Não sei se haverá réplicas metálicas da Torre de Belém. Manuseáveis. Se as houver, só espero que nenhum exaltado se lembre de aplicar uma no primeiro-ministro de Portugal (é assim que os reverentes gostam de se lhe referir). Se tal coisa funesta acontecer, lá teremos de aturar uma insuportável guinchadeira urbi et orbi que só aproveitará a quem nós sabemos. Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
Um voto para 2010
Não sei se haverá réplicas metálicas da Torre de Belém. Manuseáveis. Se as houver, só espero que nenhum exaltado se lembre de aplicar uma no primeiro-ministro de Portugal (é assim que os reverentes gostam de se lhe referir). Se tal coisa funesta acontecer, lá teremos de aturar uma insuportável guinchadeira urbi et orbi que só aproveitará a quem nós sabemos.
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Carlos Botelho
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Veritas adaequatio intellectus ad rem est. AD REM.
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Carlos Botelho
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Venha o diabo e escolha
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Alexandre Homem Cristo
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Bom ano
E eu com isso?
(...) Investidores como a Balestra Capital Ltd., Hayman Capital Partners LP, North Asset Management LLP e a Pivot Capital Management Ltd. [Hedge funds] têm estado a antecipar esse tipo de estoiros a um ano ou mais, apostando que alguns países vão emergir da crise financeira em bem pior estado do que outros.
So what?
(...) Os investidores estão concentrados nos países que consideram os membros fracos da zona euro: Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, um grupo a que deram o nome injurioso de «Piigs».
Que se lixe.
E eu com isso?
(...) Os refractários nas margens da União - Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha (os chamados Piigs) - vão ter de fazer duras escolhas para lidar com o que parecem ser economias estagnadas, elevado desemprego e fossos orçamentais.
Este ano não posto mais. Boa noite.
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Jorge Costa
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Viver nas Ruínas
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Miguel Morgado
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Gostava
Bom ano para todos.
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Jorge Costa
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Notáveis da Década
V. S. Naipaul
Os livros de Naipaul revelam histórias invisíveis, esquecidas, ocultadas pelos efeitos do curso da história.
Nobel da Paz -2002
Jimmy Carter
Nunca se reformou, sempre reconsiderou a sua posição face a novos condicionalismos históricos, sempre com o intuito de evitar conflitos internacionais e promover a democracia e direitos humanos.
Nobel da Literatura - 2003
Maxwell Coetzee
Céptico, escritor matemático, prosa sem artifícios, corajosa, que não evitou polémica ao revelar a violência pos-apartheid no livro «Desgraça».
Nobel da Paz - 2004
Wangari Maathai
Maathai nasceu no Quénia onde se notabilizou na defesa do ambiente com acções tão simples como plantar árvores. Professora universitária e defensora dos mais elementares direitos humanos esteve presa diversas vezes e planta árvores desde 1976.
Nobel da Paz - 2006
Muhammad Yunus
Provou que o acesso ao crédito pode transformar muitas vidas. Antes mesmo de avançar com programas de formação, transporte, registos, papéis, uma pequena quantia de dinheiro pode fazer a diferença. O micro-crédito permitiu a criação de pequenos de negócios em todo o mundo.
Nobel da Literatura - 2006
Orhan Pamuk
A busca da alma dos seus lugares conduziu ao encontro de novos símbolos, cruzamento de culturas e descrição dos contrastes entre Oriente e Ocidente.
Nobel da Economia – 2008
Paul Krugman
Quais os efeitos práticos da globalização e das economias de escala ? Krugman procurou uma resposta.
Nobel da Economia – 2009
Elinor Ostrom
Professora dedicada ao estudo da interacção entre pessoas e recursos naturais. Primeira mulher a receber o Prémio Nobel da Economia.
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Joana Alarcão
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O Longo Bocejo.
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Fernando Martins
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O homem da nossa década
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Jorge Costa
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Como será a próxima década?
Note-se: o que o gráfico nos diz é que em 2010 a China se torna na segunda maior economia do mundo.
