Sexta-feira, Maio 16, 2008

Correio Expresso: Socrates, crime e castigo



O Expresso chama ao desfecho da telenovela venezuelana de Sócrates, a saber o pedido de desculpas por ter fumado no avião, uma "infantilização da política".
Realmente, o Primeiro-Ministro não sai lá muito engrandecido da história. Não sei o que será mais ridículo: se imaginar o "animal feroz" a dar umas passas às escondidas, se ouvir o chefe do Governo a alegar desconhecimento da lei, se ver o pobre viciado a pedir humildemente perdão para, um dia depois, acusar os censores de "calvinismo moral". A farpa era para Louçã, o inquisidor-mor do reino, mas, se a censura é calvinista, porque prometeu Sócrates expiar o pecado abandonando o vício? Alguém lhe encomendou a penitência?
Sócrates tem a consciência pesada. O calvinismo de que agora se lamenta é o mesmo que a sua maioria revelou quando fez uma lei do tabaco que tratava os fumadores como hereges, descrentes na religião da saúde e perigosos para a salvação alheia. O anátema voltou como uma maldição.
Pequena maldição, note-se. "A um ano de eleições, que consequências terá para a sua imagem a atitude José Sócrates?", pergunta o Expresso.
Nenhumas. A um ano de eleições, os portugueses têm mais em que pensar. E, quando lá chegarem, já se esqueceram. Em Portugal, como sabemos desde Sá Carneiro, a vida privada dos políticos não faz perder eleições. Fracos juízes, não condenamos ninguém nem usamos de misericórdia. Talvez alguns pensem que isto é catolicismo hipócrita. Eu prefiro assim. Ergo a minha taça à hipocrisia - enquanto não forem ambas (taça e hipocrisia) proibidas.

8 comentários:

Anónimo disse...

O descrédito de Sócrates é como um copo que vai enchendo com cada episódio .O do fumo é mais um.Hoje o copo já está a transbordar. Em 2009 o conteúdo será vertido com o "inginheiro" no local mais apropriado:o cano de esgoto da História.

Anónimo disse...

Bem vista a coisa, não havia qualquer saída airosa possível. Na gestão de danos foram pelo improviso? E sairam-se pior do que poderiam ter conseguir? É natural.
O mais interessante aqui é assistir à acusação de que o Público é o instrumento do ressentimento de Belmiro, como forma de distrair as atenções da continuada cumplicidade dos jornalistas às "pequenas" prevaricações dos políticos.
Sói dizer-se... venha o diabo e escolha.
Simão MH

Anónimo disse...
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Jeronimo disse...

A lei que Socrates violou não é a que ele publicou. Aparentemente, muita mais gente desconhecia a abrangência dessa lei, mais antiga, no que respeita a voos fretados.

Antero de Quental disse...

Ver o segundo comentário de Antero de Quental, na opinião do Dr. António José Seguro, no jornal o Expresso, em:
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/310373

Daniela Major disse...

Sócrates podia ter pedido desculpa, sim. Escusava era ter dito que não sabia, e ter dado a importancia à história. Resumindo, ele é que faz os filmes e depois a culpa é dos outros.

Claro que daqui a um ano ninguém vai querer saber disto. Vai estar toda gente muito preocupada a pensar que vão ter de votar nele outra vez.

Pedro Picoito disse...

Jerónimo, não sabia. Vou corrigir o post.

Luis M. Jorge disse...

Muito bem.