Sexta-feira, Maio 23, 2008

"Cumprir ordens"



Faz hoje 48 anos que Ben Gurion informou o Knesset sobre a captura de Adolf Eichmann, um dos principais responsáveis pela solução final da questão judaica. Tendo sido descoberto por agentes da Mossad, em Buenos Aires, Eichmann foi detido e transportado secretamente para Israel para ser julgado por crimes contra o povo judaico e crimes contra a humanidade. Capturado pela primeira vez, pelos americanos, no final da Guerra 1939-45, mas sem saberem que se tratava de um dos mais importantes oficiais alemães, Eichmann conseguiu escapar-se em 1946. Oculto na Alemanha até 1950, Eichmann acabaria por ir para a Argentina, onde permaneceu durante dez anos até ser identificado e capturado pelos israelitas. Eichmann foi condenado à morte em Dezembro de 1961 e enforcado no dia 31 de Maio de 1962. Durante o julgamento, Eichmann justificou os actos criminosos que praticou durante a guerra com o pretexto de estar a “cumprir ordens”. Passados 75 anos desde a subida de Hitler ao poder, continuamos a inquirir as razões que levaram todo um povo, aparentemente culto e esclarecido, moderno, a seguir um homem vulgar como Hitler. A este respeito, destaco dois livros.

Enviada pela New Yorker para fazer a leitura do julgamento de Eichmann, Hannah Arendt acabaria por resumir o acontecimento no livro Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil.
Sensivelmente na mesma altura, na Universidade de Munique, Eric Voegelin dava um conjunto de nove palestras com o título Hitler and the Germans, uma reflexão sobre as razões da subida de Hitler ao poder em 1933 e suas consequências para a Alemanha do pós-Guerra. Um e outro livro apresentam análises profundas sobre os movimentos políticos de massas, a fácil conformação das pessoas ao clima de opinião envolvente e a necessidade de recuperação da sabedoria dos antigos para evitar os perigos e ilusões dos modernos. Livros com quase 50 anos, mas que merecem a nossa atenção hoje.

4 comentários:

Anónimo disse...

o rapto e a farça de "julgamento" de Eichman não passou duma vingança de ben gurion.
cerca de 1955 apareceu em alemão o livro "Hitler meu companheiro de juventude" escrito pelo seu companheiro de quarto em Viena.muito importante para compreender o problema judaico e as teses da "minha luta"

Carlos Botelho disse...

Estes Camisas Castanhas, para além de continuarem analfabetos ("farÇa"), são de uma má-fé inacreditável: presumo que, segundo a criatura que aqui veio acastanhar a caixa de comentários, por exemplo, o "julgamento" que condenou à morte o grupo da Rosa Branca não foi uma "farÇa" e o inqualificável Roland Freisler era realmente um juiz...

MRC disse...

Não deixa de ser interessante que o monstro austríaco que cometeu várias atrocidades contra a sua própria filha, gerando-lhe 7 filhos em cativeiro, tenha dito que se inspirou, entre outros, no espírito do nazismo alemão.
Há no fundo uma ideia de ordem da vida social, política e económica que pressupõe uma supremacia dos mais fortes sobre os mais fracos.
Este espírito está ainda latente em muitos comportamentos não só das ditaduras mundiais, mas também do próprio ocidente, com Israel incluído.
Será uma característica de um povo historicamente situado ou da raça
humana, sempre que se sente económica ou politicamente ameaçada ?

Pedro Sá disse...

Pois, o que é um facto é que independentemente dos horrores praticados julgamentos como este e o de Nürnberg têm por base a ideia que é obrigação humana pôr em causa a própria vida em caso de certas ordens superiores.

O que, para ser honesto, é anti-biológico até às últimas.