Sábado, Maio 31, 2008
Lobos e ovelhas
Não vejo porquê. A extrema-esquerda sempre usou uma retórica insultuosa. Não é de agora nem é da personagem Louçã. Todos os seus adversários correm o risco de receber, mais tarde ou mais cedo, o mimo universal de "fascistas". A extrema-esquerda nunca foi siceramente democrática. O seu mundo é maniqueísta: só tem amigos e inimigos. A política é um combate de extermínio entre o bem e o mal. O resto, leia-se a democracia, é mera táctica.No fundo, Louçã não passa de uma versão albanesa de Jardim, mas sem piada. Como se viu quando negou a Paulo Portas o direito de falar do aborto por não ter filhos.
Que alguns, como o Pedro Marques Lopes, tenham descoberto isto ontem, soa a idignação fora de prazo. No referendo do aborto, em que ele fez campanha pelo "sim", o Bloco acusou a campanha do "não" de ligações à extrema-direita (com a preciosa ajuda de uma caixa de ressonância no DN, diga-se de passagem). Não me lembro de grandes indignações na altura. Mas isto sou eu a uivar, claro.
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Pedro Picoito
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12:24 PM
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Descubra as diferenças

Não o postei aqui a tempo, mas ontem fui debater as directas do PSD, a Feira do Livro e outros temas com Manuel Falcão no Descubras as Diferenças, a convite do Paulo Pinto Mascarenhas e da Antonieta Lopes da Costa. O programa volta a passar amanhã, Domingo, às 11 e às 19.
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Pedro Picoito
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1:24 AM
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Silêncio, que se vai cantar o fado
No pior dos casos, estas eleições servirão ao menos para nos livrarmos dele.
No melhor, para que os saturados do menezismo dêem a vitória a Manuela Ferreira Leite.
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Pedro Picoito
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12:24 AM
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Sexta-feira, Maio 30, 2008
Correio Expresso: Eduardo Lourenço

O Expresso traz amanhã uma reportagem sobre Eduardo Lourenço, périplo pelos locais da sua infância e revisão do seu percurso intelectual, sublinhando o paradoxo - raro entre nós - de estarmos diante de um pensador de esquerda reverenciado pela direita.
O paradoxo, no entanto, tem uma explicação simples.
Antes de mais, grande parte da obra do ensaísta (a parte mais mediática, diga-se) é dedicada ao que ele próprio chamou "psicanálise mítica do destino português", subtítulo do clássico O Labirinto da Saudade. Lourenço analisa a identidade portuguesa como uma essência a-histórica, teleológica, imutável, una apesar da passagem do tempo e das diferenças internas, que se manifestaria na cultura, sobretudo literatura e arte, e nas relações com o exterior, sobretudo Espanha e Europa - também vistas como essências unas, imutáveis e teleológicas. As metáforas, tão frequentes na sua escrita poética ("psicanalise mitica" é apenas a mais óvia), personalizam o objecto a que chamamos Portugal.
É uma visão ensaística muito diferente da que as ciências sociais, em particular a geografia e a história, nos deram na segunda metade do século XX, produzindo obras paradigmáticas como Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, de Orlando Ribeiro, ou Identificação de um País, de José Mattoso. O que o geógrafo e o historiador problematizam, interrogam, decompõem, a saber a realidade de uma nação, Lourenço aceita como um dado de facto, um "destino". Condensando vários tópicos obsessivos, outro dos seus livros chama-se mesmo Portugal Como Destino Seguido de Mitologia da Saudade. Esta visão essencialista agrada à direita, que terçou armas pelo providencialismo da fundação de Portugal contra Herculano ou pelo mito dos brandos costumes da nossa colonização com Gilberto Freyre. E que não mudou assim tanto em matéria mitológica.