Acrescento: não vale a pena estoirar os miolos com alarmes fáceis. Estava bem vivinho e atento quando o Japão, aquela queda a pique, estava do outro lado da montanha, em plena cavalgada. Não é nada certo, segundo o própio The Economist, onde surripiei este gráfico, que com uma economia fortemente viciada em investimento e exportações - vale a pena acrescenter: com uma moeda desvalorizada que cobre o défice de produtividade -, a China não estoire também. Convém, porém, não substimar o tigre. De papel é que não é.
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Jorge Costa
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Acuidade do ponto de vista esquerdo
Sublinhados meus:
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Carlos Botelho
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2010
(2:47)
- What is going to happen, Dave?
- Something wonderful.
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Miguel Morgado
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Orçamento: não há como dia atrás do outro, com uma noite pelo meio
«Sem surpresas e sem mensagem, o Presidente da República promulgou ontem a segunda alteração ao Orçamento de Estado para 2009, que prevê um aumento de quase cinco mil milhões de euros do limite de endividamento. A promulgação é vista com naturalidade pelos partidos da oposição.»E em quanto vai ficar o défice deste ano? Não se sabe. A quanto vai montar o stock de dívida? Não se sabe. «O máximo que se sabe é que, como disse o ministro Teixeira dos Santos, o défice público deverá ser superior a 8 por cento em 2009», relata no Público de hoje o melhor jornalista português da área da macroeconomia e finanças públicas, Sérgio Anibal. Quanto superior? Não se sabe.
A coisa parece abstrusa mas não é. Com o Orçamento rectificativo, o Governo obtém - é esse o seu fim - uma autorização para se endividar, este ano, até ao limite de 15.012 milhões de euros, ou seja, cerca de 9,2% do Produto Interno Bruto. Mais coisa menos coisa, os tais mais cinco mil milhões do que estava previsto.
Mas as correcções ao orçamento aprovadas dizem respeito a) apenas ao sub-sector Estado, nada se sabendo do que se passa nos restantes sub-sectores do Sector Público Administrativo (SPA), a saber, institutos públicos, segurança social e autarquias, e b) reflectem apenas meros movimentos de caixa, nada dizendo sobre a evolução da despesa efectiva ocorrida no período, correspondento esta aos compromissos de pagamento, cumpridos ou não.
Resultado: a opacidade é total. E os deputados consentem, e o Presidente também. Um cheque em branco ao Governo. Gastem, que depois logo se vê a quanto monta efectivamente o desastre. Esconde o Governo a sua gestão financeira calamitosa de quem? Das agências de rating? Dos investidores, que vão entrar com a massa para aparar a derrapagem do Governo? Ignora o Governo que, ao contrário dos deputados, os investidores preocupam-se e sabem fazer contas (nesta situação meramente hipotéticas), ou têm quem as faça por eles, mesmo que o Governo esteja apostado em dificultá-las ao máximo, ocultando informação?
Presumo que a resposta do Governo seria: não há como um dia atrás do outro, com uma noite pelo meio.
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Jorge Costa
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009
A década em fotografias, ainda
E pergunta o leitor, indignado: Mas este tipo não se lembra de nada feliz para recordar? Assim de repente, não.
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Jorge Costa
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Jogadores que nunca venceram o prémio FIFA (6)
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Miguel Morgado
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2009 lá fora
O acontecimento internacional do ano foi, na minha opinião, o recente referendo em que a Suíça proibiu, por uma expressiva maioria de 57% de votos, a construção de minaretes. O resultado é motivo de preocupação porque atenta contra um direito fundamental: a liberdade religiosa. Ainda para mais quando não se vê de que modo os minaretes põem em causa outros direitos fundamentais, em concretos os dos suíços não muçulmanos, única razão válida para proibir a sua construção. Que isto se passe em 2009 na Europa, e na democrática confederação helvética, tranquiliza ainda menos.
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Pedro Picoito
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Séries da década (6)
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Nuno Gouveia
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A manutenção dos tachos
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Maria João Marques
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Vem aí o fim do mundo
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Nuno Gouveia
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Sempre os mesmos (blague do século?)
- Iceberg. Um judeu. Como sempre.*
*Ahmadinejad sobre as manisfestações contra o regime: «É uma mascarada nauseabunda que os sionistas e os americanos organizaram, e para a qual compraram bilhete, ficando apenas como espectadores. A nação iraniana já viu muitas destas mascaradas.»
