Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Os programas dos partidos (II). A opção nuclear


Já aqui falámos na importância dos partidos esclarecerem a sua posição em relação a uma eventual reforma do sistema eleitoral.

Outro ponto essencial que os partidos devem esclarecer nos seus programas é a sua opção energética. É sabido que uma das principais causas do nosso endividamento externo consiste na chamada "factura energética". Portugal não produz a maior parte da energia que consome e a restante tem de ser comprada ao exterior. Qualquer partido sério deve apresentar aos portugueses as suas opções energéticas e a sua posição em relação à eventual construção de uma central nuclear.

Neste aspecto a esquerda leva vantagem. José Socrates já esclareceu que com ele Primeiro Ministro Portugal não iniciará qualquer processo de contrução de uma central nuclear. Falta saber o que pensa o CDS e, sobretudo, o PSD. Afirmo sobretudo o PSD porque aqui, e aqui são apresentadas posições que preconizam a opção nuclear, o que aparenta uma alteração à posição do PSD. Mas também o CDS deve tomar posição clara no seu programa.

Este é um daqueles temas cruciais em que cada um dos partidos deve esclarecer os portugueses, para que quem vá votar saiba ao que vai e não possa ser surpreendido meses depois.
Da minha parte tenho poucas duvidas no caminho a seguir. Não obstante o grande problema da factura energética, a construção de uma central nuclear em Portugal apenas aumentaria a nossa dependência em relação ao exterior. A par da dependência que hoje temos dos produtores de petróleo e que a construção de uma central não diminui, Portugal passaria a estar sujeito também a uma segunda dependência externa, mais concretamente dependência tecnológica em relação a um grupo muito pequeno de três ou quatro países que controlam a tecnologia nuclear. Para além deste aumento absoluto na nossa dependência externa, há ainda questões de segurança muito relevantes e, sobretudo, o grande problema dos resíduos radioactivos, alguns dos quais permanecem perigosos durante milhares de anos. Esta questão é a meu ver a mais relevante uma vez que levanta um problema de escala que não consigo superar. Uma decisão de uma geração iria ter repercurssões durante dezenas de gerações que herdariam o problema dos resíduos.

2 comentários:

António Pires disse...

Li o seu post e os artigos do ISC a que faz referência.
Este é um espaço muito exíguo para discutir tecnicamente as vantagens e inconvenientes de uma central nuclear. Irei referir outras questões que o assunto me suscita:
a)No actual ambiente que se vive em Portugal, em que não importa o que é mas sim o que se diz para a comunicação social, não é aconselhável a opção nuclear. Não se pense em instalar um central desse tipo do modo como se fez para o TGV, o aeroporto de Lisboa ou similares.
b)Um ensino pré-universitário de baixíssima qualidade, em que o facilitismo é a regra, não é compatível com o rigor e o saber exigidos por uma central nuclear.
c)Uma central nuclear não é compatível com uma organização em mercado dos produtores de electricidade, como não o são, aliás, as centrais de fontes renováveis com preço garantido administrativamente.

Anónimo disse...

Pedro

Com que então estiveste a visitar o site do Instituto Sa Carneiro
um cds a visitar o ISC???

Vera