Sábado, Maio 31, 2008

Programa político para hoje

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Programa político para o próximo ano

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Lobos e ovelhas

Parece que o deputado Francisco Louçã chamou "uivos" a alguns protestos da bancada do PS no último debate parlamentar. E foi um escândalo pela aldeia.
Não vejo porquê. A extrema-esquerda sempre usou uma retórica insultuosa. Não é de agora nem é da personagem Louçã. Todos os seus adversários correm o risco de receber, mais tarde ou mais cedo, o mimo universal de "fascistas". A extrema-esquerda nunca foi siceramente democrática. O seu mundo é maniqueísta: só tem amigos e inimigos. A política é um combate de extermínio entre o bem e o mal. O resto, leia-se a democracia, é mera táctica.No fundo, Louçã não passa de uma versão albanesa de Jardim, mas sem piada. Como se viu quando negou a Paulo Portas o direito de falar do aborto por não ter filhos.
Que alguns, como o Pedro Marques Lopes, tenham descoberto isto ontem, soa a idignação fora de prazo. No referendo do aborto, em que ele fez campanha pelo "sim", o Bloco acusou a campanha do "não" de ligações à extrema-direita (com a preciosa ajuda de uma caixa de ressonância no DN, diga-se de passagem). Não me lembro de grandes indignações na altura. Mas isto sou eu a uivar, claro.

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Descubra as diferenças



Não o postei aqui a tempo, mas ontem fui debater as directas do PSD, a Feira do Livro e outros temas com Manuel Falcão no Descubras as Diferenças, a convite do Paulo Pinto Mascarenhas e da Antonieta Lopes da Costa. O programa volta a passar amanhã, Domingo, às 11 e às 19.

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Silêncio, que se vai cantar o fado

O autoproclamado "silêncio" de Menezes nas directas do PSD foi das coisas mais caricatas da campanha. Um "silêncio" que nunca conseguiu (e nunca tentou) esconder por quem estava. Ou, sobretudo, por quem não estava. Da entrevista à TVI ao artigo no DN de hoje, Menezes mostrou o que realmente é: um pequeno coração movido a ódio.
No pior dos casos, estas eleições servirão ao menos para nos livrarmos dele.
No melhor, para que os saturados do menezismo dêem a vitória a Manuela Ferreira Leite.

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Sexta-feira, Maio 30, 2008

Correio Expresso: Eduardo Lourenço



O Expresso traz amanhã uma reportagem sobre Eduardo Lourenço, périplo pelos locais da sua infância e revisão do seu percurso intelectual, sublinhando o paradoxo - raro entre nós - de estarmos diante de um pensador de esquerda reverenciado pela direita.
O paradoxo, no entanto, tem uma explicação simples.
Antes de mais, grande parte da obra do ensaísta (a parte mais mediática, diga-se) é dedicada ao que ele próprio chamou "psicanálise mítica do destino português", subtítulo do clássico O Labirinto da Saudade. Lourenço analisa a identidade portuguesa como uma essência a-histórica, teleológica, imutável, una apesar da passagem do tempo e das diferenças internas, que se manifestaria na cultura, sobretudo literatura e arte, e nas relações com o exterior, sobretudo Espanha e Europa - também vistas como essências unas, imutáveis e teleológicas. As metáforas, tão frequentes na sua escrita poética ("psicanalise mitica" é apenas a mais óvia), personalizam o objecto a que chamamos Portugal.
É uma visão ensaística muito diferente da que as ciências sociais, em particular a geografia e a história, nos deram na segunda metade do século XX, produzindo obras paradigmáticas como Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, de Orlando Ribeiro, ou Identificação de um País, de José Mattoso. O que o geógrafo e o historiador problematizam, interrogam, decompõem, a saber a realidade de uma nação, Lourenço aceita como um dado de facto, um "destino". Condensando vários tópicos obsessivos, outro dos seus livros chama-se mesmo Portugal Como Destino Seguido de Mitologia da Saudade. Esta visão essencialista agrada à direita, que terçou armas pelo providencialismo da fundação de Portugal contra Herculano ou pelo mito dos brandos costumes da nossa colonização com Gilberto Freyre. E que não mudou assim tanto em matéria mitológica.
Por outro lado, Eduardo Lourenço é hoje o maior divulgador de uma versão canónica da cultura nacional, concedendo lugar de destaque aos grandes autores (Pessoa, Eça, Camões) e aos temas obrigatórios do imaginário português (a saudade, claro, mas também a lusofonia). O que, recorde-se, não é exclusivo da direita. Basta lembrar a linha que vai de Teófilo Braga e do nacionalismo republicano a Miguel Torga e à oposição democrática, passando por António Sérgio - todos eles, não por acaso, alvo da curiosidade de Lourenço. Nos tempos que correm, porém, com a esquerda a abominar tudo o que soe a cânone e pátria, o ensaísta parece arrancado a essa árvore genealógica.
Paradoxo? Talvez não. Como todos os intelectuais lusitanos desde Verney, profundamente cientes da distância que nos separa lá de fora, o fio condutor da reflexão não é tanto o lugar de Portugal no mundo, mas antes a relação de cada um de nós com Portugal e, assim, o lugar de cada um de nós no mundo. "Questão que tenho comigo mesmo", dizia o O`Neill. Eduardo Lourenço pode dizer o mesmo.

