Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Animais doentes as palavras

1. Timor, caso de sucesso
Agora estamos aparentemente todos de acordo que a retirada da ONU de Timor-Leste foi precipitada. Veja-se, por exemplo, as declarações de Francesc Vendrell, entre outros. Agora. Em 2003 -- ver aqui, também -- ou em 2004, quando realmente era importante ganhar essa batalha, não me lembro de ter tido no espaço público tanta companhia.
Só espero que mais tarde não estejamos também a discutir o papel da GNR em Timor-Leste, pelas piores razões.
2. Momento de prova
Centenas de pessoas no funeral de Reinado. Muito esclarecedor.

12 comentários:

botas disse...

O senhor Paulo Gorjão deve ter a mania de ser um especialista em assuntos de Timor-Leste. Mas não é. E fica muito a Leste da verdade na maioria das situações que aborda sobre esta temática. Pois, fique sabendo que, se a situação em Timor-leste não evoluiu para uma pacificação e estabilidade foi precisamente devido à incompreensível decisão de se manterem no território as forças internacionais da ONU. Com toda a sua arrogância neo-colonialista, com os vencimentos astronómicos que usufruiam os seus servidores, que provocou logo à nascença do novo Estado um mal-estar sócio-político que se foi agravando pelos mais diversos motivos. O senhor também deve ser daqueles que diz que Sérgio Vieira de Mello foi o melhor que poderia ter acontecido a Timor-Leste. Pois, fique sabendo que foi o pior. Mello já tinha a cabeça em perigo quando deixou Timor-Leste e a corrupção no seu reinado atingiu níveis incalculáveis e escandalosos. A população não admitia a sua presença por mais tempo e daí a sua transferência para o Iraque.
Os timorenses saberiam governar o país sozinhos em termos de segurança se não estivessem "neo-colonizados" pelos privilegiados da ONU. Sabe o senhor Paulo, por exemplo, que uma chefe da Rádio de Timor colocada ali pela ONU recebia 8,000 (oito mil) dólares americanos e que os funcionários timorenses da rádio (jornalistas, técnicos,locutores e varredores) apenas lhes era pago o miserável pecúlio de 300, 200, 150 e 100 dólares? Não sabia? Como não sabe o que fazem em Timor-Leste as secretas da China, da Austrália, da Indonésia e dos EUA. Senhor Paulo, pois fique sabendo que este acontecimento recente da morte do major Reinado e dos ferimentos do PR é obra do exterior. É o saldo da presença das tropas ocupantes. Muito se protestou, e bem, com a ocupação indonésia, mas esta ocupação militar é diferente? Numa única coisa: mata pelas costas! Passe bem e controle-se no que escreve sobre Timor-Leste porque diz muitas asneiras à semalhança de muitos seus colegas ditos "analistas" e "comentadores" da problemática Timor-Leste.

Paulo Gorjão disse...

Caro Botas, muito obrigado pelo seu comentário.

JN disse...

Caro botas.
O seu comentário não esclareceu nada. pelo contrário ajudou a baralhar (mas isso deve ser da escrita).
Eu não agradeço o seu comentário.
Lamento-o.

botas disse...

Senhor Paulo:

Se o seu agradecimento é sincero, tiro-lhe o chapéu e merece a minha consideração.

Ao jn

Não lhe dirigi a palavra directamente no seu blog porque no mesmo não há a liberdade de se comentar sem que o senhor tenha de saber a identidade das pessoas. Detesto essa forma de estar na blogosfera.
Quanto ao que vomitou sobre o que escrevi quero dizer-lhe que não tive a possibilidade de estudar certamente como você e ser um doutorado na "escrita". Com a 4ª classe e com os conhecimentos que fui adquirindo, atrevi-me a escrever ao Senhor Paulo Gorjão apenas para lhe manifestar a minha discordância no que respeita a Timor-Leste, apenas porque sou timorense conhecedor de todos os problemas há dezenas de anos. Pretendi esclarecer e não ofender. O jn (a quem nunca tratarei por senhor) é que apenas soube ofender. Por que não debate? Por que não contesta? Por que não fundamenta a discordância pelas verdades anunciadas na minha horrível e espécie de "escrita"?
Eu é que lamento a existência de pessoas como você. É por isso que Timor-Leste está como está. As verdades nunca foram assumidas com humildade por pessoas como você.