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Jorge Costa
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Como é que se diz "ständische Herrschaft"* em português?
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Miguel Morgado
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Ainda a década
Parece que o regime iraniano está em decadência. A contestação sobe de tom, radicaliza-se, como aconteceu neste último domingo sangrento (ler hoje a boa cobertura e análise no Público).
O Irão inaugurou, em 1979, a erupção da teocracia islâmica como atracção fatal. Foi saudada por gente - por vezes notável, pelo seu trabalho propriamente filosófico, como Michel Foucault (Cf. Miguel Morgado) - da esquerda, mais ou menos, quase sempre mais, radical. Não há dúvida que muitíssimos intelectuais tiveram ao longo de todo o século XX uma forte queda para o flirt com a abjecção mais sumária. Não há imbecilidade sartriana que as hostes «gauche» não aproveitem como ocasião. Chega Chavez? Viva Chavez!, e assim por diante (obviamente que, se possível, à direita as coisas foram ainda piores: tinham ideias interessantíssimas, dizia Hannah Arendt às gargalhadas). Gente acósmica, ou para utilizar um termo menos técnico, imunda, etimologias equivalentes (daí a nossa admiração por ela, Aron, ou Octavio Paz, que brilharam pela integridade moral, quaisquer que sejam os erros de avaliação política que possam ter cometido). Como será o seu luto pela morte do regime iraniano?
Esta fotografia é bela, e não faz mal que seja. O gesto da mulher também é.
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Jorge Costa
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
A década
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Jorge Costa
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Jogadores que nunca venceram o prémio FIFA (5)
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Miguel Morgado
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Videntes e economistas
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Jorge Costa
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Jogadores que nunca venceram o prémio FIFA (4)
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Miguel Morgado
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Gaza, um ano depois
Eram conhecidos os perigos da guerra que não podia mais ser adiada. O Hamas não se limita a atacar indiscriminadamente alvos civis do inimigo. Usa sistematicamente escudos civis para as suas operações, fazendo de mesquitas, escolas, hospitais, etc., as suas bases. Qualquer operação de destruição dessas bases envolveria forçosamente baixas civis, provavelmente em grande número, por muitos cuidados que se tivesse, como foi o caso, com um investimento maciço no aviso prévio às populações para abandonarem os alvos do ataque. O Hamas não se limitava a saber isso: a guerra foi provocada com o objectivo óbvio de expor Israel aos perigos referidos, deslocando depois o terreno de combate para a cena mediática, onde o contra-atacante se expunha à reprovação internacional. Mas o Estado israelita não podia deixar de fazer a guerra, sob pena de abdicar da sua primeira e mais elementar função: dar garantias de protecção às suas populações. Para chegar onde pretendia, o Hamas não recuou nos meios, e usou quanto pôde a sua população como carne para canhão numa guerra de propaganda. (Arrisco-me a especular que, para o momento escolhido para lançar a ofensiva, além do facto óbvio de estarem em intensificação os ataques do Hamas, contou a circunstância de estar no horizonte, para breve - 20 de Janeiro -, a tomada de posse de Obama, um homem de quem era legítimo desconfiar, mesmo depois das efusivas declarações, em campanha, sobre a indivisibilidade de Jerusalém).
Menos de um mês depois, a 21 de Janeiro, Israel retirou, sem que se percebesse muito bem o balanço. De facto, os objectivos da ofensiva militar nunca foram claramente explicitados pelo Governo israelita, de modo que se tornava difícil avaliar o seu cumprimento, sobretudo porque, se os bombardeamentos do Hamas diminuíram, não cessaram por completo.
Além disso, estava definitivamente lançada a controvérsia mundial, com a condenação de Israel a fazer ouvir-se nos mais diversos quadrantes. 1400 mortos palestinianos depois, o Hamas parecia ter atingido os seus objectivos, e era incerto - até por falta de definição - o cumprimento dos objectivos por parte do contra-atacante.
