Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

Uma alegoria que é um aborto

Excelente este texto da Maria João Marques, concorde-se ou não com todos os seus pressupostos. Sobre o artigo que cita, se eu fosse Francisco Louçã diria que se trata de gente que não sabe o que é o sorriso de uma criança. Como não sou, digo apenas que é de uma insensibilidade e de uma frieza que assusta. Assusta ainda mais quando é conhecido que "340 mulheres das 19 mil que abortaram em 2009 fizeram-no duas vezes" - é verdade que, uma vez mais, os tais números estarão "abaixo da média de outros países" mas isso não é argumento até porque mais de um terço das mulheres falharam a consulta "obrigatória" após o aborto. Demonstra ainda que, ao contrário do que diziam alguns defensores da causa, o aborto foi utilizado como método anticonceptivo por mais de três centenas de mulheres só em 2009. Este é mais um dos avanços civilizacionais dos anos Sócrates.

7 comentários:

Joel Galvão disse...

Vejo que, no seu entender, seria melhor que os abortos se continuassem a realizar sem quaisquer tipo de condições, continuando a constituir-se como um grave problema de saúde pública para as mulheres. A interrupção voluntária da gravidez era uma realidade antes do referendo, tal como o é depois, a única diferença é que a saúde das mulheres que têm que recorrer a este método está salvaguardada. São opções.

Anónimo disse...

Há sempre uma alternativa..rezar.
Mas a quem?

BLUESMILE disse...

As 300 mulheres que abortaram duas vezes, uando o aboro como meio contraceptivo, te-lo-iam feito de quelquer forma, mesmo que não fosse legal.
O texto parece-me bastante manipulativo - como se a legislação vigente incentivasse essa prática, quando é precisamente o contrário.

Joel Galvão disse...

Nem mais, Bluesmile.

Anónimo disse...

"As 300 mulheres que abortaram duas vezes, uando o aboro como meio contraceptivo, te-lo-iam feito de quelquer forma"

Hmm, então uma vez que se rouba e se mata nada vamos fazer para parar tal coisa. Vamos deixar rédea livre aos agressores.

"um grave problema de saúde pública para as mulheres."

Pelos visto a morte não é nada para si, só o preocupa a mulher grávida, não o que faz essa mulher grávida: a criança . Se estiver uma mulher dentro da barriga já se pode fazer tudo dela.

lucklucky

BLUESMILE disse...

Segundo os dados disponíveis, apenas 1,8% das IVGs são feitas por mulheres que já o tinham feito anteriormente.

è pura demagogia utilizar este comportamento minoritário para defender a CRIMINALIZAÇÂo de todas as formas de aborto ( como faz a associação a que a sra Isildo pertence) , incluindo o aborto terapêutico e o aborto em caso de violação.
Jà agora fico muito satisfeita por certas instituições virem a público defender o Planeamnto Familiar e a contracepção eficaz (leia-se preservativo / contracepção hormonal, DIU), reconhecendo que essa é a principal forma de reduzir o aborto. Poranto, o cerne da questão é essa mesmo - contracepção eficaz e educação sexual.
Só é pena serem os mesmos que publicamente se manifestam contra a Educação sexual nas escolas.

Shrek disse...

Não deixa de ser interessante verificar que, em Portugal, à semelhança também do que se passou em Espanha, as maiores defensoras da liberalização do aborto foram ou mulheres sem filhos ou mulheres que já fizeram vários abortos.