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O Palhaço e o Circo

Quando vi este video lembrei-me que na minha terra é costume dizer: "Palhaços é no circo". Mas, ao que parece, nalguns lugares na América ao palhaço chama-se "pastor" e ao circo chama-se "igreja".

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Lusosofia

A expressão lusosofia apontaria para uma sabedoria lusa, uma filosofia “produzida” em Portugal. A verdade é que os nossos “filósofos” escrevem pouco, publicam pouco (e nunca escrevem ou publicam uma obra original de fôlego). Mas faz-se o que se pode. Na Beira Interior, um grupo de professores de filosofia fundou uma Biblioteca On-Line de Filosofia: um “repositório de textos selectos em língua portuguesa (...) vertidos (sempre que possível) a partir das línguas originais”. Vale a pena consultar e seleccionar aqueles textos que nos interessam mais. Mas também há um ou outro texto português original. Chamou-me à atenção um de Alexandre Franco de Sá, “Heidegger e a Essência da Universidade”, com cerca de 40 páginas. Vou imprimir e ler (se tiver oportunidade, voltarei aqui para o discutir).

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Quinta-feira, Maio 29, 2008

Très pantsuit chic

Ainda em relação a isto, destaco esta bela passagem:

I am in this race for all the women in their nineties who’ve told me they were born before women could vote, and they want to live to see a woman in the White House. For all the women who are energized for the first time, and voting for the first time. For the little girls – and little boys – whose parents lift them onto their shoulders at our rallies, and whisper in their ears, “See, you can be anything you want to be.” As the first woman ever to be in this position, I believe I have a responsibility to them.

Estou quase a verter uma lágrima... só não percebo uma coisa: porquê acrescentar "and little boys"? Uma mãe a suspirar ao ouvido do filho, "Estás a ver, Pedrito, quando cresceres podes ser como ela!" "O quê!? mãe, como ela!? antes ser do Benfica!"

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Os Loucos Anos 80 (48)

Um pequeno teste: quem conhecer este tema passa a integrar automaticamente a Liga dos Loucos Anos 80 (ainda por formar). Os poucos eleitos ganham um novo laço de cumplicidade. Os excluídos ainda perplexos perguntam: Why, Why, Why? Os Woodentops respondem.


(Dedicada ao Pata Roxa)

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Politiquês

Pedro Passos Coelho, na página 6 do seu documento de Opções Estratégicas para o PSD afirma: «Quero cruzar a liberdade e a responsabilidade na justiça, na segurança, no emprego e na acção social, na economia, no conhecimento, na inovação, na sustentabilidade, mas também nos diferentes âmbitos de vida, e contribuir, com isso, para a mudança.»
Já sei que retirei a frase do contexto, mas mesmo naquele contexto, alguém me pode explicar o que isto quer dizer?

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It ain't over till it's over




Hillary explica numa carta dirigida aos superdelegados democratas porque continua na corrida:

Recent polls and election results show a clear trend: I am ahead in states that have been critical to victory in the past two elections. From Ohio, to Pennsylvania, to West Virginia and beyond, the results of recent primaries in battleground states show that I have strong support from the regions and demographics Democrats need to take back the White House. I am also currently ahead of Senator McCain in Gallup national tracking polls, while Senator Obama is behind him. And nearly all independent analyses show that I am in a stronger position to win the Electoral College, primarily because I lead Senator McCain in Florida and Ohio.

