Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

E o prémio "O Meu Herói é José Sócrates" vai para...

...Mira Amaral.

Disse, hoje, o apoiante de Passos Coelho (sublinhados meus):
"Os governos PSD/PP nada mudaram em relação aos governos anteriores de Guterres" e revelaram "total incapacidade de fazer a reforma da Administração Pública, que nem sequer foi enunciada. Estes senhores [governo de Sócrates] pelo menos enunciaram-na."
Acrescentou ainda, modestamente: "Eu explico, nas minhas aulas, a diferença entre contabilidade e estratégia."
E Passos Coelho, ajudando à festa, queixou-se da "obsessão do défice que existe desde 2002".

(Ver aqui.)


Se Manuela Ferreira Leite, essa contabilista incapaz de estratégia, viesse a perder as eleições no Partido, Sócrates poderia ficar descansado.

«O Futuro é Agora»

Nos próximos tempos também andarei por aqui.

De Regresso

Placa na porta de um pub em Londres. O humor, como sempre.

Cavaco, os jovens e o 25 de Abril

A esquerda anda enxofrada porque Cavaco disse o óbvio: os "jovens" não sabem o que foi o 25 de Abril.
Não há razão para enxofre. Isto mesmo disseram Soares, Sampaio e até Freitas do Amaral em tempos, e a esquerda não se enxofrou. Mas com Cavaco é outra história. Com Cavaco dói.
Cavaco, lembrem-se, é "salazarento", foi professor de Finanças, tem um perfil autoritário, mandou avançar a polícia contra os estudantes e o povo (por esta ordem), não esteve no Tarrafal, não lê livros de poesia e sabe-se lá que outras vilezas protofascistas só à sua Maria confessa no segredo da intimidade. Pois se ele, na última campanha, até queria cantar o "Grândola Vila Morena" em... como é que se chamava aquela terra?... Grândola, acho eu...
Um homem assim é capaz de tudo. Que ele nos venha dar lições sobre a desbaratada herança revolucionária - não, isso não, isso nunca!
Curiosamente, Cavaco está mais próximo da esquerda que fez o 25 de Abril do que da actual direita pós-Muro de Berlim. Como nota o Adolfo Mesquita Nunes (um bom representante de tal direita), hoje a Revolução não entusiasma os mais novos porque triunfou. A democracia, a descolonização e o desenvolvimento são valores consolidados na sociedade portuguesa e ninguém sonha com o que já tem. A tese, de resto, nem é original. François Furet disse o mesmo no bicentenário de 1789 - "a Revolução Francesa acabou" -, com idêntico escândalo da esquerda gaulesa.
Cavaco, no entanto, surpreende-se porque viveu o antes e o depois. E eu não me surpreendo que outros se surpreendam com Cavaco.

Rule Britannia

Catenaccio?
Catalunya?
Never mind, Mike...

Sem Medo das Palavras

De direita, liberal e, em Portugal, reformista. É curioso, porque esta seria a forma como responderia à pergunta da jornalista a que Passos Coelho respondeu apenas com um "reformista e liberal", eclipsando a primeira distinção. O Vasco Campilho esforça aqui uma possível defesa, alegando que "ao recusar posicionar-se na dicotomia esquerda/direita, Pedro Passos Coelho reconhece que essa dicotomia diz pouco aos portugueses". Talvez diga, talvez não, há certamente muita coisa que diz pouco aos portugueses, muita dela estudada e documentada no Eurostat ou na OCDE, e olhe que não é para especial contentamento.

Talvez a direita não diga muito aos portugueses, mas a esquerda certamente dirá ao ponto de quase 20% quererem votar hoje na sua extrema. No Partido Socialista não lembra ao diabo alguém dizer que não é de esquerda, e não é por esta proclamação com pulmões cheios que o "centro" político português deixou de dar maiorias a Guterres ou a absoluta a Sócrates, ou eleger e reeleger Mário Soares, apenas para citar exemplos mais recentes. Aliás, Pedro Passos Coelho tente levar e vender o seu projecto ao Partido Socialista, recomendo-lhe que vá abrigado, tal a chuva de críticas que lhe cairia em cima acerca de certos e determinados valores da "esquerda republicana". Talvez saísse de lá com uma visão renovada acerca da utilidade da antiga dicotomia.

Divórcio na Hora?

Ao mesmo tempo que anuncia o combate ao trabalho precário, o PS pretende mudar o Código Civil, tornando o casamento num dos contratos mais precários do nosso sistema jurídico. O contraste é curioso. Por um lado, defende-se o contrato de trabalho para toda a vida, exigindo a lei sempre uma justa causa objectiva para a sua cessação. O mesmo acontece com o arrendamento, onde o regime legal torna o contrato (quase) perpétuo, mesmo contra a vontade do proprietário.
No casamento, pelo contrário, sem razões objectivas, para além das aparências ideológicas, os socialistas pretendem introduzir o divórcio unilateral, ou seja, mesmo contra a vontade do outro cônjuge, e apesar da violação dos deveres conjugais pela parte que pede o divórcio. Com efeito, o novo artigo 1781.º CC prevê como fundamento do divórcio a “separação de facto por um ano consecutivo” (o prazo actual é três anos - alínea a), ou “quaisquer outros factos que mostrem a ruptura definitiva do casamento” (alínea d). Este regime jurídico é imperativo, tornando o casamento um dos mais débeis contratos bilaterais do nosso Direito.
Esta alteração insere-se na tendência dos últimos anos de descaracterização do casamento enquanto contrato civil, enfraquecendo os seus deveres próprios, e aproximando-o do regime jurídico das uniões de facto, onde há direitos mas não deveres. Se o casamento é descartável vale a pena casar? Qual a diferença em relação às uniões de facto?
[continua]

Ambições e Qualificações de um Político (2)

Blackadder: Well, we in the Adder Party are going to fight this campaign on issues, not personalities.
Vincent Hanna: Why is that?
Blackadder: Because our candidate doesn't have a personality.
Vincent Hanna: Well can you at least tell me one thing. What does the 'S' in his name stand for?
Blackadder: Sod off.
Vincent Hanna: Well, I guess it's none of my business really.

Ambições e Qualificações de um Político

Como é que se diz Catenaccio em inglês?

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Mais um Obama

Passos Coelho fez hoje o elogio da "sua inexperiência" - ela é, afinal, vantajosa. (Percebe-se logo quem ele pretende atingir...) E a salutar "inexperiência" parece facilitar a "mudança". Muito sublinhada por ele, a "mudança". De resto, funciona como uma palavra mágica: basta dizê-la e anuncia-se o reino dos céus. E o passado que fica lá para trás e o encarar o futuro e tal.
Onde é que eu já ouvi tudo isto?

As palavras e o medo delas

Esta tarde, Pedro Passos Coelho, na conferência de imprensa, disse: 'Não tenho medo das palavras. Não sou de direita nem sou de esquerda.'
Dizer-se que não se é de esquerda nem de direita é não ter medo das palavras?
Não tem medo das palavras "não sou de... nem de...", mas já tem medo da palavra "esquerda" e da palavra "direita"?...
E o que é que quer dizer não ser nem de esquerda nem de direita?
E uma pessoa (um político) que o afirma é o quê?
Pode dizer-se que há problemas naquela distinção, que nalguns campos não é fácil separar as águas, que se recusa isto, mas já se aceita aquilo, etc.
Mas dizer assim com aquela... inteireza simples que não se é nem uma coisa nem outra, soa demasiado rápido, demasiado fácil. Cómodo - para quem o diz e para quem ouve.
Daquele modo, não parece haver ali um pensamento por detrás, uma honesta perplexidade. Parece mais um mero expediente, um recurso de conveniência.