Por outro lado, Eduardo Lourenço é hoje o maior divulgador de uma versão canónica da cultura nacional, concedendo lugar de destaque aos grandes autores (Pessoa, Eça, Camões) e aos temas obrigatórios do imaginário português (a saudade, claro, mas também a lusofonia). O que, recorde-se, não é exclusivo da direita. Basta lembrar a linha que vai de Teófilo Braga e do nacionalismo republicano a Miguel Torga e à oposição democrática, passando por António Sérgio - todos eles, não por acaso, alvo da curiosidade de Lourenço. Nos tempos que correm, porém, com a esquerda a abominar tudo o que soe a cânone e pátria, o ensaísta parece arrancado a essa árvore genealógica.
Paradoxo? Talvez não. Como todos os intelectuais lusitanos desde Verney, profundamente cientes da distância que nos separa lá de fora, o fio condutor da reflexão não é tanto o lugar de Portugal no mundo, mas antes a relação de cada um de nós com Portugal e, assim, o lugar de cada um de nós no mundo. "Questão que tenho comigo mesmo", dizia o O`Neill. Eduardo Lourenço pode dizer o mesmo.
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Pedro Picoito
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9:55 PM
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O Palhaço e o Circo
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Miguel Morgado
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3:08 PM
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Lusosofia
de textos selectos em língua portuguesa (...) vertidos (sempre que possível) a partir das línguas originais”. Vale a pena consultar e seleccionar aqueles textos que nos interessam mais. Mas também há um ou outro texto português original. Chamou-me à atenção um de Alexandre Franco de Sá, “Heidegger e a Essência da Universidade”, com cerca de 40 páginas. Vou imprimir e ler (se tiver oportunidade, voltarei aqui para o discutir).
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Nuno Lobo
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2:17 PM
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Quinta-feira, Maio 29, 2008
Très pantsuit chic
Ainda em relação a isto, destaco esta bela passagem:
I am in this race for all the women in their nineties who’ve told me they were born before women could vote, and they want to live to see a woman in the White House. For all the women who are energized for the first time, and voting for the first time. For the little girls – and little boys – whose parents lift them onto their shoulders at our rallies, and whisper in their ears, “See, you can be anything you want to be.” As the first woman ever to be in this position, I believe I have a responsibility to them.
Estou quase a verter uma lágrima... só não percebo uma coisa: porquê acrescentar "and little boys"? Uma mãe a suspirar ao ouvido do filho, "Estás a ver, Pedrito, quando cresceres podes ser como ela!" "O quê!? mãe, como ela!? antes ser do Benfica!"
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Nuno Lobo
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6:06 PM
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Os Loucos Anos 80 (48)
(Dedicada ao Pata Roxa)
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Miguel Morgado
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5:15 PM
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Politiquês
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Paulo Marcelo
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4:23 PM
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It ain't over till it's over

Hillary explica numa carta dirigida aos superdelegados democratas porque continua na corrida:
Recent polls and election results show a clear trend: I am ahead in states that have been critical to victory in the past two elections. From Ohio, to Pennsylvania, to West Virginia and beyond, the results of recent primaries in battleground states show that I have strong support from the regions and demographics Democrats need to take back the White House. I am also currently ahead of Senator McCain in Gallup national tracking polls, while Senator Obama is behind him. And nearly all independent analyses show that I am in a stronger position to win the Electoral College, primarily because I lead Senator McCain in Florida and Ohio.
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Nuno Lobo
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1:45 PM
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É a vida!
Constança Cunha e Sá, PÚBLICO 29 Maio 2008
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Nuno Lobo
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10:17 AM
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Quarta-feira, Maio 28, 2008
Os Melhores Amigos do Peixe
A União Europeia e, portanto, a totalidade dos seus Estados membros, que gastaram nas últimas décadas milhões a perder de vista para reduzirem ou, às vezes, extinguirem frotas pesqueiras antiquadas, modernas ou “assim-assim”, recusam-se hoje, e não sei se por enquanto, a ajudar financeiramente, e com pouco mais do que uns trocados, armadores e pescadores naquele que é um momento difícil provocado – também – pela alta dos preços dos combustíveis. Com greves ou ameaças de greve por parte de pescadores franceses, espanhóis, italianos e portugueses, salva-se, uma vez mais, o peixe. O de alto-mar, está bom de ver. Porque a coisa nunca esteve tão boa para a piscicultura e para os piscicultores e tão má para o “pescado” de aviário.
