“Caro Daniel Oliveira… veja lá onde o leva uma simples ironia e quatro respostas a perguntas feitas por si. Em três parágrafos tem a pretensão de saber mais do meu trajecto político do que, quiçá, os serviços secretos. Mas para quem há duas semanas achava que não me conhecia bem, das duas, uma, ou mentiu ou informa-se a grande velocidade. Eu não decretei porra nenhuma. Você escreveu um post a decretar que quem não veste uma determinada camisola neste ou naquele combate político não tem o direito à palavra e está viciado em perder. Neste seu comentário decreta outro conjunto de baboseiras que mais não têm do que clarificar a sua posição política e o seu projecto estratégico.
Diz que está “envolvido desde que me lembro de pensar e agir, sempre em organizações que fizeram por ter influência social e política”. Nenhuma dúvida sobre isso. Onde é que o facto de ter pertencido a organizações combativas faz de si um militante combativo? Se o quiser fazer terei todo o gosto em saber que movimentos dinamizou, que greves dirigiu, que teatros procurou salvar, contra que organizações mundiais marchou, e aí eu poderei aceitar que corre por fora e por dentro. Até que o faça continuo a achar que só quer e só sabe correr por dentro.
Diz que “mais vez li e ouvi o Renato a atacar os seus mais próximos do que aqueles que diz combater. Muito mais vezes, mesmo.” e eu digo-lhe que nunca o vi à porta do Parlamento a protestar contra o que quer que fosse, nunca o vi porta-voz de nenhuma reivindicação ou movimento. Em igual sentido só me lembro de si a defender a política palaciana das cúpulas do BE, a defender acerrimamente que os militantes do BE não pudessem usar da palavra para contestar o apoio ao Soares na segunda volta dumas presidenciais onde Alegre também concorreu. Foi no Porto, lembra-se? Se não recorda posso avivar-lhe a memória dos impropérios que recebi de si à saída da conferência. (desafio igualmente a que dê três exemplos do que fala. Quando é que me ouvir ou leu a combater o Ruptura-FER?)
Diz também que se entende com pessoas que vão do “Gil Garcia a Manuel Alegre, de sindicalistas do PCP a António Chora, de funcionário públicos e professores do PS a desempregados de direita”. E eu digo-lhe que não se pode amar a Deus e ao Diabo ao mesmo tempo. Na verdade você tem para com essas figuras um comportamento oportunista. Fala com os desempregados de direita para evidenciar a sua caridade, fala com o PS porque quer unidade com eles, fala com os funcionários públicos porque quer mostrar a sua distancia ante os defensores do desmantelamento do Estado, fala com o António Chora para lhe louvar a capacidade de ser mais patrão do que o patrão da Auto Europa, fala com os sindicalistas do PCP para que eles rompam com o partido e se juntem ao BE, fala com o Manuel Alegre para que ele seja a ponte, com pinta esquerdista, para chegar ao PS e fala com o Gil Garcia para que a FER continue a dar a aparência democrática que o BE já não tem.
Entre uma revolução sonhada e revolução nenhuma prefiro a sonhada. É que há sonhos que um dia acontecem mas as mentiras, como as reformas, têm sempre a perna curta. Entre a sonhada e aquelas que a história oferece, prefiro as segundas, e sabemos da falta de pureza delas todas.
PS: Sobre o Berlusconi andou desatento. Ainda acha que a grande maioria das pessoas de esquerda ficou triste com o duomo? É que a vida é mesmo fodida…”
Diz que está “envolvido desde que me lembro de pensar e agir, sempre em organizações que fizeram por ter influência social e política”. Nenhuma dúvida sobre isso. Onde é que o facto de ter pertencido a organizações combativas faz de si um militante combativo? Se o quiser fazer terei todo o gosto em saber que movimentos dinamizou, que greves dirigiu, que teatros procurou salvar, contra que organizações mundiais marchou, e aí eu poderei aceitar que corre por fora e por dentro. Até que o faça continuo a achar que só quer e só sabe correr por dentro.
Diz que “mais vez li e ouvi o Renato a atacar os seus mais próximos do que aqueles que diz combater. Muito mais vezes, mesmo.” e eu digo-lhe que nunca o vi à porta do Parlamento a protestar contra o que quer que fosse, nunca o vi porta-voz de nenhuma reivindicação ou movimento. Em igual sentido só me lembro de si a defender a política palaciana das cúpulas do BE, a defender acerrimamente que os militantes do BE não pudessem usar da palavra para contestar o apoio ao Soares na segunda volta dumas presidenciais onde Alegre também concorreu. Foi no Porto, lembra-se? Se não recorda posso avivar-lhe a memória dos impropérios que recebi de si à saída da conferência. (desafio igualmente a que dê três exemplos do que fala. Quando é que me ouvir ou leu a combater o Ruptura-FER?)
Diz também que se entende com pessoas que vão do “Gil Garcia a Manuel Alegre, de sindicalistas do PCP a António Chora, de funcionário públicos e professores do PS a desempregados de direita”. E eu digo-lhe que não se pode amar a Deus e ao Diabo ao mesmo tempo. Na verdade você tem para com essas figuras um comportamento oportunista. Fala com os desempregados de direita para evidenciar a sua caridade, fala com o PS porque quer unidade com eles, fala com os funcionários públicos porque quer mostrar a sua distancia ante os defensores do desmantelamento do Estado, fala com o António Chora para lhe louvar a capacidade de ser mais patrão do que o patrão da Auto Europa, fala com os sindicalistas do PCP para que eles rompam com o partido e se juntem ao BE, fala com o Manuel Alegre para que ele seja a ponte, com pinta esquerdista, para chegar ao PS e fala com o Gil Garcia para que a FER continue a dar a aparência democrática que o BE já não tem.
Entre uma revolução sonhada e revolução nenhuma prefiro a sonhada. É que há sonhos que um dia acontecem mas as mentiras, como as reformas, têm sempre a perna curta. Entre a sonhada e aquelas que a história oferece, prefiro as segundas, e sabemos da falta de pureza delas todas.
PS: Sobre o Berlusconi andou desatento. Ainda acha que a grande maioria das pessoas de esquerda ficou triste com o duomo? É que a vida é mesmo fodida…”
Renato Teixeira no 5 Dias.


3 comentários:
Só por curiosidade, porque eu desconheço o contexto: esta é uma daquelas situações em que "zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades"?, ou é algo totalmente diferente?
Obrigado desde já pelo esclarecimento.
Siga o link e tirará as suas conclusões.
Muito bom.
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