprime dos EUA quer a desvalorização das casas na irlanda nada tem a ver com a questão suscitada do pib vs pnb.
Manuel P.
Para onde foi, então, todo o dinheiro ganho na Irlanda, com "o modelo irlandês", que agora não há quem o veja?
João.
Está no bolso das familias e empresas. Bem como no tesouro irlandes. Repare que em 2007 era objectivo do programa eleitoral do partido que venceu eliminar virtualmente a divida do estado. Como quase nao tinham divida e produziram superavits orçamentais conseguiram encaixar um esforço de mais de 30% do PIB num só ano para resolver alguns problemas nos bancos. A violencia da dimensao no problema dos bancos fez com que face ao que seria ainda exigido em 2011 se aconselhassem emprestimos fora do mercado para nao suportar juros demasiado altos.
É bom lembrar que a irlanda nao tem ido ao mercado buscar dinheiro, e teria capacidade para só ter de fazê-lo no final de 2011, ao contrario de PT que está sucessivamente a ter de ir lá.
Manuel P.
Ainda sobre a "riqueza" da Irlanda:
http://www.marginalrevolution.com/marginalrevolution/2010/12/how-rich-was-ireland-really.html
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