E pronto. Assim sendo, resta desejar um bom ano a todos: aos activos, aos passivos e aos não envolvidos.
Tudo indica que 2008 será um ano mais puro.
Até já!
Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007
3,2,1...
Publicada por
Gonçalo M Vassalo Moita
à(s)
16:53
1 comentários
O Cachimbo vai fechar hoje à meia-noite

Artigo 3.º da Lei n.º 37/2007, de 14 de Agosto:
«O disposto no presente capítulo visa estabelecer limitações ao consumo de tabaco em recintos fechados destinados a utilização colectiva de forma a garantir a protecção da exposição involuntária ao fumo do tabaco.»
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
16:33
7
comentários
Domingo, 30 de Dezembro de 2007
Adaptações ao nosso tempo
Hoje, não é difícil depararmo-nos com barbaridades (sim, barbaridade é o termo) como as que o Fernando descreve aqui, mas também me parece que uma “adaptação ao nosso tempo” não deve ser recusada enquanto tal. Estou a pensar em peças. Se considerarmos que um texto é “intemporal” (seja lá o que isso for), estaremos perante duas vias possivelmente armadilhadas.Por um lado, sendo “intemporal”, não há nenhuma necessidade de o embrulhar numa encenação e/ou guarda-roupa familiares a olhos contemporâneos. Tudo se passa como se aquele texto valesse por si e tivesse uma força que vem do passado, intacta, e nos atinge em cheio tal como atingia as audiências da sua estreia – fosse ela em Atenas ou no Globe.
Por outro lado, é precisamente por ser um texto “intemporal”, precisamente por aquelas palavras, por aquela voz ser ainda capaz de nos falar, que deve ser trazido até nós e apresentado de uma maneira que não nos distancie dele – deve ser-nos dado a conhecer num aspecto familiar ao público, para que este não feche de imediato os olhos e se recuse a ouvir logo às primeiras palavras.
Gosto de pensar numa encenação como uma tradução. Aquele texto está como que a ser traduzido num palco para nós. Pensemos na tradução de um poema: qual é a “melhor”? Aquela que, arqueologicamente, escava os arcaísmos e no-los mostra em palavras literais, mas petrificadas? Ou a tradução que consegue re-criar o poema, que repete em nós o efeito que ele teve nos outros? Aquela tradução que não parece tradução – mas que nos aparece como um original. (O "Torso de Apolo" de Rilke e o de Manuel Bandeira, ou o mesmo (o mesmo?) soneto em Shakespeare e em Vasco Graça Moura) Qual é, na verdade, mais “fiel” ao original?
Publicada por
Carlos Botelho
à(s)
22:48
6
comentários
Democracia...
Publicada por
Fernando Martins
à(s)
16:10
3
comentários
Etiquetas: Democracia; Paquistão; Benazir Bhutto.
Sábado, 29 de Dezembro de 2007
A morte da ópera
De entre os ensaios eleitos há um que é a minha escolha para ensaio do ano de 2007: “The Abduction of Opera”, de Heather MacDonald, para o número de Verão do City Journal. Muitos recordar-se-ão do escândalo ocorrido em 2006, quando a Deutsche Oper de Berlim cancelou diversas representações da ópera de Mozart Idomeneo. Na encenação de Hans Neuenfels, o rei Idomeneo carrega um saco com as cabeças decepadas de Cristo e Maomé, entre outros. As ameaças de violência feitas por grupos islâmicos assustaram os responsáveis da Deutsche Oper e colocaram a discussão no plano político da liberdade de expressão. Infelizmente não era essa a questão relevante. Poucos se lembraram de perguntar e ninguém foi capaz de explicar, a começar pelo encenador, o que raio faziam as cabeças cortadas de Cristo, Maomé e Buda a ‘passearem’ num saco, numa ópera cujo libreto do séc. XVIII se inspira num episódio da mitologia grega. Bem vindo ao estranho mundo do Regietheater, onde as intenções originais dos autores, a música, o libreto e as definições das personagens são ‘irrelevantes’. Michael Gielen, um influente praticante do género e antigo director da Frankfurt Opera resumiu a ideia com enorme transparência: “what Handel wanted in his operas was irrelevant; more important was what interests us… what we want.”E o que é que ‘nos’ interessa, o que é queremos? Sexo, claro, what else? Sexo sob todas as formas, quanto mais sórdidas melhor. O pressuposto é o do costume: é preciso ‘desmascarar’, ‘desconstruir’, expor a sociedade como construção ‘hipócrita e opressora’, uma teia de relações ‘exploradoras’ porque assentes em diferenciais de poder, onde o sexo é a única pulsão ‘verdadeira’, o alfa e ómega de uma sociedade ‘imperialista’ e ‘falocrática’ (não há prémios para quem identificar os discursos filosóficos que sustentam esta ‘perspectiva’). Se esgravatarmos a superfície da narrativa com vigor suficiente, lá o descobriremos; o pudor a mascarar a volúpia, a satisfação plena da volúpia limitada apenas por convenções da ‘falsa’ moral social.
As ‘actualizações’ sofridas pelas óperas clássicas encenadas por directores que adoptam esta perspectiva são autênticas desfigurações, convertendo personagens e contextos em ultrajes unidos pela máxima vulgaridade comum. Pelos vistos, o público habituou-se às alarvidades e um Don Giovanni subjugado pelo impulso onanista –que satisfaz em palco– já se tornou ‘habitual’ (veja-se esta inenarrável produção de Calixto Bieito). Seria interessante saber o que diria Kierkegaard, de tais ‘encenações’. Um Rigoletto ‘transposto’ para o Planeta dos Macacos causou menos espanto do que as reticências da soprano alemã Diana Damrau em participar na encenação da Bavarian State Opera. Raros são os músicos que se recusam a satisfazer os delírios escatológicos dos directores artísticos, com receio que isso diminua as suas perspectivas de contratos futuros. A crítica especializada também saltou para o comboio da obscenidade desenfreada. Por exemplo, a crítica de ópera do The Guardian, Charlotte Higgins, pasmou-se perante as reacções de indignação a uma encenação de Un Ballo in Maschera, pela English National Opera:By Higgins’s own account, it contained the usual “transvestites, masturbation, simulated sex, nudity and, in the opening scene, a row of men sitting on toilets.”De certo modo, Higgins tem razão. A indignação é relativa: haverá motivo para tão grande espanto com o mau gosto da direcção da ópera de Verdi, quando a mesma English National Opera produziu três anos depois, em 2005, uma encenação da ópera de Wagner Götterdämmerung, onde Brünnhilde se apresenta como uma bombista suicida, que no final se faz explodir em palco, matando o restante elenco?