De onde é que o conheço?

Conheço aquele tipo de algum lado. Não, não é o do círculo com a máquina fotográfica na mão. É o outro.

(Fotografia do DN, via Atlântico)

Confesso...

...que não percebo esta obsessão com as minhas concordâncias e (raras) discordaâcias com José Pacheco Pereira (JPP). Nem percebo por que motivo é tão importante para alguns blogonautas que eu discorde de JPP. (Estou a pensar, também, em Pedro Correia.) Se isso faz a felicidade de alguns blogonautas, como parece, a bem da harmonia blogosférica passarei a divergir mais vezes de JPP. Um grande bem haja a todos.
P.S. -- A minha opinião sobre Manuela Ferreira Leite foi expressa várias vezes no Bloguítica ao longo do tempo. Basta ir lá e fazer uma rápida pesquisa.

Os Loucos Anos 80 (36)

Convenhamos que é obrigatório.

All we ever wanted was everything
All we ever got was cold.

Bauhaus

Tenham medo, tenham muito medo

Devo dizer que entre Lou Dobbs e Obama, eu prefiro o homem da "esperança".
Para quem não conhece a peça, Lou Dobbs é isto e muito pior.


(Via BM)

Ideias, bué ideias

O editorial do Público e o Luís Rainha, repetindo a blogosfera mais dada à elegia arcádica, queixam-se de que não há ideias no PSD. Que tudo se resume a um confronto entre pessoas ("the horror!") e a uma luta pelo poder ("ó inclemência! ó martírio! estará porventura periclitante a saúde deste menino que eu ajudei a criar?!").
Fica-lhes bem o desvelo. Só esquecem um pormenor: são as pessoas que têm as ideias e não o contrário. E outro: o PSD é um partido de poder. Pelo simples facto de existir, quer necessariamente ganhar eleições. É mau? Não, é a democracia. Se isso incomoda alguém, o problema não está no PSD.
A mim, o que me incomoda (e parece que também incomoda Manuela Ferreira Leite) é o excesso de ideias. Sobretudo as erradas.
Vejam Menezes. Teria ele falta de ideias? Não, pelo contrário. Até tinha muitas. Duas para cada tema, em média, variando com a estação, a hora do dia, a conjugação dos astros e o humor do Dr. Cunha Vaz. Queria acabar com o Estado e não tocar no Estado, descer já os impostos e não descer ainda os impostos, defender a sua vida privada e atacar os relacionamentos do Primeiro-Ministro.
Quando se chega a este nível, que talvez não seja do elíseo agrado dos comentadores, o que o PSD precisa não é de ideias - é de um mínimo de carácter.

RE: Campanha Nacional contra o Analfabetismo

Comecemos pela esquerda vs. direita. Existe este preconceito estúpido em Portugal de que a direita não tem "ideias", tem "interesses". Sem desprimor, claro. E muita gente à esquerda reencena constantemente este triste e ignorante enredo. Sinceramente, Luís Rainha, o seu post pareceu-me mais uma destas reencenações. À esquerda moram as "ideias": no fundo foi esse o mote de Jorge Sampaio contra Cavaco Silva em 1995/6, e de Mário Soares contra o mesmo Cavaco em 2005/6.
E a esquerda em Portugal, principalmente a esquerda "moderada", deveria ter alguma memória. O que resta da esquerda em Portugal, a esquerda no PS, deve-se à sua ausência de "ideias". As suas "ideias" foram todas para o "caixote do lixo da história" - uma expressão da esquerda - assim que perceberam que com elas não havia poder. O poder, pois é. Então, só restava uma alternativa: a apropriação das ideias da direita ou do centro-direita. Aconteceu aqui e no resto da Europa. É verdade que o PS sempre foi partidário da adesão à CEE ou UE, a grande transformação da sociedade portuguesa dos anos 80. Mas na campanha de Guterres de 95 - sim, 95 - ainda ouvi vários altos dirigentes do PS contestarem a privatização das rádios (!), a multiplicação da propriedade do automóvel na classe média portuguesa, e por aí fora.
Guterres, Ferro Rodrigues, Sócrates: "ideias" não sei se lhes ouvi alguma. De Guterres ouvi muita patranha e delírios sentimentais que o País ainda hoje está a pagar. Diz-se que Manuela Ferreira Leite não passa de um Sócrates de saias, pois nada tem a oferecer de diferente. Não sei se isso é verdade. Mas sei que a ordem aqui está invertida. Quanto muito, Sócrates copiou Manuela Ferreira Leite e não o contrário. Ou já se esqueceram que quando Manuela Ferreira Leite era Ministra das Finanças, o PS de Ferro (e de Sócrates) acusava-a de estar obcecada com a disciplina fiscal em subserviência ao mando europeu? O PS tudo fez para ignorar ou para esconder de todos que Guterres não deixou ao País um défice apenas, mas dois: o do orçamento do Estado e o da Balança de Transacções Correntes. A MFL de 2003/2004 é sobretudo a encarnação da resposta necessária ao facto Portugal estar a correr vertiginosamente para um endividamento externo catastrófico. Mas não quero desviar-me do assunto em mãos.
O PS e o PSD movem-se ambos primordialmente pelo poder. De vez em quando lá aparece uma liderança que pressente correctamente que há uma escolha estratégica a fazer e acumula o poder com as "ideias". Aconteceu com Mário Soares e a ameaça comunista e a escolha europeia; aconteceu com Sá Carneiro e a Constituição; aconteceu com Cavaco Silva e a modernização económica do País. Mas, neste País, é raro acontecer. Esta realidade não se disfarça com citações ignorantes de Voltaire ou com discursos ridículos sobre a "paixão" pela educação.
O problema hoje é que este vazio "programático" ou "intelectual" das gentes que nos governam revela a sua nocividade. Daí que se exija ao maior partido da oposição que não repita a dose. Mas não é possível separar as "pessoas" das "ideias". Isso seria a maior das abstracções. E que as "ideias" têm de ser pensadas, articuladas e traduzidas em opções políticas por pessoas com determinadas qualidades ou virtudes. Neste momento, presumo que para o PSD as qualidades ou as virtudes sejam, no estado actual da sua crise, tão importantes como as ideias, ou até prioritárias sobre as ideias. E no meu post que citou no seu blogue, ao contrário do que sugeriu - "atirou ao lado" -, é a este ponto que me refiro, não ao poder.
Quer isto dizer que considero que MFL não tem de trazer consigo outras opções políticas além das que foi forçada a adoptar em 2003 devido à irresponsabilidade do PS? Não, não quer dizer nada disso. Mas cada coisa a seu tempo. Para mim, o que é genuinamente estranho é que Portugal tem tido desde 1995 Primeiros-Ministros e líderes da oposição de gargalhada, e é MFL que é criticada por não estar à altura da missão. Pode ser por falta de "ideias", mas não consigo sacudir esta estranheza. Mas não é por me "armar em vítima", meu caro. Nem por gostar de "cuspidelas".

Campanha Nacional Contra o Analfabetismo

Eles gostam tanto das "ideias" que chega a ser comovente. Nós aqui, nem sei, não sabemos pensar, só pensamos no poder pelo poder, não gostamos das "ideias", não lemos livros, mal sabemos ler... Como não somos de esquerda, não temos "ideais", só "interesses", como diz o inefável Osório. O nosso interesse é explorar o povo, os pobres, os oprimidos, os sem-abrigo, as mães solteiras, os imigrantes e os bloggers corajosos e cheios de ideias e ideais. Mas estes permanecem de pé, quais faróis do bem popular, parindo ideias de manhã e à noite. Ai, como custa ser desmascarado...