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É a vida!

Se é verdade que o país sofre o efeito de uma crise internacional, não deixa de ser verdade também que o Governo foi o último a compreender a sua verdadeira importância e os seus inevitáveis efeitos na economia nacional. (...) E é duvidoso que os socialistas sejam imunes a uma eventual vitória da drª. Ferreira Leite no PSD. Com tanta gente a pedir "ideias" aos candidatos sociais-democratas, é natural que ninguém repare no debate que vai ter que haver, mais tarde ou mais cedo, no interior do PS, entre a esquerda do partido e os "falsos" socialistas que se encontram no Governo. Em qualquer caso, em dois meses, a situação do eng. Sócrates mudou. É a vida!

Constança Cunha e Sá, PÚBLICO 29 Maio 2008

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Quarta-feira, Maio 28, 2008

Os Melhores Amigos do Peixe

A União Europeia e, portanto, a totalidade dos seus Estados membros, que gastaram nas últimas décadas milhões a perder de vista para reduzirem ou, às vezes, extinguirem frotas pesqueiras antiquadas, modernas ou “assim-assim”, recusam-se hoje, e não sei se por enquanto, a ajudar financeiramente, e com pouco mais do que uns trocados, armadores e pescadores naquele que é um momento difícil provocado – também – pela alta dos preços dos combustíveis. Com greves ou ameaças de greve por parte de pescadores franceses, espanhóis, italianos e portugueses, salva-se, uma vez mais, o peixe. O de alto-mar, está bom de ver. Porque a coisa nunca esteve tão boa para a piscicultura e para os piscicultores e tão má para o “pescado” de aviário.

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A pessoa humana e tal

Debate na SIC: Ferreira Leite assinala que a recente emergência do discurso das "preocupações sociais" pode muito bem ser já resultado da focagem temática que ela vem fazendo na campanha. Só não vê isto quem não quer ver.
Mas, em fundo, fazendo por interrompê-la, ouve-se a vozinha ressentida de Patinha Antão: 'valha-nos Deus... valha-nos Deus, valha-nos Deus... valha-nos Deus...' Isto deve ser o tal personalismo cristão do PSD.

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Sob a calçada, o deserto (III)



"RAYMOND ARON - [O Maio de 68] nunca foi uma situação verdadeiramente revolucionária, salvo na última semana em que, depois dos acordos de Grenelle, houve uma recusa das bases em aceitar aquilo que era oferecido aos grevistas. Então, durante essa semana, observaram-se fenómenos muito comparáveis aos de 1848: já não havia gente nos ministérios, os funcionários desapareciam. (...) Como se viesse uma vaga revolucionária, como se o regime francês estivesse tão instável, tão precário tão frágil como no passado. Foi o que mais me impressionou.
JEAN-LOUIS MISSIKA - Foi isso o que o levou a passar à acção?
R.A. - Não, não. Era a continuidade do Carnaval que me enervava um pouco.
DOMINIQUE WOLTON - Então há a crise das instituições ou há o Carnaval? Não é o mesmo.
R.A. - Há as duas coisas. Em França, as relações entre os professsores e os estudantes não eram muito íntimas nem muito boas em geral. Os professores tinham estudantes a mais, teses a mais. E, de repente, estudantes e professores confraternizaram e trataram-se por tu, trataram-se pelo primeiro nome. Era inteiramente ridículo porque não eram relações reais." (cont.)
Raymond Aron, O Espectador Comprometido, 1983 (1981)

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Aos sportinguistas


Mais logo terá lugar a Assembleia Geral do Sporting para a apreciação e votação do Projecto de Reestruturação Financeira do clube com vista à redução do passivo e das sociedades por si participadas. A não perder às 20h00 na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico.

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O Especulador

"The successful speculator makes his profit by anticipating, not by modifying, existing economic tendences... Superstitions about speculation can only exist in an atmosphere of ignorance concerning the veritable influences that fix the level of the exchange"

