Sábado, 31 de Julho de 2010

O fascínio pelo Norte


Anuncia-se o projecto ou o desejo de se "acabar com as repetências" e, mais uma vez, para apoiar uma ideia assim interessante, fatalmente remete-se para essas entidades retoricamente salvíficas que são "os países do Norte da Europa". Para ilustração e sossego dos indígenas, diz-se tratar-se de importar de um "modelo" - segundo o tal "modelo", não se retêm alunos, mas vão "potenciar-se" certas "formas de apoio" para aqueles dotados de "ritmos diferenciados" (este linguajar numa ministra da Educação é, de resto, eloquente do estado da coisa).
É fácil anunciar estas maravilhas e é igualmente fácil transplantar "modelos" abstractamente, desgarradamente. Transplantar sem mais - sem curar das condições em que eles medraram e se consolidaram. Importa-se apenas o "modelo"? E o resto? Também se vão buscar os povos, o seu entendimento da Escola e os seus hábitos culturais?...


(Talvez volte a isto hoje, mas agora vou sair. Não vale a pena desperdiçar um dia destes com proclamações idiotas.)

9 comentários:

Anónimo disse...

No outro dia, a propósito do nímero de alunos por escola era para aí que apontavas. È só quando dá jeito. Pois.

Carlos Botelho disse...

Já cá faltava um mitómano...

Alethea disse...

"Na Finlândia, um dos países onde há menos repetência, só 1% dos alunos de 15 anos não têm competências básicas de leitura, o valor mais baixo da OCDE." -
- diz a Sra Ministra...

Porém, não estará a confundir a causa com a consequência?

99% desses alunos adquirem as competências básicas de leitura porque não existe repetência...ou... não existe repetência porque 99% dos alunos adquirem as competências básicas...??!

Calypso disse...

Não me parece descabido a criação de turmas "de nível", à semelhança do que se passa na Inglaterra.

Talvez seja a isto que Isabel Alçada se refere quando pretende "acabar com as repetências". Aguardemos...

Claro que deverão ser previstas e analisadas as consequências de tal medida, antes de a aplicar:
por exemplo, isso implicaria a atribuição de "diplomas" de 1ª" e "diplomas de 2ª"...?

Jacinto disse...

Eu sei que a pergunta talvez, mas só talvez,não se justifique - mas saberá a senhora, apodada de ministra, que a Suomi é habitada por Finlandeses?...

Manuel Brás disse...

... vs O vento suão...

Do deserto educacional
da política governativa
brota a marca irracional
de uma solução defectiva.

Tantas asneiras repetidas
sem a mínima piedade
de aberrações incontidas
de frívola inanidade.

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

A Mentira na Educação continua - I

Estatísticas oficiais disponíveis na Agência Nacional para a Educação da Suécia, que
equivale ao nosso ME. Dados publicados este ano:
www.educar.wordpress.com/2010/08/01/da-ausencia-de-insucesso-escolar-no-norte-da-europa-a-suecia/


"Já Agora… Os Ratios Pela Suécia…
… serão como?
E, já agora, uma questão que me é muito estimada, será que por lá só há
educadores/professores ou existe pessoal com diferentes tipos de funções e
responsabilidades, logo desde o pré-escolar.
www.educar.wordpress.com/2010/08/01/ja-agora-os-ratios-pela-suecia/
Cinco crianças por cada funcionário empregado anualmente… interessante… e olhem que na
página 37 do documento se explicita que está excluído destes totais o pessoal da limpeza
e dos refeitórios…"

"A Dimensão Das Escolas Na Suécia
Porque não estebelecem por cá uma relação entre o desenvolvimento educacional na
Escandinávia e a dimensão das escolas?
www.educar.wordpress.com/2010/08/01/a-dimensao-das-escolas-na-suecia/

"Estes Noruegueses São Loucos
Do site do Ministério da Educação norueguês, formado por uma cambada de incompetentes que
não percebem o mal que estão a fazer ás suas crianças ao não as enviar de autocarro
municipal para um caixote, desculpem, centro escolar:
www.educar.wordpress.com/2010/08/01/estes-noruegueses-sao-loucos/
Imaginem isto lido à nossa ministra da Educação e ao seu secretário Trocado da Mata!"

ah

Anónimo disse...