Um major-general português no seu labirinto

Um português, o major-general Raul Cunha, em declarações reproduzidas pela TSF, critica fria e veemente o comportamento da União Europeia nos Balcãs, particularmente na Sérvia e no Kosovo. Esse comportamento resume-se, afinal, e segundo o major-general (destacado nos Balcãs à frente de uma força de manutenção de paz da ONU), à defesa dos interesses das grandes potências da União Europeia na região e ao facto da ajuda financeira àqueles territórios não passar de um logro para os destinatários, uma vez que cerca de 80% dos muitos milhões de euros ali gastos revertem directamente para empresas das principais economias da União.
Estamos portanto edificados quanto à natureza política da “Europa” e quanto à natural bondade dos comportamentos da “Europa” por esse mundo. Não é novidade, mas é bom que fique registado.

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Hope, change, etc.

Imaginem que Hillary Clinton, cansada dos ataques da imprensa, desisitia da corrida à Casa Branca.
Imaginem que declarava a sua simpatia por Obama.
Imaginem que Bill Clinton passava a apoiar Obama.
Imaginem que Chelsea Clinton era mandatária da juventude de Obama.
Impossível?
Também acho.
No PSD, Pedro Passos Coelho diz ser o candidato da esperança, da mudança e dos jovens - com o apoio de Menezes, a distrital de Menezes e o filho de Menezes.
Hope?
Change?
Obama?

Diário místico de Etty Hillesum

«Foi novamente como se a Vida, com todos os seus segredos, estivesse próxima de mim, como se eu a pudesse tocar… E ali sentia-me imensamente segura e protegida. E pensei: «Como isto é estranho. É guerra. Há campos de concentração. Pequenas crueldades amontoam-se por cima de pequenas crueldades. Quando caminho pelas ruas, sei que, em muitas das casas por onde passo, há ali um filho preso, e ali um pai refém, e ali têm de suportar a condenação à morte de um rapaz de dezoito anos.» (...) E num momento inesperado, abandonada a mim própria—encontro-me de repente encostada ao peito nu da Vida e os braços dela são muito macios e envolvem-me, e nem sequer consigo descrever o bater do seu coração: tão fiel como se nunca mais findasse…»

Hoje, 28 de Abril, às 18.30h, será o lançamento em Portugal do Diário de Esther (Etty) Hillesum, na Livraria Assírio & Alvim. O livro será apresentado pelo nosso amigo José Tolentino Mendonça. Reúne os oito cadernos escritos por Etty, a partir de 1941, em Auschwitz, onde esta judia convertida ao cristianismo viria a morrer em 1943.

Domingo, 27 de Abril de 2008

Voto católico, a quanto obrigas!

Sábado, 26 de Abril de 2008

Dúvida

Será que Pedro Santana Lopes levará mesmo a sua candidatura até ao fim?

Sol e Sombra

Não esquecer que, para além de António Preto, Helena Lopes da Costa também apoia Manuela Ferreira Leite. Tal como Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes também têm elementos do exército das sombras. Ultrapassar a falsa dicotomia bases/elites passa também por acabar com algumas hipocrisias: não há candidaturas vencedoras -- ou de unidade, se se quiser -- sem integrar sol e sombra. Inferir que por integrar elementos do exército das sombras as candidaturas são reféns das mesmas é uma injustiça que não quero cometer nem com Ferreira Leite nem com Passos Coelho.

O Momento Certo

Ninguém acredita seriamente que Alberto João Jardim ainda está a equacionar a possibilidade de se candidatar à liderança do PSD, pois não?
A não ser que tenha uma súbita vontade de se suicidar politicamente, o que seria uma novidade, Jardim falhou o momento certo. Entretanto, as tropas que ele pedia, pura e simplesmente, comprometeram-se com as candidaturas de outros generais.
O tempo não volta para trás. É a vida.

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Leituras

Certamente por lapso, Luís Paixão Martins esqueceu-se de arquivar esta entrada na sua interessante secção de mordidelas silenciosas. Outras mordidelas: de acordo com Rodrigo Saraiva.

Leituras

«As listas de espera para intervenção cirúrgica em Portugal», por Pedro Pita Barros (IPRIS Verbis, n.º 4, Março de 2008).

Filmes de elite

Em dia comemorações revolucionárias, vale a pena revisitar este texto de Dezembro passado sobre o filme brasileiro Tropa de Elite.

Eduquês

"Se os jovens não se interessam pela política, é porque a política não é capaz de motivar o interesse dos jovens."

Cavaco Silva, hoje no discurso solene do 25 de Abril.

A ingenuidade revolucionária

Como diria o Heraclito, aquelas escadas tanto sobem, como descem...

Agenda-Setting

Vai ser interessante observar quais serão os temas que os diversos candidatos vão eleger como assuntos centrais nas suas campanhas, procurando dessa forma valorizar os aspectos que entendem que lhes são mais favoráveis, ao mesmo tempo relegando para segundo plano os que consideram inconvenientes. Um dos temas, já percebemos, é a questão da unidade. Outro, seguramente, é o passado vs. futuro.

O candidato da unidade

Na entrevista de ontem na RTP1, Rui Rio valorizou a unidade -- entendida enquanto sinónimo de pacificação interna -- que deverá ser restabelecida a seguir às eleições. Depreende-se das suas palavras -- corrijo, eu depreendo das suas palavras -- que uma das razões que o levaram a não se candidatar foi ter plena consciência que, caso vencesse, Menezistas e Santanistas não lhe dariam tréguas durante um minuto até 2009. Em suma, Rio sentia que seria incapaz de assegurar a unidade. Estou totalmente de acordo com o seu diagnóstico nesta matéria.
Porém, discordo de Rio quando afirma que Manuela Ferreira Leite é a pessoa indicada para «mudar em unidade». É seguramente mais indicada do que Rio, no actual contexto. Isto dito -- admito que possa estar enganado --, parece-me que Pedro Passos Coelho é mais indicado do que Ferreira Leite. Explico-me. Se se olhar para as declarações de apoio que começam a surgir, rapidamente se percebe que, com uma ou outra excepção -- Pedro Santana Lopes não capta apoios entre Barrosistas e Mendistas. De igual modo, Ferreira Leite não consegue obter apoios entre Menezistas e Santanistas. Contrariamente a Santana Lopes e Ferreira Leite, Passos Coelho recolhe votos em todos os quadrantes, exceptuando para já os Santanistas.
Mais. Vamos admitir que Santana Lopes ganha as eleições. Alguém acredita que a contestação terminaria? Admitamos igualmente que é Ferreira Leite quem ganha. Também acredita que a contestação terminaria? Não, pois não?
Uma vez mais, parece-me que Passos Coelho é o candidato que melhor se ajusta às necessidades do PSD.

Faites vos jeux

Julgo notar, não sei se propositada ou se involuntariamente, algumas referências à disputa eleitoral que se avizinha no PSD como se se tratasse de uma corrida a dois. Pedro Passos Coelho, juntamente com António Neto da Silva e Mário Patinha Antão, seria o outsider, a quem se reserva um tratamento entre o displicente e o sobranceiro.
Subestimar um adversário nunca deu bons frutos.

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Leituras

1. «The 'New' New Left», por Brian Morton (Dissent Online, Inverno de 2008).



Abril, Candidatos Mil

Nada mal, para quem está em alegada "crise". E nada mal também para um país em que não é normal o risco e a iniciativa. Não voto em Pedro Santana Lopes, mas gosto que venha à luta e gosto do meu partido assim.