John M. Keynes

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Só a Atlântida



O Pedro Marques Lopes pergunta-me como é que eu sou capaz de estar no partido de Marco António Costa e Ângelo Correia. E mostra-se preocupado com as minhas tendências divisonistas, que ameaçam a paz, o amor e o inalanço partilhado que deviam reinar no PSD. É uma boa pergunta, que faço a mim próprio muitas vezes. E é uma preocupação terna, vinda de um não militante.
Já que estamos em maré de confidências e bons sentimentos, deixem-me partilhar com o Pedro Marques Lopes, com os leitores do Cachimbo e com a Humanidade em geral (por esta ordem) outras perguntas e preocupações que me atormentam. Todas as noites, quando me entrego ao sono à hora em que Proust se vê rodeado de escuridão na primeira página da Recherche , ponho-me a pensar no sentido da vida. Bem, se não é no sentido da vida, que dá muito trabalho, é nos enigmas da National Geographic. Três, pelo menos. O primeiro é cosmológico: onde ficava a Atlântida? O segundo é histórico: quem matou JFK? O terceiro é metafísico: mas como raio estou eu no mesmo partido que aqueles gajos?
Desgraçadamente, não tenho resposta para nenhuma destas questões imensas. Penso e repenso, até as minhas pobres sinapses entrarem em colapso, mas nada concluo. Às vezes, até misturo tudo. A Atlântida é em Gaia. JFK foi morto pelo bruto do Marco António. Ângelo Correia é um extraterrestre que quer impedir o Pacheco Pereira de postar mais fotografia de Marte no Abrupto.
Nos dias piores, nos dias em que, sei lá, vejo o Menezes no telejornal, tenho um pesadelo recorrente. O Marco António, o verdadeiro, o do Shakespeare, aparece-me a declamar, com sotaque do Porto e gravata monocolor, "Friends, Romans, Countrymen, lend me your ears", e a tirada toda de seguida. Que invariavelmente traduzo (os meus pesadelos têm sempre tradução simultânea) por "Bases, elites e morcões, votai no Passos, carago!". Sim, eu sei, é das sinapses.
Como se vê, as minhas inquietações são mais mesquinhas do que as do Pedro Marques Lopes. Ele pensa no país, em ideias, em projectos, em valores, na Pessoa, na Verdade, na Liberdade, na Esperança, em tudo isso - e eu no Menezes e no Marco António. Cada um tem os sonhos que merece. Se ele tivesse os meus pesadelos, aposto que pensava menos na Liberdade e na Esperança. Mas há uma coisa em que me dispenso de pensar. Manuela Ferreira Leite não herdou nada de Menezes. Nem o filho, nem o braço-direito, nem o braço-esquerdo, nem o mais pequeno elogio, jantar, sorrisinho, palmadinha nas costas, fuga de informação cirúrgica, amén implícito ou explícito. Bem pelo contrário, o que obviamente me tranquiliza.
O Pedro Marques Lopes não pode dizer o mesmo, o que obviamente o incomoda. Compreendo-o muito bem. O seu esforço para encher de ideias, valores, liberalismo, mudança, tudo isso, uma candidatura que não passa de menezismo light tem sido heróico. (Ele diria desesperado, adjectivo que agora usa muito.) Depois de chamar o que chamou a Agostinho Branquinho, calculo que não seja fácil engolir o sapo de o ver apoiar as mesmas ideias, valores, etc. Depois de passar seis meses a bater no Menezes, e com razão, percebo que lhe custe admitir que a candidatura da mudança e do liberalismo foi cozinhada com o beneplácito do defunto. Compreendo muito bem, mas não é um problema meu.
O meu é só a Atlântida.

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Se...

Se esta história dos abusos de crianças pelos capacetes azuis fosse na América, a ONU ia à falência com as indemnizações e o Secretário-Geral tinha que pedir desculpa com uma corda ao pescoço.
Mas não é.
É em África e não mete padres.
O mundo pode suspirar de alívio.

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Da série "Posta Restante"

Altamente recomendável, a crónica de Rui Ramos no Público de hoje. A ler na íntegra. Enquanto esperamos que apareça por ali, deixo um excerto.

"Ah, como os compreendo, estes penduras ideológicos da "crise". A sua táctica é velha: em vez de argumentarem, andam à procura de pretextos para declarar a morte dos adversários, poupando-se a todos os debates. É muito mais cómodo. Os chamados "liberais" fizeram o mesmo há uma geração atrás. Lembram-se de 1989? Era o fim do socialismo, da história - e da necessidade de examinar e refutar os socialistas. E agora não conseguem perceber Chávez. Do outro lado da barricada, uma parte da esquerda começou a tratar o subprime como o Muro de Berlim do capitalismo. Não se entusiasmem porque não é a primeira vez que se enganam. Há trinta anos, o primeiro choque petrolífero também foi acolhido triunfalmente como a crise final do capitalismo, "pior do que 1929". O Vietname, como o Iraque agora, e Nixon, como Bush, ajudaram à festa. Portugal passou então ao "socialismo". Era o vento da história. E que veio a seguir? Thatcher e Reagan. Há quem ainda não tenha percebido que a história não acaba quando nos convém."

