Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

É falso e não há notícia - o Público anda a brincar

Que o jornal Público ameaçou, desde a primeira hora da sua actual direcção, tornar-se num órgão de propaganda ideológica de esquerda, sabíamos pelo editorial de estreia.

Que a coisa caísse neste nível da indigência, é que não estávamos à espera. É olhar para a manchete de hoje e tentar acreditar: «Salário mínimo de 2010 está longe do poder de compra do de 1974». Vai-se à procura do trabalho que a sustenta e não há uma notícia. Uma declaração de alguém relevante, um documento produzido por uma instituição com qualquer representatividade ou responsabilidade social. Nada. Nem mesmo um desabafo de um simples sindicalista. Nada vezes nada. Um jornalista resolveu pegar na máquina de calcular e fazer contas. E já está.

É claro que as contas não têm qualquer siginificado. Resultam da construção de uma série para o salário mínimo nacional actualizado à taxa de inflação (não sabemos com que deflator), contrapondo depois essa série virtual à série real dos salários mínimos. Os comentários incidem sobra os valores obtidos para o momento actual.

Que em 1974/75 o país estivesse sob o domínio do Partido Comunista e, em consequência disso, a participação dos rendimentos do trabalho em geral na distribuição do rendimento nacional tivesse, momentaneamente, conhecido um surto não replicável, que essa distribuição tivesse sido posteriormente corrigida, e se mantenha, desde o ajustamento, extremamente estável, não há nada, mesmo nada de especial no assunto. Salvo o estado de alma do jornalista e, claro, a causa.

De resto, quanto ao salário mínimo nacional em si mesmo, um olhar de esguelha ao gráfico mostra que, desde meados da década de 90 para cá, as curvas do salário real e do salário virtual do jornalista se mantêm com diferenciais quase constantes e, se algo há a assinalar, é a diminuição recente desse diferencial.

«Crises, a repercussão indirecta nas contas do Estado e um pensamento económico liberal explicam a queda do seu [salário mínimo] valor real desde há 35 anos». É falso. E, claro, não é notícia.

3 comentários:

Anónimo disse...

Os neoliberais ainda se recusam a encarar a realidade?!

Então continuam a fingir que não sabem que os preços médios seguiram tendências especulativas e de sobrevalorização acima do incremento salarial médio durante as últimas décadss?

Continuam a querer brincar ao esconde-esconde, e agora já não infantilmente?!

Zé Luís disse...

Quiçá foi a antecipar, sabiamente, a relutância do patronato em aumentar 25 euros em 2010. Querem dar só 10. Afinal, pode ter sido bem sacado, estrategicamente.

Luís Bonifácio disse...

Caro Jorge

O que o Público publica é como o "Aquecimento Global" é uma meia-verdade.
Não sei onde o Público foi buscar o deflector para a actualização ao ano de 2009 dos salário mínimo nacional em 1974.

Não usou o deflector legal, publicado todos os anos e que em 2009 se encontra plasmado na Portaria 772/2009 de 21 de Julho.
Caso o tivesse usada a perda de poder de compra do salário mínimo Nacioal seria de 78 € e não 87 como o Público noticia.