Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Madeira

«Ó infelizes mortais! Ó deplorável terra! Ó agregado horrendo que a todos os mortais encerra! Exercício eterno que inúteis dores mantém! Filósofos iludidos que bradais "Tudo está bem"; Acorrei, contemplai estas ruínas malfadadas, Escombros, despojos, cinzas desgraçadas, Estas mulheres e crianças amontoadas Estes membros dispersos sob mármores quebrados Cem mil desafortunados que a terra devora (...) Direis vós, perante tal amontoado de vítimas: "Deus vingou-se, a morte é o preço dos seus crimes" ? Que crime, que falta cometeram estas crianças Sobre o seio materno esmagadas e sangrando? Lisboa, que já não é, teve ela mais vícios Que Londres ou Paris, mergulhadas em delícias? Lisboa em ruínas, e dança-se em Paris.»

3 comentários:

Anónimo disse...

Madeira 2 à vista na 6ª feira...

Anónimo disse...

É madeira de laranjeira,
É pois coisa brejeira,
Que do alto veio ao chão,
Como acto feito em vão.

ana disse...

É lindo e tocante! Obg Paulo, Desconhecia...
O grito de um poeta a tentar exprimir a sua revolta pela inexplicável violência da natureza a abater-se implacável sobre alguns humanos, perante a indiferença de outros, por hora, poupados..
Ana Bravo