Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

A greve (geral) explicada às crianças



Por razões didácticas, sempre pensando nos pequeninos, destaco algumas passagens:

"Para se compreender o papel do sindicalismo, em bom rigor, da defesa organizada de interesses numa democracia, pode fazer-se este exercício que em muitos sítios é tudo menos absurdo. Imaginem que, em Portugal, em 2010, não havia sindicatos, nem os que existem (na sua maioria influenciados pelo PCP através da CGTP), nem quaisquer outros. Uma coisa seria certa, os salários seriam muito mais baixos, os desempregados muitos mais, o trabalho precário a norma, a vida dos trabalhadores muito mais fragilizada e a economia não seria muito diferente. (...) Haverá também quem diga que não faria mal à competitividade da economia portuguesa uma nova “flexibilidade” especialmente com maior facilidade de despedir e empregar e menos rigidez da legislação laboral. É verdade, mas coloquem-se no lugar de alguém que tem emprego, e perguntem-lhe se está disposto a perdê-lo ou a torná-lo mais precário em nome da reparação da economia e da sua competitividade. Não está, porque uma coisa é a racionalidade económica e outra a expressão de interesses individuais e colectivos que partem das circunstâncias concretas das pessoas."

Só mais um pouco (vá, não são textos difíceis):

"É por isso que o sindicalismo é um mecanismo correctivo fundamental numa sociedade democrática, mesmo que gere efeitos perversos, o mais importante dos quais é favorecer quem tem emprego em detrimento de quem não o tem. Isto é verdade, mas também é verdade que quem não o tem sabe que se o tiver não pode ficar sempre suspenso no medo de o perder. (...) Dirão os realistas da economia cínica – que se caracterizam quase sempre por não estar na situação laboral sobre a qual opinam – que, com medo ou sem ele, com sindicatos ou sem eles, quando a racionalidade económica obriga, não há outro remédio senão perder o emprego, a bem ou a mal. (...) Não é verdade, porque no mundo complexo do real, a racionalidade económica não é uma linha definida que deixa de um lado o branco e do outro o preto. As coisas são quase sempre cinzentas e o jogo de luz e sombra faz-se de múltiplos interesses contraditórios sem os quais haveria muitos abusos e prepotências.
Por tudo isto, mesmo em crise, o protesto sindical é uma manifestação de forças que equilibra e impede os desequilíbrios. Por tudo isto, a greve geral tem uma componente de resposta ao medo e à prepotência que, não contribuindo para “combater” a crise, impede que no seu decurso haja uma perda completa da dignidade pessoal de quem trabalha."


São textos de um famoso comuna barbudo - podem lê-los completos aqui e aqui.

8 comentários:

Anónimo disse...

Carlos, isto é apenas bom senso. Mas para muita gente que frequenta este blog, temo que o JPP seja também um comunista. O triste é que quando o homem era das poucas vozes nos media contra tantas coisas deste regime ligadas ao socialismo, e mesmo como apoiante dos EUA em política externa, já era considerado um génio...Uma coisa é discutir argumentos, outra é acusar o adversário com clichés - geralmemte imaginários. Algumas destas pessoas nem se apercebem, mas se algum comuna vier ler essas barbaridades parece mesmo que estamos numa luta de classes. E também é um mistério que um país com tantos problemas tenha tantos empresários tão brilhantes. Mas claro, é muito mais fácil acusar os políticos do estado das coisas - e no caso dessa figurinha de primeiro-ministro é mesmo fácil.

Anónimo disse...

Hummm...Desde o início que desconfio que há uma relação entre a discussão sobre a Alemanha e a greve geral.

Anónimo disse...

e um texto hilariante, parece escrito por um petiz de 6 anos.
"no complexo do real" grande lol
"quem nao tem emprego pode regozijar-se que se o tivesse nao o perderia" um lol ainda maior

Anónimo disse...

e mesmo escrito por um petiz de 6 anos, os seus pares não o percebem...Lol, infinitos. Ganhei.

Anónimo disse...

Um texto patético de Pacheco Pereira.
Típico de um Aristocrata daqueles que a Esquerda tem cada vez mais.
Há uns tipos com sangue azul que são os empresários, outros com sangue vermelho que são trabalhadores.


"Uma coisa seria certa, os salários seriam muito mais baixos, os desempregados muitos mais, o trabalho precário a norma, a vida dos trabalhadores muito mais fragilizada e a economia não seria muito diferente."

Tudo falso começando pelo "certo".


"É por isso que o sindicalismo é um mecanismo correctivo fundamental numa sociedade democrática"

Não é. O sindicalismo é um mecanismo de
congelamento da sociedade e consequente decadência.

"que se caracterizam quase sempre por não estar na situação laboral sobre a qual opinam"

Ou seja Pacheco Pereira vai despedir-se do seu trabalho de botar opinião sobre tudo.


lucklucky

Anónimo disse...

eu acho que gajo, o lucklucky, é do SVR...

Anónimo disse...

Nã, nada do SVR, esse gajo é mesmo funcionário público só isso explica estar sempre a comentar...

Anónimo disse...

Obrigado.

Por isso é que o "Primeiro Mundo" está cada vez pior e afundado na dívida e o "Terceiro Mundo" não pára de crescer...


lucklucky