Domingo, 29 de Março de 2009

Se

A já famosa vaia a Sócrates no CCB representa um novo patamar de contestação ao Governo. E, portanto, um passo atrás na miragem da maioria absoluta. O público que vai a Belém assistir à estreia de uma ópera contemporânea não é exactamente composto por irredutíveis sindicalistas do Barreiro, ou fazendeiros proto-reaccionários do Oeste, ou empedernidos professores de Trás-os-Montes. Quantos dos impacientes que estavam ontem à noite no Grande Auditório não terão votado PS há quatro anos? E quantos votarão PS nos próximos meses?
Sócrates bem pode anunciar medidas, projectos e magalhães, ganhar congressos por números albaneses, acusar as corporações de egoísmo e as oposições de bota-abaixismo, culpar o mundo pela crise e a Dra. Manuela pelo aquecimento global...
O que fica para a história é este facto singelo: em finais de Março de 2009, o Primeiro-Ministro de Portugal não pode sair à rua sem ser assobiado.
Se não é o princípio do fim, quer-me parecer que é o fim do princípio.

10 comentários:

Anónimo disse...

Se você acha que é o princípio do fim ou ou fim do princípio, porque motivo está tão preocupado ao ponto de dedicar-lhe um post?

Fado Alexandrino disse...

Anónimo disse...

A análise a factos relevantes deve estar sempre no pensamento de blogs com algum nível, o caso deste.
Se o anónimo não acha porque é que perdeu tempo a ler e a fazer um comentário.

Paulo Sousa disse...

A governação de Sócrates está num ponto de desgaste público superior ao que esteve o cavaquismo no buzinão da Ponte.
A diferença é que nessa altura havia um político de falinha mansas, que se apresentou como alternativa e conseguiu enganar os portugueses.
Se a oposição se apresentasse como alternativa credível as sondagens seriam bem diferentes.
Se surgir um episódio desbloqueador, a insatisfação dos portugueses vai dar nas vistas.
Já caíram três governos na UE desde o rebentar da crise financeira. Talvez o calendário eleitoral poupe esse feito a Sócrates.

Jeronimo disse...

Esta é fantástica. O delírio jã esteve mais longe. Sócrates foi vaiado no CCB. Por causa do atraso que impôs aos demais melómanos ? Nãa. Por causa da contestação generalizada à sua governação. É tudo tão claro e tão óbvio!

Anónimo disse...

o 1ºanónimo é inteligente á brava...

Anónimo disse...

O episódio dos fadistas em Cabo Verde que se conta por aí é melhor ainda.

Manuel Brás disse...

Este regime tão moralista
e de forma rosácea maquilhado,
é profundamente miserabilista
e de negro tresmalhado!

Para o mexilhão respeitável,
vivendo dignamente,
isto é insustentável
com tanta gente deprimente!

Caty Waves disse...

nem do "se" tens a certeza...

qual o governo que mais fez em dar apoios aos sectores sociais mais desfavorecidos?

Pois, é incontestável que é este!

Anónimo disse...

É totalmente disparatado identificar uma vaia (justíssima) provocada pela chegada atrasada de Sócrates ao espetáculo, com um vaia a Sócrates pela sua plítica.

Ainda mais ridículo se torna quando, conforme o Expresso noticia, o atraso de Sócrates nem sequer foi culpa dele, foi sim culpa do atraso do seu acompanhante, o primeiro-ministro de Cabo Verde.

Francamente, Pedro Picoito. O seu partidarismo PSD, e a aproximação de eleições, andam a toldar-lhe o espírito.

Luís Lavoura

Vaiador disse...

Não há pachorra para a lavoura, caramba!
Falta de pulverização química?