Quinta-feira, Maio 01, 2008

Da Exigência

Há muita exigência em diversas análises publicadas acerca de Manuela Ferreira Leite. Acho bem, o país deve ser exigente mas convém não esquecer que deve também ser um pouco consequente. Escreve-se que as características pessoais não interessam assim tanto, que o importante são as ideias e, eventualmente, o passado. Teríamos então nesta versão uma senhora cinzenta e mal disposta, com disfarce de austeridade, sem ideias e com um passado político pouco recomendável nos governos com Cavaco e Durão Barroso. Já não surpreende a forma como por vezes se resumem décadas inteiras na vida das pessoas, mas quando o objectivo de uma análise visa a tomada de decisão numa escolha, talvez não seja má ideia aplicar a mesma matriz às alternativas. Se o que se escreve sobre MFL tem como base a alegada impossibilidade desta vencer Sócrates, estamos a preferir este a MFL. E o que oferece Sócrates? Uma visão controladora e retaliadora do espaço público, crescentemente à esquerda, um passado "glorioso" com António Guterres, esse grande governo, um portfolio magnífico de marquises e umas miseráveis aventuras universitárias. Ah, as ideias, Sócrates é um conjunto magnífico de ideias, ordenadas, profundas, pensadas, visionárias, certamente publicáveis e traduzíveis, mas sobretudo credíveis, tal como as suas promessas.

Quem acha que Manuela Ferreira Leite perde com Sócrates que diga comparativamente porquê. E sem medo das palavras.

13 comentários:

Anónimo disse...

Acho que é fácil de explicar. Sócrates é péssimo, concordo. MFL é abismal, um desafio à compreensão humana. Sócrates controlou o défice e vê o país crescer umas décimas abaixo da média europeia. Péssimo, concordo, mais uma vez, é inaceitável crescer menos do que a média.
MFL sacrificou por inteiro o crescimento ao défice, uma decisão economicamente absurda. Mas não fica por aqui: apesar do sacrifício de tudo o resto ao défice, este explodiu! Não dá para acreditar, mas é verdade! Eu interpreto esta candidatura como uma anedota.

caodeguarda disse...

é simples... para ser "viró-disco e toca o mesmo" as pessoas nem se dão ao trabalho de ir votar... a sr.ª não trás nada de novo nem sequer na pose autoritária...

Manuel Pinheiro disse...

Caro anónimo,

Não concordo com o que diz, mas os termos de comparação não podem ser esses. Ou comparamos Durão Barroso com Sócrates ou então Campos e Cunha / Teixeira dos Santos com Ferreira Leite. Ferreira Leite com Sócrates não dá, estão em níveis de responsabilidade e autonomia distintos.

Como distintas também são as circunstâncias, uma coisa é uma coincidência temporal outra é causalidade. Não percebo que medidas Sócrates tomou que tenham sido economicamente mais eficientes, recordo que se é verdade que com MFL o IVA aumentou em 2% (tal como com Sócrates), também é verdade que, por exemplo, o IRC desceu de 30 para 25% com MFL.

Também não concordo com a versão da explosão do défice, sinceramente não sei a que se refere. Para efeitos de consolidação o que me interessa é o défice estrutural, expurgado do ciclo económico, a saber:
2001 - 4.9%
2002 - 2.7%
2003 - 1.7%

Também não é verdade que tenha sido sacrificado inteiramente o crescimento ao défice, e é curiosamente o recurso (que eu elogia) às receitas extraordinárias que o atesta.

Por outro lado, PT simplesmente não tinha margem para ter défice acima de 3%, ao contrário de Sócrates, a quem foi dado um prazo de ajustamento. Graças a Guterres, PT foi o primeiro país a entrar em incumprimento, e a UE demonstrou mão dura com o primeiro. Quando outros mais fortes vieram a seguir, a UE ficou mais, vá lá, simpática.

Anónimo disse...

Deve estar a brincar!
Défice 2005: 6,89%

Manuel Pinheiro disse...

Ó anónimo, você acredita nessa encenação dos 6,82? Isso foi um exercício académico previsional e em cenário de imobilidade. Se nada se fizesse até ao final do ano o défice seria X. E deu esse 6,82. Já viu o mês em que isso foi calculado? Já fez contas parecidas para os restantes anos? Não, não tem interesse nenhum, isso foi uma manobra de desinformação com objectivo propagandístico. Pelos vistos cumprido. Veja lá isso.