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Terça-feira, Maio 27, 2008

Factos

O Pedro Marques Lopes desencantou "insinuações boatos" no meu último post sobre Passos Coelho. Ora vejamos: no Sábado, o Expresso anunciou que esta candidatura foi combinada entre o próprio, Ângelo Correia, Menezes e Marco António. Nenhum dos quatro desmentiu a notícia. No dia seguinte, no Público, Ângelo Correia confirmou que apoia Passos Coelho e que só agora o dizia "para não fazer mossa", uma vez que é Presidente da Mesa do Congresso do PSD. Ninguém comentou. Concluí, pois, que o Expresso estava certo e perguntei se a contrapartida para o apoio da distrital do Porto a Passos Coelho não seria o empenho do PSD na regionalização. O Pedro Marques Lopes, obviamente incomodado com a hipótese de Passos Coelho ser o herdeiro do menezismo, mandou-me ler as muitas declarações de Passos Coelho sobre a regionalização (que muito me passaram despercebidas) ou, em alternativa, o programa.
Eu fui, na vaga esperança de dar com o grito do Ipiranga. Procurei no site do candidato o programa, mas não o encontrei. A menos que por programa se entenda um conjunto de palavras como "Pessoa", "Mérito", "Liberdade", "Verdade", etc., que se amontoam sob o título de "Valores". Fiquei convencido de que Passos Coelho é um cidadão exemplar e não me roubará as pratas de família, se for lá a casa, mas quanto à regionalização - nada de nada.
Tive que ir ao blogue de apoio ao nosso Obama, aquele que tem um título igual a alguns cartazes da JS, para ficar a saber um bocadinho mais do seu pensamento regionalista.
Através de um link, cheguei a uma entrevista ao Jornal de Notícias em que Passos Coelho declara o seguinte: "Já fui há muitos anos [a favor da regionalização]. Não sou defensor deste modelo das cinco regiões. Concordo com a descentralização política."Uma linha ou duas. E é tudo.
Profundo, esclarecedor, articulado, luminoso: eis o candidato das ideias em toda a sua glória.
Claro que nem toda a gente acha o mesmo. No post onde descobri a entrevista, Tiago Azevedo Fernandes (apoiante, I presume, de Passos Coelho) avisa que este "não tem uma solução completa pronta para tirar da cartola" . E eu a pensar que não havia dúvidas. Afinal há, e não são só minhas.
Talvez o melhor seja perguntar ao Dr. Marco António o que é mesmo verdade revelada e o que são só insinuações e boatos.

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Crise, ou não crise: eis a questão



Tudo isto configura uma situação de crise profundíssima a que a globalização neoliberal conduziu o Mundo, como tantas vezes disse e escrevi. Uma crise financeira, em primeiro lugar, na América, que está a alargar-se à União Europeia, podendo vir a transformar-se, suponho, numa crise global deste "capitalismo do desastre", pior do que a de 1929. (...) A globalização tem de ser, aliás, seriamente regulada, bem como o mercado.

Mário Soares, DN 27 Maio 2008

Mesmo que a actual situação viesse a aproximar-se da gravidade das grandes crises sociais do século passado - o que nada indica que possa suceder -, não há nenhuma razão para recear que ela pudesse ter a dimensão de sofrimento humano e de desespero social que aquelas tiveram. Por mais que alguns pescadores de águas turvas políticas pretendam ignorar, o Estado social é hoje uma realidade indesmentível. (...) Não podendo, nem devendo, intervir no mercado para suster a alta dos preços, resta ao Estado actuar dentro do possível para apoiar as empresas e estimular a economia.

Vital Moreira, PÚBLICO 27 Maio 2008

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Sydney Pollack (1934-2008)






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Num museu perto de si



Depois de alguns meses nas reservas do Museu de Arte Antiga, A Deposição de Cristo no Túmulo, o famoso Tiepolo que o Ministério da Cultura comprou em leilão, está finalmente acessível ao público. Melhor ainda, o museu vai dedicar a este quadro a próxima das suas visitas guiadas "monográficas".
É já na Quarta-Feira, dia 28, às 18 horas.