Onde a condenação de Israel não obedecia ao padrão ideológico forte do islamismo político, a palavra-chave era: reacção desproporcionada. Portugal e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros usaram a expressão até à náusea. Que me lembre, nunca lembrou a nenhum jornalista que ouvia a expressão condenatória perguntar a luminárias como Luís Amado o que poderia ser uma reacção proporcionada a um inimigo que ataca alvos civis por sistema e usa escudos civis por sistema. Um massacre generalizado, ao modo do Hamas?
Um ano depois, o balanço já não é tão incerto: dos 2500 bombardeamentos do pico de 2008, 2009 ficou com um registo de menos de 250. Em Israel, respira-se um ambiente de calma tensa. Sabe-se que a qualquer momento os ataques terroristas podem voltar em força. Mas a calma tensa é a normalidade do país, quando não está em guerra aberta.
À redução dramática da intensidade do bombardeamento, não é alheia a destruição dos meios para o fazer, por parte das Forças de Defesa de Israel, durante a ofensiva no ano passado e, assim, é mais fácil agora ver objectivos razoáveis cumpridos. Em particular, foram seriamente afectados quilómetros de túneis que, pela zona fronteiriça de Rafah, serviam de rota de trânsito para o armamento do Hamas.
Acresce que o Egipto reforçou as medidas de controle da fronteira, sendo a principal preocupação dos terroristas palestinianos, neste momento, as obras da uma barreira metálica subterrânea - isso mesmo -, que o governo de Hosni Mubarak está a construir, para impedir a reabertura dos túneis e das ligações.
O cerco ao Hamas aperta-se. O que não impediu que ontem 3000 activistas do movimento saíssem à rua, gritando: «Fomos nós que ganhámos, somos nós os vencedores!». Loucura? Ou a referência é ao relatório Goldestone e suas sequelas, inquestionável vitória do Hamas, como os líderes do movimento proclamam eufóricos?
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Jorge Costa
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Domingo, 27 de Dezembro de 2009
Hattie McDaniel - Gone With the Wind
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Fernando Martins
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Bombas, vida, liberdade, etc.
Por muito estranho que possa parecer, mas se virem bem não há nada de estranho nisso, nunca me sinto tão seguro, quando viajo de avião, como quando viajo para Israel na El Al. Porque será que o país e, presumo, a companhia aérea mais apetecida pelo terrorismo mundial é calmamente reconhecida como a mais imune a atentados, como o prova o seu histórico (sim, claro, também os houve, mas parece que se levou a sério a adopção de medidas que impedissem a sua repetição)?
Chega-se a Madrid, e depois de uma longa viagem até ao ponto extremo onde está a manga do avião da El Al, apresentamo-nos ao guiché de embarque. Vem uma entrevista muito sui generis. O que vai lá fazer, se já lá foi, quanto tempo vai lá estar, se tem lá amigos, onde vai ficar, etc., etc.
A impressão imediata, desde a primeira vez que passei pelo interrogatório, é a de que quem me está a interrogar se está literalmente a marimbar para o que eu digo. E porque carga de água é que a substância das minhas respostas podia ter qualquer interesse em termos de segurança?
Em contrapartida, tem-se a impressão de que se está a ser observado até ao mais ínfimo detalhe. O melhor é deixarmo-nos ir na onda. Não temo nada, e tenho a vaga sensação de que a verdadeira fronteira, entre a segurança e a insegurança, se está a passar naquele momento. Agradeço. Depois, é o reconhecimento pessoal da bagagem de porão (aconselho, pois, os possíveis viajantes para Israel a nunca aceitarem voos com 1h30 de intervalo em Madrid, ou por onde forem, porque se arriscam a ficar em terra, tal a necessária morosidade dos procedimentos).
Em mais nenhuma companhia, das que voam para Tel Aviv, as coisas se passam assim. Os seus procedimentos de segurança têm sido criticados com os mais diversos argumentos.
Sugere-me um amigo que reputo saber destas coisas, que está a ficar claro que as normas de segurança vigentes estão a começar a falhar. Diz ele que temos estado concentrados nos meios usados pelos terroristas, em vez de nos concentrarmos nos executores dos atentados. Presumo que seja essa a filosofia da companhia mais segura do mundo, embora disso nada saiba, excepto o que relatei em cima.