O argumento de que é necessária uma ‘actualização’ radical da narrativa para que as óperas clássicas permaneçam ‘apelativas’ para o público contemporâneo não é apenas uma licença para a destruição de um património cultural com objectivos políticos evidentes: é intelectualmente desonesto. Por analogia, a fábula do Capuchinho Vermelho necessitará de Hannibal Lecter no lugar do Lobo para permanecer inteligível? Precisará Pinocchio de dealers de droga em vez de uma raposa e de um gato manhoso a desviarem-no do caminho para que se perceba a parábola?
A destruição da ópera clássica tem outra consequência: impede os espectadores de exercerem qualquer esforço de mediação entre a narrativa e o contexto actual e deixa-os incapazes de compreender o tempo e as circunstâncias do autor e da obra. É um efeito terrivelmente empobrecedor –e politicamente muito conveniente: somos cada vez menos capazes de imaginar outros mundos separados de nós pelo tempo, outras formas de organização sócio-política, com valorações completamente distintas das actuais. A pobreza intelectual tende a gerar conformidade, que por sua vez valida as ‘actualizações’ empobrecedoras, num equilíbrio auto-sustentado.
Tal como noutras questões políticas e culturais fundamentais, a esperança e resistência vem do outro lado do Atlântico, sobretudo da Metropolitan Opera House, que permanece fiel à tradição interpretativa cuidada e respeitadora das obras. O director Giancarlo del Monaco, que na Europa encenou a ópera Nabucco transpondo-a para o Iraque de Saddam Hussein, resumiu com simplicidade o princípio separador que hoje segmenta os mercados de ópera europeu e americano: “I have a Eurotrash face for Europe and a classy face for the Americans.”
Noutros tempos acusou-se Cecil B. DeMille e, por continuidade, os maiores produtores de Hollywood de simplificarem, distorcerem e em última análise falsificarem a História nas suas produções, por estarem mais interessados na exibição de um luxo grandiloquente do que no rigor histórico. Havia mesmo uma quadra que resumia o desprezo do produtor pelo rigor histórico:
Cecil B. DeMille
Much against his will
Couldn’t get Moses
Into the War of the Roses.
Mas nunca ninguém se lembrou de o acusar de perverter e destruir a prática cinematográfica a que dedicou a sua vida. O mesmo não se pode dizer dos directores da Regietheater. Não só destroem as obras que encenam como, ainda por cima, o fazem com um desprezo pelo contexto histórico que supera em muito qualquer delírio da Hollywood dos anos dourados. Basta atentar no exemplo de Giancarlo del Monaco: se Cecil B. DeMille teve pruridos em enfiar Moisés na Guerra das Rosas, del Monaco não hesitou em espetar com a figura do Antigo Testamento no meio da Guerra do Iraque.
Não obstante, o princípio geral é o mesmo. Há meio século, os produtores cinematográficos serviam às plateias doses desmesuradas daquilo que as deslumbrava: o brilho falso dos cenários, a grandiosidade (não manipulada por computador) da figuração, as orquestrações balofas. Hoje, os encenadores de ópera servem aos seus públicos exactamente o que eles estão dispostos a consumir. No caso americano, recriações cuidadosas, com respeito pela música, pelo libreto e pelas personagens tal como foram criadas. No caso europeu: lixo.
Para compreender a diferença no estado de coisas entre os dois lados do Atlântico é necessário mais do que diagnosticar a doença intelectual do Regietheater, o que MacDonald faz no seu excelente ensaio. É necessário atentar nos diferentes modelos de financiamento da cultura. Quando, como sucede na Europa, a maior parte dos custos da produção cultural são suportados através de subsídios públicos, as cliques entrincheiradas nas instituições culturais ficam libertas para prosseguirem as suas agendas políticas particulares, independentemente da opinião pública. A ‘morte da ópera’ é afinal parte de uma morte maior: a morte da cultura europeia. E ambas as mortes são fiscalmente assistidas.
Publicada por
FCG
à(s)
17:15
8
comentários
Mau em 2007 - Bom em 2008
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
17:05
0
comentários
Liberalidades
O PS converte-se definitivamente ao capital.
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
13:24
0
comentários
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007
2007: Imprensa
O DN continua o processo de tabloidização em curso, atirando inexplicavelmente para os braços da concorrência alguns dos motivos que o recomendavam, como Medeiros Ferreira, Pedro Mexia ou Luciano Amaral. A concorrência agradece.
A Atlântico continua a existir, o que só por si é uma vitória. Mais do que isso, continua a atrair nomes de peso - Manuel Lucena, Vasco Pulido Valente, José Miguel Júdice -, a par de muita rapaziada nova. Até o Pacheco Pereira teve que lhe fazer um elogio, "independentemente da linha editorial". Longa vida ao timoneiro Mascarenhas, à tripulação e à linha editorial, seja lá qual for.
A Spectator continua tory até ao tutano, mas fez as pazes com Cameron. Sobre o previsto cadáver de Gordon Brown?
