Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

O caso é pior

O José Gomes André corrige vários pontos deste texto do Eduardo Pitta, mas a crítica é curta:

1. O Eduardo diz que Portas tem todas as condições para liderar a direita, argumento que já ouço desde a minha longínqua adolescência e que nunca sucedeu, não obstante as rimas nos discursos e as várias roupagens que testou.

2. O BE duplicou o número de deputados e esteve muito perto (0,6%) de atingir a votação do CDS. Não consegue uma maioria com o PS, mas mais de meio milhão de votos num programa como o do BE não é um facto que olimpicamente se deva ignorar.

3. "61% dos portugueses que votaram apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo". A soma dos partidos não é essa, mas mesmo que fosse a conclusão é literalmente indefensável. Qualquer um pode alegar que que "61%" decidiram votar nos partidos A,B,C apesar de estes defenderem X,Y,Z. O voto é uma agregação de preferências. Pode-se alegar que existe legitimidade parlamentar para avançar com essa agenda se ela estiver nos programas, mas não se pode daí concluir que cada um dos eleitores apoia todas e cada uma das medidas do partido em que votou. O número de apoiantes até pode, em tese, ser maior.

4. "Pacheco Pereira continua em parte incerta." Ontem JPP esteve quase uma hora num frente a frente na SIC Notícias com o Ministro Silva Pereira. A crítica é livre, mas não faz sentido acusar JPP de falta de frontalidade ou coragem, sobretudo vindo do Eduardo Pita que, num teste de carácter, aceitou escrever no Simplex, um blogue que deu guarida ao miserável anonimato blogosférico.

5. É citado, através das palavras do Pedro Picoito, o caso António Preto. Fui contra a sua inclusão nas listas, totalmente indefensável, mas é sempre bom relembrar a diferença de tratamento que o Eduardo dá às suspeitas sobre António Preto e às suspeitas sobre o seu tão idolatrado numero uno.

5 comentários:

Anónimo disse...

O Pitta é um deslumbrado, não percam tempo...

Anónimo disse...

Manuel,

O Eduardo trata diferente aquilo que é de facto diferente. Preto tem julgamento marcado, sócrates nem sequer é arguido. Acresce a isto o facto de as suspeitas também terem uma natureza distinta. Há registos de Preto a dizer que nunca tinha visto tanto dinheiro na vida, há depoimentos de militantes do PSD, há o caso do gesso no braço; não consta que haja algo remotamente parecido que implique Sócrates.

um abraço,
Joao Galamba

João Sousa disse...

Em relação aos tais 61% de apoiantes dos casamentos unissexuais: eu ainda me recordo de ter visto na TV um digno elemento do PS dizer, num qualquer Congresso, que os porcos não acasalam com outros porcos, nem as vacas com outras vacas (ou coisa do género).

Aborrece-me a mania que alguns opinadores têm (tanto à esquerda como à direita) de uniformizar os pensamentos individuais da massa eleitoral de cada partido.

Luis Voador disse...

Essa da desaparição do Pacheco Pereira é fabulosa. Vi-o chegar de Santarém ao hotel da campanha do PSD assim como todos os jornalistas que lá estavam, deve ter ido falar com o staff do PSD e fez declarações para todos os jornais e televisões à porta, embora não tenha visto nada nos noticiários e depois foi para a SIC. É doentia e politicamente muito suspeita a perseguição ao Pacheco Pereira. Será porque ele incomoda o PS pela sua frontalidade assim como alguma gente do PSD? Esta perseguição mete nojo.

Anónimo disse...

João,
Não vamos esmiuçar isso aqui nos comentários, mas como podes imaginar não concordo.
Um abraço e parabéns pela eleição,
Manuel P.