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quarta-feira, 15 de Julho de 2009
O Estado Observador
O Estado gosta de observar. Ou pelo menos de se convencer que observa alguma coisa. Falta acrescentar a esta lista as inspecções gerais, existentes em quase todos os ministérios. E as auditorias internas ou jurídicas, igualmente frequentes em qualquer departamento da administração central ou local que se preze. Apesar tantos observadores e inspectores, pagos com o dinheiro dos nossos impostos, o sector público continua incompetente e indolente. Quase ninguém é responsabilizado. A começar pelas obras públicas, como aqui escreve António Barreto, que elaborou esta lista (não exaustiva) dos observatórios do Estado Português. É urgente uma definição política (e depois jurídica sob a forma de lei) das funções essenciais do Estado, para que este se possa concentrar com eficácia naquelas que são as suas competências de soberania, como a Justiça, Segurança, Educação, Saúde, Solidariedade Social, etc. Só depois será possível reorganizar e emagrecer o "monstro", eliminando os organismos inúteis ou com competências sobrepostas. Escusado será dizer que este Governo não fez nada disto na sua pseudo-reforma da Administração Pública. Eles observam, observam, mas não enxergam nada.
Publicada por
Paulo Marcelo
em
12:24
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5 comentários:
O observatório do QREN terá observado o desvio de fundos a que se referiu Rui Rio? Observando ou não observando, dá igual,
O que é que o PSD vai fazer diferente?
lucklucky
Paulo,
Concordo em absoluto com o que dizes.
Recordo, porém, que também o governo de Durão Barroso perdeu várias oportunidades de reformar a administração pública. Parece que se trata de falta de coragem política - coisa que o próximo governo terá que ter sob pena de continuarmos na mesma por mais 4 anos.
Também acho que se quisermos definir os objectivos e fins essenciais do Estado, há que procurar um pacto de regime sobre esta matéria. Caso contrário, estarás a legislar apenas para 4 anos e corres o risco de, mais tarde, vir tudo a ser revogado por um governo de outra côr política.
Para mim, o Estado deve ter duas funções, a de salvaguardar o bom funcionamento das funções essenciais (Justiça, Saúde, Segurança Social e Segurança), com especial destaque para o apoio dos mais marginalizados. E, por outro lado, em tudo o resto, deve apenas assumir uma função de catalisador e supervisor da iniciativa privada. Catalisador ao regular as regras de funcionamento da iniciativa privada e supervisor através de órgãos de inspecção que, deixando os privados actuar, tenham os meios humanos e materiais necessários a uma rigorosa fiscalização da legalidade e boas práticas de funcionamento do mercado.
Um abraço !
Obrigado Miguel.
Não é fácil avaliar o Governo Durão Barroso porque foi interrompido a meio do mandato. No entanto, recordo que foram extintos numerosos organismos e aprovados diplomas importantes sobre a reforma da Administração Pública, que foram mantidos (e bem) por este Governo PS. Tenho muitas dúvidas sobre os pactos do regime para assuntos onde há diferenças ideológicas entre PS e PSD.
Pois, de facto, as diferenças ideológicas sobre as funções do Estado entre PS e PSD são muito grandes.
Mas já viste que sempre que se muda de governo, há um sem número de novas leis orgânicas, novos timbres, recolocação de pessoal, novos e diferentes organismos, etc. para depois, ao mudar-se de governo, mudar tudo de novo outra vez.
Seremos tão ricos que nos possamos dar ao luxo de estar permanentemente a mexer de forma contraditória na orgânica do Estado ?
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