O Alexandre alertou aqui para uma questão muito importante, e que deverá orientar os estrategas da campanha de Cavaco Silva. Nada pior para um candidato que o sentimento que a sua vitória é inevitável. E em politica isso normalmente leva ao desastre. Mas Cavaco não irá precisar de ter todos os votos que teve em 2006. Menos votos poderão chegar para ele obter uma vitória até mais confortável do que na sua primeira eleição.
Nas próximas eleições presidenciais haverá uma abstenção bastante superior a 2006. Essa tem sido a regra em eleições de segundo mandato presidencial em Portugal. Quando Mário Soares foi eleito em 1986 a abstenção foi de 24 por cento, mas esse número subiu para 37 por cento em 1991. Nas eleições disputadas entre Jorge Sampaio e Cavaco Silva em 1996, a abstenção foi de 33 por cento, tendo subido para 50 por cento na reeleição em 2001. Ora, se a abstenção em 2006 foi de 38 por cento, podemos prever que nestas presidenciais ela será novamente superior a 50 por cento.
Cavaco Silva tem neste momento grande vantagem nas sondagens, mas existe em alguns sectores da direita um certo desconforto. Não tenho dúvidas que parte desta direita irá abster-se nas próximas eleições, se não estiver em risco uma vitória de Alegre, como disse o Alexandre. Mas por outro lado, há também um problema de entusiasmo no lado de Alegre. Como se sabe, até por várias declarações públicas de socialistas, esta não é uma candidatura que entusiasma. Mesmo os apoiantes do Bloco de Esquerda não estão muito motivados com Alegre. Se da esquerda tivéssemos uma candidatura insurgente e com uma base popular suficientemente forte, Cavaco poderia estar preocupado. Neste caso apenas precisará de fazer uma campanha competente. A leitura que faço destas presidenciais é que se Cavaco Silva conseguir construir uma rede de apoio em redor sua candidatura, com muitos independentes, social democratas, populares e eleitores tradicionais do Partido Socialista, Cavaco não terá dificuldade de chegar aos 55/60 por cento dos votos*. Com menos votos do que teve em 2006, mas alargando a sua base de apoio a eleitores que votaram em Mário Soares nas últimas presidenciais e aguentando um número suficiente de eleitores que o apoiou há cinco anos.
* Só para dar um exemplo disto: em 2001 Jorge Sampaio com 2,4 milhões de votos teve 55% dos votos. Em 2006, Cavaco teve quase 2,8 milhões e apenas 50,1% dos votos.


3 comentários:
É expectável que os restantes candidatos alterem a sua estratégia. Esta passará por, obviamente, atacar Cavaco e atribuir as culpas da crise e terceiros, nomeadamente conceitos e organizações abstractas.
Cavaco desiludiu-me, mas é de longe o melhor candidato. Manuel Alegre está enclausurado entre o BE e o PCP, Fernando Nobre acabará por retirar votos à Esquerda (embora possa apelar a determinados independentes), o candidato do PCP é a história do costume. O outro, peço desculpa por não saber o nome, anda a passear, dizer uns quantos bitaites.
38 por cento, podemos prever que nestas presidenciais ela será novamente superior a 50 por cento
previsões de 60% a juntar aos emigrantes e desempregados de última hora espero que chova para chegar aos 65
mim vota em branco
Cavaco é branco?
ou dará após 20 anos uma terminaçãozita
é que sorte grande não dá de certeza
Boa noite.
Peço desculpa por esta indelicadeza de comentar fora do assunto do seu artigo, mas gostaria de chamar a atenção para o problema do neo-ateísmo em Portugal.
Como podem confirmar no link abaixo, o nível do ataque aos religiosos já está a ir por caminhos muito escuros:
http://neoateismoportugues.blogspot.com/2010/10/o-humor-do-portal-ateu.html
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