Rigor e Confiança

1. «Líder da Comissão de Orçamento e Finanças presta assessoria ao BPN», revela o Público (22.4.2008: 39), com chamada à capa «Jorge Neto é assessor de banco sob investigação». Segundo o Público, «Jorge Neto (...) tem dado assessoria ao BPN, sendo considerado um colaborador de confiança de Oliveira e Costa, que recentemente se demitiu de CEO. A assinatura de Jorge Neto consta mesmo de alguns pareceres encomendados pelo BPN».
Hoje, sem chamada à capa, ao abrigo de direito de resposta (24.4.2008: 42), é publicado um extenso desmentido sobre o qual o Público, para já, não se pronunciou. E, no entanto, o desmentido coloca em causa, entre outras coisas, que Neto conheça Oliveira e Costa, ou que a sua assinatura conste de pareceres encomendados pelo BPN.
2. «Rui Rio é o preferido de Cavaco» revelava o Expresso na capa da sua última edição (19.4.2008). Nesse mesmo dia o próprio Presidente da República desmentiu a notícia deixando bem claro que «não tem o mínimo fundamento» (TSF, 19.4.2008). O Expresso, via edição em linha, para já, não se pronunciou.
3. «Menezes convida Cadilhe para programa de Governo» anunciava o Sol na capa da sua penúltima edição (12.4.2008). Nesse mesmo dia Cadilhe desmentiu a notícia, deixando bem claro que «não fui convidado para coordenar o programa de Governo do PSD e se tivesse sido convidado não poderia aceitar». O Sol na sua edição em linha fez referência ao desmentido. Na edição desta semana, se alguém esperava que o jornal reiterasse a bondade da sua versão terá ficado certamente desiludido, na medida em que o assunto é completamente ignorado.
4. Por falar na edição desta semana do Sol, o jornal informava em subtítulo que «Rui Rio cede aos apelos do PSD e anuncia candidatura no início da próxima semana» (19.4.2008: 4).
.
Perante isto, pergunto, há alguém que ainda acredite no que lê, sem dar algumas horas para ver o que acontece?

Pergunta Óbvia

O que é que move Pedro Santana Lopes?

Curtas Questões Existenciais

Quem apoiará, quase pro bono, António Cunha Vaz?

Ronda da Noite

Primeira paragem. "Deveria ser um escândalo público, mas nem sequer é um vago interesse ciciado. Em tão poucas coisas mostramos mais a nossa apatia cívica do que na questão do do tratado que terá o nome de Lisboa." Não posso estar mais de acordo com Pacheco Pereira.
Segunda paragem. É sabido que, apesar de sólidas credenciais conservadoras, tenho um fraquinho pela estética da esquerda revolucionária. Ficou-me da adolescência. Por isso, e correndo o risco de escandalizar alguns amigos, recomendo vivamente a série de murais alusivos ao 25 de Abril que a Maria João Pires tem postado no Cinco Dias. E para não ser só eu a atrair a ira da tribo, aviso que o camarada Botelho também anda a trabalhar para o outro lado...

Faites vos jeux

Começam a estar reunidas as condições para uma campanha clarificadora na corrida à liderança do PSD. Pessoalmente vejo com bons olhos a eventual candidatura de Pedro Santana Lopes, assumindo que não será desperdiçada a oportunidade de o confrontar com o desastre de 2004/2005. Tenho dúvidas que Manuela Ferreira Leite esteja à altura do desafio, mas Pedro Passos Coelho não desperdiçará seguramente a oportunidade.

Correio Expresso: Manuela Ferreira Leite

O Expresso do próximo fim-de-semana promete revelar os bastidores da candidatura de Manuela Ferreira Leite à liderança do PSD. Entretanto, pergunta-nos: MFL é "uma aposta de futuro" ou "um líder de transição"? Por outras palavras, conseguirá gerar o impulso necessário para levar o partido ao Governo em 2009 ou está ser empurrada pelos barões para perder honrosamente com Sócrates, abrindo depois espaço a uma alternativa renovadora?
Confesso que não sei - e duvido que, para já, alguém saiba ao certo. Sob o desconsolado consulado de Santana e Menezes, o PSD chegou a um tal estado de coma político que será difícil reanimá-lo num ano. É possível ganhar as eleições (quem lidera o PSD arrisca-se sempre a isso), mas vai dar trabalho. Exige-se fazer um programa credível, apresentar propostas, escolher uma equipa, definir um rumo político, delinear estratégias e prioridades, fazer uma marcação cerrada ao Governo. Em resumo, fazer tudo o que Menezes deixou por fazer.
Uma coisa é certa, porém: MFL é o único dirigente social-democrata em condições de liderar uma oposição a sério. E esse é o primeiro passo para ganhar as eleições.

Obama, Clinton e o voto popular

Como agora parece ser um critério decisivo para a escolha que os "superdelegados" terão de fazer na Convenção Democrata, eis o número total de votos recolhidos por cada candidatura (pós-Pensilvânia):
Obama: 14 417 134
Clinton: 13 916 781
Mas se forem contados os votos das primárias de Michigan e Flórida (como Clinton reclama):
Obama: 15 milhões
Clinton: 15,1 milhões
(Note-se que o nome de Obama não constava dos boletins de voto em Michigan.)
Mas Michael Barone acrescenta os seguintes dados, que podem ter a sua importância se o sistema eleitoral das primárias tiver de partilhar o seu lugar com a demografia. Clinton, como se sabe, ganhou a grande maioria dos Estados mais populosos. Obama ganhou a maior parte dos pequenos Estados. Mas como estes estão sobrerrepresentados em termos de delegados à Convenção, isso significa que, apesar de ter menos delegados, Clinton "representa" uma percentagem maior da população democrata do que Obama.
No entanto, não é preciso recorrer a estes raciocínios engenhosos para complicar a escolha da Convenção Democrata. Basta acompanhar a projecção de Barone para os Estados que ainda não votaram. Segundo essa projecção, Clinton vence no total de votos e perde em delegados. E, como se não fosse suficiente, se se contar apenas os delegados escolhidos em primárias - sem os delegados escolhidos pelos "caucuses" - Clinton até pode vencer em número de delegados.
Apesar de tudo, Clinton deve estar a rezar para que o Reverendo Wright diga mais uns quantos disparates. Só ele a poderá salvar.

Será o PSD masoquista?

Resultados oficiais das Eleições Legislativas de 20 Fevereiro de 2005:

PS: 46% (2.588.312 votos, 121 deputados)
PSD: 29% (1.653.425 votos, 75 deputados)

Trinta e quatro anos depois


Quase, quase, trinta e quatro anos depois de "Abril", só um cego não vê que o país, mesmo sem guerras e sem império, mas com "democracia" e "liberdade", está metido num beco saída para onde todos o levámos.
Resta-nos esta bela manhã de Primavera a anunciar um Verão com praia. Mas esta é afinal uma manhã de Abril igual a tantas outras que tivemos nos últimos oitocentos anos.

O candidato da amnésia

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Carme Chacón e a Internet


Espanha é hoje um país muito mais seguro e ainda bem que Chacón não é Thatcher.

Como é que se diz Catenaccio em inglês?

MFL

É curioso que uma grande parte da blogosfera se sinta desgostada por Manuela Ferreira Leite não ter ideias, não se ter afirmado como opinadora sobre assuntos que vão desde a guerra do Iraque às melhores receitas de bacalhau. É curioso que agora tanta gente se entristeça com a ausência de ideias e posições políticas. Permitam-me que recorde o País que o nosso PM eleito com maioria absoluta se destacou na sua campanha eleitoral por um silêncio quase absoluto sobre tudo o que poderia interessar ao eleitorado. Fez promessas? Fez. Mas eu pensava que os críticos queriam "ideias". Não desprezo as "ideias", mas também dá jeito ter um PM são, corajoso, competente, sério, com uma certa indisponibilidade para a palhaçada. Talvez aos nossos críticos agradasse que se citasse Voltaire, como certa vez se pôde ler numa certa entrevista. Eu prefiro que o Voltaire fique em casa.