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
17:08
0
comentários
Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007
Mrs. Benazir Bhutto
A Sra. Bhutto morreu hoje algures no Paquistão vítima de um atentado terrorista. Sobre a personagem pouco ou nada sei, porque os media que leio, vejo ou ouço, em sucessivos anos de protagonismo político da personagem, raramente conseguiram, para não dizer que tentaram, desvendar a essência de uma personagem contraditória, sedutora, inteligente e muito pouco escrupulosa. Uma figura que apesar de morrer, ou pretender morrer, como mártir da democracia do seu país, fez muitíssimo para diminuir essa mesma democracia enquanto sistema político cujas virtudes não importa agora enumerar. É que mesmo reconhecendo que não é tarefa fácil governar um país até hoje inviável como o Paquistão, as suas duas passagens pela chefia de governos paquistaneses produziram resultados medíocres tanto política como moralmente.Hoje, e sobretudo fora do Paquistão, há quem chore o desaparecimento da Sra. Bhutto pelas circunstâncias brutais e cobardes em que ocorreu, por nela ver o rosto da luta pela liberdade e pela democracia num país e numa das regiões mais instáveis do mundo.
Publicada por
Fernando Martins
à(s)
22:51
1 comentários
Etiquetas: Mrs. Benazir Bhutto.
Bhutto
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
18:46
2
comentários
2007: Bergman
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
16:28
6
comentários
2007: Blogosfera
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
01:24
0
comentários
Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007
2007: Política nacional
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
23:24
0
comentários
2007
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
18:24
2
comentários
Obrigados, no reino da Dinamarca
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
15:24
2
comentários
Os matizes de Luís Filipe Menezes

Segundo a Teoria das Cores, o matiz é a característica que define e distingue uma cor. Vermelho, verde ou azul, por exemplo, são matizes. Para se mudar o matiz de uma cor, acrescenta-se outro matiz, aumentando a variedade de um retrato ou de uma personagem.
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
12:18
2
comentários
Terça-feira, 25 de Dezembro de 2007
É costume dizer...
... que não há duas sem três.
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
16:23
0
comentários
Ascensão e Queda
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
16:15
1 comentários
Et incarnatus est
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
12:37
0
comentários
Natal
E para não estragarmos o espírito natalício com o Menezes e o Saramago, aqui ficam os votos de boas festas em nome dos cofumadores deste estabelecimento.
Feliz Natal e Bom Ano Novo para todos!
E que o Menino Jesus nos traga muita paciência...
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
01:24
0
comentários
Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007
O Messias
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
01:24
3
comentários
O assalto ao Palácio de Inverno
Em Fevereiro, quando terminar a exposição do Hermitage, parece que o Palácio da Ajuda vai receber uma exposição sobre a vida e obra de Saramago.
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
01:10
0
comentários
Domingo, 23 de Dezembro de 2007
Capital "Estrangeiro".
Face à possibilidade, que realmente existe, de o PS e o Governo Sócrates, escondidos por trás dos "accionistas de referência", virem a tomar conta do BCP, o "maior banco privado português", apelo aos grandes bancos estrangeiros para que, mesmo com grande sacrifício, comprem o BCP. Era um grande favor que faziam aos pequenos e médios accionistas, talvez também aos grandes, e uma ajuda que davam à nossa pobre "democracia" e ao nosso "capitalismo" de polichinelo.
Publicada por
Fernando Martins
à(s)
23:18
0
comentários
Etiquetas: Apelo lancinante; BCP; Capital "Estrangeiro"; "Democracia" portuguesa; "Capitalismo" de polichinelo.
Aquele tentaculozinho mole do PS no BCP
"O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, (...) o dito polvo é o maior traidor do mar. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo: e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. (...) O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é a luz, para que não distinga as cores. (...) E que neste mesmo elemento se crie, se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão dissimulado, tão fingido, tão astuto, tão enganoso e tão conhecidamente traidor."
Publicada por
Carlos Botelho
à(s)
13:26
0
comentários
O mercado de Inverno...
... não é só para o futebol.
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
11:14
0
comentários
Sábado, 22 de Dezembro de 2007
Foi, não foi?
O Público de ontem trazia uma notícia sobre clínicas suspeitas de aborto ilegal.
Deve haver algum engano.
Toda a gente sabe que o aborto ilegal acabou quando o "sim" venceu o referendo.
Publicada por
Pedro Picoito
à(s)
01:24
4
comentários
Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007
Apontamentos sobre a Escola em autogestão do João Miranda
O Paulo Marcelo, por favor, que não me leve a mal, mas... sinceramente... o tal artigo do João Miranda não é, parece-me, um “excelente texto de opinião” . Será, isso sim, um excelente exemplo de um certo tipo de opinião. Nada tem de extraordinário – é, quando muito, um extraordinário disparate. É um texto de quem não sabe do que fala. E fala do que não sabe dum modo obscenamente assertivo. Seria hilariante, se a matéria não fosse tão grave.O texto do João Miranda, na verdade, não passa de um texto “ideológico”. E é, de facto, uma defesa da ignorância. Como o são, de resto, os habituais aplausos babados a todas as grosserias programáticas deste Ministério (só nominalmente) da Educação.
O João Miranda, quando escreve sobre a Escola (e não, felizmente, noutros assuntos – aí bem mais certeiro), só me lembra aqueles estrategos de café – dispõem as tropas no terreno da mesinha entre um cinzeiro e duas chávenas e obtêm sempre estrondosas vitórias. Tudo tão simples. Assim todas as vitórias são fáceis: não se tem em linha de conta as características do terreno, as condições do tempo, o moral da tropa (sim, o moral...).
O problema com os textos do João Miranda sobre a Escola é o de serem dotados de uma espécie de boa coerência interna – as suas partes parecem bem concatenadas, isto é, os enunciados articulam-se aparentando constituir um sentido geral e, se nos deixarmos embalar, convence - mas, visto a partir de fora, como um todo, tudo aquilo acaba por se revelar como o que é na verdade: um aborto, um monstro.
Todos estes textos descaradamente bárbaros dos “liberais” sobre a Escola não são mais do que uma forma inteligente de "estupidez".
Há ali um manejo ilusionista de conceitos – o que denota uma certa destreza -, mas tudo isso está inscrito num quadro geral de cegueira. Alegre cegueira. Convicta cegueira.
É uma autêntica pulsão “liberal” que os faz querer “liberalizar” tudo o que mexe sob o sol. Doença infantil do liberalismo.
