Verdadeiramente impressionante, a obra que a Cátedra de Estudos Sefarditas acaba de lançar: Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses - Mercadores e Gente de Trato. Ao longo de oito anos, 16 historiadores, com a coordenação de A. A. Marques de Almeida, puseram mãos à obra para identificar os judeus portugueses que mais se destacaram na história da «vida material» (conceito braudeliano) portuguesa e europeia - judaica, ça va de soit - entre os séculos XV e XVIII. Em 750 páginas, são biografados, atráves de 682 verbetes (se bem contei), esses personagens.
Está, assim, composto mais um instrumento de trabalho fundamental para qualquer abordagem da história judaica e portuguesa, nesse período. Mas não só. Um livro com estas características é de molde a interessar um público muitíssimo mais vasto do que o académico, designadamente o interessado em genealogia. Todos os verbetes trazem os diversos nomes por que foram conhecidos os biografados, nomeadamente o seu nome judaico e de baptismo, quando, depois de finais do século XV, os judeus portugueses foram forçados à conversão, e só puderam recuperar, quando isso aconteceu, ou adoptar, pela primeira vez, um nome sefardita, na «diáspora dentro da diáspora».
«Vida material», por seu turno, se fixa um campo de relevo para os personagens seleccionados, pode, porém, ser enganador. Muitas vezes, os mercadores renascentistas judeus evidenciaram-se em actividades que excederam muito o comércio e a banca, sendo então bastante comum o entregarem-se a actividades políticas, culturais, religiosas, etc., tendo nesses domínios, por vezes, sobressaído bastante mais, factos de que dão conta, naturalmente, os verbetes.
A não assinatura, por nenhum dos historiadores em particular, dos verbetes releva de uma invulgar - entre nós - entrega de cientistas das Humanidades, alguns deles já proeminentes, a um projecto que só podia ser colectivo, dada a imensidão das fontes e a vastidão do campo de trabalho, sem a habitual necessidade de evidenciação individual.
Cada verbete traz consigo a indicação das fontes primárias e bibliografia, resultando muitos deles de factos e investigação revelados pela primeira vez, e não apenas de resumo de bibliografia já existente. O interessado em aprofundar fica na posse do mapa de trabalho.
A Cátedra de Estudos Sefarditas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa está de parabéns.
Está, assim, composto mais um instrumento de trabalho fundamental para qualquer abordagem da história judaica e portuguesa, nesse período. Mas não só. Um livro com estas características é de molde a interessar um público muitíssimo mais vasto do que o académico, designadamente o interessado em genealogia. Todos os verbetes trazem os diversos nomes por que foram conhecidos os biografados, nomeadamente o seu nome judaico e de baptismo, quando, depois de finais do século XV, os judeus portugueses foram forçados à conversão, e só puderam recuperar, quando isso aconteceu, ou adoptar, pela primeira vez, um nome sefardita, na «diáspora dentro da diáspora».
«Vida material», por seu turno, se fixa um campo de relevo para os personagens seleccionados, pode, porém, ser enganador. Muitas vezes, os mercadores renascentistas judeus evidenciaram-se em actividades que excederam muito o comércio e a banca, sendo então bastante comum o entregarem-se a actividades políticas, culturais, religiosas, etc., tendo nesses domínios, por vezes, sobressaído bastante mais, factos de que dão conta, naturalmente, os verbetes.
A não assinatura, por nenhum dos historiadores em particular, dos verbetes releva de uma invulgar - entre nós - entrega de cientistas das Humanidades, alguns deles já proeminentes, a um projecto que só podia ser colectivo, dada a imensidão das fontes e a vastidão do campo de trabalho, sem a habitual necessidade de evidenciação individual.
Cada verbete traz consigo a indicação das fontes primárias e bibliografia, resultando muitos deles de factos e investigação revelados pela primeira vez, e não apenas de resumo de bibliografia já existente. O interessado em aprofundar fica na posse do mapa de trabalho.
A Cátedra de Estudos Sefarditas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa está de parabéns.



5 comentários:
Caro Jorge Costa
AA Marques de Almeida foi um dos docentes mais competentes e lúcidos que tive enquanto aluno do curso de história da Faculdade de Letras da UL. Fico feliz com a apreciação que faz e em nada me espanta o cunho de competência e de dignidade nos trabalhos que AA Marques de Almeida faz ou dirige.
Enfim, comerciantes em troca de favores e cumprimentos....
Caro Anónimo
Era para falar mal do Sócrates?!
À atenção do Jorge Costa:
http://www.firstthings.com/article/2010/01/assaulting-arendt
Caro Jorge Costa
Muito sucintamente em relação ao seu texto "Verdadeiramente de parabéns", que só agora vi publicado como "recensão crítica" na página WEB da Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste, gostava de lhe colocar duas questões":
1 - Quem são os historiadores proeminentes de que fala, participando na equipa do "Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses - Mercadores e Gente de Trato", e que não tiveram a "habitual necessidade de evidenciação individual"? António Borges Coelho? Anita Novinsky? Carsten Wilke? Maria José P. Ferro Tavares? Yosef Kaplan, Elvira Mea, Irene Pimentel? Herman Prins Salomon? Etc.
Observando a página da "Equipa de Investigação" só vejo um nome que produziu obra interessante na área, fruto de pesquisa própria durante anos: Maria da Graça Mateus Ventura. Curiosamente há um asterisco no fim do seu nome que remete para a seguinte nota: "Participação na fase inicial da estruturação do Projecto".
Relativamente à minha pessoa, embora o meu nome possa ser lido como referencial bibliográfico no fim de uma quantidade razoável de entradas anónimas, gostava de salientar que nunca fiz parte do corpo da equipa, e que portanto não serei abrangido pela constatação do altruísmo. E também curiosamente, em muitas das entradas em que se remete para a minha bibliografia, não surge a indicação de fonte primário pelo que a sua "recensão crítica" carece de alguma precisão.
Outra pergunta que eu gostava de colocar é se constatou pessoalmente, junto dos 16 colaboradores, se consentiram todos, previamente, que as entradas fossem publicadas sem a "habitual necessidade de evidenciação individual"? Em caso afirmativo, é de facto inédito no meio científico internacional, em que se valoriza a produção própria, mesmo em obra de equipa.
Obrigado
José Alberto Tavim
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