Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

O eterno Badiou

O inefável filósofo Alain Badiou e o seu pensamento de extrema-esquerda está reduzido à reductio ad Hitlerum. Nada mais. "Fascismo nunca mais" é todo um programa, não é assim? E já agora: "contra a realidade, marchar, marchar".
Sarkozy é Pétain. De Gaulle é Hitler (ou vice-versa, pouco importa). A que acresce a inevitável desqualificação moral do adversário (Badiou teve uma boa escola); o apelo à destruição cega da "ordem vigente"; a assumpção do papel de porta-voz dos desfavorecidos que ele conhece melhor do que ninguém, incluindo eles próprios; a mesma cegueira política de sempre; a mesma soberba moral de sempre; o mesmo ódio de sempre; o mesmo ressentimento de sempre.
É ver aqui, neste debate com Alain Finkielkraut.

2 comentários:

Anónimo disse...

Zizek, meu caro, se quer intruir-se sobre o ultra-modernismo marxista leia Zizek.

E que soberbras lições nos dá Zizek sobre o liberalismo em part-time, essa bandeira hasteada no que toca ao instrumental e recolhida no que toca à ideias, aos costumes, à mudança social, etc, etc.

Liberais de fachada que não sabem verdadeiramente que o liberalismo é filosófico e vai muito para lá do horizonte económico.

Jorge Costa disse...

Miguel: óptima recolha de um debate ilustrador do que há para aí de mais intratável, mais inquietante - a alucinação. Já falei disso aqui, a propósito do anti-semitismo, exemplificando com o caso de Marx. Noto o desalento de Finkelkraut quando ele desabafa no mesmo sentido: eu e Badiou não temos a mesma noção de realidade. E de facto, para Badiou há um axioma: a identidade é fascista. Tudo o resto é consequência disso. Que as hordas dos banlieues parisienses sejam as portadoras da destruição da ordem existente em nome de uma construção política cosmopolita (by the way: não deveríamos tentar descontruir, commme on dit, a própria noção de "comsmopolita" a partir da etimologia, mostrando que um politês do cosmos é uma contradição nos termos? Sim, certo, isso leva-nos à questão socrática...) - o que resume a visão de Badiou sobre a coisa - releva de uma perturbação cognitiva qualquer, de um corte com o mais elementar bom senso, de uma patologia que só talvez os psiquiatras possam ajudar explicar. Talvez devêssemos voltar a meditar sobre o que Hannah Arendt quer dizer com a ruína do sensu communis e com o advento e triunfo da ideologia, como écrã, ocultação sistemática da realidade. Obrigado por teres trazido este diálogo inquietante aqui.