Detesto juntar-me a um coro de rezingões, mas como por razões de decoro optei pelo silêncio na ressaca das eleições legislativas, agora vou afinar pelo protesto. Foi confrangedora a pobreza tristemente exibida por alguns jornais, rádios e televisões com obrigações evidentes - e que me coíbo de nomear - no comentário às eleições autárquicas. Como disse, o mesmo já se tinha passado aquando das eleições legislativas. É por estas e por outras que a bloga, apesar dos seus muitos defeitos, vai crescendo. Em certos assuntos cruciais - repito, cruciais -, os jornais e as televisões por alguma razão entregaram o terreno à discussão informal que a bloga alimenta. Nos canais "oficiais" o discurso de comentário é impreparado, cinzento e inócuo; tornou-se até possível adivinhar o que os comentadores vão dizer, tantos são os lugares-comuns, tão pesadas são as intuições deixadas pelo espírito do tempo. Um pouco à imagem de um fiozinho de água a percorrer com dificuldade o leito gigantesco que recorda o caudal abundante do passado, e que o tempo foi secando.
Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
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7 comentários:
Inteiramente de acordo.
Pedro Correia
Até aquele do futebol, que aparece nos anúncios a dizer "Os presidente dos clubes são que mais tempo de antena têm blábláblá aiaiai que não se pode dizer nada, mas que raio de democracia é esta?" (LOL) até esse já comenta política.... Até o Sousa Tavares comenta futebol a seguir à política!
Os media andam poupadinhos! em tudo, não é só no dinheiro.
E quando vejo canais ingleses, sinto que o nosso povo é constantemente insultado como burro pela comunicação social portuguesa! Qualquer inglês está MUITO mais informado sobre o que se passa no mundo e sobre as diferentes perspectivas de analise dos fenómenos.
Os nossos telejornais são cada vez mais o rodapé do ecran: apresentam o título, recortam umas linhas do jornal que saiu de madrugada e vão lê-las em frente à câmara, e já está. Se for preciso passam metade do telejornal a falar de futebol, da gripe A ou do caso da Felisberta que tem um pé torcido! Política, Economia, estado da nação...? NADA!
Assistir aos comentários na televisão é deprimente. Os artigos de opinião nos jornais de referência não têm conteúdo. Assim vai mal Portugal!
TRS
Quando as televisões aceitam ter como comentadores gente do calibre de um Bettencourt Resendes, um Luís Delgado, um Carlos Abreu Amorim ou um Emídio Rangel, está tudo dito: batemos no fundo.
Ah, esquecia-me de referir uma luminária de nome Pedro Marques Lopes. É o fundo do fundo.
Há jornais de economia/negócios que são um antro de publicidade e não de análise!
Portugal é um lugar-comum, meu caro, terrivel e palpavelmente comum...
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