Eu Também Não

No Abrupto: «Poderá dizer-se que ainda bem, estrague-se o PSD para fazer outra coisa, mas eu não faço parte daqueles que querem deixar o país entregue ao PS por mais uma década

No Complexidade e Contradição: «Talvez seja uma questão de pura simpatia pessoal, mas não consigo imaginar o que pode levar alguém a declarar expressamente que prefere ser governado por José Sócrates a ser governado por Manuela Ferreira Leite

Mitos em construção

A tese segundo a qual a entrevista de José Pedro Aguiar Branco é responsável pela demissão de Luís Filipe Menezes parece-me muito frágil, para não ir mais longe e dizer que não tem qualquer sustentação. Quanto muito foi a última gota num copo de água que já estava cheio, mas até isso me custa a acreditar. As razões da demissão de Menezes estão seguramente noutros quadrantes.
.
Aguiar Branco tem sido nos últimos dias o saco de porrada preferido. Alvo de chacota por mais um recuo na corrida à liderança do PSD. Evidentemente, colocou-se a jeito, não discuto isso. Aguiar Branco, porém, foi frontal e disse em público aquilo que muitos diziam em surdina. Isso não pode nem deve ser desvalorizado.

Patético

A lista do Telegraph dos 110 (?!) livros que compõem uma "biblioteca perfeita" é perfeitamente patética e reflecte a ignorância dos leitores dos nossos dias. Mas nem é a escolha dos títulos que me irrita. Qualquer uma destas listas tem um elemento maior ou menor de arbitrariedade. É esta obsessão com as listas e os rankings que reflectem a ideia de que o golpe de vista panorâmico é suficiente para dominar o que há de essencial na paisagem. No fundo, é exactamente a mesma fraqueza que está por trás de muitos artigos de opinião que enchem as páginas dos nossos jornais ditos de referência. Depois admirem-se que haja por aí gente enraivecida com esta tendência para converter tudo em frívolo entretenimento.

Leituras

Acabou de completar dois anos, mas este artigo de José Pacheco Pereira continua actual. A política tem destas coisas: Pacheco Pereira apoia Manuela Ferreira Leite (como seria de esperar, aliás), mas o conteúdo do seu artigo revela -- digo eu... -- que conceptualmente se encontra muito mais próximo de Pedro Passos Coelho.

Quando o futuro é refém do passado

Um dos problemas centrais no PSD é o passado. Há demasiado passado. Todos conhecem os pontos fortes e os fracos uns dos outros. Todos sabem o percurso uns dos outros, incluindo os amores e as traições, em sentido político. Há passado em doses asfixiantes. Chegou-se a um ponto em que o futuro é refém do passado. O PSD parece uma pequena aldeia que envelhece e definha, sem encontrar uma forma de o evitar. Sem sangue novo, pessoas e propostas, o prognóstico continua incerto.

As distritais

A esmagadora maioria dos líderes das distritais do PSD continua em silêncio. Ainda não se percebe a direcção do vento.

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Leituras

1. «A síntese improvável», por Pedro Adão e Silva (Diário Económico, 22.4.2008: 2).

Obviamente, admiro-a

Manuela Ferreira Leite avançou hoje com a sua candidatura à liderança do PSD. Tem o meu voto de militante de base (porque toda a gente sabe que eu sou o único militante de base do Cachimbo; o Marcelo, o Pinheiro, o Martins e o Botelho são das elites). Tem tudo, como escrevi há dias, para vencer eleições no partido e no país. E tem, sobretudo, o que falta dolorosamente a Menezes: peso, nome, credibilidade, experiência governativa, sentido de Estado, coluna vertebral, vergonha na cara, estatura pessoal e política.
Quanto mais não seja, vai parar com o assalto ao património histórico do PSD, alegremente delapidado em tertúlias de tasca pelos moços das cocheiras que ocuparam a São Caetano à Lapa nos últimos anos. Sim, estou a falar dos Santanas, Menezes, Ribaus, Branquinhos e Silvas desta vida. Ou desta vidinha. Manuela Ferreira Leite não mudará de opinião todas as semanas nem perderá um minuto com os colos do Primeiro-Ministro.
É certo que está longe de ser uma alternativa liberal ao neo-socialismo reinante, mas vamos dar tempo ao tempo. Não nos enganemos: Passos Coelho também não é essa alternativa. Por enquanto, nada mais pode oferecer do que alguns chavões simpáticos. Falta-lhe densidade. Para ter ideias novas, primeiro há que ter ideias, diria o senhor de la Palisse.
E resta saber se o PSD vai em liberalismos. Lendo o que se tem escrito pela blogosfera, já estou como o camarada Pinheiro: os liberais não conseguiram fazer uma ala no CDS e querem ensinar o PSD a governar a pátria?

Sosseguem os mais impacientes

A ala populista social-democrata apresentará seguramente um candidato forte na corrida à liderança do PSD. Questões de intendência a isso obrigam.

Acredito

Durante alguns momentos no debate de ontem, referiu-se como uma das causas agravantes da crise actual do PSD a ida de Durão Barroso para Bruxelas. Não sei que opinião têm os militantes do PSD sobre o assunto. Mas parece-me evidente que esse foi um facto de crucial importância. Faço uma proposta aos militantes do PSD: como segundo a tese oficial Durão Barroso foi para Bruxelas em missão patriótica, então que se crie a seguinte narrativa mítica de que o PSD foi sacrificado no altar do interesse nacional. Sá Carneiro e a Constituição, Cavaco Silva e os 10 anos de modernização do País, Durão Barroso e o sacrifício final do partido em nome do País e da Europa. A mim, parece-me muito bem. Votaria num partido destes. Acredite se quiser.

O óbvio sobre os "think-tanks"

No debate Prós e Contras de ontem não faltou a concordância quanto à necessidade de haver think-tanks, "como na Inglaterra e nos Estados Unidos". Mas fiquei com a impressão de que os participantes ansiavam por think-tanks dos partidos e no interior dos partidos. Permitam-me discordar. Nada para os partidos, nada dentro dos partidos. Faltam think-tanks cá fora, "na chamada sociedade civil" - uma expressão que Pedro Passos Coelho deve ter aprendido algures, a julgar pela pausa que fazia quando a pronunciava. Mas para fazer think-tanks é preciso dinheiro, muito dinheiro. E digo o óbvio quando recordo que esse dinheiro só pode vir de patrocinadores privados. Eles existem em Portugal? Se não existem think-tanks em Portugal, tal não é da exclusiva responsabilidade de Sócrates ou de Marques Mendes, como alguns ontem sugeriram. Porquê Sócrates ou Marques Mendes, ou qualquer outro líder partidário? Para haver "sociedade civil" não basta invocá-la. Há que investir dinheirinho. "Como na Inglaterra e nos Estados Unidos".
Por mais que o socialismo português seja repudiado em público, ele regressa num instantinho. Nem damos por ele chegar. Até parece que faz parte do nosso ser e da nossa essência.

