Domingo, 17 de Janeiro de 2010

A estratégia de Alegre

Manuel Alegre em 2006 liderou uma campanha insurgente contra o establishment partidário. Apesar de ter denotado falta de meios e de apoios, conseguiu ficar à frente do candidato oficial do Partido Socialista, e por pouco, não forçou Cavaco Silva a uma segunda volta. Foi talvez a campanha mais próxima que já tivemos daquilo a que os americanos chamam de “grassroots campaign”. Mas, e como já avisou sabiamente Medeiros Ferreira, Alegre’2010 não será uma repetição de 2006. Independentemente do que o PS possa fazer, Alegre será sempre o candidato de uma boa parte do partido, além de já ter o apoio entusiástico do Bloco de Esquerda. Desta vez terá uma máquina partidária no terreno, e dificilmente poderá ser considerada uma campanha rebelde. Com destacados dirigentes do partido do governo ao seu lado, haverá sempre a tentação de caracterizar a candidatura de Alegre como situacionista, algo que ele tentará afastar, até devido ao seu percurso de conflitualidade com José Sócrates. Mas, e em abono da verdade, como poderá ele reclamar-se contra o sistema, tendo ao seu lado os exímios representantes desse sistema?

Pelo que vamos percebendo do seu discurso, tentará basear a sua campanha no aceno ao papão do regresso da direita ao poder. Num contexto em que a direita estivesse no poder, Alegre teria mais hipóteses de sucesso, mas num momento em que é a esquerda que lidera o país, será uma tarefa extremamente complicada. Se a direcção da campanha for contra Cavaco Silva e o que ele representa, dificilmente poderá sair vencedor. Cavaco, apesar dos problemas que enfrentou no ano passado, voltou a ser um presidente popular, e ainda é considerado pela maioria da população o maior garante do regime. O politico mais popular do país. A direita, certamente irá apoiá-lo em peso, e o centro olhará sempre com desconfiança para um candidato que terá ao seu lado Francisco Louçã, que já se apressou a retirar dividendos. E os descontentes, que são muitos neste momento, terão a tendência de não aceitar uma candidatura forjada entre membros do partido do governo e da esquerda mais radical. Alegre terá sempre contradições a acompanhar a sua candidatura, pois num dia terá a seu lado Francisco Louçã a seu lado a “malhar” no governo, e no dia seguinte terá António Costa a defender o governo. Uma outra ameaça a Alegre, e que neste momento não se pode afastar, é o cenário de uma candidatura alternativa oriunda do Partido Socialista que não se revê nele. Mário Soares certamente andará a equacionar o assunto e vários dirigentes já mostraram o seu desconforto.

Será uma campanha interessante de analisar, e sabendo do tempo que Alegre teve para a preparar, estas dificuldades terão sido equacionadas e analisadas. Veremos como irá jogar no tabuleiro de xadrez que será esta campanha presidencial.

9 comentários:

carlos disse...

O candidato oficial vai ser o Sócrates: segredo de Polichinelo

Anónimo disse...

Eis o medo actual do PSD:


«17 Janeiro 2010 - 00h30

Impressão Digital

Passos Coelho

Neste jovem firme, livre, tolerante e afectuoso está a porta do futuro. Não só do PSD mas do país.


Quem segue com atenção a vida do PSD não deixa de questionar, com perplexidade, quais as razões que levam a que os núcleos mais desgastados, embora poderosos, semana após semana, num rodopio frenético, testem uma procissão de candidatos, mais ou menos forçados, sebastiânicos, alguns feitos de barro, outros produzidos em laboratório. Aquilo que mais surpreende e desgosta é vermos inimigos jurados de ontem, abraçados, aplaudindo-se com o entusiasmo de um amor novo. Nunca imaginei Menezes, que não pára de se queixar do mal que lhe fez o grupo de Aguiar Branco, o tal grupo que jurara tirá-lo da presidência à bomba, embevecido com líderes que o odiavam.

Que terá acontecido nos bastidores clandestinos é coisa que desconheço, mas o amor voltou. Lopes, que afrontou Manuela, aconchega-se nas palavras da senhora. Marcelo quer tudo. Sobretudo que ninguém esteja contra ele, embora se sinta no direito de estar contra todos. E Rangel saltita de ramo em ramo, dizendo que não, mas chilreando gorjeios de desejosa aspiração. Morais Sarmento, um dos sólidos fermentos deixados por Barroso, não quer saber. Balsemão, sóbrio, estadista, afasta-se. Quanto ao resto, agita-se febril à procura de uma poção mágica que salve o PSD. Dizem eles. Mas querem dizer, que os salve. Acompanho isto com estranheza e mágoa. Da mágoa dei conhecimento quando alertei para este caminho de desastre. Respondeu-me o insulto. Nunca senti tanto conforto por ser insultado. Sabia que tinha razão. A estranheza terminou ao ler o livro de Passos Coelho. Percebo que a agitação nas cloacas do poder social-democrata não é a favor de qualquer um.

É contra Passos Coelho. O livro diz tudo. É um homem bondoso. Coisa rara em política. É firme na defesa das suas ideias e tolerante. E sobretudo gosta dos outros e propõe programas pensados para o País. Não é um vampiro da política. Ainda por cima tem contra ele o facto de trabalhar a sério e de conhecer o sofrimento com que a vida fustiga quem tem de dar o litro todos os dias. É jovem e não tem preconceitos. Tem esperança e acredita no seu País. Tudo isto é bom demais para ser aceite no prostíbulo de tráfico de alianças e interesses que se aniquila, que se odeia e junta, à procura do D. Sebastião dos aflitos.

