Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Entre cá e lá: é diferente, mas vendo bem

Jim Fitzpatrick, ministro do Ambiente britânico denuncia infiltração de radicais islâmicos no Partido Trabalhista.

Há dias, falando com uma amiga, dizia-lhe eu: «Começa a ser cada vez mais difícil respirar na Europa. Há dias impossíveis. De novo. Parece que desta é a nossa vez.» E ela respondeu-me: «Em Portugal, felizmente, as coisas não estão tão más como no resto da Europa.» Dizia-me: «Claro que há, como sempre houve, uma espécie de anti-semitismo larvar, que ao mínimo problema sério pode voltar a estalar. Mas, apesar de tudo,» insistia, «as coisas aqui estão mais calmas.»

Acedi. Não porque estivesse convencido do «ponto» que ela queria fazer, ou porque a calma (aparente) que a sossega (por enquanto) me engane, mas para quê insistir, explicar que não, nisto não há ilhas, e que o trabalho de preparação para a violência está outra vez em curso e com toda a clareza. Que a esquerda radical, bem mais do que a direita radical, tem, entre nós, feito por sua conta o que noutras paragens é obra partilhada com o radicalismo islâmico. (Sim, é claro, os judeus não são os únicos alvos do radicalismo islâmico. Mas, sim, é claro, são o catalizador do seu combate. E serão os primeiros a cair.)

Para quê lembrar-lhe os recorrentes textos de Alexandra Lucas Coelho, por exemplo, mas é só um exemplo, porventura o mais óbvio, onde o ódio a Israel - a alavanca do anti-semitismo contemporâneo -, sem qualquer inibição, tem, por cá, a respeitabilidade do que, só por ofuscação, se confunde com jornalismo. Por exemplo: no jornal Público, nesta entrevista, ainda há coisa de um ano, a Zeev Sternhell (sim, claro, aos judeus nunca faltaram judeus idiotas úteis ao serviço dos seus piores inimigos):

O historiador está a explicar à jornalista (?) o que entende ser a motivação da deslocação para a direita do eleitorado israelita.

Pergunta da jornalista do Público: Há também aquela frase que diz: «Mata tantos árabes quanto possível e fala tanto de paz quanto possível». Neste caso, trata-se de escolher quem mata muitos árabes e não fala muito de paz.

Resposta do entrevistado: (...).

Isto passa por jornalismo. É claro, que hoje, como no passado, o ódio aos judeus se propaga em nome do humanitarismo como ideologia. Israel, o único Estado judaico do mundo (e, já agora, a única democracia do Médio Oriente, onde, por exemplo, Zeev Sternhell é premiado pela sua obra científica e se pronuncia publicamente sempre que pode), é o mal. A humanidade pertence aos seus inimigos mortais. Nada de novo debaixo do Sol.

16 comentários:

Amy disse...

Pois...eles estão em todo o lado!

DFL disse...

Caro Jorge Costa:

Acerca do regresso do ódio cego ao "judeu", sugiro que faça visita ao blogue 5 dias, e veja o que lá se escreve e comenta, sob a rúbrica "Resistência Islâmica"

FNV disse...

É estranho. Tenho um livro com organização de Sternhell que descreve o ódio e a perseguição aos judeus, sobretudo na França da transição do século XIX para o XX. E não parece idiota nem inútil.
Pode ter muddao, não ponho essa hipótese de parte.

Jorge Costa disse...

Sternhell é um historiador com mérito. Como Chomsky foi um linguista com mérito, presumo. Não é o caso de Ilan Pappe, que não é um historiador.

Jorge Costa disse...

Caro DFL: sim, hoje o terrorismo é defendido sem papas na língua. Sinais do tempo. Já foi e voltou a ser.

Lura do Grilo disse...

O Diário El País também destila ódio ao Judeu. É de tal forma contagiosa esta crueldade que recentemente um judeu foi maltratado em plena rua com insultos do estereotipado vocabulário tradicional anti-semita. A Sra intitulou-se do PSOE e terminou agredindo cidadão.
Esta Europa está em decadência pura.

Anónimo disse...

'Anti-Semitism being taught in Spain schools'

http://www.haaretz.com/hasen/spages/1152853.html

Israel on Sunday lodged a formal complaint with Spain, charging that anti-Semitism and anti-Zionism are being instilled in elementary students across parts of the country.