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Fernando Martins
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11:09 PM
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Etiquetas: Pesca; Pescadores; Peixe; União Europeia; Países Eurpeus.
A pessoa humana e tal
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Carlos Botelho
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9:34 PM
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Sob a calçada, o deserto (III)

"RAYMOND ARON - [O Maio de 68] nunca foi uma situação verdadeiramente revolucionária, salvo na última semana em que, depois dos acordos de Grenelle, houve uma recusa das bases em aceitar aquilo que era oferecido aos grevistas. Então, durante essa semana, observaram-se fenómenos muito comparáveis aos de 1848: já não havia gente nos ministérios, os funcionários desapareciam. (...) Como se viesse uma vaga revolucionária, como se o regime francês estivesse tão instável, tão precário tão frágil como no passado. Foi o que mais me impressionou.
JEAN-LOUIS MISSIKA - Foi isso o que o levou a passar à acção?
R.A. - Não, não. Era a continuidade do Carnaval que me enervava um pouco.
DOMINIQUE WOLTON - Então há a crise das instituições ou há o Carnaval? Não é o mesmo.
R.A. - Há as duas coisas. Em França, as relações entre os professsores e os estudantes não eram muito íntimas nem muito boas em geral. Os professores tinham estudantes a mais, teses a mais. E, de repente, estudantes e professores confraternizaram e trataram-se por tu, trataram-se pelo primeiro nome. Era inteiramente ridículo porque não eram relações reais." (cont.)Raymond Aron, O Espectador Comprometido, 1983 (1981)
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Pedro Picoito
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6:40 PM
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Aos sportinguistas
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Nuno Lobo
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O Especulador
"The successful speculator makes his profit by anticipating, not by modifying, existing economic tendences... Superstitions about speculation can only exist in an atmosphere of ignorance concerning the veritable influences that fix the level of the exchange"
John M. Keynes
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Manuel Pinheiro
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3:22 PM
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Só a Atlântida

O Pedro Marques Lopes pergunta-me como é que eu sou capaz de estar no partido de Marco António Costa e Ângelo Correia. E mostra-se preocupado com as minhas tendências divisonistas, que ameaçam a paz, o amor e o inalanço partilhado que deviam reinar no PSD. É uma boa pergunta, que faço a mim próprio muitas vezes. E é uma preocupação terna, vinda de um não militante.
Já que estamos em maré de confidências e bons sentimentos, deixem-me partilhar com o Pedro Marques Lopes, com os leitores do Cachimbo e com a Humanidade em geral (por esta ordem) outras perguntas e preocupações que me atormentam. Todas as noites, quando me entrego ao sono à hora em que Proust se vê rodeado de escuridão na primeira página da Recherche , ponho-me a pensar no sentido da vida. Bem, se não é no sentido da vida, que dá muito trabalho, é nos enigmas da National Geographic. Três, pelo menos. O primeiro é cosmológico: onde ficava a Atlântida? O segundo é histórico: quem matou JFK? O terceiro é metafísico: mas como raio estou eu no mesmo partido que aqueles gajos?
Desgraçadamente, não tenho resposta para nenhuma destas questões imensas. Penso e repenso, até as minhas pobres sinapses entrarem em colapso, mas nada concluo. Às vezes, até misturo tudo. A Atlântida é em Gaia. JFK foi morto pelo bruto do Marco António. Ângelo Correia é um extraterrestre que quer impedir o Pacheco Pereira de postar mais fotografia de Marte no Abrupto.
Nos dias piores, nos dias em que, sei lá, vejo o Menezes no telejornal, tenho um pesadelo recorrente. O Marco António, o verdadeiro, o do Shakespeare, aparece-me a declamar, com sotaque do Porto e gravata monocolor, "Friends, Romans, Countrymen, lend me your ears", e a tirada toda de seguida. Que invariavelmente traduzo (os meus pesadelos têm sempre tradução simultânea) por "Bases, elites e morcões, votai no Passos, carago!". Sim, eu sei, é das sinapses.