Fiquei a pensar no assunto, e ficaram aqui lavradas as minhas ruminações de leigo. Costumo dormir descansado, nas cinco horas que em Madrid me separam de Tel Aviv. Ignoro até que ponto a experiência e os métodos da El Al são generalizadamente aplicáveis. De uma coisa estou certo: se fôssemos por aí, teríamos os estrepitosos gritadores do costume indignadíssimos com mais um atentado às liberdades, à democracia, etc. Com a paranóia securitária, como diz aquela gente.
O pequeno detalhe de a mais elementar das nossas liberdades, a de podermos deslocar-nos sem pôr em risco a vida, estar sob ameaça não os comoverá. Mas isso já nós sabemos.
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Jorge Costa
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Uma visão simplista
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Alexandre Homem Cristo
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13:31
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Serão OVNIs?
Quanto a gente séria e coisas sérias, com referência à bela entrevista a Tolentino Mendonça que o Paulo Marcelo aqui linkou em baixo, destaco, e o critério é apenas porque vem a propósito, sendo a entrevista toda ela de leitura recomendada, a última pergunta e resposta:
O país também vive dias assim, de "hesitação e descrédito". Portugal aflige-o?
Olho-o com esperança e procuro contagiar outros. Temos de perder o medo.
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Jorge Costa
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12:10
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Tolentino Mendonça
Não deixem de ler a entrevista de Tolentino Mendonça, publicada ontem no jornal i. Para além da erudição que se percebe nas suas respostas a Maria João Avillez - mesmo as citações são oportunas e naturais -, o que mais me impressiona é a simplicidade com que fala do seu caminho em busca de Deus. Sem cair em beatices ou pieguices deslocadas, o padre e poeta Tolentino Mendonça consegue trazer o fenómeno religioso com naturalidade para o espaço público e para o mundo da cultura, de onde tem andado estranhamente afastado.
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Paulo Marcelo
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Loucas Coincidências
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Fernando Martins
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Sábado, 26 de Dezembro de 2009
Iluminismo iemenita
Certo? Aprendam. E peço aos meus amigos defensores entusiastas do diálogo de civilizações, como verdadeira resposta a todos os problemas do mundo, o favorzinho, se não for pedir muito, de serem realmente pluralistas e não ventríloquos, de dialogarem com todos, sobretudo com o mainstream, e não apenas com os «nossos». Ok? Vá, façam um esforçozinho e saiam por um dia da nossa paróquia. Mexam-se cosmopolitas!
* Sura 5:60 e 7:166 - Corão (Nota minha).
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Jorge Costa
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Quais sinais de recuperação?
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Paulo Marcelo
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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009
Séries da década (5)
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Nuno Gouveia
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Nunca, nunca, nunca cedam!
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Jorge Costa
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É Natal, é Natal, etc. e tal
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Pedro Picoito
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009
Jogadores que nunca venceram o prémio FIFA (3)
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Miguel Morgado
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Mitsuko Uchida
Sem comentários. Be happy.
P.S.: O corte no fim merecia cadeia, mas, mesmo assim, vejam e ouçam.
E, agora, até ao fim, mas mesmo assim sem todas as palmas.
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Jorge Costa
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Alemanha: o peso da história
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Pedro Picoito
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História de Portugal
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Jorge Costa
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A máfia da blogosfera
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Miguel Morgado
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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Pensem nisto
Dos últimos quinze anos na rota para o zero de crescimento (verdade que a coisa vinha de trás, o problema é que não se atalhou), só dois, vá lá, 2,5, não foram anos socialistas. Foram os anos do primeiro emigrante da nova era, Durão, Barroso como quis que passassem a chamar-lhe lá fora, logo que aterrou em Bruxelas. Foram anos em que Durão se limitou a preparar o salto, que acabou por dar, entregando o Governo ao perturbado Santana Lopes, que transformou durante seis meses o país num circo (a experiência não terá sido alheia à desconfiança com que o eleitorado passou a olhar para o PSD, e quem sou eu, militante, malgré tout, para lhe retirar razão, sobretudo quando o partido, como vai sendo costume, optou por tentar «federar» facções, sem sombra de êxito, diga-se, como quer agora de novo Marcelo, passando uma esponja no sucedido, e fazer de conta que se estava de volta, a seguir às eleições em que Santana foi varrido, aos dias do business as usual).