A Mentira na Educação continua - II

"Estes Noruegueses São Loucos – 2
Desculpem não usar os dados da OCDE e ir directamente às fontes. No documento do ME
norueguês com o título Education – from Kindergarten to Adult Education encontramos os
seguintes números sobre o equivalente ao nosso Ensino Secundário:
www.educar.wordpress.com/2010/08/01/estes-noruegueses-sao-loucos-2/
Façam as contas: isto dá 500 alunos (e formandos) por escola e o ratio é de 8,2 alunos
(9,7 incluindo os formandos) por professor. Agora digam-me lá: é assim um ratio tão
diferente do nosso?"


"Estes Noruegueses São Loucos – 3
Então não é que a dimensão das escolas é de um disparate tal que aquilo só pode dar um
enorme insucesso? Já sei… são pequenas porque a demografia assim o obriga a ser… O que me
faz lembrar um pouco… mmmmm…. estou aqui a esforçar-me…. será que é o interior de
Portugal?
Pois, mas eles por lá preferem equipar as escolas pequenas e mantê-las junto das
comunidades do que deslocar a petizada toda para os grandes centros…
São tão, tão, tão retrógrados…
www.educar.wordpress.com/2010/08/01/estes-noruegueses-sao-loucos-3/

"Estes Noruegueses São Loucos – 4
Mas então não é que eles têm estatísticas em que não contabilizam nos ratios o pessoal
que não dá aulas? É só ler a pequena nota de rodapé e percebemos logo como se fazem as
contas de modo sério.
www.educar.wordpress.com/2010/08/01/estes-noruegueses-sao-loucos-4/

"Da Ausência De Insucesso Escolar No Norte Da Europa – A Noruega
Nem vale a pena comentar muito… basta explicar que eliminar repetências não significa que
os ciclos de escolaridade sejam completados no intervalo de tempo mínimo regulamentar.
Mas para entender isso, seria preciso… sei lá… alguma capacidade de… bem… eu calo-me.
www.educar.wordpress.com/2010/08/01/da-ausencia-de-insucesso-escolar-no-norte-da-europa-%e2%80%93-a-noruega/
Bom… eu abro o teclado só para afirmar que, numa perspectiva bastante simplória como a
minha, isto significa que 44% dos alunos não completam o equivalente ao nosso Ensino
Secundário (nas diversas variantes) no tempo mínimo esperado."

"Da Ausência De Insucesso Escolar No Norte Da Europa – A Dinamarca
Para que conste, não gosto de ir à praia ao domingo em pleno Verão. Não gosto de
mega-ajuntamentos. Pelo que acabei por me divertir a espreitar os sites dos ministérios
escandinavos dedicados à Educação. É a vez do dinamarquês. Confesso que o relatório mais
recente me parece o melhor conseguido de todos os que estive a ver hoje, pois analisa o
percurso dos alunos em termos de coortes, desde que entram até que saem do sistema
educativo, assim como projectam a 10-15 anos qual pode ser o percurso de quem sai do
sistema.
O quadro seguinte apresenta do lado esquerdo o número de alunos entrados num dado ano
(intake) e os que se formaram (graduated). Embora não seja completamente explícito, o
título do quadro dá a entender que se pode tratar de uma coorte (embora o valor para a
primeira linha de dados seja anómalo nesse sentido). De qualquer modo a diferença entre
matrículas e conclusões apresenta um padrão interessante e natural para cada ciclo de
escolaridade, com o aumento da diferença entre os dois valores.
www.educar.wordpress.com/2010/08/01/da-ausencia-de-insucesso-escolar-no-norte-da-europa-%e2%80%93-a-dinamarca/#comments

ah