Tudo o que é dito no texto em questão poderia ser dito de qualquer actividade humana mais ou menos pública – com vários tipos de intervenientes com papéis diferenciados, com serviços prestados, com bens materiais implicados, etc. Tudo aquilo assenta no princípio segundo o qual todas as actividades, independentemente das suas diferenças específicas, são equivalentes. As regras que se aplicam a umas se podem aplicar indiferenciadamente (e indiferentemente...) a todas. O que é um erro.
Perguntará a rapaziada “liberal”: mas por que é que a Escola há-de ser diferente de uma mercearia? Não há que responder. É que a Escola já é, por si, diferente duma mercearia. Quem não consegue ver isso só pode ser lamentado.
Este discurso “liberal” sobre a Escola tem os tiques do parvenu que, chegado perante uma biblioteca, percorre com os olhos as estantes e não percebe. A seguir, desconfia daquilo. Qual é a utilidade daquelas coisas que ocupam um espaço tão precioso? Avalia os livros pelo seu peso (literal). Estes livros, visivelmente inúteis, podiam muito bem ser rentabilizados numa lareira. O seu conteúdo não importa (alguns gatafunhos são imperceptíveis e há mesmo línguas ininteligíveis) – importa sim o papel ser bom combustível ou não. Para que vou estar eu a pagar a manutenção de livros que não produzem uma boa fogueira? E é também importante que um livro não arda rapidamente. Um livro em combustão mais lenta produz calor durante mais tempo e é, por isso, um bom livro.
E porque não há-de isto ser gerido como um lagar? – pergunta-se o teórico. E discorre mesmo, inteligente: se um lagar com demasiadas tulhas mal cheias de azeitonas é um lagar visivelmente mal governado (desperdício de tulhas), então uma escola com demasiadas turmas com menos de 25 ou 20 alunos é uma escola mal gerida. Há aqui turmas a mais caramba! Qualquer pessoa de capacidade mediana vê isso. Não é preciso ser um professor para diminuir o número de turmas.
Pois não, pois não.
Basta um capataz mais ou menos alfabetizado. Alguém com experiência em armazéns.
Aqueles que vêem a Escola como uma fábrica de enchidos (a metáfora é terrivelmente apropriada), e que fazem o transporte da “lógica” desta para aquela, têm sempre a tarefa mais facilitada do que aqueles que não cometem esse disparate. É muito mais fácil fazer analogias fáceis sobre aquilo que é, por natureza, difícil. E essa dificuldade é sempre brandida como um pretexto miserável para a escolha do caminho mais fácil. No nosso tempo, aparece desde logo como mais ridículo aquele que defende a Escola enquanto Escola do que aquele que a compara com uma qualquer salsicharia.Não partilho de todo daquela embirração dos “liberais” para com os sindicatos. Nem sequer chega a ser um ressentimento de classe. É mais uma reacção agressiva de tipo pavloviano. O próprio título do artigo ( "Autogestão Escolar" ), desonestamente, procura (e conseguirá) causar salivações enfurecidas naqueles que estão sempre dispostos a recordar (a propósito e a despropósito) as “loucuras” do Verão Quente. Os sindicatos são organizações de classe que procuram defender os interesses dessa classe. E depois?... Acontece que uma classe profissional não paira no vazio, mas trabalha num contexto e as suas condições laborais influenciam qualitativamente esse contexto - neste caso, a Escola. E então?...
Sinceramente, o que me desagrada mais nos sindicatos de professores são as manifestações em que se comportam mais como metalúrgicos dos anos 70. Esses comportamentos têm a sua importância "simbólica"... Deviam lembrar-se que não constituem um grupo profissional indiferente. Deviam saber manter-se no seu lugar.
No artigo, lêem-se aquelas frases sonantes: 'quem paga não manda, quem manda não paga'. Isto é, se sou eu que pago, devo ser eu a mandar e não é possível que um tipo tenha o poder de mandar e não tenha o encargo de pagar. Aquela frase do artigo do João Miranda pode dizer-se a respeito de tudo e a respeito de nada – soará sempre bem, parece sempre ser justa. Pode classificar-se esta coisa como mais uma manifestação da ‘síndrome do lojista míope’. Pelos vistos, tudo pode ser reduzido a uma questão de contrapartidas entre pagar e mandar. Mesmo uma coisa como a Escola.
Esquece-se que ensinar é uma actividade sui generis, no sentido radical da expressão. A relação professor-aluno, a apropriação, acompanhada, de saberes é um acontecimento demasiado grave (e ao, mesmo tempo, frágil) para ser sujeito a tratamentos grosseiros. Ao dizer-se isto, pisa-se terreno delicado, porque este é o tipo de enunciados que provoca o riso na rapaziada “liberal”. Insiste-se: uma sala de aula não é equiparável a um armazém de batatas ou à boa distribuição dos tubérculos pelas sacas.

Para o ponto de vista(?) em questão há ali clientes que pagam. E há umas criaturas que fornecem uma mercadoria. Aquelas são os professores e a mercadoria é o conhecimento (podemos usar também o antiquado nome de Saber). Os clientes pagantes são os pais. Os fornecedores da mercadoria não são responsabilizados pelo produto e pelo modo como o fornecem. Os clientes, pagam, mas, coitados, não são tidos nem achados no tipo de produto que, sem alternativa, compram. Não lhes é dado o direito de avaliar a qualidade do produto. Coisa de que eles seriam perfeitamente capazes, claro. Ensinar trigonometria ou morfologia, como sabemos, não é diferente de vender sapatos ou presuntos.
São certamente felizes as pessoas que assim pensam. Têm tudo bem arrumadinho nas suas cabecinhas. Não sopra por ali uma dúvida, uma apercepção da radical diferença de uma coisa, uma inquietação. Não estão nunca postas perante uma dificuldade. Tudo é facilmente resolúvel.
Parece que durante anos vivemos sob uma espécie de ditadura mental da Esquerda. Talvez agora tenhamos caído numa ditadura “liberal”. Só que esta agora não chega a ser mental. Não tem espessura cortical para isso.
