Quarta-feira, 31 de Março de 2010

Farsa não será, com certeza

E não é, com certeza, como farsa.

Hoje parecem sobrar cada vez menos dúvidas de que a Casa Branca se resignou a um Irão nuclear. É essa a convicção do senador John McCain, e a comparação entre Neville Chamberlain e Obama é (também a) dele. O que explica, diz Stephen Hayes, a reacção aparentemente histérica do presidente norte-americano em relação à recusa israelita de suspender a construção em Jerusalém. «Pensam que estamos a sobre-reagir à questiúncula das casas? Então experimentem bombardear o Irão», terá sido a mensagem. Entretanto, vai avançado o debate sobre a nova era de contenção. A new beginning? De quê? Não há como um appeaser para chamar a guerra.

7 comentários:

Maria João Marques disse...

Jorge, em boa verdade desde a campanha das primárias que se percebia que Obama se preparava para um novo appeasement. Porque deu muito bom resultado da primeira vez.

Jorge Costa disse...

Fica-se sempre, primeiro, com a esperança de que o lugar condicione a visão da pessoa, como pode acontecer nos grandes políticos. Mas 15 meses depois, e face ao que se vai passando, começa a ser tarde para alimentar ilusões.

Ivo Guedes disse...

Os caciques do planeta sabem bem que é IMPOSSÍVEL impedir a proliferação nuclear. Oppenheimer e Einstein avisaram nos seus escritos finais para o pesadelo que os atormentava desde o surgimento da bomba atómica: tinha-se originado a existência material de uma arma de um grande poder para a qual não havia o acesso condicionado na mesma proporção. A bomba atómica era, afinal, mais acessível do que uma Excalibur.

Os EUA aperceberam-se que o Irão passou o ponto de não retorno. Por isso terão que fazer o que fizeram com outros países que obtiveram o poder nuclear.

Anónimo disse...

Nem todos tem o «carácter de plasticina» que elogias num «grande» político...

Anónimo disse...

Sim, o mais grave e o braco de ferro com israel sobre um possivel bombardeamento. Que os EU nao possam fazer algo quanto ao programa iraniano, e algo que se pode compreender. Que se tenham colocado objectivamento do lado do Irao contra Israel, e neste ponto que a ideologia e a irresponsabilidade imperam, com consequencias que alguns de nos previam ha dois anos.

Jacinto disse...

Passo a passo, sem quase darmos por isso,lá nos vamos aproximando do Estados Desunidos da América.´
Implosão ou explosão eis a questão ( desculpas pela cacofonia...)

M.Abrantes disse...

Obama, ao contrário dos seus antecessores, percebeu o óbvio: resolver o conflito israelo-palestiniano, não é sinónimo de tomar, até ao enjoo, o partido de Israel.