Retiro este parágrafo do relatório do FMI sobre Portugal, ontem: «Quanto mais tempo durarem estes deesequilíbrios, maior é o risco de que o ajustamento seja feito de forma brusca e desestabilizadora, afectando todos os sectores da economia.»
Esta frase fazia sentido há anos. Faz parte da ladaínha do FMI, naturalmente muito politizada, no sentido de estar envolvida de subentendidos e precauções, até mesmo porque se o FMI anunciar a previsão de uma depressão, ela concretiza-se - imediatamente. São as terríveis self-fulfiling prophecies da teoria económica.
De facto, Portugal não tem saída, e considero que não dizer isso, neste momento, é iludir tudo. É anestesiar, é empurrar com a barriga os problemas, quando se está à beira do precipício.
Ou seja: os desequilíbrios orçamentais assentes sobre uma economia estagnada e estruturalmente deficitária face ao exterior, que se alimenta de um excesso permanente de despesa nacional - não é despesa pública apenas, é pública e privada - para sobreviver ao colapso, são de tal magnitude, que qualquer conjunto de políticas visando a sua redução afunda necessariamente a economia no colapso que se está a adiar.
Se o Governo português nada fizer para reduzir esses desequilíbrios, os mercados que os têm, até agora, acomodado, fá-lo-ão. É o colapso. Se o Governo quiser evitar a punição dos mercados, é o colapso. Lamento, mas isto é a verdade, e começa mesmo a ser uma verdade de Polichinelo. De modo que todo o debate de política nacional me tem muito feito lembrar um asilo de alienados.
Notícias dos mercados esta manhã: spread [diferença] das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos: abriram a negociar a 109 pontos de base acima das Bunds alemãs. Ou seja, já vai em 1,1% a diferença de preço a que podemos financiar-nos, a longo prazo, nos mercados externos. Os certificados de seguro contra quebra de pagamentos negoceiam-se a 142,5 pontos. Comparem com ontem.
Esta frase fazia sentido há anos. Faz parte da ladaínha do FMI, naturalmente muito politizada, no sentido de estar envolvida de subentendidos e precauções, até mesmo porque se o FMI anunciar a previsão de uma depressão, ela concretiza-se - imediatamente. São as terríveis self-fulfiling prophecies da teoria económica.
De facto, Portugal não tem saída, e considero que não dizer isso, neste momento, é iludir tudo. É anestesiar, é empurrar com a barriga os problemas, quando se está à beira do precipício.
Ou seja: os desequilíbrios orçamentais assentes sobre uma economia estagnada e estruturalmente deficitária face ao exterior, que se alimenta de um excesso permanente de despesa nacional - não é despesa pública apenas, é pública e privada - para sobreviver ao colapso, são de tal magnitude, que qualquer conjunto de políticas visando a sua redução afunda necessariamente a economia no colapso que se está a adiar.
Se o Governo português nada fizer para reduzir esses desequilíbrios, os mercados que os têm, até agora, acomodado, fá-lo-ão. É o colapso. Se o Governo quiser evitar a punição dos mercados, é o colapso. Lamento, mas isto é a verdade, e começa mesmo a ser uma verdade de Polichinelo. De modo que todo o debate de política nacional me tem muito feito lembrar um asilo de alienados.
Notícias dos mercados esta manhã: spread [diferença] das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos: abriram a negociar a 109 pontos de base acima das Bunds alemãs. Ou seja, já vai em 1,1% a diferença de preço a que podemos financiar-nos, a longo prazo, nos mercados externos. Os certificados de seguro contra quebra de pagamentos negoceiam-se a 142,5 pontos. Comparem com ontem.


2 comentários:
Jorge Costa tem razão. Se calhar era interessante escrever um post sobre as consequências que essas políticas terão na vida dos funcionários públicos. É que também eles se habituaram a viver acima do que oestado pode pagar.Sem alterar as carreiras e o número de funcionários é impossível corrigir o fenómeno de que fala.
Jorge Rocha
O povo designado por "os portugueses" só percebe quando tocar no supermercado, na casa e especialmente no carro. E a criatura governadora sabe muito bem disso ao ponto de lhes estar a passar lentamente o bife, para que sejam outros servi-lo mais tarde à mesa. E o bife, para além de enorme, é como a sola do sapato.
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