Seria curioso saber para onde enviará depois os seus filhos esta rapaziada “liberal” – se para as escolas públicas vandalizadas que preconizam, se para as outras.
Uma coisa tão séria como a transmissão e incorporação de conhecimentos é vista por estes voluntariosos teóricos como uma mera reprodução mecânica. Quase como uma coisa de êmbolos e torneiras controladas. O que passa completamente ao lado daquilo que importa.
Publicada por
Carlos Botelho
à(s)
19:55
4
comentários
Espectáculo deprimente II
Publicada por
Carlos Botelho
à(s)
16:22
1 comentários
Espectáculo deprimente I
Deprimente também, depois, ver os dois, cá fora, diante de uma estátua de Maimónides, tentando, por entre as maiores banalidades, pronunciar o nome do pobre filósofo judeu...
Publicada por
Carlos Botelho
à(s)
15:49
3
comentários
Este não é um filme de Natal...
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
10:43
3
comentários
Natal em Portugal
Publicada por
Gonçalo M Vassalo Moita
à(s)
00:51
0
comentários
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
Mais um Livro Branco…
Depois dos relatórios de sábios, que abundam em Portugal -os relatórios não os sábios, claro!-, vamos conhecer a coragem política do Ministro Vieira da Silva e do Governo para enfrentar de frente o problema da rigidez laboral. Estou curioso por ver a Proposta de Lei que o Governo vai apresentar na AR. Mantenho o que disse aqui e aqui sobre esta questão e os números do desemprego.
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
18:12
0
comentários
Um brinde à linha azul?
O nosso venerável Primeiro-Ministro esteve ontem presente na inauguração da nova estação de metro do Terreiro do Paço (voltou à terra, portanto).
Publicada por
Gonçalo M Vassalo Moita
à(s)
00:11
5
comentários
Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
Ai se isto se sabe em Viena
No Blasfémias expõe-se um gráfico/modelo a explicar o ponto de equilíbrio. No Insurgente dispara-se artilharia pesada de Chicago.
Publicada por
Manuel Pinheiro
à(s)
19:55
1 comentários
Esquecendo por um momento o aumento de €23/mês português
Mas no meio de toda esta discussão há 3 questões bastante importantes, a primeira se salário mínimo é salário mensal ou valor hora em contratos flexíveis? A segunda e terceira qual a queda salarial e de desemprego que existiria se o salário mínimo não existisse?
Como a esmagadora maioria das pessoas ganha mais do que o salário mínimo (o que deveria fazer seriamente pensar muita esquerda que parece não querer mudar de século), o acto de o baixar ou anular teria muito pouco impacto no rendimento e no emprego da população geral, mas teria algum impacto nalgumas pequenas franjas da população, nas quais se poderia constituir um incentivo algo perigoso para aderirem ou se manterem num qualquer programa de welfare ao invés de irem trabalhar.
Se se acredita na necessidade ou vontade de uma sociedade ser solidária ao ponto de defender a existência de um rede mínima de segurança, faz algum sentido criar um valor também mínimo de remuneração de trabalho que incentive as pessoas a sairem das redes de apoio social e a tornarem-se independentes, sem com isso sobrecarregar os empregadores. Claro que não há uma fórmula maravilha para esta visão, mas a ideia é que o valor mínimo de remuneração de trabalho seja efectivamente baixo e não muito distante do seu valor "natural" médio em caso de inexistência de obrigação legal, de modo a por um lado prevenir alguns abusos pontuais e por outro a não afectar o nível de emprego ao ponto da tentativa de retirar pessoas do welfare sair pela culatra.
A questão da forma salarial (mensal ou hora) é também estruturante nesta equação, e são dois paradigmas bastante distintos. Uma maior flexibilidade contratual facilita a entrada das pessoas de baixos rendimentos via uma maior adaptabilidade às necessidades concretas do empregador. Pode induzir uma maior rotatividade ou acumulação de empregos, mas aumenta o rendimento destas pessoas. Uma maior flexibilização laboral seria então uma óptima medida em conjunto com um salário mínimo aplicado em valor hora. Mínimo. Mínimo e baixo. Para enriquecer a sério as regras são outras.
Publicada por
Manuel Pinheiro
à(s)
19:26
9
comentários
"Blade Runner": Ser ou não ser, eis a questão…
Só assim se pode explicar que, depois de vinte e cinco anos e várias versões de Blade Runner, tantos esperassem esta “Director’s final cut” do filme de Ridley Scott, já referido no Cachimbo (e que já se encontra à venda em Portugal).
De facto, parece que a questão é saber se Deckard é mesmo um Replicante. Mas só é esta a questão se isso fôr o mesmo que procurar saber o que é ou não é humano; ou, também, saber se o medo é ou não condição da existência; se os factos que acontecem no tempo (no tempo de uma vida, no tempo da História) são apenas lágrimas na chuva…
Ao passar para o ecrã o livro de Philip Dick Do Androids dream of electric sheep?, Scott consegue uma dupla e rara proeza – a de ultrapassar o valor da obra literária, sem, no entanto, a atraiçoar. A riqueza e complexidade barrocas de Blade Runner – um filme que se “lê” por camadas, como acontece à fotografia que Deckard examina – tem o seu centro nevrálgico na visão (“the eye/I question”), ou não fosse o olhar que revela o eu.
Na era da chamada Pós-Modernidade – um tempo que nega o significado do Tempo – vale a pena rever esta fabulosa obra cinematográfica, que subverte a profecia distópica que ela própria faz, ganhando, para o seu protagonista, a tão desejada eternidade. E tudo isso se pode, ultimamente, resumir a um gesto, um gesto ilógico, disfuncional, não programado: o gesto gratuito, e, por isso, belo, de um Replicante que livremente poupa a vida do seu perseguidor.
Ver esta beleza: eis a questão. Eis a alternativa à miopia aguda dos génios Tyrell, falsos senhores deste nosso universo “high tech” e utilitarista que arrastou a noção de human being para a de human doing, a de conhecimento para a de competência, a de mestre ou professor para a de mediador.