Como vai ser a nova década? Abaixo de zero? O Estado que temos não aguenta, precisa de tributar rendimentos que não serão gerados por esta economia, para se manter, e as reformas na segurança social, de Sócrates, mesmo que louváveis, são meramente paliativas, face à dimensão do problema do financiamento público, que é, entenda-se isto de uma vez por todas, o problema do modo como temos as nossas vidas organizadas. Vai continuar a endividar-se? Não vai, porque não vai poder. Vai, pois, ser como, a nova década?
O país vai ter de mudar de vida. À força? Obviamente, pela força das coisas. Mas como? Com quem à frente? O PSD está à altura das responsabilidades? Ou vai continuar a «federar» facções?
Boas festas, e pensem nisto.
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Jorge Costa
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Jogadores que nunca venceram o prémio FIFA (2)
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Miguel Morgado
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O eterno Badiou
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Miguel Morgado
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Da série "vale a pena ler"
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Paulo Marcelo
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À venda
Além disso, a atrofia do crescimento leva a que as nossas empresas, em geral sobreendividadas, como o Estado e as famílias, em grande parte em consequência das desastrosas políticas fiscais expansionistas dos socialistas, quando as taxas de juro caíram a pique à aproximação do euro, precisem, para sobreviver, de se capitalizar.
O dinheiro angolano aí está, para tomar conta dos activos das empresas incapazes de gerar rendimentos que as sustentem. Assim como assim, se o destino de Portugal é vender-se, que o dinheiro que o compra seja angolano, nada a obstar, não fora o facto de Angola pertencer à nata da máfia corrupta do planeta. Parece que só Alexanre Soares dos Santos acha o detalhe relevante.

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Jorge Costa
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Estupidez obstinada
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Jorge Costa
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Como se diz "cobrador do fraque" em inglês?
A bancarrota na Grécia e em Portugal, por Ricardo Reis, no jornal i.
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Paulo Marcelo
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O nosso "natal"...
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Carlos Botelho
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Da incivilidade pueril II
Inevitavelmente, a arrogância malcriada do homem alastra pelo ambiente político e impregna-o. Por agora, ainda é difícil avaliar os estragos na linguagem política que a personagem vai deixar atrás de si. Demorará o seu tempo repará-los. Aos que acham não haver nada de grave nisto, conviria lembrarem-se que, na política, a linguagem não é um mero adereço ou adorno. Nem sequer é apenas um meio. É na linguagem e pela linguagem que se vão estabelecendo relações de força, de poder, crenças, expectativas, operações na própria “realidade”, etc. Pense-se, por exemplo, no efeito corrosivo que tem o uso repetido da mentira ou da dissimulação. A linguagem política nunca é só linguagem.
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Carlos Botelho
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Séries da década (4)
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Nuno Gouveia
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Jogadores que nunca venceram o prémio FIFA (1)
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Miguel Morgado
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Chet Baker, aos 80
Ok. Mais uma. Tenderly.
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Jorge Costa
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Duplicidade de Critérios
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Fernando Martins
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Patriarca de Lisboa nega pacto com Sócrates
Mais pormenores aqui.
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Paulo Marcelo
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Da incivilidade pueril
Publicada por
Carlos Botelho
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15:48
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Quem é quem
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Carlos Botelho
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Achtung!
Espera-se o pior.
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Carlos Botelho
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15:28
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A verdade sai, muitas vezes, da boca dos néscios e das crianças
Sim, ele disse 'vão de encontro'.
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Carlos Botelho
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Foto do ano, a mulher do ano, o esbirro do ano, o problema do ano, o gesto corajoso do ano (correcção)
Infelizmente, é photoshop, como alerta um comentador aqui na caixa dos comentários. E eu que gostava tanto do gesto...