The Israeli embassy in Madrid has received dozens of postcards addressed to the Israeli envoy - from students ages 5 and 6 - including hand-written messages such as "Jews kill for money," "Evacuate the country for Palestinians," and "Go to someplace where someone will be willing to accept you."

According to sources in the Foreign Ministry, this is an organized campaign by officials outside the education system in Spain that have been given permission to work with the students.
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The Foreign Ministry had originally planned to summon the Spanish envoy to Israel, Alvaro Iranzo, to rebuke him.

However, in an effort to prevent a diplomatic crisis, the ministry decided instead to discuss the matter with him via telephone.

Naor Gilon, the Foreign Ministry's deputy director for Western Europe, spoke with Iranzo on Sunday and said, "Israel feels strong discontent over the postcards sent by school students and views the matter with utmost gravity."

The Spanish envoy explained that the postcards were a private initiative, and not one that is part of Spain's education ministry.

Gilon said Israel understands this is not a government policy, but stressed that these types of initiatives have no place in schools and that Israel requests action be taken to have the campaign stopped.

Paula

José Domingos disse...

O islamismo,faz pressão com o medo do terrorismo, habitando os nossos países, impondo os seus hábitos, apelando á guerra santa, quando algum país se impõe, falam de xenofobia, de racismo, a conversa do costume. Curioso, é viverem nos nossos países, recebendo ajudas, do nosso dinheiro, casas, com os nossos descontos, na Inglaterra, atinge o escândalo. Porém, há países, que também impoem situações, com leis e decretos, sendo também uma minoria. De facto..................

Jorge Costa disse...

Por uma questão de clareza: só concordo com o comentador anterior se por «islamismo» se estiver a referir à forma de politização radical do Islão, religião. É, de facto, aquela que hoje se faz ouvir. Mas não nos obriga a assimilar o Islão, uma religião, ao «islamismo», entendido como referi.

Anónimo disse...

Estado Judaico, Estado Islâmico, a mesma sopa infestada de crença e de irracionalidade como referências para as massas.

Boa sorte!...

Anónimo disse...

«A violação da Europa pela especulação financeira internacional»


«O governador do FED, Ben Shalom Bernanke, foi recentemente obrigado a confirmar ao congresso norte-americano as manobras especulativas da Goldman Sachs, que já em 1992 havia lucrado com os mesmos métodos aquando da desvalorização da lira italiana. Transformando em derivados (SWAPS) o que era necessário à Grécia em 2001 para cumprir as normas da zona Euro, a Goldman Sachs, através dessa operação, ganhou cerca de 250 milhões de euros. Depois os juros multiplicaram-se. Agora a Grécia tem necessidade de 25 mil milhões apenas para “refinanciar” o seu endividamento.» (1)

No Senado norte-americano, em resposta a uma observação do senador Christopher Dodd de que estaremos perante uma situação em que grandes instituições financeiras de Wall Street estarão a ampliar a crise pública nalguns Estados europeus para lucros privados, Bernanke respondeu:

«Estamos a analisar uma série de questões relacionadas com a Goldman Sachs, outras instituições, e os seus contratos de derivados financeiros com a Grécia (…) usar esses produtos de uma forma que destabilize intencionalmente uma empresa ou um país é contra-produtivo.» (2)

Algumas instituições financeiras estão sob acusação de terem ajudado a Grécia a esconder o seu défice orçamental, para cumprir os critérios da Zona Euro, servindo-se de contratos de Credit Default Swaps e conseguindo grandes lucros com essas operações.

Vários analistas tinham vindo a alertar que a crise grega, bem como a sua ramificação a outros países europeus, nomeadamente a Espanha e Portugal, seriam o resultado da acção de fundos de especulação financeira contra os Estados europeus e a própria Zona Euro (hoje as suspeitas concretizam-se na Goldman Sachs e nos Hedge Funds de John Alfred Paulson).

Simplisticamente, o mecanismo funciona assim, e note-se que os mercados onde se negoceiam estes contratos de CDS (Credit Default Swaps) são essencialmente desregulamentados, ou seja, são um bom exemplo do mercado privado entregue a si mesmo:

Um determinado Estado (ou uma empresa) necessita de dinheiro. Há uma instituição financeira (um Fundo ou um Banco, por exemplo) que o empresta, contra o pagamento de uma taxa de juro.