Publicada por
M. Rosário Bello
à(s)
17:31
6
comentários
Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007
Porque alguns insistem no assunto...
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
18:21
2
comentários
Menino Guerreiro

«É verdade, sou um provinciano, fiz-me sem pedir nada a ninguém. Não tenho aliados entre os grandes pensadores portugueses e a aristocracia de esquerda.»
Publicada por
Filipe Anacoreta
à(s)
10:16
3
comentários
Lápis cor-de-rosa
The BBC has censored a popular Christmas song amid fears the lyrics will upset homosexuals.A BBC já fez coisas muito piores e muito mais graves. Mas a tacanhez deste acto mostra claramente que a nova censura não tem vergonha nem limites.
Fairytale of New York, by The Pogues featuring Kirsty MacColl, has been re-released for the festive period and is a contender for the coveted Christmas number one slot.
It tells the story of two lovers who trade insults on Christmas Eve and one verse ends with the memorable line: "You scumbag, you maggot you cheap lousy faggot, Happy Christmas your arse I pray God It's our last."
Radio 1 bosses have bleeped out the word faggot(*) from the song, for fear it will offend homosexuals.
(*) faggot –maricas, bicha. Não porque a 'tradução' seja necessária, mas por causa do lápis cor-de-rosa.
Publicada por
FCG
à(s)
02:39
2
comentários
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
"I've done questionable things..."
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
22:58
0
comentários
Arrogância e ilusões
A propósito do comentário de Condoleezza Rice reproduzido no blogue da Atlântico, recordei-me de uma curta conversa, há umas semanas em Bruxelas. No decurso de uma comunicação, um alto responsável pela política de imigração no Reino Unido apresentou as seguintes percentagens: da emigração africana dirigida ao conjunto formado pelos EUA e pela UE, 80% da mão-de-obra especializada escolhe os EUA como país de destino; 60% da mão-de-obra não qualificada escolhe a UE como destino.Do ponto de vista económico, a decisão de emigração é uma forma ‘radical’ de voto: um emigrante rejeita as condições e perspectivas de vida que tem numa determinada comunidade política em favor de outras, proporcionadas pela comunidade política de destino. As suas preferências relativas são reveladas através da sua deslocação efectiva –‘vota com os pés’. Note-se que, no caso de um emigrante africano, a deslocação para os EUA é muito mais difícil e onerosa do que para a UE, o que exige que a diferença entre as perspectivas de vida num e noutro lado seja ainda mais favorável para o emigrante no caso americano, de modo a motivar a deslocação. Ainda assim, uns esmagadores 80% dos trabalhadores especializados africanos preferem os EUA à Europa. No final da comunicação coloquei-lhe uma questão simples: como explica as percentagens da emigração africana?
A maior mobilidade ‘vertical’ da sociedade americana é um factor explicativo. Para um trabalhador com capacidades valorizadas no mercado, as possibilidades de acumulação de riqueza e de progressão social são comparativamente maiores nos EUA do que na UE (deixo a quem quiser tentar a explicação da inversão das proporções relativas nos destinos de emigração para o caso dos trabalhadores sem qualificações). Mas a resposta do responsável britânico surpreendeu-me porque enfatizou um aspecto inesperado. Disse, em alto e bom som: os trabalhadores africanos especializados preferem os EUA porque preferem viver integrados numa sociedade menos racista do que as sociedades europeias.
Em parte será o argumento da upward mobility por outras palavras. Mas não é só isso, pois não? E também não é certamente uma alusão aos infelizes programas de ‘affirmative action’. É uma atitude prevalecente na sociedade americana, uma forma natural de aceitação que favorece a integração e que permite que cada um encontre a ‘sua’ América na América de todos. É uma mentalidade de tolerância geralmente distorcida pela comunicação social, porque não proporciona bons filmes nem boas notícias (a fronteira entre ambos é cada vez mais difusa). É, acima de tudo, um modus vivendi, que dispensa –mais, que exige– um Estado não intrusivo nem condicionador, tentando por meios coercivos criar aquilo que efectivamente destrói.
Bem pode a UE organizar cimeiras intercontinentais, bem podem os demagogos proclamar em tom altissonante a superioridade do ‘modelo social europeu’, bem podem os anti-ocidentalistas vomitar imprecações contra a civilização americana, decretar o ‘horror’ do capitalismo americano, regurgitar pela enésima vez as patranhas da ‘inclusão’ e da ‘solidariedade’, para disfarçar a sede de controlo político e de garantir que os estados continuam a dedicar-se às actividades mais lucrativas para as oligarquias socialistas. Os rios de dinheiro e de propaganda não enganam os emigrantes africanos em busca de uma vida melhor. Nem enganam os eleitores europeus: se votam repetidamente em ilusões é porque, ao contrário dos africanos, vivem demasiadamente bem para desejarem viver melhor. Não será assim para sempre? Não importa: a indiferença da Pompadour pelo futuro democratizou-se.
Publicada por
FCG
à(s)
11:17
1 comentários
Reforma escolar e os professores
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
10:25
5
comentários
Domingo, 16 de Dezembro de 2007
Sábado, 15 de Dezembro de 2007
O cepticismo de Aron?
Como há já mais de dois dias que não se falava no Aron, lembrei-me disto:
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
17:51
0
comentários
Prémio Pessoa 2007
Publicada por
Fernando Martins
à(s)
04:09
5
comentários
Etiquetas: Prémio Pessoa; Irene Pimentel; Historiografia Portuguesa.
Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
On the Waterfront, With style
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
17:32
0
comentários
Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007
As maravilhas da Europa
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
15:59
2
comentários
Da série «O Governo até sabe fazer coisas boas»
O Primeiro-Ministro anunciou no debate mensal três objectivos para a reforma da gestão das escolas:
- Reforçar a participação das famílias e comunidades na direcção estratégica;
- Liderança mais forte: criação de um director executivo;
- Reforçar a autonomia das escolas.