As bases

Falar dos militantes do PSD é uma coisa. Falar das bases do PSD é algo diferente. Os mais distraídos poderão falar/escrever sobre as bases como sinónimo de militantes, mas a verdade é que bases e militantes não são sinónimos. Não são, ponto final, parágrafo. Os militantes é uma designação inclusiva. Os militantes são todos iguais, ou pelo menos assim se pretende que seja. Não se trata apenas do mecanismo formal segundo o qual a cada militante corresponde apenas um voto. Há um desígnio substantivo de promover a igualdade na pertença a um partido, independentemente da origem social, da profissão, da cor, ou do género.
Já a expressão bases é selectiva. Mais do que selectiva, é dicotómica na sua natureza. Falar de bases só faz sentido por oposição a qualquer coisa, neste caso às elites. A utilização desta expressão, como facilmente se compreende, institucionaliza e promove a clivagem intrapartidária. Consagra a fractura interna. Mais. A dicotomia bases/elites é uma reminiscência de natureza marxista, o que não deixa de ser irónico. Afinal, tendo em conta que estamos a falar do PSD, esta luta de classes está totalmente fora de contexto. As palavras não são neutras. Nunca foram e nunca irão ser.

«Guantánamo fiscal»

Ângelo Correia acha que vivemos um «Guantánamo fiscal» em Portugal. Eu acho que anda tudo doido e a precisar de repensar as imagens que utiliza.

Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

O humorista

É giríssimo ver Ângelo Correia, no Pròs e Contras, lamentando, melancolicamente, a "falta de ideias" em Portugal, a "ausência de pensamento", o "não pensarmos". É de rir até às lágrimas. Basta lembrarmo-nos dos pensadores que ele apoia(va) e que ajudou entusiasticamente a instalar nas, certamente incrédulas, paredes da São Caetano à Lapa: Menezes, Ribau, Bota, Gomes da Silva. Todos pudemos ir assistindo horrorizados às "ideias" que sopravam nos crânios daqueles "pensadores".

[Pronto, agora lá vem a cantilena desavergonhada dos "ataques traiçoeiros dos críticos" - que até foram pessoais, vejam só, clama Correia, lamuriento, de dedo em riste.

Eu, por mim, já estou para aqui num pranto imparável.]

Faites vos jeux

Começa, aparentemente, a clarificar-se o leque de candidatos à presidência do PSD. Não sou militante social-democrata, mas se fosse votaria seguramente em Pedro Passos Coelho (PPC). Em primeiro lugar porque a escolha de PPC corresponde a um corte com o período anterior de Durão Barroso e Santana Lopes. Em segundo lugar porque PPC é o candidato de quem me sinto mais próximo de um ponto de vista geracional. Em terceiro lugar porque me identifico com a visão de PPC sobre, entre outras coisas, as funções do Estado. Este último ponto, aliás, é aquele que mais me interessa. Venha, pois então, o debate sobre as propostas dos diversos candidatos para o PSD e para o país.

B16 in USA


O Papa terminou ontem a sua visita aos Estados Unidos. Quando Bento XVI foi eleito, toda a gente disse que este homem de gabinete viajaria menos do que João Paulo II, o pastor globetrotter. E assim aconteceu. Em menos de um ano, Wojtyla já tinha feito tantas viagens como Ratzinger em três anos de pontificado, celebrados precisamente ontem.
O que chama a atenção, no entanto, para lá da diferença de estilos, é que em ambos os casos as viagens revelam prioridades estratégicas.
Eleito em Outubro de 1978, o Papa polaco visitou o México em Janeiro de 1979, a sua Polónia natal em Junho e os Estados Unidos em Outubro. Os objectivos eram claros: a teologia da libertação e a América Latina, onde se concentrava metade dos católicos do planeta; o comunismo e o Bloco de Leste, a maior ameaça à liberdade da Igreja; e a América do Norte, a potência política e cultural do século XX. Quais os resultados do combate de João Paulo II? A teologia da libertação quase desapareceu do mapa, o comunismo passou à história - excepto em Portugal, em Cuba e na Coreia do Norte - e quanto à América... Bem, na América não se pode dizer que a Igreja, ao fim destes trinta anos, possa cantar vitória. Muito pelo contrário.
É por isso que Bento XVI a escolheu como destino da sua terceira visita, depois de ter ido à Alemanha e à Turquia. Em Colónia falou para a velha Europa, a grande preocupação do seu pontificado (por alguma razão escolheu o nome papal de Bento, o santo padroeiro da Europa). Em Istambul falou para o Islão moderno, a outra frente de batalha onde Ratzinger prevê que a história faça a próxima paragem (leiam o que escreveu sobre o Islão antes de ser Papa). E na América, falou para quem?
Para muito poucos, dir-se-á. O catolicismo americano atravessa hoje uma crise números e de identidade semelhante à do velho continente. Mas com três características que merecem um olhar mais próximo.
Em primeiro lugar, o declínio da Igreja americana, onde só um em cada quatro fiéis vai hoje à Missa (antes dos anos 60, eram três em cada quatro), tem sido travado pela imigração hispânica, quase sempre católica, praticante e mais fértil do que a média - por enquanto. Na Europa, pelo contrário, a imigração é islâmica, o que tem naturalmente a consequência inversa sobre o peso cristão na sociedade. Este dinamismo hispânico alterou o perfil da América católica. Os irlandeses, que deram ao país o primeiro presidente não wasp, ou os italianos, que deram a Hollywood a cena de assassínio mais famosa do cinema (o massacre durante a Primeira Comunhão, no Padrinho), já não estão em maioria. A medalha tem, porém, um reverso: imigrantes ou filhos de imigrantes, os latino-americanos são em geral menos escolarizados, mais pobres e mais vulneráveis ao apelo dos cultos carismáticos do que os outros católicos.
A segunda originalidade do catolicismo americano é que vota tradicionalmente à esquerda. Este dado estatístico começou a mudar com Bush, que ganhou o voto dos crentes praticantes, tanto católicos como evangélicos, graças a uma sólida atitude pro-life que o diferenciava de Kerry (um católico, por sinal). No entanto, irlandeses, italianos e hispânicos tendem a confiar mais no Partido Democrata em matérias como - adivinhem - redistribuição da riqueza, protecção laboral, segurança social e imigração. O Papa falou de tudo isto na ONU, e não foi para concordar com Bush. Mas como os candidatos democratas, mesmo quando se intitulam católicos, também costumam identificar-se menos com a doutrina da Igreja no que toca ao aborto ou ao casamento gay do que os republicanos, Bento XVI aproveitou a viagem para recordar alguns princípios que estão sempre em discussão nas guerras culturais americanas. E com uma disputadíssima campanha presidencial em curso, não o esqueçamos.
Ora, a terceira questão está relacionada com a anterior. Trata-se da pedofilia. É um aspecto a que deram grande projecção os media e o próprio Ratzinger, em várias referências públicas e ao receber algumas das vítimas dos abusos. Compreende-se porquê. Se a pedofilia é sempre abominável, a escala dos abusos na Igreja americana tornou-se um escândalo que envergonha todos os católicos, como o Papa reconheceu na própria viagem de avião para Washington. Os actos pedófilos praticados pelo clero entre as décadas de 60 e 90 deixaram profundas marcas, sobretudo dentro da Igreja. Bento XVI criticou publicamente os bispos, que "geriram mal" o problema (e quem conhece a prudência do Vaticano sabe que uma crítica tão aberta é rara e, portanto, duríssima) e indicou o remédio: um crivo mais apertado na formação e selecção dos padres. Isto significa, traduzindo de papês para português, negar por completo o acesso ao sacerdócio a candidatos que tenham inclinações homossexuais.
Quando, há alguns anos, a Santa Sé publicou um documento em que reforçava esta doutrina, precisamente na sequência dos escândalos de pedofilia, os arautos da political correctness e os movimentos gay vieram de imediato queixar-se de homofobia. Mas a Igreja fez o seu trabalho de casa. Num inquérito exaustivo a todos os casos denunciados, aliás necessário por causa das enormes indemnizações que as dioceses americanas tiveram de pagar em acordos extrajudiciais, chegou-se à conclusão de que muitos dos padres abusadores tinham sido ordenados nas décadas de 60 e 70, no auge do chamado período pós-concíliar. Foram tempos conturbados, em particular nos países onde a rápida secularização já antes do Vaticano II chocava de frente com a moral sexual católica. Por um aggiornamento mal entendido, houve quem na Igreja cedesse à opinião dominante fora da Igreja. Nos seminários e nas faculdades de Teologia, muita gente entendeu que era uma prova de amor ao próximo conceder a ordenação a seminaristas que não estavam dispostos a viver a castidade, fossem eles gays ou straights. Em nome do que o mundo chama tolerância. O resultado foi a falência financeira e, pior ainda, moral de várias dioceses, paróquias, ordens e seminários.
Bento XVI foi à América dizer isto. God bless him.

