Sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Duas notas ao artigo de Ricardo Reis no i

Um bom artigo do Ricardo Reis no i de hoje.

Só introduziria duas notas. Não sei se o Ricardo lerá este post, mas aqui vai.
O Ricardo diz que o plano de expansão fiscal de combate à crise em Portugal contrastou com o dos EUA num aspecto crucial. Nos EUA, por razões que são explicadas no artigo, as coisas correram com celeridade, ao passo que, entre nós, apesar do empenho do Governo, houve campanhas eleitorais, um novo governo minoritário, e um "debate político crispado", que fizeram arrastar doloramente o processo retirando-lhe, por isso, eficácia económica. Parece-me que o Ricardo se esquece de um ponto bem mais importante e que diz respeito à qualidade da execução do plano anti-crise que o Governo teve e tem. A fazer lembrar a execução dos fundos comunitários de investimento em Portugal que Paulo Rangel, durante a campanha, não se cansou de denunciar.
Por fim, será sempre muito difícil conseguir determinar com razoável exactidão os benefícios da expansão fiscal de Obama. Digo isto porque será evidentemente impossível fazer a experiência de voltar atrás no tempo e não levar a cabo a expansão fiscal entretando efectuada. O que sabemos é que a situação económica nos EUA actualmente (em termos de produto e emprego) é pior do que aquela que as previsões da equipa de economistas de Obama anunciaram caso não houvesse expansão fiscal. Claro que isto não demonstra que a expansão fiscal americana não beneficiou a economia, porque sempre se poderá dizer que a situação real da economia era mais grave do que aquilo que os modelos de previsão acabaram por interiorizar. Mas retira-nos capacidade de avaliar a bondade do esforço que foi e está a ser feito.
Vaguear na escuridão é sempre assustador.

1 comentário:

Ricardo Reis disse...

Caro Miguel,
Em relacao ao seu primeiro ponto, nao o referi porque nao sei o suficiente sobre o assunto. Ja' li algumas referencias na imprensa 'a pouca qualidade de execucao do plano, mas ainda nao vi o suficiente para estar suficientemente seguro e poder escreve-lo num dos meus artigos. Parece-me plausivel, mas sinceramente nao sei. Se tiver alguns dados, envie-mos por favor.
Quanto ao segundo, tem certamente razao. Eu estou um pouco mais optimista que vamos aprender com este episodio algo sobre a eficacia das expansoes fiscais: como diferentes paises executaram plano diferentes, com timings diferentes, e abordagens diferentes, tenho alguma esperanca que essa variabilidade nos dados nos ensine alguma coisa daqui a uns anos. Mas, acerca da eficacia das expansoes fiscais, mesmo que nao vagueemos na completa escuridao, estamos de certeza na penumbra.