Anónimo disse...

Não percebo do que está a falr. Como sabe, os números oficiais são 6,0, mas 6,82 é um número anterior que julgo mais rigoroso para avaliar o consulado de Ferreira Leite, que entretanto saiu. Mas se prefere os 6,0, assim seja. Falemos do crescimento também, se ainda tiver coragem.

Anónimo disse...

Espanha (crescimento PIB, 2005): 3,4%
Portugal: 0,5%

TAF disse...

Sócrates é uma desgraça. Mas mesmo que MFL seja melhor, a diferença não é tão grande como seria com Pedro Passos Coelho (e a inércia dos votantes é infelizmente grande). Não se trata apenas das políticas económicas e financeiras. Tem muito mais a ver com a postura de envolvimento real da sociedade civil, da efectiva renovação de caras, de outro fôlego para projectar o futuro.

Em resumo: a diferença de PPC para Sócrates é, a meu ver, muito mais evidente do que de MFL para Sócrates.

O-Lidador disse...

Isto das "ideias", é muito bonito,e importante para alguns, mas a verdade é que a maioria vota em pessoas, não em programas, a não ser que haja coisas no programa que sejam contra-natura.
Vota-se em personalidades, não em teologias.
Vota-se em quem se confia, em quem tem carisma, em quem parece ter uma aura de pessoa de bem, ou respeito.
As pessoas votam em simplificações.

A maioria dos cristãos não vai à missa por conhecer os fundamentos teológicos da religião.
A maioria dos votantes no PCP, não conhece a ortodoxia marxista.
Dos que votam no BE poucos sabem o que é a IV internacional?
Quem vota no PS é tão "socialista", no sentido literal da palavra, como eu.
Quem vota no PSD tb não o faz por ser "social-democrata"?
A generalidade das pessoas não lê os "programas".

Não é isso que conta.
No caso de MFL, o que conta é a sua imagem de pessoa séria. Sizuda. De confiança. Sólida.Decidida. Se o é ou não, ignoro, mas o que interessa é que essa imagem exista.

Esse é o seu capital e é esse capital que pode derrotar Sócrates, que foi eleito tb por esses factores.
Patinha Antão pode falar pelos cotovelos, mas passa uma imagem de falsidade. Soa a oco. Não tem hipóteses a nível nacional. Jardim está fora do baralho, pela imagem e truão. Nunca ganhará uma eleição em Portugal.
Passos Coelho é bom, provavelmente o seu discurso tem substancia e a imagem que projecta é forte, mas no confronto com MFL, passa ainda por "novo demais", "inexperiente demais".

MFL é muito, muito perigosa para Sócrates.....

O-Lidador disse...

ó anónimo, olhe que em 2005, quem estava no governo era justamente José Socrates. Reveja lá as suas coisas e pare de se rasteirar a si mesmo.
As eleições foram em Fevereiro e as contas fazem-se em 31 de Dezembro...

Anónimo disse...

Como é evidente a responsabilidade pelo naufrágio de 2005 não compete a Sócrates, nem sequer a Santana Lopes.

Anónimo disse...

Essa do défice já era esperada. As pessoas não acreditam, mesmo, que é ficção. Basta consultar as pagínas da UE que é quem tem que aprovar o défice.
Santana Lopes é o problema de Manuela Ferreira Leite frente a Sócrates. A imagem de trapalhice a que se pode juntar a não defesa, posterior, da verdade face às sucessivas tentativas de justificar o injustificavel.
MJP

Anónimo disse...

Vou aproveitar...
MFL precisa de muitos votos e as pessoas votam em quem lhes dê esperanças de alcançar os seus desejos, que estão longe de ser o melhor para todos. Falta cultura para perceber isso.
O maior desejo é enriquecer. Quase ninguém tem esperanças de o conseguir, trabalhando. O trabalho é visto como negativo, principalmente se for empenhado. Resta enriquecer de outras formas... Quem melhor o proporciona nunca será alguém sério e esforçado porque terá poucos "rabos de palha" e poderá ser implacavel com a desonestidade e a preguiça.
MFL tem esssa desvantagem, se não quisermos ver que é o povo português que é uma desvantagem completa.
MJP