Sábado, 30 de Janeiro de 2010

Morte à banca internacional!


Gamei este gráfico no FT Com Alphaville. Os diabos que trabalham com mercados sabem o que é. O post que o acompanha leva por título Portugal na tempestade, e reza assim: «Será Portugal o próximo acrónimo porcino (riscado), o próximo dos países periféricos da zona euro a lançar tremores nos mercados?» (O governador do Banco de Portugal está a ajudar, cf. em baixo).

A pergunta é suscitada por este gráfico que acompanha um estudo do sector de Rendimento Fixo (Fixed Income) do Deutsche Bank. O que mostra? Mostra que Portugal não é o recordista europeu do endividamento público (medido em percentagem do Produto Interno Bruto). Tem (muito poucos) países à frente. Mas só é ultrapassado pela Grécia, quando se considera a natureza e o nível das carteiras em que se encontram os títulos - os bancos estrangeiros.

Se calhar, as vozes esganiçadas que se ouvem pela Pátria contra a «corja» das agências de rating deveriam atirar os uivos à banca internacional, aquela que verdadeiramente está a fazer baixar, através das suas compras e vendas de títulos, o valor das nossas OTs. É óbvio que a avaliação dos bancos não é imune à apreciação das agências de rating. É óbvio. Mas quem negoceia são, numa parte muito significativa, os bancos, e são as suas operações que estão a determinar o «spread» face às obrigações da dívida soberana mais segura. É óbvio: têm accionistas, estão cotados, têm contas a prestar e - horrível! -, por isso fazem contas e «benchmarcam-se».

6 comentários:

Anónimo disse...

Olhai para o socialismo e social-democracia nórdica em grande...

E que tal um gráfico com a posição dos EUA para desenganar tolos?!...

Anónimo disse...

Para se ver o que é a «especulação» em que se baseia esse gráfico, converta-se o dito para um outro que exiba os indicadores reais (% de dívida, déficite, etc) que subjazem à extrapolação «especulativa» traduzida pelo presente gráfico.

Anónimo disse...

O gráfico demonstra que a social-democracia nórdica (nada a ver com o nosso PSD e muito mais à esquerda que o PS) é o melhor caminho a seguir. Mas isso é heresia aqui...

Anónimo disse...

Vale a pena notar que a escala do eixo vertical do gráfico é muito diferente da do eixo horizontal. Explicitamente, avançar para a direita é muito pior do que avançar para cima. E portanto Portugal não está assim tão mal como a figura possa sugerir.

Luís Lavoura

Jorge Costa disse...

Esclarecendo Luís Lavoura. O que o gráfico quer mostrar é que o problema do risco imediato tem relação com um valor expresso por um indicador compósito (expresso por um par ordenado): nível de endividamento e exposição desse endividamento aos portfolios dos bancos. Portugal é dos mais endividados e o segundo mais exposto, depois da Grécia. O risco, segundo estes analistas, não cresce para a direita, cresce na diagonal: para a direita e para cima. É um bocadinho mais sofisticado do que diz o comentador acima, mas não é impossível de compreender.

Anónimo disse...

JC, esse gráfico enferma de um erro básico: o de não correlacionar as escalas dos parâmetros analisados.

A diagonal de leitura que refere não é uma diagonal de factor angular neutro.