Leituras

1. «Patriotismos», por José Pacheco Pereira (Público, 19.4.2008).

Leituras

1. «Público e privado», por Rui Pena Pires (Canhoto, 20.4.2008).

Da série "Outras leituras"

«É provável que, se hoje visitassem a China e o Vietname, Estaline ou Ho Chi Minh ficassem horrorizados com o que ali se passa. Mas também é verdade que Lenine ou Mao se sentiriam bastante à vontade se lessem as directivas comunitárias, conhecessem a ASAE ou analisassem o nosso Serviço Nacional de Saúde, sistema educativo, agricultura e outros sectores. Qual evoluiu mais no último século, o capitalismo ou o marxismo?

Bom texto de João César das Neves no DN de hoje. Recomenda-se.

Uma questão de iniciativa política

O convite que Alberto João Jardim dirigiu a José Sócrates para que este visite oficialmente a Madeira, é o resultado do esforço do presidente Cavaco Silva para mediar politicamente o já longo e desgastante conflito entre o Governo regional da Madeira e o Governo da República. Mas é sobretudo a promessa de que José Sócrates fica, a partir de agora, colocado perante um delicado dilema. Vá ou não à Madeira, ao receber o convite o primeiro-ministro perdeu a iniciativa no combate político que, desde há três anos, escolheu travar com Alberto João Jardim.

Domingo, 20 de Abril de 2008

I Am Legend

Como há muitos anos se disse de Mazzola: talvez nunca mais o voltaremos a ver, signor Maldini.

Manual de candidatura

A parte fácil:
1. Declarar a intenção de se candidatar.
A parte difícil:
2. Reunir 1500 assinaturas.
3. Angariar verbas na ordem dos 200 mil euros.

Sábado, 19 de Abril de 2008

Extraordinariamente excepcional

«Entendo que não há neste momento nenhuma razão extraordinária que me deva levar a não cumprir aquilo que devo cumprir, que é o mandato a que me propus na Câmara do Porto. As pessoas confiaram em mim. As eleições autárquicas foram há pouco mais de um ano. [...] Acho que com isto estou a facilitar a vida ao partido. Também não era correcto da minha parte agora calar-me, deixar eventualmente crescer algum apoio, criar dificuldades a outras pessoas que possam eventualmente ser candidatas e não clarificar a tempo e horas», frisou Rui Rio (Lusa via Diário Digital, 18.7.2007).
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«Os mandatos são para cumprir integralmente, salvo situações muito excepcionais», disse Rui Rio (Expresso, 19.1.2008).
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Admitindo que está, de facto, a avaliar a hipótese de se candidatar à liderança do PSD, então Rui Rio tem um problema complicado em mãos, i.e. explicar, de forma convincente, qual é a «razão extraordinária», a «situação muito excepcional», que justifica a alteração de posição num espaço relativamente curto de tempo.

O legado

Não faço a mais pequena ideia se Luís Filipe Menezes espera ou não por uma vaga de fundo para se recandidatar. Uma coisa, porém, me parece clara. Nunca se falou tanto nas bases -- em vez da designação inclusiva de militantes -- e na dicotomia bases vs. elites. Puro veneno.

Desculpe? (II)

«No fundo, o país precisa de um PSD capaz de trazer uma nova esperança», disse Pedro Passos Coelho, citado pelo jornalista Francisco Almeida Leite (FAL) na edição de hoje no DN (19.4.2008: 4).
Ao contrário de FAL, espero que tal não seja uma alusão à Nova Esperança de Marcelo Rebelo de Sousa, José Manuel Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e José Miguel Júdice. O que o país não precisa, seguramente, é de um PSD capaz de gerar uma Nova Esperança. Precisa, quanto muito, de «Pensar Portugal», sem comparações, sem esperanças do passado ou esperanças obamanianas do futuro.

Desculpe?

«A situação na Madeira é bastante pior que no Zimbabwe, porque o controlo da sociedade faz-se sem recurso à violência, não sendo por isso menos absoluto. É sim, mais sofisticado», disse o líder regional do PS-Madeira, João Carlos Gouveia.
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Há comparações que são manifestamente infelizes. Esta é uma delas. Comparar intencional e propositadamente a situação na Madeira com o que se passa no Zimbabwe é um completo disparate. Demonstra não só ignorância, mas também falta de tacto político.
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A minha simpatia por Alberto João Jardim é nula, como se sabe, mas a comparação é totalmente estapafúrdia. A começar no detalhe de Jardim ter ganho sucessivas eleições democráticas sem qualquer tipo de irregularidade.

Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Correio Expresso: a crise de liderança no PSD


As novidades no PSD têm sido tão vertiginosas que um dos temas que o Expresso nos propôs comentar, ontem, ficou desactualizada no próprio dia. Perante o desafio de Aguiar Branco, há "necessidade ou legitimidade de Menezes ser substituído pelos seus críticos"? Menezes respondeu antes de nós e a resposta foi positiva a ambos os quesitos.
Uma resposta positiva, mas enviesada. Menezes y sus muchachos não reconhecem a necessidade de mudar o rumo político do PSD - pela simples e invencível razão de que esse rumo não existe. Quanto à legitimidade, já se sabe que os críticos são todos uma cambada de sulistas, elitistas e liberais a querer tirar o poder às bases. E têm o péssimo hábito de matar médicos pelas costas.
É que agora, depois da revolução menezista, a legitimidade vem do "povo anónimo" que está com Menezes. Só os "carismáticos", como ele, amam o povo e são amados pelo povo. Como o John Wayne. Como o Berlusconi. Como a Evita Péron. Fora com os barões. Vivam os tubarões. O PSD não é da alta burguesia do Porto, Jardim dixit. O PSD é do povo. O PSD é de Menezes. O PSD é de quem o trabalha.
Infelizmente, os críticos não pensam assim. E aí temos, para já, três candidatos ao coração do povo. Se ainda houver bom senso por aquelas bandas, Aguiar Branco desite a favor de Manuela Ferreira Leite, que tem todas as condições para ganhar o partido e o país.
O povo é sereno, mesmo o do PSD. Mas não abusemos da sua paciência.

IPRIS Verbis

Anteontem esqueci-me de informar que quem quiser receber os artigos sempre que são publicados pode inscrever-se para o efeito. Para isso basta inserir o endereço de email no espaço da newsletter.

2009

O que é imperioso num partido de poder, com a tradição e responsabilidade do PPD-PSD, é apresentar uma alternativa em 2009. A ideia de aceitar uma derrota como facto prévio é um vício de pensamento que é necessário quebrar. O PPD-PSD não pode recear perder, mas também não pode aceitar a derrota a esta distância e construir hoje com base nela.