Como se vê, as minhas inquietações são mais mesquinhas do que as do Pedro Marques Lopes. Ele pensa no país, em ideias, em projectos, em valores, na Pessoa, na Verdade, na Liberdade, na Esperança, em tudo isso - e eu no Menezes e no Marco António. Cada um tem os sonhos que merece. Se ele tivesse os meus pesadelos, aposto que pensava menos na Liberdade e na Esperança. Mas há uma coisa em que me dispenso de pensar. Manuela Ferreira Leite não herdou nada de Menezes. Nem o filho, nem o braço-direito, nem o braço-esquerdo, nem o mais pequeno elogio, jantar, sorrisinho, palmadinha nas costas, fuga de informação cirúrgica, amén implícito ou explícito. Bem pelo contrário, o que obviamente me tranquiliza.
O Pedro Marques Lopes não pode dizer o mesmo, o que obviamente o incomoda. Compreendo-o muito bem. O seu esforço para encher de ideias, valores, liberalismo, mudança, tudo isso, uma candidatura que não passa de menezismo light tem sido heróico. (Ele diria desesperado, adjectivo que agora usa muito.) Depois de chamar o que chamou a Agostinho Branquinho, calculo que não seja fácil engolir o sapo de o ver apoiar as mesmas ideias, valores, etc. Depois de passar seis meses a bater no Menezes, e com razão, percebo que lhe custe admitir que a candidatura da mudança e do liberalismo foi cozinhada com o beneplácito do defunto. Compreendo muito bem, mas não é um problema meu.
O meu é só a Atlântida.
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Pedro Picoito
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1:24 PM
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Se...
Se esta história dos abusos de crianças pelos capacetes azuis fosse na América, a ONU ia à falência com as indemnizações e o Secretário-Geral tinha que pedir desculpa com uma corda ao pescoço.
Mas não é.
É em África e não mete padres.
O mundo pode suspirar de alívio.
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Pedro Picoito
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1:17 PM
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Da série "Posta Restante"
"Ah, como os compreendo, estes penduras ideológicos da "crise". A sua táctica é velha: em vez de argumentarem, andam à procura de pretextos para declarar a morte dos adversários, poupando-se a todos os debates. É muito mais cómodo. Os chamados "liberais" fizeram o mesmo há uma geração atrás. Lembram-se de 1989? Era o fim do socialismo, da história - e da necessidade de examinar e refutar os socialistas. E agora não conseguem perceber Chávez. Do outro lado da barricada, uma parte da esquerda começou a tratar o subprime como o Muro de Berlim do capitalismo. Não se entusiasmem porque não é a primeira vez que se enganam. Há trinta anos, o primeiro choque petrolífero também foi acolhido triunfalmente como a crise final do capitalismo, "pior do que 1929". O Vietname, como o Iraque agora, e Nixon, como Bush, ajudaram à festa. Portugal passou então ao "socialismo". Era o vento da história. E que veio a seguir? Thatcher e Reagan. Há quem ainda não tenha percebido que a história não acaba quando nos convém."
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Pedro Picoito
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12:24 PM
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Terça-feira, Maio 27, 2008
Factos
Eu fui, na vaga esperança de dar com o grito do Ipiranga. Procurei no site do candidato o programa, mas não o encontrei. A menos que por programa se entenda um conjunto de palavras como "Pessoa", "Mérito", "Liberdade", "Verdade", etc., que se amontoam sob o título de "Valores". Fiquei convencido de que Passos Coelho é um cidadão exemplar e não me roubará as pratas de família, se for lá a casa, mas quanto à regionalização - nada de nada.
Tive que ir ao blogue de apoio ao nosso Obama, aquele que tem um título igual a alguns cartazes da JS, para ficar a saber um bocadinho mais do seu pensamento regionalista.
Através de um link, cheguei a uma entrevista ao Jornal de Notícias em que Passos Coelho declara o seguinte: "Já fui há muitos anos [a favor da regionalização]. Não sou defensor deste modelo das cinco regiões. Concordo com a descentralização política."Uma linha ou duas. E é tudo.
Profundo, esclarecedor, articulado, luminoso: eis o candidato das ideias em toda a sua glória.
