Sábado, 8 de Março de 2008

Um êxito que não pode ser ignorado

O êxito da manifestação de hoje não pode ser ignorado, nem deve ser desvalorizado. É um êxito sem discussão, ponto final, parágrafo. Importa, pois, procurar perceber o motivo que leva cerca de 100 mil pessoas a abdicar de parte do seu fim de semana para participar num acto cívico de protesto que ultrapassa em larga medida a capacidade de mobilização estritamente sindical.
Os partidos da oposição podem tentar cavalgar a onda. Sem êxito, refira-se. Há uma pergunta que deveriam fazer, sobretudo o PSD e o PP: como é possível que 100 mil pessoas se mobilizem e a oposição não consiga agregar todo este descontentamento que anda no ar?
O êxito da manifestação de hoje é, se se quiser, uma expressão do mal-estar difuso a que a se referia recentemente a Sedes.

4 comentários:

Ségo-Sarko disse...

Era isso, era!
Esta coisa de hoje martelou-me na cabeça o dia todo.

A ideia de uma avenida virtual por onde eu pudesse desfilar com milhares de outros exigindo a saída de "Meneses Y Su Comotiva".

Roí-me de inveja.
Como é possível ter chegado a semelhante vazio?

IIMPRESSÕES DE FIM DE VIAGEM disse...

Nem no CACHIMBO encontrei uma análise de fundo, uma reflexão séria (de que prima o blog) sobre aquilo que realmente está em causa, sem esquecer propostas alternativas.Desta feita, resta-me felicitar uma ministra e um ministro pela coragem, ousadia e sentido de Estado. Disse.

Paulo Gorjão disse...

Caro comentador, se fizer essa análise de fundo, a tal reflexão séria que não encontrou, sem esquecer as propostas alternativas, assumo desde já aqui o compromisso de o publicitar convenientemente. Sem ironias, note.

MRC disse...

A grande manifestação de hoje só demonstra, mais uma vez, que estamos a viver num Estado e numa sociedade que só se preocupa única e exclusivamente com os seus próprios interesses.
Os professores não querem ser avaliados, independentemente dos critérios de avaliação e ponto final.
Muitos professores são uns baldas e a qualidade do seu ensino é inversamente proporcional ao seu absentismo.
Para além de terem um ordenado bastante razoável, os professores têm grandes regalias tais como cerca de 2 meses de férias e, no final, uma reforma choruda.
A 1ª pessoa a falar de avaliação de professores foi a Dra. Manuela Ferreira Leite na altura em que foi Ministra da Educação e saltou-lhe tudo em cima: Que ofensa colocarem em causa o estatuto desta classe.
Esta manifestação foi a demonstração do individulismo da nossa sociedade e do Estado do "Indivíduo" que já Georges Burdeau falava no seu livro "A Democracia".
Esta manifestação demonstra um facto inquestionável: vivemos cada um para os nossos próprios interesses e para a salvaguarda dos nossos privilégios !