Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

A «Competitividade» começa aqui

"Ser professor é..." (João Torgal)

3 comentários:

Manuel Brás disse...

Em Portugal…

O nosso sistema escolar
é uma boa caricatura
desta política exemplar
com tanta falta de cultura.

Neste esquema ficcional
do sucesso educativo
revela-se a razão banal
de cunho assaz defectivo.

Aproveito para acrescentar…

Estando bem amarrados
e sem flexibilidade
ficaremos desterrados
da real civilidade.

Mascarados de intrepidez
tapando males disfarçados,
daqui emerge a acidez
de muitos feitos esforçados!

São tantas palavras cansadas
sobre problemas por resolver,
as esperanças reforçadas
de alegrias por devolver.

Anónimo disse...

http://educar.wordpress.com/2010/02/16/os-angulos-errados/

Um excelente texto! Recomendo a leitura.

Ana

Anónimo disse...

Não sei se será exactamente aqui que começa a questão da educação. Tenho visto o debate decorrer essencialmente em duas vertentes, esta colocada no "post", que refere o suposto facilitismo como origem da falta de competências, e a vertente do debate em torno da polaridade público/privado.

Julgo, contudo, que antes de tudo isto importa pensar a própria educação, desde logo começando por esclarecer qual é a idéia de homem, de sociedade, de civilização que subjaz a todo o sistema, matéria e metodologias. Sem ter isto claro todas as reformas são tiros no escuro, sem que se saiba bem o que se atingiu.

Porque podemos considerar, nem que seja academicamente, por virtude do debate, que o facilitismo existe e que é prejudicial em termos de aquisição de competências, podemos ainda, e também academicamente, desde logo porque pessoalmente não estou convencido da validade destas hipóteses, podemos ainda, dizia, em teoria, considerar que a organização do sistema educativo actual, em face de uma justa medida ideal de proporção público/privado, esteja também desiquilibrada, mas, se tudo isto, todos estes equilíbrios e medidas de eficácia for para melhor se aprender sobre gambuzinos, resta, ao fim de tudo, perguntar do valor e da razão dos gambuzinos que com tanta eficácia se quer ensinar nas escolas.

O exemplo é pitoresco, reconheço, mas espero com ele ilustrar que a aproximação à questão da educação está longe de começar pelas questões do facilitismo ou do público/privado. É preciso ir até ao que se tem de tal modo garantido que já há muito deixamos de pensar nisso - o valor da educação que se pretende tornar mais eficaz.

Será que a indisciplina, o desinteresse dos alunos, não resulta também de uma espécie de resistência a uma educação que lhes diz muito pouco? E que, neste caso, público ou privado, não resolve a questão. E que exigir eficácia, aplicação, numa educação que não nos move de modo algum, chega quase a ser uma violência.

João.