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Segunda-feira, Maio 26, 2008

Do casamento entre pessoas do mesmo sexo (2)



Retomemos o debate sobre o chamado "casamento" gay. Vou tentar responder às objecções formuladas nos comentários ao último post, mas sem mitos. E um dos mitos trazidos à liça é que na Roma antiga haveria casamentos entre homossexuais. Não havia. O que havia, e suponho que Marcial se refira a isso, era a encenação paródica do casamento que por vezes se fazia em festas, sem qualquer valor legal. Aliás, a homossexualidade, tal como na Grécia clássica e ao contrário do que sucederá mais tarde por influência do Cristianismo, não era considerada um estado permanente ou uma "orientação sexual", mas uma entre as várias hipóteses possíveis na matéria, sobretudo para os solteiros. A história ensina que nenhuma sociedade, nem mesmo aquelas em que as práticas homossexuais eram maioritariamente aceites, conheceu outra forma de matrimónio que não a heterossexual.
Então, pergunta-se, a consagração legal de um direito depende da sua aceitação social? Claro que não. O fim da proibição dos casamentos interraciais na América é um bom exemplo de um direito poucas vezes exercido e, apesar disso, justíssimo. É um exemplo, porém, que cai na falácia do costume: a raça não é uma escolha, e portanto não pode impedir o usufruto de direitos universais, enquanto a homossexualidade é uma escolha que impede o usufruto de certos direitos (por exemplo, ser padre ou adoptar crianças). Não vou discutir aqui se a orientação sexual tem origem biológica. Como se sabe, faltam certezas científicas na matéria. Faço notar apenas que a instituição a que chamamos casamento depende tanto da história como da biologia . Por lei, o contrato matrimonial obriga-nos a um dos comportamentos mais afastados do institinto reprodutor: a monogamia. A não ser que se inclua a poligamia entre as formas juridicamente válidas de casamento (e acho que já estivemos mais longe...), não há qualquer razão para se preferir a biologia à história.
Resta a crítica de que o casamento reconhecido pela história tinha por base a procriação, o que hoje não acontece. E nunca aconteceu para os casais estéreis. Sim, mas a esterilidade é a excepção e não a regra. Uma excepção quase sempre dolorosa, o que mostra a contrario como ter filhos é o horizonte de expectativa natural do casamento. Há cada vez mais casais que não querem ter filhos, com certeza, e não estão legalmente menos casados por isso. E também há cada vez mais divórcios e uniões de facto. Até um deputado do Bloco eleito por San Francisco vê que os dois fenómenos estão relacionados: a desvalorização dos filhos acompanha a desvalorização do quadro jurídico que melhor os protege.
O que me leva a uma pergunta final. Se cada vez menos gente quer casar, porque é que os gays querem tanto o casamento? Será mesmo o casamento o que querem ou o reconhecimento social que lhe está associado?

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Cachimbos de lá



Jean Cocteau, L`oiseau du Benin à Rome (Picasso), 1917

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Uma nota sobre a credibilidade

Parece que Manuela Ferreira Leite terá, ao longo do tempo, dito coisas distintas sobre alguns temas, seja devido às circunstâncias, seja porque efectivamente mudou de opinião. Keynes dizia que "when the fact change, I change my mind, what do you do, sir?", Milton Friedman que "in Capitalism and Freedom we came out on the side of favoring compulsory schooling and in Free To Choose we came out against it" e Robert Barro que "I once thought personal accounts for Social Security were a good idea but have changed my mind".

As pessoas credíveis não são aquelas que pensam sempre as mesmas coisas sobre os mesmos temas. Essas têm outro nome.

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Incentivos à corrupção (parte deles)

Existem pelo menos dois riscos clássicos associados a imensos contactos com o Estado em Portugal, eles são a duração e decisão. Em ambos a discricionariedade é o principal problema. É impossível prever o tempo de decisão e o sentido da mesma em imensos actos com o estado. Para muitos agentes económicos esta incerteza é paralizadora ou desincentivadora. Ninguém sabe o que vai acontecer nem quando, é impossível prever racionalmente o sentido de decisões baseadas em regulamentos cuja extensão verdadeiramente ninguém conhece e, na que se conhece, existe espaço suficiente para decisões rigorosamente contraditórias. O risco de tentativa de antecipação da decisão é desequilibradamente alto, compensando efectivamente a tentativa de influência sobre a decisão através de canais e mecanismos informais desaconselháveis em qualquer sociedade que se queira saudável.

