Quinta-feira, 13 de Março de 2008

«Um mercado do gás do Sudoeste da Europa»

Numa entrevista publicada na passada segunda-feira, José Penedos, presidente da REN, defende que a Península Ibérica pode assumir o papel de alternativa na distribuição de gás ao centro da Europa (Jornal de Negócios, 10.3.2008).
.
Devo dizer que é com alguma satisfação que vejo José Penedos assumir publicamente esta posição, eu que por aqui na blogosfera tenho dado algum eco ao tema e em particular às posições de António Costa Silva:
.
«O problema é que a Europa (...) mal sabe o que quer. A primeira evidência: muitos países europeus (como Portugal) anunciam a construção de centrais a gás para geração de electricidade mas não se preocupam com a questão: vai haver gás suficiente? A partir de 2011 a Europa terá de importar 240 mil milhões de m3 de gás e com as estruturas e contratos existentes isso não vai ser possível. Haverá um défice de gás de pelo menos 70 mil milhões de m3 (...).
(...)
A segunda: a Europa não sabe lidar com a Rússia, mas a Rússia sabe lidar com a Europa (...).
(...)
[A] 'locomotiva alemã está atrelada a Moscovo e a partir daí a política energética europeia está paralisada como se viu na cimeira UE/Rússia.
A terceira: a Europa compreende mal a geopolítica do gás.
(...)
Neste quadro o que deve fazer a Europa? Negociar a uma só voz com a Rússia, mas diversificar as fontes de abastecimento potenciando as ligações com o Norte de África e desenvolvendo um eixo do gás na Bacia Atlântica. A Europa vai precisar de 10 terminais de gás natural liquefeito e esse projecto deve passar por Portugal onde a geografia é um trunfo.»
António Costa Silva, «A Europa e a geopolítica do gás» (Expresso/Supl. Economia, 8.12.2006: 30) via Bloguítica, 8.12.2006.
.
«[A Europa] deve maximizar todas as potencialidades da bacia atlântica e do Norte de África, onde Portugal pode desempenhar um papel-chave como plataforma giratória e de distribuição de gás e petróleo».
António Costa Silva (Expresso/Supl. Economia, 15.7.2006: 27) via Bloguítica, 15.7.2006.
.
«Há que definir e materializar a sua [Europa] política global de segurança energética, diversificar as fontes de abastecimento, avançar com o modelo energético integrado, derrotar egoísmos nacionais, fazer valer todas as sinergias e ser persistente. Neste quadro, Portugal tem um papel pois a sua posição geográfica pode oferecer à Europa uma rede atlântica de terminais de gás liquefeito que escoe a produção da Nigéria, Guiné Equatorial, Angola, Trindade e Tobago e a encaminhe para Itália, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Polónia e outros países dependentes do gás russo. Esse é um projecto que pode valorizar a Bacia Atlântica e aumentar a segurança da Europa.»
António Costa Silva, «A questão urgente da segurança energética» (Expresso/Supl. Economia, 29.4.2006: 18) via Bloguítica, 29.4.2006.
.
Portugal, realmente, tem cartas a dar nesta matéria. É o que reafirma António Costa Silva num artigo a publicar em breve e sobre o qual aqui falarei assim que possível. Que alguém com as responsabilidades empresariais de José Penedos subscreva esta posição é, de facto, uma boa notícia.

1 comentário:

Anónimo disse...

portugal é um país de penedos e calhaus sem olhos (só têm o que não refiro)