A instituição financeira em causa decide então fazer uma espécie de seguro contra a possibilidade do Estado a quem emprestou o dinheiro não cumprir as suas obrigações. Para isso compra um produto financeiro chamado CDS (Credit Default Swap). O vendedor do CDS promete pagar o empréstimo no caso do tomador inicial não o conseguir fazer. Naturalmente o preço do CDS é tanto mais elevado quanto maior o risco de incumprimento por parte do Estado.

No fundo, o que sucedeu à Grécia é que, por causa do expediente que arranjou para fazer baixar o seu défice, ficou refém dos especuladores financeiros e encontra-se agora prisioneira numa tenaz que aperta por dois lados.

Por um lado, no mercado dos CDS associados à dívida do país, fazem-se apostas, como num casino, com o seu risco. Quanto maior for o risco do país, e portanto, quanto maior a instabilidade na Grécia, mais sobe o preço dos seus CDS. Temos assim que existem especuladores que jogam nesse mercado interessados na destabilização interna do Estado grego para lucrarem com as transacções desses CDS.

Por outro lado, os bancos que inicialmente emprestaram dinheiro de forma sub-reptícia à Grécia sabem também que, ao aumentar o risco do país, aumentam os juros que vão receber para pagamento desses empréstimos e têm por isso também interesse na instabilidade interna dessa nação. Acresce que esses próprios bancos são suspeitos de andarem também a especular sobre os CDS associados à dívida grega.

(CONTINUA...)

Anónimo disse...

(CONTINUAÇÃO...)

Resumindo, há uma série de especuladores financeiros interessados em fazer baixar o rating do país, ou dito de outra forma, em criar instabilidade para lhe aumentar o nível de risco associado.

Apesar de tudo a Grécia ainda se encontra de alguma forma escudada pela Zona Euro… agora imagine-se o que pode suceder a empresas e Estados mais desprotegidos quando são vítimas deste tipo de acções especulativas por parte dos poderes financeiros. Muitas empresas acabam na falência, muitos Estados acabam reféns da banca, com serviços de dívida cada vez mais elevados. Quem paga, em última análise, são sempre os trabalhadores, lançados no desemprego ou vítimas das crises económicas nacionais, enquanto os especuladores financeiros (quais modernos jogadores de casino que apostam com a vida das pessoas) enriquecem despudoradamente sem terem produzido qualquer riqueza.

Não deixa de ser sintomático que tenha sido o Senado norte-americano a abrir um inquérito a esta situação sem que a U.E., que foi vítima directa desta actuação, tenha feito o que quer que seja.

Por outro lado, é bem sabido que estes mercados de derivados financeiros estão na origem da criação de bolhas especulativas que, quando rebentam, arrastam para a pobreza milhares ou milhões de pessoas em todo o mundo, e aliás, ainda recentemente entrámos numa grande crise mundial que continua a afectar a economia de vários países ocidentais originada precisamente a partir das esferas financeiras.

Na sequência dessa crise ouvimos todos os responsáveis políticos falarem na necessidade de se reformular e regrar o funcionamento do sistema financeiro. Para além dos dinheiros públicos que foram dados a vários bancos para os salvar o que é que foi efectivamente feiro para alterar os mecanismos de especulação financeira que originaram a crise? Zero! Conversa e acções de mera cosmética para enganar o povo.

Tudo permanece genericamente como estava, e as economias reais, a esfera produtiva, continua hoje tão refém como estava da especulação financeira e da sua ganância.

É curioso… apesar dos países ocidentais estarem cada vez mais obrigados a uma disciplina orçamental que lhes retira margem de manobra política e obriga à contenção salarial dos trabalhadores, temos que:

Enquanto os Estados nacionais perdem autonomia na política monetária, os mecanismos de criação de moeda continuam tão perversos como eram e os câmbios flutuantes das moedas continuam a ser uma fonte de risco sistémico e ganhos especulativos com jogos de arbitragem cambial.

Não há qualquer medida tomada contra os offshore.

Não há qualquer medida séria tomada para regular os mercados de derivados financeiros, como os CDS, e limitar o que se pode fazer com este tipo de produtos!

E depois, Ângela Merkel tem o descaramento de afirmar, angelicalmente, que: «seria uma desgraça se acabasse por se verificar que os bancos que já nos haviam empurrado para a beira do abismo – referindo-se a esta ultima crise mundial – também estão envolvidos na falsificação das estatísticas da Grécia». (3)

Enfim, a festa está para durar.

Anónimo disse...