Paulo Gorjão disse...

Caro Botas,
Os temas que levanta merecem discussão (e ao contrário do que parece pensar eu discuti-os na altura própria), mas o seu estilo agressivo é para mim ponto final de discussão ainda antes de ela começar.

JN disse...

Caro botas.

Lamento também responder-lhe aqui em casa alheia. Razão do seu anonimato.

Se entendeu ofensivo o que escrevi, lamento (mais uma vez).

Mas as grandes causas que aponta para a situação dramática do povo de Timor, resumem-se aos seguintes pontos:

- manutenção das forças internacionais da ONU. Devia preferir a manutenção das forças australianas, para se queixar do mesmo, ou nenhuma força militar pura e simplesmente, para sujeitar o povo de Timor a uma qualquer (in)gerência de vizinhos?

- que a corrupção tenha sido obra de Sérgio Vieira de Mello;

- que a permanência de entidades exteriores afecta o povo de Timor, com a remuneração (desfasada para os parametros locais) dos seus representantes;

Timor é um país frágil sujeito às ambições dos seus vizinhos que não hesitam em provocar distúrbios para retirar suspeitos dividendos.
Toda a ajuda possível é necessária ao povo de Timor, para resistir a essas provocações e ingerências.

Os acontecimentos recentes demonstram que a segurança dos seus representantes não foi eficaz.

Razão pela qual andamos a culpar-nos uns aos outros.

botas disse...

Caro JN
Afinal o Senhor sabe ser uma pessoa decente.

Para os autores deste blog
Afinal o Paulo Gorjão não vale nada.

Neste blog ponto final.

JN disse...

Caro botas,

O Paulo Gorjão ainda pensa que o que está no cabeçalho do blogue é um cachimbo.

Se me permite a sugestão, avançe com um blogue sobre Timor. É uma causa política que ainda diz muito à cabeça dos portugueses.

j.c. disse...

Ao contrário do que expõe o Botas, parece que o Paulo Gorjão e o JN se esquecem de uma coisa essencial: Portugal cumpriu (tarde, mas cumpriu) e tem cumprido em relação a Timor-Leste.

Porém, Timor-Leste independente tem muitas histórias por contar. Designadamente, os acordos sobre a exploração de petróleo, sucessivamente anunciados e nunca concretizados, com dinheiros que vão entrando, mas que ainda não engordaram o orçamento do Estado.

Portugal pode continuar a desempenhar o seu papel, naturalmente. Mas a situação obscura que se vive por lá tem de ser cabalmente esclarecido. O nosso País não deve continuar a alimentar meia dúzia de figuras de topo que passam o tempo a viajar pelo mundo, que vivem principescamente ao lado da maior pobreza e que têm propriedades e contas fora do país a que chamam seu.

São estas e muitas outras histórias que estão mal contadas e que os sucessivos 'enviados especiais' não contam melhor. E que o Botas conhece como ninguém...

Paulo Gorjão disse...

Já vai longa a lista de interpretações que os ilustres comentadores fazem a partir dos factos(!) e que eu desconhecia. Muito enriquecedor, de facto.

Anónimo disse...

Tenho pena que o Paulo tenha corrido com o Botas. Já o li noutros blogues onde interveio excepcionalmente e a preceito. E onde foi bem recebido. E sobre Timor ele é um mestre, não tenha dúvidas Paulo. Também eu lamento, que tenha cortado tão abruptamente com uma pessoa que, afinal, se veio a este blogue foi para o ler e cada um não pode exprimir-se como sabe? Para si e também para o JN que ajudou à festa, parece que não. É triste os bloggers nunca mais medirem onde está a violência verbal e o desabafo doloroso...

Paulo Gorjão disse...

Caro anónimo, não corri com ninguém. Muito simplesmente tenho o direito de conversar com quem quero, ou não? A que propósito é tenho de aturar um sujeito que não sabe o que tenho dito e escrito ao longo dos últimos anos sobre Timor e vem para aqui agressivamente colocar-me palavras no boca que não disse?