Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Chesterton II, encontros & afinidades

Falha minha, a tempo de remediar, Chesterton não foi um autor a quem tenha dado a atenção que muito provavelmente merece. E, porém, há uma frase num texto de Hannah Arendt, autora, essa sim, muito importante na minha formação, de que me recordo com muita frequência, porque contém qualquer coisa de essencial formulada de modo lapidar. É sobre Chesterton.

Como detesto amputar frases dos textos a que pertencem, vou transcrever quase todo o parágrafo onde a frase aparece, e traduzir eu próprio. Vale a pena meditar. O texto chama-se «Christianity and Revolution», e está recolhido nos Essays in understanding.

A insistência da doutrina cristã na condição limitada do homem continha o suficiente de filosofia para permitir aos seus aderentes [a autora está a referir-se a uma gerção a que pertenceram Péguy, Bernanos ou Chesterton] uma compreensão muito profunda da essencial inumanidade de todas aquelas tentativas modernas - de natureza psicológica, técnica, biológica - de transformar o homem no monstro do super-homem. Eles compreenderam que uma procura da felicidade que de facto signifique acabar com todas as lágrimas rapidamente acaba por expulsar todo o riso. Foi, uma vez mais, o Cristianismo que lhes ensinou que nada de humano pode existir para além das lágrimas e do riso, excepto do silêncio do desespero. Essa é a razão por que Chesterton, tendo de uma vez por todas aceite as lágrimas, pôde investir de riso autêntico os seus mais violentos ataques.

Penso nisto muitas vezes.

6 comentários:

Anónimo disse...

O desenvolvimento tecnológico deu a confiança ao homem e trouxe naturalmente a arrogância , dessa arrogância nasceu o Romantismo - a ideologia da perfeição, da recusa do Homem imperfeito - que nos trouxe os desastres do Comunismo e Nazismo, alter-egos purificadores. As religiões também passam por essas fases, mesmo as que nos dizem nos seus escritos que o pecado estará sempre com os humanos, pois os homens esquecem
e ou não aceitam ser tão evoluidos tecnológicamente mas que problemas de sempre se mantenham.
Recentemente talvez só na Revolução Americana os limites do Homem tenham estado tão presentes. Por isso é talvez a menos Romântica e a mais bem sucedida e e por enquanto perene ao tempo mas como se pode constatar não parece ter força para resistir ao impeto romântico para a perfeição.

lucklucky

Anónimo disse...

Afford to be a good thing to mention is insisted Fang Dexia, achievements are achievements that the people themselves.

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Anónimo disse...

Ja vi esta ideia expressa mil vezes, nunca a vi propriamente explicada. Acresce que Arendt se deixa aqui cair num lirismo excessivo: todas as lagrimas, todo o riso. Sera a Arendt na sua fase Eugenio de Andrade. Em todo o caso e uma ideia importante, registamos o esforco.

Anónimo disse...

Uma ideia importante que, verdade seja dita, foi explicada. E que a história já não tão recente facilmente sanciona. Mas também a história dos nossos dias (muito embora, hoje como ontem, muitos, a maioria mesmo, fechem os olhos). Virá o dia (?), claramente tardio, em que o riso será mais uma vez expulso do rosto destes ignorantes.

Alma peregrina disse...

Por favor luckylucky não confunsa as coisas. Da arrogância não nasceu o Romantismo... da arrogância nasceu o Racionalismo. O Romantismo é uma reacção emocional à "ressaca" do Racionalismo, essa arrogância de que você fala.

Não existe tal coisa como o ímpeto romântico para a perfeição.

A Revolução Americana é a mais romântica de todas. A Revolução científica da Idade Média também (o boom de conhecimento nos mosteiros e universidades). Por isso são as menos faladas... porque são as menos glamorosas.

Cumprimentos

Anónimo disse...

Alma peregrina, provavelmente caíremos na semântica porque me parece temos interpretações diferentes do que significam as palavras e talvez porque estejamos em planos diferentes pois não considero que o Romantismo esteja no mesmo plano que o Racionalismo.
Na minha opinião o Romantismo vai beber onde for necessário para atingir a pureza. Para mim um Racionalista como um Empiricista podem ser Românticos.
Peço desculpa por uma omissão, quando me referia á Revolução Americana, deveria ter referido expressamente a sua Constituição que é precisamente onde se constata que os Humanos são corruptíveis, o mal está sempre presente e pode-se tornar dominante.

lucklucky