Sabe-se ainda muito pouco sobre as reais intenções do Governo. Aliás, o mais certo é que estas boas intenções morram nas mãos dos burocratas centralistas da 5 de Outubro. O diploma terá ainda de ir para discussão pública e depois a Conselho de Ministros. A Fenprof ficou preocupada, o que é um bom sinal. Mas saúda-se o anúncio destes objectivos.
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
12:12
2
comentários
Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
Abaixo o fascismo alimentar da ASAE
Pelas bolas de berlim e pelos bolos da Mexicana e do Califa. Abaixo os donuts empacotados com prazo de validade. Viva a ginginha com elas e sem elas. Viva a bica a escaldar em chávenas sujas e suspeitas. Abaixo os copos de plástico. Vivam os enchidos e as castanhas assadas enroladas em listas telefónicas. Diga não aos novos burocratas dos alimentos e da higiene pública.
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
10:25
38
comentários
2009


E os impostos, caríssimos?
É justo que baixem? É justo que se mantenham?
E o Isaltino? Deve demitir-se?
E as soluções para a educação? São, finalmente, estas?
E os debates mensais na AR? Falam de nós? Falam de si?
Quer mais maternidades? Escolas? Nos centros urbanos ou no interior?
Portagens? Sim ou não?
Despesa pública. Mais, menos ou igual?
Orçamento: há mais vida para além?
Futuro da Europa (Referendo): Com os cidadãos ou jogando pelo seguro?
Justiça: (há que manter a esperança...) Fundamental reformar?
Deficientes: Uma política?
Fisco: Os fins justificam os meios?
Mortes nas estradas: Fiscalização? Curvas perigosas? Conservação das estradas?
Segurança (nocturna e - já agora - diurna): Mais polícia? Câmaras de filmar? Penas agravadas?
O seu futuro resolve-se com um xis, em 2009, sendo certo que, olhando em redor, você perceberá hoje melhor que nunca o que quiz dizer Winston Churcill: vá à bola aos fins de semana e, quando chegar a altura, deixe lá estar o dever cívico.
Quando muito, pratique um acto de fé.
(Já percebeu, caro leitor, ou quer uma Nova Oportunidade?)
Publicada por
Gonçalo M Vassalo Moita
à(s)
01:43
3
comentários
Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
Os Loucos Anos 80 (27)
Não sei porquê, mas quando ouço debates sobre a questão europeia, lembro-me sempre de uma música - "What she said" - dos imortais The Smiths, que a certa altura canta assim:
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
17:44
0
comentários
E o que fez o Governo em quase três anos?
Esta disfuncionalidade a que fiz referência no meu texto abaixo foi reconhecida pelo Governo que inscreveu no seu Programa o belo chavão da «transformação modernizadora da legislação laboral». Mas o que foi feito até agora?Primeiro, o Governo lançou um Livro Verde das Relações Laborais, um diagnóstico exaustivo (443 pgs) e realista da “doença laboral” portuguesa. Depois, constitui uma Comissão do Livro Branco das Relações Laborais que até apresentou boas ideias: maior flexibilidade na organização interna das empresas (mobilidade, polivalência, horários flexíveis, conciliar vida familiar e profissional) simplificar procedimentos, sobretudo nas micro empresas e PME, alargar o conceito de «inadaptação» do trabalhador, etc. Entretanto terminou o mandato desta Comissão (Novembro 2007) e não se conhecem as conclusões finais. Tal como não se sabe o que vai fazer o Governo, apesar das frases enigmáticas do Ministro Vieira da Silva.
Este caso é sintomático do estilo socialista de governar. Faz mesmo lembrar os tempos de Guterres: criar comissões de sábios, publicar livros verdes, seguido de livros brancos. A inovação “Sócrates” são mesmo os power-point, o resto é semelhante. Quanto a mudar uma lei politicamente sensível, o Governo prefere adiar, ficando refém de uma ideologia de esquerda serôdia.
Entretanto a economia move-se. A taxa de desemprego permanece no nível mais elevado dos últimos vinte anos, as empresas em vez de contratarem novos trabalhadores recorrem, cada vez mais, a contratos a termo ou ao trabalho falsamente “independente” (prestação de serviços ou outsourcing fictícios), numa precarização crescente das relações laborais.
Reparem que não estou para aqui a defender um mercado de trabalho desregulado. Escusam de encher a caixa de comentários do Cachimbo a acusar-me de falta de sensibilidade social. Proponho um quadro jurídico ajustado à realidade, que possa enquadrar as novas situações laborais e proteger mais o trabalhador. Mais flexibilidade, mas também uma maior protecção social dos trabalhadores, a cargo de um verdadeiro Estado garantia ("safety net").
Uma inovação concreta seria permitir que no contrato de trabalho fossem definidas as situações objectivas de cessação antecipada com a correspondente indemnização. Não seria um despedimento “sem justa causa” (proibido pelo artigo 53.º da Constituição), mas sim prever no contrato causas razoáveis e passíveis de verificação objectiva. Esta medida seria um incentivo concreto à criação de emprego, dando oportunidade aos excluídos pelo sistema actual.
O desemprego tem sido o grande falhanço deste Governo. Torna-se urgente a revisão do Código de Trabalho, ultrapassando os preconceitos ideológicos.
Este será o grande teste à capacidade reformista de Sócrates.
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
15:31
2
comentários
E o desemprego Sr. Primeiro-Ministro?
Os últimos números do Eurostat mostram que o desemprego em Portugal continua muito elevado: 8.3%, em Novembro (463 mil desempregados), chegando aos 19,3% no desemprego jovem. Há mais de vinte anos que a taxa não atingia níveis tão elevados no nosso país, sendo já uma das piores da UE27.