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Jorge Costa
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14:34
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Escola de Salamanca

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Miguel Morgado
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O Prémio


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Miguel Morgado
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Carter pede perdão por ter «estigmatizado» Israel
«Como já o fiz em Rosh Hashana [começo do Ano Novo Judaico e começo dos dez dias que levam a Yom Kippur, dias de reflexão sobre os pecados cometidos e de pedido de perdão aos ofendidos] e em Yom Kippur, mas que é apropriado fazer em qualquer altura do ano, ofereço um Al Het [pedido de perdão] por quaisquer palavras ou actos meus que possam... ter contribuído para estigmatizar Israel.»
«Temos de reconhecer as realizações de Israel em circunstâncias difíceis, mesmo quando nos esforçamos de um modo positivo por ajudar Israel a continuar a melhorar as suas relações com as populações árabes, mas não podemos permitir que as críticas para a melhoria estigmatizem o país», disse. Bem.
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Jorge Costa
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11:21
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Areia para os olhos
Confesso-me pasmado com esta prioridade do primeiro-ministro.
Mas nada disso é agora importante. Para Sócrates urgente mesmo é regionalizar o país. Por coincidência ou não, nesse mesmo dia de manhã, o Conselho de Ministros aprovava o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Tal como não entendo a pressa em aprovar o casamento homossexual (a primeira proposta de Lei desta legislatura, juntamente com o orçamento rectificativo). Como lembrou o Presidente da República, Portugal tem uma das mais baixas taxas de natalidade da Europa. Mas em vez de apostar em políticas de apoio à família (para facilitar, por exemplo, a compatibilização trabalho-família nos casais jovens), o PS quer alterar profundamente a noção de casamento, depois de no ano passado ter aprovado uma lei do divórcio que torna mais simples acabar um casamento do que um arrendamento ou um contrato de trabalho.
Mas há uma explicação para esta agenda fracturante: uma estratégia deliberada para desviar as atenções. Enquanto se discutem estes temas ‘sexy' não se fala de temas bem mais aborrecidos como o défice, a dívida pública, ou o "bota-baixismo" do desemprego.
A (quase) bancarrota da Grécia devia fazer-nos reagir. Mas até agora não temos qualquer estratégia ou plano. Pelo contrário, o Governo adiou a discussão do novo orçamento para 2010. Continuamos sem saber como vamos reduzir o défice (8,5%), já em 2010, como recomendou a Comissão Europeia. Reduzimos os salários como fez a Irlanda? Adiamos os investimentos públicos não produtivos (TGV, auto-estradas) como defende o PSD? Ou aumentamos uma vez mais os impostos?
Em vez de enfrentar a realidade, o Governo está mais preocupado em lançar areia para os nossos olhos. E pelos vistos, em atacar o Presidente da República, como se viu este fim-de-semana. O último que feche a porta.
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Paulo Marcelo
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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
Prémio Pessoa 2009
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A semanada
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Pedro Picoito
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Leitura recomendada
E é assim, levianamente, ou sabe-se lá com que envergonhados impulsos, que, na esmagadora maioria dos casos, é abordado o conflito que opõe Israel aos seus inimigos. A verdade é desgraçadamente mais espinhosa. No território de Israel, queiram ou não os seus milhões de juízes, muitos mais do que os indivíduos que compõem as nações em conflito, estão em jogo dois direitos, duas razões - e uma única verdade, que, ou considera ambas, ou é simplesmente uma retinta mentira. Há dilemas, e o caso de Israel é apenas a sua mais eloquente ilustração nos nossos dias.
Como se constituiu e como evoluiu historicamente o combate político que resulta do dilema que opõe Israel aos árabes da Palestina? De outra forma: como se foi constituindo e evoluindo, de um lado e do outro do conflito, o discurso, o projecto para dar forma política à Palestina pós-mandatária?
É esse o tema do mais recente livro do mais conhecido dos historiadores israelitas contemporâneos, Benny Morris, durante muitos anos identificado com a nova geração de historiadores do país, que pôs em causa, designadamente através dos seus estudos sobre a formação do problema dos refugiados, a narrativa até então prevalecente no campo sionista.
O livro - One State, Two States - Resolving the Israel/Palestine Conflict - compõe-se de duas partes de valor muito desigual.