Não duvido de que o PSD silencioso, que adere por afeição e simpatia política à sua nobre memória, se reconhece nos projectos de Passos Coelho, embora muitos possam sentir-se desorientados com o folclore desnorteado dos barões e baronetes. Neste jovem firme, livre, tolerante e afectuoso está a porta do futuro. Não só do PSD mas do País.


Francisco Moita Flores, Professor Universitário»

Anónimo disse...

Alegre não passe de mais um "homem do regime", como quem diz: está lá desde o 25 de Abril e queixa-se da situação nacional? Ele contribuiu para tal nestas últimas décadas, bem sentadinho na AR e fala como se não tivesse nada a ver com o assunto! Que lata!

Ana Gabriel disse...

Nuno

Completamnte de acordo com a sua análise.

Agora, gostava de saber a razão desta antecipação da "campanha presidencial".
Nada disto me parece inocente mas programado: desviar, uma vez mais, a atenção do essencial para o país.

O actual Presidente terá em breve um desafio que não poderá evitar uma vez mais: o da viabilidade económica do país. Estamos a atingir esse ponto crítico.

Antecipar esta "campanha presidencial", com a instabilidade e insegurança em que se vive actualmente no país, sem uma perspectiva de futuro para tantos cidadãos, é uma irresponsabilidadé evidente.

De onde se conclui que não temos figuras com verdadeiro sentido de Estado e do lugar de responsabilidade que ocupam ou que desejam ocupar.
Ana

Nuno Gouveia disse...

Ana,
Parece-me que M. Alegre tenta condicionar o PS, ao avançar tão cedo. Isso porque é evidente que pretende o seu apoio para a campanha. Mas acho que terá sido extemporâneo. Além que, como diz, esta campanha presidencial surge antes do tempo... Haverá outros assuntos mais importantes para ocupar a agenda dos próximos meses.. Veremos como o PS irá reagir a esta campanha.

Maria João Marques disse...

`campanha insurgente'
Hmmm...protesto com veemência pelo uso desta qualificação....

Nuno Gouveia disse...

Maria João,

Não pretendia com isso ofender o blogue com o mesmo nome :)

Anónimo disse...

Comentário censurado pelo "democrata" Jorge Costa:


J.C. :

Você não é atacado por ser judeu (será mesmo ? judeu é denominação religiosa , não étnica) mas por apoiar os crimes sionistas.

O sionismo defendendo a limpeza étnica na Palestina dos crentes em religiões não judaicas é ipso facto um crime contra a humanidade)

Judeus antisionistas como Shlomo Sand, Frankenstein, Chomsky, Illan Pappe e milhares de outros nunca são incomodados, mas você aí para baixo assume-se como extremista neocon e ultra-sionista, defendendo o ataque unilateral ao Irão e o direito de o pretenso povo eleito limpar étnicamente toda a Palestina e aí instalar um regime apartheidesco.

Você age como um antisemita e nazi-sionista e espanta-se que seja tratado como tal ?

Para mais não debate e só censura. Você está a dar uma má imagem do blogue...

Almansor

Anónimo disse...

Pequena lição de História do Médio Oriente para ignorantes nazi-sionistas e neo-coneiros…

Os palestinianos são a população autóctone da Palestina, pelo menos há 4.000 anos. A sua religião maioritária até aos finais do séc. I foi o judaísmo, passando depois a ser o cristianismo (em todo o Médio Oriente e norte de Africa). Houve um fenómeno duplo de conversão religiosa (cristã) e de aculturação (helenística) que se repetiu seis séculos mais tarde, passando então a religião maioritária a ser o islão e a cultura a árabe. MAS O POVO É E FOI SEMPRE O MESMO. Só os ignorantes é que desconhecem o fenómeno da aculturação e imaginam que os “árabes” vieram todos de Meca !!! Meca era uma aldeia com umas centenas de beduínos… que não podiam povoar o vastíssimo império árabe do Indo aos Pirinéus. Os povos desses territórios não mudaram. Só que se converteram ao islão e assimilaram a cultura e lingua árabes. Também não foram os cidadãos de Roma que povoaram o também vastíssimo império Romano, mas os autóctones que se romanizaram a adoptaram o latim como lingua…Elementar…

Mas há mais… É que a maioria (90%) dos judeus de hoje, os askenazis nem sequer são semitas e oriundos, mesmo longinquamente da Palestina !!! Só a minoria sefardita pode invocar esse parentesco longinquo: são os descendentes dos poucos judeus do séc I que não se converteram ao cristianismo e foram expulsos por Tito no ano 70. Mas os palestinianos de hoje é que são os descendentes directos dos habitantes da Palestina do tempo de Cristo. O povo é ETNICAMENTE o mesmo. É semita. Só a religião dominante mudou duas vezes em 2.000 anos. E não perdem o parentesco de sangue pelo facto de os seus antepassados se terem convertido sucessivamente ao cristianismo e ao islão. Foram judeus (que é religião e não comunidade étnica) mas já não são. Mas continuam a ser semitas palestinianos. Sempre.

Os askenazins de pele e olhos claros são descendentes dos turcos khazares do antigo império Khazar, convertido ao judaísmo (séc VII-X) na região do Cáucaso, Ucrânia e Casaquistão (hoje), que foram depois empurrados pelos mongóis para a Polónia e Lituânia, berço dos askenazins medievais e dos quais descendem 90% dos judeus actuais e dos israelitas judeus. Não são semitas e NADA têm a ver com a Palestina. Também os filipinos são católicos e nem por isso têm a ver etnicamente com a terra de Jesus. Elementar…

Ver, v.g., a obra de Arthur Koestler, judeu askenazin, “a 13ª Tribo” onde tudo está explicado…