O anónimo preferia que a bancarrota chegasse sem aviso e na sua insanidade acha que o Estado que nos colocou na bancarrota é respeitável e ainda quer dar mais poder a esse mesmo Estado.
Demos graças pelos CDS, muita pena que não tivessem acordado mais cedo.

lucklucky

Luís Cardoso disse...

Caro Jorge,
a propósito da distinção que aponta entre «Islão» e «islamismo», podia fazer o favor de resumir quais as principais diferenças entre as duas entidades?
Quais as diferenças quanto à missão confiada por Mafoma/Maomé aos muçulmanos de implantar o islão como religião única, pelo proselitismo, se possível, pela força, se necessário? Quais as diferenças em relação ao mandamento universal a fazer a guerra santa em nome de Alá? Em que se distinguem «Islão» e «islamismo» quanto ao lugar da mulher na sociedade islâmica? Em que divergem quanto à forma de se relacionar com os não-muçulmanos? Quais as diferenças de perspectiva em relação ao esclavagismo, ainda hoje praticado? Que diferenças vislumbra em relação à forma de lidar com fenómenos como o adultério, o sexo extra-conjugal, a homossexualidade? Em que pontos uns e outros discordam quanto à doutrina da abrogação alcorânica? Em que divergem as perspectivas dos crentes do «Islão» e dos islamistas em relação à doutrina do "exemplo prefeito de Mafoma", a qual determina que qualquer muçulmano até ao fim dos tempos deve emular, em todos os aspectos da sua vida, o profeta fundador - sabendo-se que era um homem beligerante, um dissimulador, um indivíduo lascivo, dado a práticas sexuais desviantes em todos os tempos, das quais a pedofilia é um exemplo?

Cumprimentos,

Jorge Costa disse...

Caro Luís Cardoso: é muito possível que as suas perguntas tenham toda a pertinência. Eu não lhes posso responder pela razão simples de que não conheço o Islão como teologia o suficiente para isso. De vez em quando ouço vozes minoritárias, é certo, de dentro do Islão que preconizam uma série de valores com os quais nós podemos viver: liberdade individual, respeito pela diversidade humana, crítica da mentalidade de acusação permanente do Ocidente, cristão, judaico ou laico, pelo fracasso social e político que representam as nações islâmicas, etc. E fazem-no em nome de uma interpretação do Islão. Admito, pois, que haja outras visões alternativas à dominante, «islamista». Acredito que muitos muçulmanos (não sei quantos) querem verdadeiramente viver no Ocidente de liberdade e possibilidade de prosperidade e realização individual. Outras vozes que provêm do Islão, criticando o «islamismo», sugerem como você que ele não é reformável. Não serei eu a fazer a reforma do Islão:-) Mas não excluo que isso seja possível, pelo que lhe disse. Sou demasiado ignorante nessas matérias para ter opinião. A minha posição é apenas a da prudência. O que não me impede de pensar e dizer, como já o fiz, que cabe aos líderes comunitários islâmicos demonstrar que podemos viver juntos. Cabe-lhes colaborar connosco na rejeição sem concessões do «islamismo». Poderão fazê-lo? Há como? Não sei. Gostaria de ter esperança.

Luís Cardoso disse...

Caro Jorge,
Eu também gostaria de ter a sua esperança.
Muito longe de ser um especialista no islão, posso dizer-lhe que a minha conclusão, pelo que tenho lido, é que o problema está no Alcorão e na Suná: biografia (Sirá) e relatos dos ditos e feitos (ahadith/hadices) do profeta do islão.

Não duvido por um instante que os muçulmanos sejam pessoas normais, essencialmente boas.
O problema é que o que o islão tem de pérfido está fundamentado nos textos que referi supra, tal como foram interpretados ao longo de 1388 anos de teologia islâmica.
Enquanto os ditos extremistas têm o Alcorão e a Suná para sustentar as respectivas posições, os ditos moderados têm apenas o bom-senso comum à esmagadora maioria dos seres humanos, que detestam o sofrimento alheio.
Lembro-me, a este respeito, de um video que o Jorge publicou há alguns meses, no qual um xeque discutia com uma pessoa ligada a um centro cultural: este achava que os muçulmanos se devem dar bem com os não-muçulmanos; o xeque era peremptório em que, com base no Alcorão, os muçulmanos não podem relacionar-se amigavelmente com os não-muçulmanos.

Espero que a humanidade dos muçulmanos leve a melhor sobre o islão.

Cumprimentos,