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Passos Coelho e a regionalização



Segundo o Expresso, a estratégia de Pedro Passos Coelho para as directas do PSD foi combinada com Menezes, Ângelo Correia e Marco António Costa logo no início da campanha. Ninguém desmentiu a notícia, e Ângelo Correia até a confirmou implicitamente no dia seguinte, mas também não era preciso. Em rigor, já toda a gente percebeu quem é o candidato do menezismo. Menezes nunca conseguiu disfarçar o "ódio" (a palavra é de Vasco Pulido Valente) contra quem não lhe vem comer à mão. A equidistância não passava de retórica, e todos, conhecedores da personagem, a entendemos assim. Quanto a Marco António, o capataz da maior distrital laranjinha, prefere sem dúvida um líder mais flexível do que Manuela Ferreira Leite. Passos Coelho, um produto do aparelho como ele, serve perfeitamente.
Tudo isto se sabia. O que não se sabe é que promessas fez Passos Coelho a Menezes e Marco António em troca do seu apoio. Terá sido o empenho do partido na regionalização?
Manuela Ferreira Leite já disse claramente que é contra. Passos Coelho, sempre tão afirmativo (menos no que faz perder votos), tem guardado silêncio na matéria. Compreende-se.

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André Freire e o "Capitalismo Neoliberal"

Num artigo publicado hoje no Público, André Freire repete a ladainha da crise do "capitalismo neoliberal". Não há dúvida de que muitas vezes a parole permite antecipar imediatamente toda a langue. A sua tese é que este "capitalismo neoliberal", em vigor desde 1980, produz crises atrás de crises, culminando na "estagflação" actual; e que é preciso considerar as "alternativas". Quanto às "alternativas", tirando a já canónica taxa Tobin, não há nada que não tenha sido praticado nos últimos anos, incluindo o controlo temporário dos movimentos de capitais.
Mas não é no campo das "alternativas" que se joga a validade do argumento de André Freire, até porque a paixão ideológica irá sempre produzir "alternativas". Que estas sejam deficientes, ou que não tenham a densidade do que se está a combater, pouco importa ao espírito ideológico. O que importa é não desistir da luta.
É no diagnóstico, porém, que surgem problemas no argumento de André Freire, alguém que deveria ter uma sensibilidade especial para o valor dos "factos". É que o "desde 1980" corresponde ao maior período de crescimento económico da economia mundial como um todo. Não se trata aqui do crescimento da economia ocidental, que foi, com efeito, superior nas décadas de 50-60 (talvez com a excepção dos EUA e do Reino Unido). Refiro-me ao mundo, ou a uma grande parte dele, que até 1980 vivia na maior das pobrezas e num desespero fatalista. Talvez isso se deva a esta mania eurocentrista de ignorar o que se passou, por exemplo, no Sueste Asiático nos últimos 30 anos.
Para a África sub-saariana, é verdade, estes últimos 30 anos foram terríveis. Mas só um contorcionismo pouco hábil pode responsabilizar o "capitalismo neoliberal". Talvez, quem sabe, tivesse feito falta a África um pouco mais de "capitalismo neoliberal".

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Pais e Filhos

Ultimamente tenho ouvido várias referências à incapacidade da "geração mais nova" (o que quer dizer, a geração que se seguiu à que fez o 25 de Abril) de construir uma sociedade mais dinâmica, menos ossificada, mais ousada, mais livre. Eu não tenho nenhuma veleidade de defender a dita geração incompetente. Sou até levado a concordar com muito do que se tem dito. Mas tenho de dizer que algumas coisas me incomodam na produção deste discurso. Afinal, não podemos esquecer que a geração que fez o 25 de Abril, a dos nossos pais, digamos assim, deixou-nos um País todo ele deficiente nessas matérias. Esse legado é difícil de sacudir. E é ainda mais difícil de sacudir para quem sofre problemas agudos de competência, como é o nosso caso.
Apesar de tudo, reconheço, há pais e pais. De uns ouço resignado o sermão, mas quando a repreensão vem de outros só posso dizer: "Não sejas hipócrita, pá. Lembra-te do que andaste por aqui a fazer. Lembra-te que educar pelo exemplo é sempre boa ideia".

