Coisas pouco familiares.
Ou, como diria o outro, 'conservadores sim, mas devagar...'
Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
A família e tal
Publicada por
Carlos Botelho
à(s)
02:39
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Coisas pouco familiares.
Ou, como diria o outro, 'conservadores sim, mas devagar...'
Publicada por
Carlos Botelho
à(s)
02:39
2 comentários:
Ficções, portanto.
Ficções!?
Referir-se-á o anónimo ao Pessoa? À poesia? Ficções!? Quer dizer o quê? Que não interessa muito, que não vale o tempo gasto, que é coisa menor, desprezível?
Sim, estamos a braços com uma crise, com desemprego galopante. Merece que nos preocupemos, que tentemos resolver estes problemas. É preciso dizer adeus à crise, dizer adeus ao desemprego. Sem dúvida.
Mas e depois do adeus :-)) É só isto, não há mais nada. Não nos vai interessar que, mesmo com 100 por cento de emprego se calhar 2 terços ou 3 quartos das pessoas vão sem gosto para o trabalho, andam lá contrariadas, forçadas pelo aguilhão da sobrevivência, da comida no prato e da roupa no corpo.
É isto a única realidade que devemos almejar, é isto que realiza a nossa humanidade mais profunda? Trabalhar, reproduzir-se, comer e beber. Para quê, para que a próxima geração, os filhos, possam eles também trabalhar, reproduzir-se, comer e beber, enquanto os que passam se tornam, por sua vez, trabalho, reprodução, comida e bebida para os vermes da terra?
E seguir assim a roda.
Não desprezemos a importância do trabalho, a necessidade de encontrar os meios de sustento físico da vida. É aqui, de certa forma, que a vida começa, mas será que é aqui que elas acaba? É isto o seu fim, o seu "telos"? Esta roda da necessidade.
Experimentemos sentarmo-nos defronte a uma folha em branco, e digamos a nós mesmos: - vou escrever alguma coisa que vai ser lida por gerações após gerações!
Que gigantesca tarefa, não é? Caímos na real. Que a criatividade é um bem raro, precioso, que merece bem a nossa atenção, até porque fala de uma outra humanidade, que vive para além da pura roda da necessidade. Os poetas, os artistas, enfim, são sinal de que há vida para além da roda da necessidade. São sinal de que o eterno penetra no tempo, comunica-se em sua linguagem cifrada, simbólica, misteriosa.
Abdicar da poesia, da vida poética, da perquirição das entrelinhas da vida, despedindo-a com desdem, é escolher o absurdo. Porque se nenhum horizonte mais houver para a vida do que trabalho, reprodução, comida e bebida, se nada o ser humano acrescenta à natureza se não pó e mais pó dos ossos que se consomem, então tudo isto é absurdo.
João.
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