Em 2009, como habitualmente, existirão duas escolhas de governo, o PS e o PPD-PSD. No PS, a escolha tem nomes e resultados para disputar. São, apenas como exemplo, José Sócrates, Manuel Pinho ou Ana Jorge a inevitabilidade portuguesa? Não tem o PPD-PSD pessoas, competências e propostas com qualidade suficiente para justificar uma alternativa séria?

É preciso cantar "A Portuguesa"?

CDS's

Na blogosfera, tem imensa piada ouvir as explicações do Derby County sobre o que o Arsenal ou o Liverpool deveriam ter feito ou passar a fazer para disputar o campeonato ao Chelsea ou Manchester United. Como diriam os fedorentos, falam, falam, falam...

Um homem duro

Vá lá, pelo menos desta vez não chorou.

Bento XVI nos EUA

«[É] essencial uma correcta compreensão da justa autonomia da ordem secular, uma autonomia que não pode desvincular-se de Deus Criador, nem do seu plano de salvação. Talvez o tipo de secularismo dos EUA coloque um problema particular: enquanto permite crer em Deus, respeita o papel público da religião e das Igrejas, reduz subtilmente, não obstante, a crença religiosa ao mínimo denominador comum. A Fé transforma-se numa aceitação passiva de que certas coisas “lá fora” são verdadeiras, mas sem relevância prática para a vida quotidiana. Como resultado pode dar-se uma separação crescente entre a Fé e a vida: vive-se “como se Deus não existisse”. Isto é agravado por um perspectiva individualista e ecléctica da fé e da religião: afastando-se da perspectiva católica de "pensar com a Igreja", cada qual pensa ter o direito de seleccionar e escolher, mantendo os vínculos sociais mas sem uma conversão integral e interior a Cristo. Por consequência, mais do que transformar-se e renovar-se por dentro, os cristãos podem cair facilmente na tentação de acomodar-se ao espírito mundano. (...) Constatamos isso de maneira pungente no escândalo provocado por católicos que promovem um suposto direito ao aborto».

Bento XVI, Respostas aos Bispos dos EUA, Washington D.C., 16.04.2008

A Declaração Política.

Logo à tarde, Pedro Passos Coelho vai fazer "uma declaração política." O país aguarda-a ansiosamente!

Faites vos jeux

«Por causa dos perigos e tormentas que em o dobrar dele passaram lhe puseram nome de tormentoso; mas el-rei D. João vindo eles ao reino, lhe deu outro nome mais ilustre, chamando-lhe de Boa Esperança, pela que ele prometia deste descobrimento da Índia tão esperada, e por tantos anos requerida» João de Barros.
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Les jeux ne sont pas faits. Tormentas ou Boa Esperança?

Cooperações estruturadas: pelotão da frente, claro

Estive ontem no lançamento do novo número da revista Segurança e Defesa (o site ainda está desactualizado). Luís Amado, na sua intervenção, lançou um tema que na sua opinião estará por cá em discussão nos próximos tempos, i.e. «o posicionamento de Portugal em relação à Política Comum de Segurança e Defesa e se queremos ou não acompanhar as cooperações estruturadas de geometria variável [...] no pelotão da frente ou na rectaguarda». Ainda segundo Amado, em causa está a «imagem do país», a «matriz de diferenciação» e a «projecção externa».
Algo me diz que já sei qual é o posicionamento de Amado neste debate, aliás em linha com aquele que tem sido ao longo dos anos o posicionamento português no processo de construção europeia.
Hoje, aparentemente, Nuno Severiano Teixeira abordará também ele o assunto. Venha, então, o debate.

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

V de vai ou V de volta?

Não sejamos anjinhos. O rei morreu, viva o rei? Calma.
Menezes, que prometeu sair à bomba, está confiante na vaga de fundo do aparelho. Que, aliás, já começou.
O mesmo Ângelo Correia que, há escassos dias, se confessava insatisfeito com o estado do PSD, veio declarar a sua fidelidade ao querido líder e a urgência de que ele se recandidate. Acabo de ouvir o seráfico Marco António, homem de mão de Menezes na distrital do Porto, a fazer o mesmo apelo na televisão. Quando Ribau, Silva e Branquinho deixarem por breves instantes de esquadrinhar a vida do Primeiro-Ministro, é certo e sabido que também darão um ar da sua (muita) graça.
A jogada é óbvia. Marcando as directas para daqui a um mês, Menezes está a diminuir a margem de manobra dos adversários. Entretanto, vai agitar um fantasma chamado "eu ou o caos". Também já começou a fazê-lo: basta atentar no seu inqualificável discurso de renúncia.
Acontece que Menezes não é propriamente Churchill. Veremos se a táctica não lhe sai cara.

Vaga de fundo das bases?


O curto prazo para preparar candidaturas e para a campanha prévia às eleições directas no PSD -24 de Maio- data ainda a confirmar pelo Conselho Nacional, pode tornar-se um sério obstáculo ao debate político e à renovação de um partido que precisa de se reinventar. Qual é a pressa pergunto eu? Como se pode discutir ideias e preparar equipas em menos de 5 semanas?
É um claro indício de que Menezes ainda sonha recandidatar-se. Demite-se mas deixa tudo em aberto, talvez à espera de uma vaga de fundo das bases que nunca chegará a acontecer. Menezes continua a surpreender, mas não deixa saudades, tal como o discurso amargo desta noite.

Da série "sem comentários"

Breaking news

Segundo o Público e o Diário de Notícias, já há candidato para disputar a liderança de Menezes antes das legislativas de 2009: José Pedro Aguiar Branco.
Uma boa notícia vinda do PSD, finalmente.
Uma boa notícia - fosse qual fosse o candidato.

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Não pode ser, seguramente

Luís Paixão Martins coloca -- bem -- o dedo na ferida. Isto dito, o comunicado de Henrique Monteiro é corajoso, sem dúvida, mas mesmo assim é curto. Tal como Luís Paixão Martins, não percebo o que leva os jornalistas a dar o peito às balas, protegendo a identidade de fontes que manifestamente não os respeitam profissionalmente.

IPRIS Verbis

Operacional, finalmente. O IPRIS deu início a uma nova publicação em linha. Ao longo de 2008 serão publicados 24 números. Cada edição terá um autor convidado que escreverá sobre um tema a definir. De cariz multidisciplinar, o «IPRIS Verbis» pretende abordar temas como diplomacia, defesa, economia, finanças, saúde, entre muitos outros.

Hard pink


Que haja quem gosta da Margarida Rebelo Pinto não me incomoda. Que haja quem veja na 1ª República o arauto da modernidade é absurdo, mas também não me tira o sono.
Já ver publicado em Diário da República, sob a forma de Lei, uma enxurrada de propaganda em jeito de literatura cor-de-rosa, com um misto de pornografia fetiche e sado-masoquismo, confesso que me aborrece.

Não sei quem escreveu o Preâmbulo do projecto de lei do PS sobre essa coisa a que chamam «fim do divórcio litigioso». Mas é justo defender que estas peças de bordel passem a ser assinadas. Sim. Uma peça daquelas merece definitivamente autoria. E já agora que o Diário da República passe a ter edições com bolinha vermelha, imprópria para o comum dos mortais.

Sorte é que ao Estado não se aplique o núcleo da mensagem divulgada. Se a «afectividade» ditasse a nossa relação com o Estado, e a este se pudesse exigir que abandonasse o «poder paternal» para assumir uma «responsabilização» (ainda que não parental) que ignora, a diminuição de receitas fiscais acompanharia, por certo, o divórcio dos eleitores com este Estado de coisas. Ai, ai, que irresponsabilidade. Disso nem falar.