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Domingo, Maio 25, 2008

Carlos Queiroz



Declaração de interesses: quero Queiroz como sucessor de Scolari.

Para os cépticos deixo aqui umas declarações do grande Ferguson sobre o seu adjunto no Man United.

"Carlos [Queiroz] is improving a lot of things," said [Alex] Ferguson. "I am a bit of a dinosaur in that respect. I have recognised progress needed to be made in different areas that I am expert at.

"We have five physios now. I would have been happy with that, plus a nutritionist, a weight coach, a fitness coach.

"I even brought an orthoptist to assist on the eye training. That kind of thing is fine.

"But the levels we are going to now are unbelievable. Carlos has increased it in all sorts of ways.

"The entire medical side is fantastic. I don't think there is anywhere better in the world now. That is all down to Carlos' vision of the future which I would not have had."


Ver o resto das declaração de Alex Ferguson aqui.

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Os Loucos Anos 80 (47)

Vários leitores sugeriram a inclusão dos Talking Heads nesta série gloriosa, insinuando assim, pelo menos implicitamente, que o autor da dita série se teria esquecido de os incluir ou, pior ainda, que os não considerava dignos dessa consagração. Provocação infame. Devo dizer com solenindade que a presença dos Talking Heads estava prevista desde o início. Mas, para que se não diga que as provocações não têm qualquer mérito, admito que, neste caso, a pressão dos nossos dedicados leitores antecipou a chegada da banda de David Byrne aos "Loucos Anos 80".
Este tema é dedicado aos que proclamam a vida sem telos e a todos os críticos da metafísica aristotélica. Aqui fica "Road to Nowhere" de 1984.
.
We're on a road to nowhere
Come on inside
Takin' that ride to nowhere
We'll take that ride
I'm feelin' okay this morning
And you know,
We're on the road to paradise
Here we go, here we go


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Sábado, Maio 24, 2008

O que será que os irlandeses têm contra nós?

[fotografia de Samuel Martins, em Dublin, via Abrupto]

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Sexta-feira, Maio 23, 2008

"Cumprir ordens"



Faz hoje 48 anos que Ben Gurion informou o Knesset sobre a captura de Adolf Eichmann, um dos principais responsáveis pela solução final da questão judaica. Tendo sido descoberto por agentes da Mossad, em Buenos Aires, Eichmann foi detido e transportado secretamente para Israel para ser julgado por crimes contra o povo judaico e crimes contra a humanidade. Capturado pela primeira vez, pelos americanos, no final da Guerra 1939-45, mas sem saberem que se tratava de um dos mais importantes oficiais alemães, Eichmann conseguiu escapar-se em 1946. Oculto na Alemanha até 1950, Eichmann acabaria por ir para a Argentina, onde permaneceu durante dez anos até ser identificado e capturado pelos israelitas. Eichmann foi condenado à morte em Dezembro de 1961 e enforcado no dia 31 de Maio de 1962. Durante o julgamento, Eichmann justificou os actos criminosos que praticou durante a guerra com o pretexto de estar a “cumprir ordens”. Passados 75 anos desde a subida de Hitler ao poder, continuamos a inquirir as razões que levaram todo um povo, aparentemente culto e esclarecido, moderno, a seguir um homem vulgar como Hitler. A este respeito, destaco dois livros.

Enviada pela New Yorker para fazer a leitura do julgamento de Eichmann, Hannah Arendt acabaria por resumir o acontecimento no livro Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil.
Sensivelmente na mesma altura, na Universidade de Munique, Eric Voegelin dava um conjunto de nove palestras com o título Hitler and the Germans, uma reflexão sobre as razões da subida de Hitler ao poder em 1933 e suas consequências para a Alemanha do pós-Guerra. Um e outro livro apresentam análises profundas sobre os movimentos políticos de massas, a fácil conformação das pessoas ao clima de opinião envolvente e a necessidade de recuperação da sabedoria dos antigos para evitar os perigos e ilusões dos modernos. Livros com quase 50 anos, mas que merecem a nossa atenção hoje.

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Constança Cunha e Sá e os "Politólogos"

Ontem no Público, Constança Cunha e Sá, num artigo intitulado "A 'morte' do PSD", criticou a opinião de três inquiridos pelo mesmo jornal a propósito do futuro do PSD. O curioso foi que CCS referiu-se aos três como "politólogos" sem