Nos comentários ao meu último post, aparece um tal "Karl Popper" apontando uma contradição no meu texto por eu ter sugerido que a resposta de MFL é "irrefutável". Sendo "irrefutável", a resposta situar-se-ia além das regras da cientificidade, e por isso mereceria a repreensão que lhe foi dada. (É para rir, não é?)
A minha resposta poderia ser uma outra pergunta: mas os entrevistados responderam na qualidade de cientistas ou de políticos? Contudo, não vale a pena recorrer a esta alternativa. Vamos antes supor que o candidato X (PPC, PA, SL ou o outro) respondeu: "Em princípio, acho que o Estado deve preferivelmente tributar o consumo". Presumo que seja uma resposta de "visão para o País". Apresenta um "rumo". Toma uma "decisão". Mas pergunto: esta proposição é falsificável? Não. Como MFL torna implícito, teríamos de dizer algo como "para obter maior equidade na distribuição de rendimento (um dos tais objectivos de política de que, segundo MFL, a valorização de cada imposto depende), é preciso tributar o consumo" para obter uma proposição falsificável. E, por acaso, esta é seguramente refutada por um raciocínio económico elementar. É simplesmente falsa. Mas para chegarmos a esta conclusão "popperiana" temos de definir os objectivos de política económica e financeira, quaisquer que eles sejam. De outro modo, esta conversa não faz sentido algum.
5 comentários:
Caro Miguel,
não venha ensinar a missa ao padre. Não foi consigo que eu aprendi a diferença entre políticos e cientistas: foi com Max Weber, há muitos anos.
Ainda assim, penso que as proposições políticas que não tenham um claro fundamento axiológico ganham em conformar-se à regra da falsificabilidade. E “A valorização da importância de cada imposto tem de, em cada momento, tomar em atenção a conjuntura económica e os objectivos de política a prosseguir” não tem nenhuma carga axiológica particular. Portanto, sendo irrefutável, é também tautológica, e portanto nada esclarecedora.
Há quem lhe chame credibilidade. Lá na Áustria chamavamos-lhe outra coisa...
E ele insiste em insultar o Popper...
Nem se deve dar importância a estas parvoíces, Miguel. O tipo desconversa. Se está a falar a sério, é saloiice "epistemológica".
Carlos,
esse seu comentario tambem peca por ser insuficientemente falsificavel... este Popper esta doente mas ainda lhe da azia. Va-se la saber porque!
PS: desculpem a falta de acentos, e o teclado austriaco...
Ainda há-de aparecer por aqui um maluquinho, assinando Immanuel Kant, a increpar a Ferreira Leite por ela não se exprimir em juízos sintéticos a priori...
"Ainda há-de aparecer por aqui um maluquinho, assinando Immanuel Kant, a increpar a Ferreira Leite por ela não se exprimir em juízos sintéticos a priori..."
Esta está demais!
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