A primeira é obra, do mais elevado nível, de um grande historiador. O seu núcleo é o detalhado capítulo sobre a História das Soluções Um Estado e Dois Estados, versando sobre como da defesa de uma delas se passou à defesa da outra, no campo sionista, tendo essa passagem por data-charneira o momento em que David ben-Gurion aceitou o mapa da Comissão Peel, em 1937, propondo a primeira partição do território; e de como, no campo palestiniano, jamais se evoluiu da posição primeira, a que advoga, desde os anos 20, um único Estado, mesmo quando, por razões de aceitabilidade internacional, se quer fazer querer que se enveredou pela aceitação de Dois Estados como solução para o conflito, como foi o caso nos Acordos de Oslo (1993).
Em particular, a descrição das negociações de Camp David, em 2000 (terminadas em 2001, com um rotundo segundo «não» de Arafat, em Janeiro, já a segunda intifada alastrava), sob os auspícios de Bill Clinton, quando Ehud Barak, então primeiro-ministro de Israel, fez (ou aceitou, quando Clinton ensaiou uma tentativa extrema de salvar as negociações, alargando o âmbito das concessões aos palestinianos) as propostas mais generosas da história das sucessivas, e sempre falhadas, tentativas de solução para o conflito nos termos do modelo de Dois Estados, em particular, dizia, esta é, que seja do meu conhecimento, a narrativa mais minuciosa sobre o assunto, até ao momento.
E, na óptica de Benny Morris, a ilustração suprema da duplicidade que tem sido a marca de água de toda a história da visão palestiniana, revelador por excelência de quão radicalmente entranhada está - «nas fibras mais profundas do seu ser» - a recusa da ideia de Dois Estados. «Atrevo-me a dizer que, na hipótese altamente improvável de que Israel e a Autoridade Palestiniana cheguem, nos próximos anos, a assinar um acordo moldado sobre o esquema de Dois Estados, tal acordo será rapidamente desfeito», conclui, em nota sombria, o historiador.
Perspectiva que, por muito desesperada que pareça, não deixa de ser reforçada por declarações recentes de altos líderes palestinianos, para consumo interno, como esta de Muhammad Dahlan, ex-chefe de uma das forças policiais secretas sob o domínio da Fatah, em Março deste ano - que Benny Morris não chega a citar: «Pela milésima vez, quero reafirmar que não pedimos ao Hamas que reconheça o direito à existência de Israel. Pelo contrário, pedimos-lhe que não o faça, pois a Fatah nunca reconheceu o direito de Israel a existir.»
A segunda – e curta - parte do livro é obra do cidadão Benny Morris. À pergunta: Where to?, uma vez que a perspectiva de solução para o conflito num Estado é inviável – «ajudem-nos a divorciar!», pedem até as vozes mais liberais, como a de Amos Oz, em Israel – e a perspectiva de Dois Estados é irrecebíbel pela parte palestiniana – Benny Morris não se limita a demonstrar que assim tem sido, mas aventura também explicações para o porquê de assim ter de ser -, responde o cidadão com a ideia de que a solução passa por devolver os territórios da margem ocidental e de Gaza à Jordânia, que se reformaria numa muito pouco explicada confederação ou federação Jordano-Palestiniana, capaz, designadamente, de absorver os refugiados que os campos da Síria, do Líbano e da própria Jordânia têm reproduzido ao longo de décadas (há o pequeno e incómodo detalhe, não elaborado, de a Jordânia hashemita achar que, palestinianos, já tem que chegue e sobre).
Como já sugeri, a segunda parte é incomparavelmente de menor valia, num livro, que, em tudo o mais, se recomenda vivamente a quem se interessa pelo assunto, para efeitos mais interessantes do que acusar... a sua imensa ignorância e falta de responsabilidade no uso da faculdade de julgar.
P.S.: O livro deveria ser de leitura obrigatória para quem tem responsabilidades internacionais, e Obama e os seus assessores talvez se arriscassem a fazer e a dizer menos asneiras se o lessem. Não peço ao senhor ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, que o leia, porque ele não tem responsabilidades, embora não perca uma oportunidade, sempre que ela aparece, de nos envergonhar.
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Jorge Costa
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