Não li nem todos, nem metade, nem nada que se pareça dos livros que nos últimos anos foram escritos em língua portuguesa. Portanto não posso dizer que este seja o mais importante. O mais belo. Talvez seja, não sei. É um livro sobre o tempo que sobra, ou melhor, sobre o tempo como sobra, e sem préstimo. Sobre o tempo que sobra, porque vamos morrer em breve e já nada com sentido é, de aqui em diante, possível. Ou sobre o tempo que sobra, porque o luto é impossível e o tempo se quebra (leiam, se quiserem perceber o que é isso). É um livro sobre o tempo nu. Sobre o tempo quando ele verdadeiramente (?) aparece. É um livro que conta histórias sobre o irremediável. Sobre pessoas que vivem com o irremediável no tempo que lhes sobra, e sem préstimo. Um paradoxo, bem sei. Talvez a grande literatura, com que o livro dialoga permanentemente, seja a forma humana de encontro com esse nó de ser que resiste à, e reclama a apropriação com sentido, pela forma narrativa. Ou talvez seja isso a grande tradição da filosofia, que tem na sua origem o espanto inextinguível por serem as coisas aquilo que são. O que é como é. O livro de Filipe Nunes Vicente participa da tradição da grande literatura e da filosofia. Uma tradição que não chega. É um livro necessário.
Domingo, 28 de Fevereiro de 2010
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8 comentários:
Publiquei três livros e este é o mal-amado. Por isso, e porque não sou de língua de pau, as suas palavras caíram-me bem.
Obrigado, Jorge.
O comentário anterior a este foi apagado. Informo que o deixarei aqui ficar ipsis verbis se o comentaror se identificar devidamente.
Eu agradeceria que colocassem neste blogue um linque para aquele em que escrevo, o Speakers' Corner.
http://www.speakerscorner.org.pt/
Obrigado. Luís Lavoura
Ó Luís: envie isso para o NMP pôr lá na nau.
Ó Jorge: diga-lhe para ela mo enviar eheheh...
Lavoura,o bestial?a querer atencao)
Hrmmmmmuuuunnpppffffttt... Pronto, eu compro mais um livro. Vou é lê-lo aí por volta de 2024. (Ainda assim, pode ser boa ideia acumular, porque o IVA já deve ir acima dos 30% nessa altura.)
Fiquei curiosa com tão bela descrição deste livro. Irei naturalmente comprá-lo, até porque o tema me interessa muito.
Obrigada pela divulgação,
Inês Almeida Serra
É só para dizer que já está (sou uma espécie rara: faço questão de cumprir as promessas). E, sendo pequenino e pausado, até o devo ler antes de 2024. Talvez até antes do dia 24.
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