Numa entrevista publicada na passada segunda-feira, José Penedos, presidente da REN, defende que a Península Ibérica pode assumir o papel de alternativa na distribuição de gás ao centro da Europa (Jornal de Negócios, 10.3.2008).
.
Devo dizer que é com alguma satisfação que vejo José Penedos assumir publicamente esta posição, eu que por aqui na blogosfera tenho dado algum eco ao tema e em particular às posições de António Costa Silva:
.
«O problema é que a Europa (...) mal sabe o que quer. A primeira evidência: muitos países europeus (como Portugal) anunciam a construção de centrais a gás para geração de electricidade mas não se preocupam com a questão: vai haver gás suficiente? A partir de 2011 a Europa terá de importar 240 mil milhões de m3 de gás e com as estruturas e contratos existentes isso não vai ser possível. Haverá um défice de gás de pelo menos 70 mil milhões de m3 (...).
(...)
A segunda: a Europa não sabe lidar com a Rússia, mas a Rússia sabe lidar com a Europa (...).
(...)
[A] 'locomotiva alemã está atrelada a Moscovo e a partir daí a política energética europeia está paralisada como se viu na cimeira UE/Rússia.
A terceira: a Europa compreende mal a geopolítica do gás.
(...)
Neste quadro o que deve fazer a Europa? Negociar a uma só voz com a Rússia, mas diversificar as fontes de abastecimento potenciando as ligações com o Norte de África e desenvolvendo um eixo do gás na Bacia Atlântica. A Europa vai precisar de 10 terminais de gás natural liquefeito e esse projecto deve passar por Portugal onde a geografia é um trunfo.»
António Costa Silva, «A Europa e a geopolítica do gás» (Expresso/Supl. Economia, 8.12.2006: 30) via Bloguítica, 8.12.2006.
..
Devo dizer que é com alguma satisfação que vejo José Penedos assumir publicamente esta posição, eu que por aqui na blogosfera tenho dado algum eco ao tema e em particular às posições de António Costa Silva:
.
«O problema é que a Europa (...) mal sabe o que quer. A primeira evidência: muitos países europeus (como Portugal) anunciam a construção de centrais a gás para geração de electricidade mas não se preocupam com a questão: vai haver gás suficiente? A partir de 2011 a Europa terá de importar 240 mil milhões de m3 de gás e com as estruturas e contratos existentes isso não vai ser possível. Haverá um défice de gás de pelo menos 70 mil milhões de m3 (...).
(...)
A segunda: a Europa não sabe lidar com a Rússia, mas a Rússia sabe lidar com a Europa (...).
(...)
[A] 'locomotiva alemã está atrelada a Moscovo e a partir daí a política energética europeia está paralisada como se viu na cimeira UE/Rússia.
A terceira: a Europa compreende mal a geopolítica do gás.
(...)
Neste quadro o que deve fazer a Europa? Negociar a uma só voz com a Rússia, mas diversificar as fontes de abastecimento potenciando as ligações com o Norte de África e desenvolvendo um eixo do gás na Bacia Atlântica. A Europa vai precisar de 10 terminais de gás natural liquefeito e esse projecto deve passar por Portugal onde a geografia é um trunfo.»
António Costa Silva, «A Europa e a geopolítica do gás» (Expresso/Supl. Economia, 8.12.2006: 30) via Bloguítica, 8.12.2006.
«[A Europa] deve maximizar todas as potencialidades da bacia atlântica e do Norte de África, onde Portugal pode desempenhar um papel-chave como plataforma giratória e de distribuição de gás e petróleo».
António Costa Silva (Expresso/Supl. Economia, 15.7.2006: 27) via Bloguítica, 15.7.2006.
.
«Há que definir e materializar a sua [Europa] política global de segurança energética, diversificar as fontes de abastecimento, avançar com o modelo energético integrado, derrotar egoísmos nacionais, fazer valer todas as sinergias e ser persistente. Neste quadro, Portugal tem um papel pois a sua posição geográfica pode oferecer à Europa uma rede atlântica de terminais de gás liquefeito que escoe a produção da Nigéria, Guiné Equatorial, Angola, Trindade e Tobago e a encaminhe para Itália, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Polónia e outros países dependentes do gás russo. Esse é um projecto que pode valorizar a Bacia Atlântica e aumentar a segurança da Europa.»
António Costa Silva, «A questão urgente da segurança energética» (Expresso/Supl. Economia, 29.4.2006: 18) via Bloguítica, 29.4.2006.
.
Portugal, realmente, tem cartas a dar nesta matéria. É o que reafirma António Costa Silva num artigo a publicar em breve e sobre o qual aqui falarei assim que possível. Que alguém com as responsabilidades empresariais de José Penedos subscreva esta posição é, de facto, uma boa notícia.
António Costa Silva, «A questão urgente da segurança energética» (Expresso/Supl. Economia, 29.4.2006: 18) via Bloguítica, 29.4.2006.
.
Portugal, realmente, tem cartas a dar nesta matéria. É o que reafirma António Costa Silva num artigo a publicar em breve e sobre o qual aqui falarei assim que possível. Que alguém com as responsabilidades empresariais de José Penedos subscreva esta posição é, de facto, uma boa notícia.


1 comentário:
portugal é um país de penedos e calhaus sem olhos (só têm o que não refiro)
Enviar um comentário