Claro que nem toda a gente acha o mesmo. No post onde descobri a entrevista, Tiago Azevedo Fernandes (apoiante, I presume, de Passos Coelho) avisa que este "não tem uma solução completa pronta para tirar da cartola" . E eu a pensar que não havia dúvidas. Afinal há, e não são só minhas.
Talvez o melhor seja perguntar ao Dr. Marco António o que é mesmo verdade revelada e o que são só insinuações e boatos.
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Pedro Picoito
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1:48 PM
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Crise, ou não crise: eis a questão

Tudo isto configura uma situação de crise profundíssima a que a globalização neoliberal conduziu o Mundo, como tantas vezes disse e escrevi. Uma crise financeira, em primeiro lugar, na América, que está a alargar-se à União Europeia, podendo vir a transformar-se, suponho, numa crise global deste "capitalismo do desastre", pior do que a de 1929. (...) A globalização tem de ser, aliás, seriamente regulada, bem como o mercado.
Mário Soares, DN 27 Maio 2008
Mesmo que a actual situação viesse a aproximar-se da gravidade das grandes crises sociais do século passado - o que nada indica que possa suceder -, não há nenhuma razão para recear que ela pudesse ter a dimensão de sofrimento humano e de desespero social que aquelas tiveram. Por mais que alguns pescadores de águas turvas políticas pretendam ignorar, o Estado social é hoje uma realidade indesmentível. (...) Não podendo, nem devendo, intervir no mercado para suster a alta dos preços, resta ao Estado actuar dentro do possível para apoiar as empresas e estimular a economia.
Vital Moreira, PÚBLICO 27 Maio 2008
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Nuno Lobo
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Num museu perto de si

Depois de alguns meses nas reservas do Museu de Arte Antiga, A Deposição de Cristo no Túmulo, o famoso Tiepolo que o Ministério da Cultura comprou em leilão, está finalmente acessível ao público. Melhor ainda, o museu vai dedicar a este quadro a próxima das suas visitas guiadas "monográficas".
É já na Quarta-Feira, dia 28, às 18 horas.
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Pedro Picoito
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12:24 AM
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Segunda-feira, Maio 26, 2008
Do casamento entre pessoas do mesmo sexo (2)

Retomemos o debate sobre o chamado "casamento" gay. Vou tentar responder às objecções formuladas nos comentários ao último post, mas sem mitos. E um dos mitos trazidos à liça é que na Roma antiga haveria casamentos entre homossexuais. Não havia. O que havia, e suponho que Marcial se refira a isso, era a encenação paródica do casamento que por vezes se fazia em festas, sem qualquer valor legal. Aliás, a homossexualidade, tal como na Grécia clássica e ao contrário do que sucederá mais tarde por influência do Cristianismo, não era considerada um estado permanente ou uma "orientação sexual", mas uma entre as várias hipóteses possíveis na matéria, sobretudo para os solteiros. A história ensina que nenhuma sociedade, nem mesmo aquelas em que as práticas homossexuais eram maioritariamente aceites, conheceu outra forma de matrimónio que não a heterossexual.
Então, pergunta-se, a consagração legal de um direito depende da sua aceitação social? Claro que não. O fim da proibição dos casamentos interraciais na América é um bom exemplo de um direito poucas vezes exercido e, apesar disso, justíssimo. É um exemplo, porém, que cai na falácia do costume: a raça não é uma escolha, e portanto não pode impedir o usufruto de direitos universais, enquanto a homossexualidade é uma escolha que impede o usufruto de certos direitos (por exemplo, ser padre ou adoptar crianças). Não vou discutir aqui se a orientação sexual tem origem biológica. Como se sabe, faltam certezas científicas na matéria. Faço notar apenas que a instituição a que chamamos casamento depende tanto da história como da biologia . Por lei, o contrato matrimonial obriga-nos a um dos comportamentos mais afastados do institinto reprodutor: a monogamia. A não ser que se inclua a poligamia entre as formas juridicamente válidas de casamento (e acho que já estivemos mais longe...), não há qualquer razão para se preferir a biologia à história.
