Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Bento XVI nos EUA

«[É] essencial uma correcta compreensão da justa autonomia da ordem secular, uma autonomia que não pode desvincular-se de Deus Criador, nem do seu plano de salvação. Talvez o tipo de secularismo dos EUA coloque um problema particular: enquanto permite crer em Deus, respeita o papel público da religião e das Igrejas, reduz subtilmente, não obstante, a crença religiosa ao mínimo denominador comum. A Fé transforma-se numa aceitação passiva de que certas coisas “lá fora” são verdadeiras, mas sem relevância prática para a vida quotidiana. Como resultado pode dar-se uma separação crescente entre a Fé e a vida: vive-se “como se Deus não existisse”. Isto é agravado por um perspectiva individualista e ecléctica da fé e da religião: afastando-se da perspectiva católica de "pensar com a Igreja", cada qual pensa ter o direito de seleccionar e escolher, mantendo os vínculos sociais mas sem uma conversão integral e interior a Cristo. Por consequência, mais do que transformar-se e renovar-se por dentro, os cristãos podem cair facilmente na tentação de acomodar-se ao espírito mundano. (...) Constatamos isso de maneira pungente no escândalo provocado por católicos que promovem um suposto direito ao aborto».

Bento XVI, Respostas aos Bispos dos EUA, Washington D.C., 16.04.2008

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