Publicada por
Paulo Marcelo
à(s)
10:27
6
comentários
Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
O tipo humano
Publicada por
Miguel Morgado
à(s)
22:47
3
comentários
Trick or treat? (2)
Importa perceber o que realmente motivou o teor das estimativas da recente NIE sobre o programa iraniano de armas nucleares. Do ponto de vista da segurança internacional será difícil encontrar uma matéria mais importante e a questão permanece: risco calculado ou armadilha política?De acordo com a primeira hipótese, a declaração da suspensão em 2003 do programa iraniano de armamento nuclear seria um risco calculado, que serviria para facilitar um acordo político entre os EUA e o Irão. O objectivo imediato seria a estabilização do Iraque: o Irão comprometer-se-ia a desactivar a guerrilha xiita, os EUA garantiriam condições políticas e militares que impedissem os sunitas de voltarem a constituir uma ameaça à segurança do Irão. Neste cenário, declarar a suspensão das tentativas iranianas de obtenção de armas nucleares tornar-se-ia uma profecia auto-realizada. Permitiria ao Irão desistir do programa nuclear sem comprometer a credibilidade do regime e desse modo resolveria o problema potencial de proliferação nuclear no Golfo Pérsico, diminuindo os incentivos para países como a Arábia Saudita ou o Egipto lançarem programas de armamento nuclear.
A segunda hipótese é mais simples: as agências de ‘intelligence’, especialmente a CIA teriam confrontado a administração norte-americana com as estimativas agora divulgadas, defendendo-as como as melhores conjecturas em função da informação disponível. A administração ficou perante um dilema sem escolha agradável: ou divulgava as estimativas, sabendo que as repercussões políticas limitariam drasticamente a sua margem estratégica face a Teerão (sob esta hipótese de forma não calculada), ou contrariava as conclusões dos ‘peritos’ e expunha-se à acusação de manipulação política da ‘intelligence’.
Ao longo dos últimos dias a opinião informada convergiu para a segunda hipótese. Alguma dessa opinião, não escondendo os aspectos de subversão burocrática na condução de um processo político e diplomático, defende ainda assim a atitude dos serviços de informação americanos, associando as estimativas apresentadas à ‘verdade’ dos factos e à precaução que deve orientar a conduta de burocratas que operam em áreas tão importantes como a informação secreta.
Sucede que a conduta dos responsáveis pela NIE não foi nem uma coisa nem outra. Comece-se pela questão da ‘verdade’ factual: com a excepção dos directamente envolvidos, praticamente ninguém corrobora ou aceita sem restrições as conjecturas da NIE. Diversos peritos rejeitam totalmente as conclusões. Outros sugerem que a avaliação recente é consistente com o longo historial de asneiras colossais da responsabilidade da CIA. Até a IAEA declarou que não se atrevia a ser tão ‘generosa’ –foi o termo utilizado– como a CIA e restantes agências envolvidas na NIE.
A verdade factual não teria grande importância se a primeira hipótese fosse a correcta. Seria ‘cheap talk’, uma forma de coordenar o processo negocial subsequente entre EUA e Irão. Mas sob a segunda hipótese é crucial. Aliás, a única defesa possível dos responsáveis pela NIE é a sua absoluta convicção de que estão a reportar a melhor estimativa do verdadeiro estado do programa nuclear iraniano. De outro modo, a ‘generosidade’ é um acto de sabotagem política ao mais alto nível. Repito: se um dia destes se vier a descobrir que afinal as fontes não eram fiáveis, ou que entre os responsáveis pela NIE havia quem não concordasse com a actual política externa americana face ao Irão e deixou que os seus juízos pessoais influenciassem matéria tão importante, então estaremos perante um acto bem mais grave do que outro fiasco de ‘intelligence’.
Quanto à questão da precaução na conduta dos responsáveis pela NIE: li em diversos artigos e notícias que o DNI (Director of National Intelligence) estaria ‘escaldado’ com o fiasco Curveball e que isso explicava a sua conduta ‘conservadora’, evitando declarar a existência de um programa de armas nucleares activo sem dispor de evidência inquestionável. Percebe-se a ideia mas não é correcta. Em matéria de juízos probabilísticos, ser ‘conservador’ significa respeitar o status quo, até que nova evidência o permita rejeitar/rever com uma elevada margem de confiança. Ora neste caso o status quo corresponde à existência de um programa activo de armamento nuclear no Irão. É isso que consta claramente da anterior NIE, de 2005; é essa a opinião da generalidade dos serviços de informação ocidentais; é provavelmente essa a convicção dos peritos da agência da ONU para questões de energia nuclear, a IAEA. A estimativa mais recente da ‘intelligence’ americana não tem nada de conservadora: é uma revisão radical do consenso de especialistas nesta matéria. Embora não se trate de um ensaio de hipóteses na verdadeira acepção estatística, só se compreende a inversão de julgamento se a CIA & afins dispuserem de informação nova e extremamente fiável. De outro modo, a ‘generosidade’ dos burocratas adquire um sabor desagradavelmente próximo da subversão política: num regime constitucional bem ordenado, nem a administração pública nem as forças armadas fazem política.
Um último aspecto importante é a questão das consequências para a interacção política entre os EUA e o Irão. Robert Kagan afirma que mesmo tratando-se de ‘intelligence’ questionável, a melhor resposta da presidência americana é abrir conversações com os dirigentes iranianos. Isto pode sugerir que, afinal, as duas hipóteses não são assim tão diferentes do ponto de vista das consequências. Não é verdade. Uma negociação política com o Irão por iniciativa política presidencial é muito diferente de uma negociação política determinada pelas circunstâncias: o poder negocial de Washington é drasticamente menor sob a segunda hipótese –e o de Teerão bem maior. O ‘golpe’ não foi inocente e não será inconsequente para os interesses políticos americanos e ocidentais.
Aqueles cuja bússola política aponta sempre na direcção ‘anti-Bush’ poderão interpretar este texto como uma tentativa de isentar o presidente americano de responsabilidades políticas nesta matéria. Não é: sabendo-se o que está em causa, o que dizer do estado político de um presidente que deixa indivíduos por si nomeados para cargos tão sensíveis pendurarem-lhe uma coisa destas no nariz?
Publicada por
FCG
à(s)
14:25
2
comentários



