Resta a crítica de que o casamento reconhecido pela história tinha por base a procriação, o que hoje não acontece. E nunca aconteceu para os casais estéreis. Sim, mas a esterilidade é a excepção e não a regra. Uma excepção quase sempre dolorosa, o que mostra a contrario como ter filhos é o horizonte de expectativa natural do casamento. Há cada vez mais casais que não querem ter filhos, com certeza, e não estão legalmente menos casados por isso. E também há cada vez mais divórcios e uniões de facto. Até um deputado do Bloco eleito por San Francisco vê que os dois fenómenos estão relacionados: a desvalorização dos filhos acompanha a desvalorização do quadro jurídico que melhor os protege.
O que me leva a uma pergunta final. Se cada vez menos gente quer casar, porque é que os gays querem tanto o casamento? Será mesmo o casamento o que querem ou o reconhecimento social que lhe está associado?
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Pedro Picoito
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6:36 PM
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Uma nota sobre a credibilidade
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Manuel Pinheiro
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5:30 PM
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Incentivos à corrupção (parte deles)
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Manuel Pinheiro
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5:20 PM
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Passos Coelho e a regionalização
Segundo o Expresso, a estratégia de Pedro Passos Coelho para as directas do PSD foi combinada com Menezes, Ângelo Correia e Marco António Costa logo no início da campanha. Ninguém desmentiu a notícia, e Ângelo Correia até a confirmou implicitamente no dia seguinte, mas também não era preciso. Em rigor, já toda a gente percebeu quem é o candidato do menezismo. Menezes nunca conseguiu disfarçar o "ódio" (a palavra é de Vasco Pulido Valente) contra quem não lhe vem comer à mão. A equidistância não passava de retórica, e todos, conhecedores da personagem, a entendemos assim. Quanto a Marco António, o capataz da maior distrital laranjinha, prefere sem dúvida um líder mais flexível do que Manuela Ferreira Leite. Passos Coelho, um produto do aparelho como ele, serve perfeitamente.
Tudo isto se sabia. O que não se sabe é que promessas fez Passos Coelho a Menezes e Marco António em troca do seu apoio. Terá sido o empenho do partido na regionalização?
Manuela Ferreira Leite já disse claramente que é contra. Passos Coelho, sempre tão afirmativo (menos no que faz perder votos), tem guardado silêncio na matéria. Compreende-se.
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Pedro Picoito
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12:48 PM
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André Freire e o "Capitalismo Neoliberal"
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Miguel Morgado
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Pais e Filhos
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Miguel Morgado
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10:51 AM
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Domingo, Maio 25, 2008
Carlos Queiroz
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Miguel Morgado
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Os Loucos Anos 80 (47)
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Miguel Morgado
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12:31 PM
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Sábado, Maio 24, 2008
Sexta-feira, Maio 23, 2008
"Cumprir ordens"
Faz hoje 48 anos que Ben Gurion informou o Knesset sobre a captura de Adolf Eichmann, um dos principais responsáveis pela solução final da questão judaica. Tendo sido descoberto por agentes da Mossad, em Buenos Aires, Eichmann foi detido e transportado secretamente para Israel para ser julgado por crimes contra o povo judaico e crimes contra a humanidade. Capturado pela primeira vez, pelos americanos, no final da Guerra 1939-45, mas sem saberem que se tratava de um dos mais importantes oficiais alemães, Eichmann conseguiu escapar-se em 1946. Oculto na Alemanha até 1950, Eichmann acabaria por ir para a Argentina, onde permaneceu durante dez anos até ser identificado e capturado pelos israelitas. Eichmann foi condenado à morte em Dezembro de 1961 e enforcado no dia 31 de Maio de 1962. Durante o julgamento, Eichmann justificou os actos criminosos que praticou durante a guerra com o pretexto de estar a “cumprir ordens”. Passados 75 anos desde a subida de Hitler ao poder, continuamos a inquirir as razões que levaram todo um povo, aparentemente culto e esclarecido, moderno, a seguir um homem vulgar como Hitler. A este respeito, destaco dois livros.
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Nuno Lobo
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6:57 PM
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