No início desta semana, escrevi isto sobre a linguagem eleitoral. Não podia saber que o melhor ainda estava por vir. Alguém deve ter ensinado a Vital Moreira que as campanhas eleitorais em Portugal se fazem gritando mais alto que o vizinho, e acusando-o de coisas ainda piores do que aquelas de que somos acusados. Só isso poderá explicar que Vital Moreira ameace não se calar e agravar os tons, enquanto identifica o BPN ao PSD – ‘o caso do "banco do PSD" não vai morrer tão cedo’ escreve ele no Causa Nossa –, um gesto tão assumidamente desonesto que só pode ser estrategicamente premeditado. Não vejo ninguém incomodado com esta estratégia, e portanto deduzo que isso não interessa nada. Transformar o 'debate' em 'combate' parece continuar a ser uma fórmula de sucesso entre os socialistas. Sobretudo porque, a uma semana das eleições, estas desonestidades não acarretam custos eleitorais, só benefícios, já que pouco tempo existe para que estas desonestas acusações se esclareçam. Na Marinha Grande aplaude-se fervorosamente.
Ainda se lembram quando o PS apresentou Vital Moreira como o candidato que iria elevar o debate político? “Queremos elevar o debate político para níveis que o nosso país exige, a nossa democracia impõe e que o debate europeu também impõe", disse José Sócrates na apresentação do candidato. Quero acreditar que nem o Primeiro-Ministro consideraria que este é o nível que o nosso país exige, pelo que deduzo que o PS tenha desistido da ideia de ‘elevar o debate’. O que só comprova que Vital Moreira é um erro de casting tremendo, e que as estratégias ‘vale-tudo’ compensam.



4 comentários:
Vital entra na segunda parte da compita transformado na grande vedeta da campanha eleitoral, com o Rangel reduzido à insignificância de um fala-barato sem ideias nem credibilidade, e o PS com uma sondagem muito simpática. É uma enorme surpresa.
E surpresa enorme está a ser a ousadia do seu discurso. O que disse do BPN foi uma cabeçada à Cais do Sodré; ou seja, nem se percebeu donde veio, mas acertou em cheio na mona do opositor. A direita ranhosa estranha e barafusta assustada porque tem estado muito mal habituada, achando-se no direito de vociferar os maiores impropérios contra Sócrates a partir das calúnias da campanha negra, e calando-se medricas e sem honra perante o escândalo de ver uma parte da elite do PSD e da banca expostos como chungosos ladrões ou inacreditáveis incompetentes (não sendo claro qual das duas possibilidades seja mais dolorosa para os acabrunhados socias-democratas).
Há no Vital uma confiança na democracia que se aprende a conhecer, e que nenhum outro candidato tem. Todos são de plástico comparados com ele, que é granítico na sua honestidade intelectual. A curva de crescimento da sua popularidade é uma incógnita: até onde poderá chegar?
...Vital intelectual?É um carroceiro travestido de "dotô". Falso, grosseiro, que arranja uma reforma dourada, numa Europa fracassada... Quando um país de chacha a que Portugal já chegou com a causa nostra que o domina,. o que se pode esperar... Só uma bomba atómica para limpar o quinteiro depois da matança dos porcos. A confiança alardoada na democracia ...só se for a "la soviete moda".
ps.: esse país só corrigirá quando a violencia aparecer, e o caos poderá então reparar e limpar essa chodra em que os políticos transformaram Portugal... Nem todos os santos juntos conseguem com boa vontade!
Felizmente que há sempre um Anónimo que aparece por aqui e nos faz rir. E este é muito bom.
O Vital até é um bom jurista. Mas já para a política no terreno não me parece que tenha grande jeito. Vamos ver o que nos dirão os resultados eleitorais.
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